<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-2449249290595044570</id><updated>2012-02-16T06:58:00.387-08:00</updated><title type='text'>MEMORIAL JOÃO MULUNGU</title><subtitle type='html'>Arquivo de levantamentos do Heroi Negro Sergipano, algumas de suas ações e manifestos sobre sua tragetória, bem como controvérsias históricas. São emelentos importantes para um perfil de sua importancia na Resistência Negra entre nós.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://mororialjmulungu.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2449249290595044570/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mororialjmulungu.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>29</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2449249290595044570.post-6986332808282078011</id><published>2009-10-21T16:56:00.002-07:00</published><updated>2009-10-21T17:00:43.650-07:00</updated><title type='text'>JOÃO MULUNGU - HEROI DA RESISTÊNCIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/St-ghiVLZJI/AAAAAAAAB9I/7Ys6Z40k0vQ/s1600-h/gtyu.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 83px; height: 110px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/St-ghiVLZJI/AAAAAAAAB9I/7Ys6Z40k0vQ/s400/gtyu.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5395207376624903314" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;MEMORIAL JOÃO MULUNGU&lt;br /&gt;HEROI DA RESISTÊNCIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AGRADECIMENTOS&lt;br /&gt;Acrísio Torres&lt;br /&gt;Antônio Carlos Leite Franco&lt;br /&gt;Antônio  Gomes de Andrade&lt;br /&gt;Ariosvaldo Figueiredo&lt;br /&gt;Arquivo judiciário de Sergipe&lt;br /&gt;Arquivo Público de Sergipe&lt;br /&gt;A Tarde&lt;br /&gt;Biblioteca Pública de Sergipe&lt;br /&gt;Clarêncio  Fontes&lt;br /&gt;Câmara Municipal de Aracaju&lt;br /&gt;Câmara Municipal de Laranjeiras&lt;br /&gt;Djaldino  Mota Moreno&lt;br /&gt;Eugênio Nascimento&lt;br /&gt;Genário de Almeida&lt;br /&gt;Instituo Histórico e Geografia de Sergipe&lt;br /&gt;Jornal A Voz do Município&lt;br /&gt;Jornal da Manhã&lt;br /&gt;Genaro de Almeida Brota&lt;br /&gt;Jorge Araújo&lt;br /&gt;Juarez Conrado&lt;br /&gt;Lourival Santana   Santos&lt;br /&gt;Maria Nelly Santos&lt;br /&gt;Pedrinho Santos&lt;br /&gt;Wellington da Mota Paixão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;INDICE&lt;br /&gt;Apresentação&lt;br /&gt;Agradecimentos&lt;br /&gt;Introdução&lt;br /&gt;Pós dos Arquivos                                                    - ACRISIO  TORRES&lt;br /&gt;Editorial                                                                  - Jornal Nagô&lt;br /&gt;Mensagem á Câmara Municipal de Laranjeiras     -&lt;br /&gt;                     - Antonio Carlos Leite Franco&lt;br /&gt;Aparte do  Vereador Neemias&lt;br /&gt;Lei nº  407                                                               - Prefeito de Laranjeiras&lt;br /&gt;Projeto Reconhece Herói e Institui Consciência  Negra.&lt;br /&gt;Lei 1858                                                                  - Clarêncio Fontes&lt;br /&gt;João Mulungu: Herói Negro Sergipano&lt;br /&gt;                      - A TARDE&lt;br /&gt;Herói Negro é Reavaliado                                       - Eugênio Nascimento&lt;br /&gt;João Mulungu                                                          - Severo D’Acelino &lt;br /&gt;Manifesto João Mulungu                                         - Severo D’Acelino&lt;br /&gt;João Mulungu e o Modelo Afro Sergipano&lt;br /&gt;- Severo D’Acelino&lt;br /&gt;Controvérsias sobre João Mulungu&lt;br /&gt;- Severo D’Acelino&lt;br /&gt;Notas sobre Quilombos em Sergipe&lt;br /&gt;- Lourival Santana Santos&lt;br /&gt;Fugas: Uma Alternativa de Liberdade&lt;br /&gt;- Maria Nele Santos&lt;br /&gt;Outros Mulungu, outros Mitos&lt;br /&gt;- Maria Nele Santos&lt;br /&gt;O Destino do Herói é Antecipar a Utopia&lt;br /&gt;- Severo D’Acelino&lt;br /&gt;A Saga de João Mulungu                                                          -     Severo D’Acelino&lt;br /&gt;Violência e Fuga                                                                        -  Ariosvaldo Figueiredo&lt;br /&gt;- Robert Conrado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;INTRODUÇÃO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O  presente trabalho in coletânea ,  busca  assinalar  o  nosso imobilismo enquanto negros  responsáveis pelo resgate, revisão e visitação a tradições.&lt;br /&gt;Busca também, a ampliação  do debate  e  discussões  em  torno de João Mulungu , nosso libertário, elevado a categoria de Herói Negro Sergipano, numa quebra do rio protocolar do Brasil e  que fugiu aos parâmetros tradicionais da  filosofia conservadora de Sergipe, gerado em  torno do processo de  reativação da Cultura Negra e reconhecimento do Arquivo  Humano Afro Sergipano.&lt;br /&gt;Em  torno de João Mulungu, a nossa  pesquisa já se arrasta  desde os  anos 70 com os constantes  problemas de comunidade motivado pelo desinteresse institucional, principalmente no aprovo de projeto e liberação de recursos  continua se cristalizando na medida em que  documentos afloram,numa constante contradição histórica ,  contribuindo para a ampliação do saber e ampliando a nossa insegurança acadêmica para a conclusão do assunto.&lt;br /&gt;Algumas informações textualizadas e publicadas em torno do tema, onde buscam confundir a opinião pública, principalmente a comunidade estudantil, na desvalorização do Personagem, querendo tornar baixo e inferior a ação, nos impele a manifestos  acirrados.&lt;br /&gt;Colocamos aqui, o conjunto representativo da ação, como contribuição as novas achegadas para reflexão e ampliação do debate sobre a  importância de João Mulungu, sua trajetória, as ações negativas dos governos e a falta de força crítica dos intelectuais e, sobretudo, da omissão deliberada dos nossos historiadores em colocar na vala comum a história do negro sergipano,uma das mais importantes do Brasil.&lt;br /&gt;Buscamos  o estímulo e direcionamento a redescoberta dos nossos signos,heróis e heroínas nos episódios políticos,sociais,culturais e econômico de  Sergipe e remetido as  salas de aulas para formação  intelectual desse contingente de  negros aculturados.&lt;br /&gt;O Memorial Documental JOÃO MULUNGU será referencial deste resgate e revisão histórica do negro sergipano, trazendo á superfície os fatos e episódios desde a introdução dos nossos ancestrais com o advento da escravidão.&lt;br /&gt;A desmistificação  do discurso colonialista,trará a renovação das pesquisas, bem como a natureza do seu enfoque,tirando o negro e suas culturas da posição de objeto da ciência, para agentes da história.&lt;br /&gt;Numa ação natural às controvérsias sobre as qualidades de João Mulungu e sua trajetória libertária, buscamos na apresentação do manifesto, não à polêmica, mas a ação de atitudes e do interesse coletivo de resgate, a elaboração conjunta de nossa e sua exclusão.&lt;br /&gt;Resistência e caminhos é a proposta de revitalização histórica e ancestral do nosso Arquivo Humano e valores numa visão múltipla, na busca de resistência e caminhos é a proposta de revitalização histórica ancestral do nosso Arquivo Humano e valores numa visão múltipla, na busca de esclarecimentos às controvérsias geradas pelo preconceito e pela idiossincrasia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ÓS DOS ARQUIVOS&lt;br /&gt;Acrísio torres in Gazeta de Sergipe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano de 1876, o Presidente da Província ARAÚJO PINHO vem anunciar a população de Sergipe o fim dos quilombos. Os haviam trazido interior em pânico,atacando engenhos,fazenda, violentos saqueadores.&lt;br /&gt;Divina pastora, Capela, Rosário do catete, Maruim, Laranjeiras,haviam sido locais de agrupamento de fugidos. Era chefe geral desses quilombos, o quilombola João Mulungu.&lt;br /&gt;Tinha apenas 25 anos, crioulo de estatura regular e, segundo documentos da época era “um pouco ladino e insinuante”, era o terror das populações do interior, mormente dos curraleiros  e senhores de engenho.&lt;br /&gt;Na captura de mulungu foram postos em prática os planos do DR.&lt;br /&gt;Vieira de Melo , Juiz de divina Pastora, e as diligências do Capitão Batista da Rocha, Bravo, Sagaz, este oficial era capaz de empresas mais arriscadas. Durou cinco dias e cinco noites a diligência, mas ao cabo das fadigas e perigos, Mulungu, foi preso no lugar flor Roda, em Rosário do catete. Mulungu, o mais famoso quilombola de Sergipe.&lt;br /&gt;Mãos amarradas à frente da escolta, o célebre bandido negro foi conduzido à capital da província. Todos se sentiram aliviados, a mercê do Juiz  Vieira de melo e do auxiliar imediato,alferes Marcolino Franco .Aracaju  daqueles idos, assistiu levemente assustada, muda, a passagem de Mulungu.&lt;br /&gt;Na cadeia pública, foi objeto de curiosidade da população e, durante anos, ocupou a memória das populações interioranas que aterrorizara. Vigoroso nas arremetidas e resistências. Mulungu também se mostrou forte na prisão, ante juizes e autoridades. Por isso mesmo, dissera durante o processo preferir ser enforcado (e foi) em praça pública a voltar para casa de seu senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EDITORIAL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O discurso que evidencia a perplexidade da nossa memória embaçada pelos constantes hiatos, verificados há mais de 400 anos reforçado pela atomização e pela idiossincrasia cultural, imposta a nossa gente pela chamada cultura dominante, nos impondo seus signos e estética em detrimento aos nossos valores, através do estigma do branqueamento, a nossa oportunidade se apresenta na medida da colocação de nossa pele,   (quanto mais claro, maiores as oportunidades), e ninguém quer ser negro na concepção da palavra, pois o negro em nossa sociedade representa  tudo de ruim, é xingamento.&lt;br /&gt;A nossa ancestralidade se prende a nossa consciência, a esperança de nossa valorização através do reconhecimento dos nossos valores, nossos heróis, lendas, mitos a colocação de nossa cultura. Os nossos heróis ainda hoje clamam por justiça, reconhecimento e ainda são considerados marginais, criminosos, assassinos e ladrões, quando identificados. No entanto, sabemos que assim não o são, e, nesta condição os nossos heróis, líderes negros sergipanos, olvidados, clamam por atos de desagravos constantes, não só da nossa comunidade, sobretudo quanto da sociedade que os violentou.&lt;br /&gt;JOÃO MULUNGU – O herói negro sergipano, carece de reconhecimento urgente, de todos os segmentos da sociedade e sobretudo de sua comunidade que o esqueceu, antes mesmo de o amar e identificar. O seu nome deve ser exemplo de todos que na constância reivindicatória, propugna por defender os legítimos direitos de sua comunidade no dia-a-dia em busca de uma sociedade igualitária e mais justa, na solução e encaminhamento dos nossos problemas e na discussão de nossa condição.&lt;br /&gt;A comunidade negra sergipana, deve conhecer os seus heróis, ara que através deste comportamento solidifique a identidade, como meta de esclarecimento da importância de nossa ancestralidade, na construção deste espaço nacional, da história do Brasil e de Sergipe em particular, através dela mesma buscar definir um espaço em que possa estender o reconhecimento além de suas fronteiras e buscar dos legisladores, o reconhecimento público e sem sombra de dúvidas a nossa primeira investida e enquanto comunidade e enquanto negros em busca de nossa ancestralidade e identidade, será resgatar para os nossos, o nosso Herói, pois o seu pleno reconhecimento e a nossa presença firme e inabalável em defesa dos nossos valores.               JOÃO MULUNGU, Herói Negro Sergipano, líder dos quilombos coloniais, para que possamos resistir no combate sistemático em nossos quilombos, urbanos e rurais, contra a repressão da máquina que nos massacra e violenta.&lt;br /&gt;JOÃO MULUNGU é nosso. Nos pertence.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“LIBERTAS QUAE SERÁ TAME”&lt;br /&gt;Liberdade, mesmo que tardia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornal Nagô&lt;br /&gt;Órgão oficial de divulgação do Grupo Regional de Folclore e Artes Cênicas&lt;br /&gt;“CASTRO ALVES” - Instituto Severo D’Acelino de Culturas Negras.&lt;br /&gt;Boletim informativo No. 01/86&lt;br /&gt;Reg. SCDP/DPF/SE No. 02236&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EXCELENTÍSSIMO SENHOR PRESIDENTE DACÂMARA DE VEREADORES DE LARANJEIRAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EXCELENTÍSSIMOS SENHORES VEREADORES:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Surge, mais uma vez a oportunidade de encaminharmos a essa Colenda Casa Legislativa, o Projeto de Lei No. 04, de 01 de Agosto do corrente ano, que trata de resgatar o nome de  JOÃO MULUNGU do ostracismo que vem varando os tempos desde o século passado, quando o personagem em apreço destacou-se no cenário das lutas liberatórias da Raça Negra em nosso Estado.&lt;br /&gt;O presente projeto que reconhece em JOÃO MULUNGU, o mais expressivo defensor da causa negra, na luta contra a escravidão no nosso Estado, justifica-se, em si mesmo, pelo relevante papel que Laranjeiras, através dos seus filhos, desempenhou nos embates pelos ideais anti-escravagistas.&lt;br /&gt;Tido e havido como negro libertatório, segundo parecer abalizado da Casa de Cultura Afro Sergipana, JOÃO MULUNGU é filho de Laranjeiras, “nascido nas senzalas do engenho Flor da Roda, no ano de 1851, ( presumível ) escravo de propriedade de João Pinheiro de Fraga, dono da Flor de Roda”.&lt;br /&gt;A sua ação de homem consciente de sua condição humana na luta pela e pela dignidade dos demais escravos, não recrudesceu em seu afã de libertar os seus irmãos de cor da escravidão que era a prática dominante do poder econômico sobre uma classe vilipendiada, dos escravos.&lt;br /&gt;Líder de grande poder combativo mobiliza toda a província de Sergipe Del Rey para a luta dos escravos, conseqüente grito de real liberdade e sedimentação democrática.&lt;br /&gt;Considerado memória viva de nossa história, Herói Negro nos aparece como “O Símbolo de libertação no Negro do passado ao do presente&lt;br /&gt;Em formulação constante ao Negro do futuro”, audaz e inteligente, força viva e inquebrantável do nosso conceito de liberdade, notabilizado pelos esforços as casa de cultura Afro Sergipana, que tem à sua frente o esforço e mais destacado líder atual Severo D’ Acelino, o presidente da citada entidade.&lt;br /&gt;Instituir o dia 19 de Janeiro, como o dia Mundial de Consciência Negra, é, antes de tudo, estabelecer o poder de pensar e rebelar-se contra qualquer ideal de submissão do povo que construiu a custa de humilhação, a terra do Condutor, altaneiro manancial de cultura que empresta a Sergipe e ao Brasil, e porque não diz, ao mundo, as mais belas manifestações de luta, de força e de altivez, que são e serão legados permanentes e indestrutíveis da força do nosso povo.&lt;br /&gt;Este Executivo Municipal, cônscio do dever que se lhe impõe a sua própria função, não podia e não pode descurar-se de suas obrigações com o seu povo, protegendo-lhe as aspirações, razão porque submetemos à apreciação de Vossas Excelências projeto de Lei, pedido-vos, afim, após os estudos de apraxe, a aprovação deste importante projeto.&lt;br /&gt;Gabinete do Prefeito Municipal de Laranjeiras, em 01 de Agosto de 1990.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mensagem do Prefeito Municipal Antônio Carlos Leite Franco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O presidente da Câmara Municipal de Laranjeiras  coloca em 2a  discussão e posteriormente votação,  projeto de Lei No . 05/90 de autoria do Executivo Municipal. Discussão  DO PROJETO; Discute o vereador Neemias de  Almeida Ribeiro, para pedir que alguém da parte do Prefeito explicasse o Projeto, para  não votar sem saber, diz que procurou  uma pessoa formada em historia e indagou sobre João  Mulungu, segundo essa pessoa a historia não diz nada sobre ele ; continua e diz que foi uma invenção de outro negro meio doido querendo aparecer que se chama Severo, pos o mesmo inventou isso para ganhar dinheiro, e criou o Herói  Negro João Mulungu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;39a  Sessão  Ordinária em 06 de Agosto de 1990&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ESTADO DE SERGIPE&lt;br /&gt;PREFEITURA MUNICIPAL DE LARANJEIRAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lei No. 407&lt;br /&gt;De  08 de Agosto de 1990&lt;br /&gt;RECONHECE HERÓI NEGRO DE LARANJEIRAS, INSTITUI DIA MUNICIPAL DE CONSCIÊNCIA NEGRA LARANJEIRENSE E DA OUTRAS  PROVIDENCIAS  CORRELATAS.&lt;br /&gt;O PREFEITO MUNCIAPAL DE LARANJEIRAS , ESTADO DE SERGIPE, faço saber que a Câmara de vereadores aprovou e eu sanciono a seguinte lei.&lt;br /&gt;Art. 1o. – Fica reconhecido, JOAO MULUNGU, como Herói Negro de Laranjeiras, pela sua real participação  e importância na luta contra o cativeiro e na libertação de sua raça no Estado de Sergipe.&lt;br /&gt;Art. 2o. – Fica instituído  o dia 19 de Janeiro, como o Dia Municipal de Consciência Negra Laranjeirense, data esta que se refere a prisão de Líder Negro JOÃO MULUNGU, nas terras do engenho Flor da Roda, em Laranjeiras.&lt;br /&gt;Art. 3o. – A Secretaria  Municipal de Educação, Cultura. Esporte  Lazer e Turismo tomara, através do Departamento de Cultura e Turismo, as providencias cabíveis para a divulgação da presente Lei.&lt;br /&gt;Art. 4o – Essa Lei entrara em vigor na data da sua publicação, revogando as disposições em contrário.&lt;br /&gt;ESTADO DE SERGIPE&lt;br /&gt;PREFEITURA MUNICIPAL DE LARANJEIRAS&lt;br /&gt;GABINETE DO PREFEITO MUNICIPAL DE LARANJEIRAS, em 08 de Agosto de 1990.&lt;br /&gt;ANTONIO CARLOS LEITE FRANCO&lt;br /&gt;PREFEITO MUNICIPAL&lt;br /&gt;GENARO DE ALMEIDA BROTA&lt;br /&gt;Secretario Municipal de Assuntos Jurídicos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PUBLICAÇÃO                                          REGISTRO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Publicado(A) em 09/08/90                          Registrado(a) as fl. 31 vs.&lt;br /&gt;Laranjeiras 09/08/90                                   do livro de leis.&lt;br /&gt;Laranjeiras 09 de 08 de 1990&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PROJETO RECONHECE HEROI E INSTITUI&lt;br /&gt;CONSCIÊNCIA NEGRA                               Clarêncio Fontes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Prefeito Municipal, Antonio Carlos Leite Franco, encaminhou a Câmara de Vereadores mensagem em que submeteu a apreciação da edilidade  o Projeto de Lei No. 04, de 01 de Agosto de 1990, reconhecendo Herói Negro de Laranjeiras João Mulungu, concomitantemente instituindo o  dia 19 de Janeiro como “Dia da Consciência Negra Laranjeirense”. No teor do referido projeto lemos que essa figura quase mística, um símbolo de uma época e que perdura, teve real apresentação e importância na luta contra o cativeiro e na libertação de sua raça no Estado de Sergipe Por outro lado, no que se refere a fixação da data comemorativa, reminescente, o  19 do primeiro mês do engenho Flor da Roda, em Laranjeiras.&lt;br /&gt;Na mensagem remetida a apreciação dos vereadores, o prefeito diz que  trata-se de resgatar o nome de João Mulungu do ostracismo que vem varando os tempos desde  século passado, quando o personagem em apreço destacou-se no cenário das lutas liberatórias  da Raça Negra em nosso Estado, reconhecendo no vulto o mais expressivo defensor dessa causa. Justificando-se a iniciativa do projeto, em si mesmo, pelo relevante papel que Laranjeiras, através dos seus filhos, desempenhou embates pelos ideais anti-escravagistas.&lt;br /&gt;João Mulungu (árvore de flores vermelhas, diz o dicionário) e filho de Laranjeiras, nascido nas senzalas do engenho Flor da Roda, no ano de 1851  (presumivelmente), escravo da propriedade de João Pinheiro de Fraga. E “A sua ação de homem consciente da condição humana na luta pela dignidade  própria e dos demais escravos, não esmoreceu no afã de libertar os irmãos de cor da escravidão que era  a pratica     dominante do poder econômico sobre uma classe vilipendiada, a dos escravos”.&lt;br /&gt;E prossegue a mensagem do Executivo, justificando: “...Líder de grande poder combativo, mobiliza toda a Província de Sergipe Del Rey para luta pela libertação dos escravos, um corajoso grito determinante na busca da condição do estado do homem livre da sedimentação democrática...”&lt;br /&gt;“...Considerado memória viva de nossa historia o Herói  Negro nos aparece como símbolo de ligação do negro do passado ao do presente em emulação constante  ao negro do futuro, audaz e inteligente, força viva e inquebrantável do nosso conceito de liberdade, notabilizado pelos ingentes esforços da Casa de Cultura Afro Sergipana, que tem a sua frente o esforço Severo D’Acelino, presidente e idealizador da entidade...”&lt;br /&gt;“...Instituir o 19 de Janeiro, como Dia Municipal de Consciência Negra, e antes de tudo estabelecer o poder de pensar e de rebelar-se contra qualquer ideal de submissão do povo que construiu a custa de humilhação  a terra de Condor,altaneiro manancial da cultura que empresta a Sergipe  e ao Brasil, e por que não dizer ao mundo, as mais belas manifestações de luta, de força e de altivez, que são e serão  legados permanente  e indestrutíveis da força do nosso povo...”&lt;br /&gt;O prefeito de Laranjeiras, por fim, diz que cônscio do dever  que se lhe impõe a sua própria função não podia e não pode descurar-se de suas obrigações com o seu povo, protegendo-lhe as aspirações, razão porque submeteu o Projeto de lei Nº. 04 a apreciação, isntando-se, após os estudos de praxe. Aprovaram pela importância que se reveste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EM QUE CLIMA DE MENTALIDADE NASCEU MULUNGU?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pesquisador lembrando-nos que o preconceito racial, a segregação, o racismo, não existem somente na África do Sul, e sim em múltiplos regiões, paises, etnia, clãs e agrupamentos humanos na terra, e que tanto podem partir do branco como do negro, amarelo, etc, o apartheid, ou as discriminações, por mais veladas os sutis que sejam, precisam ser separadas, uma das condições para chegarmos a um estagio evoluído do cristianismo pratico, na busca da solidariedade. O sacrifício de heróis e mártires na luta desigual do passado, e as seqüelas, os resíduos de opressão a dignidade, a humilhação as minorias, ora desajustadas, devem servir de exemplo para a recuperação de valores mais justos e de elos perdidos na saga da dignidade.&lt;br /&gt;O escravo configurava-se como um empecilho ideológico a higiene e a modernização. Discursos  de diferentes procedências sociais colocavam-se lado a lado com miasmas e insalubridade. Na realidade, alem da condição escrava, o próprio hímen negro-que já havia sido excluído, por ocasião do Pacto Social implicado no Movimento da independência a composição de classes que constituiria, na visão do estado, o controle da nação brasileira-recebia conotações negativas de parte do corpo social.Escravo e negro eram percebidos, na pratica, com a mesma coisa.&lt;br /&gt;O patrimônio simbólico do negro brasileiro (a memória cultural da ÁFRICA) afirmou-se aqui como território político-místico-religioso, para a sua transmissão e preservação. Perdida a antiga dimensão do poder guerreiro, ficou para os membros de uma civilização desprovida de território físico a possibilidade de se “reterritorializar” na diáspora através de um patrimônio simbólico consubstanciado no saber vinculado ao culto dos muitos deuses, à institucionalização das festas, das dramatizações dançadas e das formas musicais. É o egbé, a comunidade litúrgica, o terreiro, que aparece na primeira metade do século dezenove.&lt;br /&gt;TERRITÓRIO POLÍTICO&lt;br /&gt;O saber místico que constituía o ethos da africanidade (com isso também concordam e colaboram Clarêncio Fontes e Genaro de Almeida Brota, o último um pesquisador de Laranjeiras) no Brasil adquiria contornos claramente políticos diante das pressões de todo tipos exercidas contra a comunidade negra. Assim, os espaços que assim se “refaziam” tinham motivações do mesmo tempo míticas e políticas. Veja-se o caso do quilombo: não foi apenas o brande espaço de resistência guerreira. Ao longo da vida brasileira, os quilombos representavam recursos radicais de sobrevivência grupal, com uma forma comunal de vida e modos próprios de organização. Na verdade, “quilombos” eram uma designação de fora (do jargão jurídico da colônia): os negros preferiam chamar seus agrupamentos de “cerca” ou “mocambo”. E iam desde grupos isolados no interior do país até morros (dentro da metrópole carioca) ou a sítios próximos ao território urbano, a exemplo da região da Cabula, em Salvador.&lt;br /&gt;Está por se pesquisar ainda, sobre circunstâncias de vida colonial, no campo étnico em Sergipe. A forma negro-social em Laranjeiras, ou social negro-sergipano, o processo de acomodação de levas e mevas ao longo das conveniência habitacionais e exploratórios econômicos no Vale do Cotinguiba, a opressão e a existência de dezenas de heróis que podem ter sobressaído menos, a ficarem apagados na memória do tempo e dos homens, mas que existiram.&lt;br /&gt;À Casa da Cultura Afro Sergipana, compete mobilizar forças e energia para reverenciar os vultos do passado do negro em Sergipe. O primeiro grande exemplo está à mostra. E a atitude do prefeito de Laranjeiras é original, única no país, criando o “Dia Municipal de Consciência Negra”, como precedente a ser seguido, para conscientização de tantas outras reais e básicas necessidades à valorização do homem. Precisamos despertar a consciência para erros e injustiças do passado, para que reamadureçam na alma da modernidade, dos contemporâneos, e irmãos fronteiriços, ou vizinhos territoriais. Reverenciemos a memória de nossos heróis e mártires, e são quantos (?), à forma grandiloquente desse batavo que agora gera curiosidade e, quem sabe, controvérsia e perquirições...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornal a voz do município.&lt;br /&gt;Laranjeiras – Sergipe&lt;br /&gt;Agosto – 1990&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ESTADO DE SERGIPE&lt;br /&gt;PREEEITURA MUNICIPAL D E ARACAJU&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LEI N. 1858&lt;br /&gt;DE 14 DE JULHO DE 1992&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Institui DIA NUNICIPAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA e reconhece JOÃO MULUNGU como HERÓI NEGRO do Município e dá outras providências correlatas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; PREFEITO MUNICIPAL DE ARACAJU:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço saber que a Câmara de Vereadores aprovou e eu sanciono a seguinte lei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Art. 1º.  -    Fica instruído o dia 19 de Janeiro como o “DIA MUNICIPAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parágrafo Único – O Dia Municipal da Consciência Negra, previsto no “caput” deste artigo, fará parte do calendário cultural do Município.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Art. 2º. -  Reconhece JOÃO MULUNGU como “Herói Negro” pela sua participação e importância na luta contra a escravidão.&lt;br /&gt;ESTADO DE SERGIPE&lt;br /&gt;PREFEITURA MUNICIPAL DE ARACAJU&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Art. 3° - Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação.&lt;br /&gt;Art.4° - Ficam revogadas as disposições em contrário.&lt;br /&gt;Palácio ‘Inácio Barbosa’, em Aracaju, 14 de Julho de 1992.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;WELLINGTON DA MOTA PAIXÃO&lt;br /&gt;PREFEITO DE ARACAJU&lt;br /&gt;Waldemar Bastos Cunha&lt;br /&gt;Secretário Municipal de Governo&lt;br /&gt;Joaquim Prado Feitosa&lt;br /&gt;Secretário Municipal De Planejamento e Finanças&lt;br /&gt;Antonio Jacintho   Filho&lt;br /&gt;Procurador Geral do Município&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JOÃO-MULUNGU: HERÓI-NEGRO-SERGIPANO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                  A recuperação da memória negra sergipana, encetada desde  1980 pelo Grupo Regional de Folclore e Arte Cênica Amadorista Castro Alves, através do seu Órgão de Documentação e Pesquisa – Instituto Sergipano de Pesquisa da Cultura Popular Negra – começa a dar os primeiros resultados no sentido de, efetivamente trazer a público a verdadeira imagem e importância dos líderes, heróis lendas, mitos e organização das várias culturas negras existentes na comunidade sergipana.&lt;br /&gt;O GFRACACA/ISPCPN, entidade sergipana de cultura popular e negra, com funcionamento legal, tem objetivos definidos em pesquisas, educação, formação e divulgação das manifestações do contexto cultural e especificamente dos trabalhos junto às comunidades, sendo o candomblé seu ponto de irradiação.&lt;br /&gt;“João Mulungu”, a força da tradição oral, é quem tem possibilitado a tênue recuperação das manifestações negras no Brasil e essa constante se verifica em toda diáspora. O trabalho sobre o levantamento da memória de “João Mulungu” teve início em 1981, através das informações do cineasta Djaldino Mota  Moreno ao coordenador geral, José Severo, conhecido nacionalmente por Severo D’Acelino. A referência foi um artigo publica dona “Gazeta de Sergipe” sob o título “Poeira dos Arquivos”, porém as informações ali contidas não eram suficientes para  maior envolvimento, até que, em 1984, foram obtidos maiores detalhes e referências documentais. A fonte documental que maior contribuição dará aos estudos da memória do negro sergipano será o Arquivo Judiciário, presta a ser instalado.&lt;br /&gt;Nascido na  zona da Cotinguiba , em   1851 ,negro ladino ,liberou  diversos  quilombos  , dando –lhes continuidade pela organização de sua comunidade , na busca  de  liberdade  e dignidade , lutando  contra a  opressão do  dominador e do trabalho hostil . Foi o  líder  dos quilombos Sergipanos desde  o início  da      manifestação em  Estado a partir do  século XVII,XIX.&lt;br /&gt;Foi enforcado em  Santo  Antônio  de  Aracaju  , após  sua  prisão, a  13  de Janeiro  de  1876 ,com  apenas  25  anos  de idade.&lt;br /&gt;Sua memória está sendo  recuperada  pelo  GRFACACA/ISPCPN, através do cordel, cartaz, palestras,cursos (comunicação e divulgação à comunidade), além de seu nome no auditório da entidade.&lt;br /&gt;A opinião do Conselho Estadual de Cultura, acerca da entidade, pode ser verificada, no item 3o., do processo No 130/84.&lt;br /&gt;“Na comprovância de sua funcionalidade, foram anexadas ao processo, estatutos, textos distribuídos em cursos, comunicações feitas, em eventos culturais e festivais de cultura negra, as quais voltadas para a defesa da história do negro e suas manifestações  são das expressivas”.&lt;br /&gt;A existência do grupo e a liderança exercida pelo Sr. José Severo dos Santos, na comunidade ficam comprovadas.&lt;br /&gt;O coordenador Severo é conselheiro do Memorial Zumbi, membro da comissão Sergipana dos humanos, fundador do MNU&lt; GRFCACA/ISPCPN,oni-odé do lylê Opô Airá, técnico cultural, ator, teatrólogo, conferencista e, sobretudo, sergipano do Aribé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jornal Á Tarde, 13 de Maio de 1985.&lt;br /&gt;HERÓI NEGRO É REAVALIADO&lt;br /&gt;Eugênio Nascimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Mulungu, apontado até agora como o maior herói negro de Sergipe, começa a ter o seu papel questionado. Não se pretende apagar sua importância histórica, mas já se combate o mito através de pesquisas como a que vem sendo realizada pela professora Nelly Santos, do departamento de história da Universidade Federal de Sergipe.&lt;br /&gt;Segundo ela, Mulungu não agiu como um “libertador”, mas sim como um “fujão” que deu muito trabalho aos donos de engenhos, fazendas e a justiça. Nelly Santos aponta outros negros que durante o período da escravidão agiram de formas reconhecidamente heróica e destaca o papel de um branco- Francisco José Alves- como o grande abolicionista sergipano.&lt;br /&gt;A reavaliação da professora surge em um momento oportuno.&lt;br /&gt;Este ano o país comemora 300 anos do maior líder negro, Zumbi dos Palmares, e observa que tanto tempo depois da morte dele, os preconceitos, discriminações e o racismo ainda são muito fortes, apesar de disfarçados.&lt;br /&gt;O mito João Mulungu, apontado por alguns pesquisadores e militantes do movimento negro como o maior herói negro de Sergipe, começa a cair por terra.A sua importância histórica é reconhecida, mas há exageros últimos anos, apontando-o principalmente, como um “libertador de escravos”.&lt;br /&gt;Uma pesquisa que está sendo realizada pela professora Maria Nelly Santos, do departamento de história da Universidade Federal de Sergipe, mostra  Mulungu como um “fujão”, e “saqueador”, que deu muito trabalho aos “donos de escravos”, mas desconhece que ele tenha executa a tarefa heróica de libertador que hoje é atribuída.&lt;br /&gt;Segundo a professora, criou-se uma série de fantasias em torno dele, mas “o seu papel histórico no período da escravidão não pode e não deve ser negado”. Na pesquisa que vem realizando nos arquivos públicos e do poder judiciário, Nelly Santos detectou que a participação de Mulungu em saques e as suas fugas lhe rederam muita fama.&lt;br /&gt;Nascido no município de Itabaiana, e não em Laranjeiras, como foi muito divulgado, ele conseguiu fazer fama quando entre 17 e22 anos deixa a companhia da mãe, Maria, escrava de José Inácio do Prado proprietário do engenho Quindonga, e inicia um processo de andança que termina, em sua primeira fase, em Laranjeiras. Lá passa a ser escravo do engenho Mulungu, de  João de  Pinheiro Mendonça, onde sofre torturas e espancamentos que motivaram anos depois as duas primeiras fugas. “Ele fugiu não pensando em se tornar um homem livre e trabalhar para libertar os demais negros, mas sim para buscar um novo senhor”, explica a professora.&lt;br /&gt;Recapturado nas primeiras aventuras, Mulungu volta ao engenho de Mendonça e sofre as conseqüências do seu ato. Revoltado, foge pela terceira vez em 1868 e fica por oito anos promovendo andanças e saques até ser preso em 1876 pelo capitão João Batista da Rocha Banha, o “João Banha”, que, conforme as fontes pesquisadas, trata-o como um bandido. A prisão acontece no engenho Flor da Roda, em Laranjeiras.&lt;br /&gt;Antes de sua prisão, Mulungu teria praticado delitos nos municípios de Itabaiana, Capela, Divina Pastora, Japaratuba, Laranjeiras, Rosário do Catete e Aracaju. Em alguns, chegou a ser submetido a julgamento e foi condenado por homicídios, espancamentos, saques, etc. A justiça o classificava como um elemento perigoso.&lt;br /&gt;Alguns pesquisadores dizem que no presido o “herói” negro resolveu se enforca  pare não ter que retornar a condição de escravo ou para outros, para evitar a pena de morte . Não há informação sobre esse fato.&lt;br /&gt;Mulungu, na época de sua morte  era moço tinha poço mas de trinta anos,  e nenhum documento da o indicativo do enforcamento por quaisquer  motivos já revelado” diz Nelly Santos.&lt;br /&gt;NOVOS LÍDERES&lt;br /&gt;O papel de atuar como libertador que Mulungu não cumpre, apesar de alguns militares do movimento comparem-no a Zumbi dos Palmares, executado por Frutuoso, Laureano, Dionizio e Saturnino. Os dois primeiro tem atuação destacada nos anos 70 e os outros dois nos anos 80 do século passado.&lt;br /&gt;Os quatro novos heróis invadem fazendas e engenhos e libertam escravos, prendem escravocratas e demonstram uma atuação mais intensa pensando de forma coletiva, no conjunto, coisa que Mulungu não fez e tem ações individualistas, segundo a pesquisadora.&lt;br /&gt;“O próprio Mulungu, em um de seus depoimentos chega a afirmar que praticava saques, mas não libertava escravos. A fama que  conseguiu esporos demais João Mulungu, que passou  a se acusado por tudo que  acontecia mesmo  não tendo qualquer envolvimento”.&lt;br /&gt;Com a aprovação da Lei do Ventre Livre, em 28 de Setembro de1871, as fugas de escravos se tornam intensas ate a Abolição da escravatura pela Princesa Izabel através da Lei Áurea, datada de 13 de Maio de1888.&lt;br /&gt;Neste período são registrados muitos conflitos entre negros  e brancos em todo pais, alguns dos quais, em Sergipe terminam na justiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;UM  HEROI   BRANCO&lt;br /&gt;Além de enfrentar a rebeldia e as fugas dos escravos, os senhores de engenho tiveram que enfrentar a oposição radical de Francisco Jose Alves ,um descendente de português que atua como abolicionista  em Sergipe.&lt;br /&gt;Ele mantinha dois jornais –o Libertador e o Descrito –como trincheira  de luta  com os escravos.&lt;br /&gt;Nos anos 80 os dois jornais, funcionavam  como órgãos de comunicação alternativos, denunciavam os abusos praticados por donos de escravos e eram utilizados até mesmo para libertar negro presos e conseguir certas de alforria. Há índios, segundo Nelly Santos, de que Alves libertou mais escravos que o fundo especial criado pela coroa para adotar tal iniciativa.&lt;br /&gt;Ele era um homem de caráter, um destemido. Matinha em sua casa em Aracaju uma escola para alfabetizar os filho de escravos. “Francisco Alves realmente luto pela abolição da escravatura e o seu papel tem que ser reconhecido”, comenta.&lt;br /&gt;Francisco Aves também recebia em seus escravos fugitivos e os alimentava. Antes de ingressar na luta contra a escravidão, era militante do partido Conservador. Depois torna-se liberal. Ele nasceu em 1825 em Itaporanga D’ajuda e morreu em Estância, em 1896.&lt;br /&gt;     QUILOMBOS&lt;br /&gt; Sempre que se pronuncia a palavra Quilombos de imediato se associa a palmares, o maior e mais importante foco de resistência magra do país, que durol de 1600 a 1695 na região serrana de alagoas e abrigou milhares de negros que fugiam das fazendas e engenhos.&lt;br /&gt; Mais Sergipe também teve os seus quilombos. Os principais ficavam localizados nos municípios de Capela, itabaiana, Divina Pastora e itaporanga D Ajuda. Os focos de resistência dos escravos fugidos não eram fixos Os quilombolas (moradores dos quilombos) se mudavam bastante.&lt;br /&gt; As mudanças eram adotadas por questões estratégicas, para evitar que os quilombos normalmente abrigavam vários mocambos (locais em que pequenos grupos se estabeleciam uns próximos aos outros) como uma média de cinco pessoas em cada, diz a pesquisadora.&lt;br /&gt; Nelly Santos está realizando estudo sobre a escravidão no agreste sergipano no período de 1888 e não gosta de utilizar a palavra quilombo ao referir-se aos focos de resistência. A expressão quilombo era utilizada pela policia, os negros usavam o termo rancho, explicar.&lt;br /&gt; A escravidão no Brasil começa em 1538 e em Sergipe o inicio acontece cerca de 15 anos após. No auge, o numero de escravos chegou a superar 16 mil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Jornal Universidade Viva, Outubro de 1995.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JOAO MULUNGU&lt;br /&gt;Severo D’Acelino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascido na Vila de Laranjeiras, na Província de Sergipe Del Rey, no ano de 1851, escravo do Engenho Flor da Rosa. Neste período Laranjeiras liderava o pensamento revolucionário de Sergipe, já há muito notadamente, no sentimento antilusitano em prol republicano, tendo sido, portanto palco de debates acirrados de idéias revolucionárias e como conseqüência, fonte de inspirações dos episódios de resistência da comunidade negra, contra igualmente os lusitanos e por conseguintes os senhores de escravos que cristalizavam o regime de desigualdade social e econômica. &lt;br /&gt;Neste ambiente de ebulição política, foi que o nosso libertário JOÃO MULUNGU cresceu acentuando a sua consciência libertária e ampliando seus conhecimentos do processo conjuntural da Província e daí, estendendo-o a sua comunidade como forma de luta em busca de liberdade ampla, geral e irrestrita. &lt;br /&gt;Sua fuga para o quilombo não há dados formais documentados, mas na lógica dedutiva he de se supor que começou no próprio engenho, na mobilização junto com os grupos predatórios para depois do precoce aprendizado, liderar seu próprio grupo, na luta contra o inimigo mais imediato. &lt;br /&gt;Há noticias diversas dos seus episódios, notadamente as de visões institucionais em cujas interpretações, são desfavoráveis a sua memória, no entanto as visões e interpretações distorcidas tendem com o tempo, diluir e oferecer melhor nitidez a compreensão historia dos fatos a luz da consciência do oprimido, dentro das relações do poder exemplificado no dia a dia da história da humanidade. &lt;br /&gt;A área de atuação de JOÃO MULUNGU, centralizada em Laranjeiras, com variáveis no Vale do Cotinguiba, Japaratuba, Vaza-Barris, Piauí e Poxim, como ponto de referencia estratégica na luta contra o sistema e seu instrumento de repressão: a política. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“MAIOR E MAIS TEMIDO QUILOMBOLA DE SERGIPE” &lt;br /&gt;Assim era denominado pelo poder, para justificar a sua incapacidade de organização ante a força obstinada de JOÃO MULUNGU, na organização e luta da comunidade que a cada dia ampliava o contingente levantado, minando a economia e a organização política da Província, apoiado pelos diversos grupos insatisfeitos com o poder central e local, notadamente as disputas dos Conselhos dos governado e nas corporações militares. &lt;br /&gt;JOÃO MULUNGU &lt;br /&gt;Materializou o pensamento de ANTÔNIO PEREIRA REBOUÇAS, o maior revolucionário negro em Sergipe, a quem deve o estimulo a luta organizada contra o opressor. Foi também usado como trampolim pelo poder e em seu nome os poderosos se utilizaram para legitimar os abusos de poder e ampliar seus patrimônios, saqueando a Província e mandando matar seus adversários políticos e econômicos.      &lt;br /&gt;          &lt;br /&gt;JOÃO MULUNGU&lt;br /&gt;Foi traído por seu antigo companheiro, um escravo do Engenho Flor da Roda, por uns míseros trocados. Fora preso de tocaia no Engenho Flor da Roda, as sombras dos bananais daquele canavial, enquanto que descansava com seus companheiros, Manoel Jurema e Galdino, as 12:00hs do dia 19 de Janeiro de 1876 na Vila de Laranjeiras. Há noticias no relatório do Presidente da Província de que “João Mulungu, preso no dia 13 de janeiro, após cinco dias e cinco noites de combate, em Divina Pastora, preferiu ser enforcado a voltar para a casa do seu antigo senhor”, isso é só uma mostra documental das distorções do poder, pois documentos comprovam que em inicio de Setembro ao final de Novembro, JOÃO MULUNGU, estava em Capela cumprindo pena, condenado pelo juiz da Vila de Rosário.&lt;br /&gt;Para não cair em contradição junto ao central, após ter comunicado que os quilombos na Província haviam acabado, o Presidente baniu JOÃO MULUNGU, da documentação institucional e da História de Sergipe, pois a verdade é que o número de quilombos aumentou até depois de proclamada a Lei Áurea.&lt;br /&gt;LUTA PELO RECONHECIMENTO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noticia sobre JOÃO MULUNGU, nos fora dada pelo cineasta Djaldino Mota Moreno, interessado em filmar a historia deste famoso quilombo sergipano em super-8, baseado na noticia publicada na coluna Poeira dos Arquivos da Gazeta de Sergipe, nos anos 70 de Autoria de Acrisio Torres. Daí então, despertamos para o fato e iniciamos a pesquisa. O filme não fora feito, mas a vontade de conhecer os episódios de tão importante personagem negro da Historia de Sergipe, continuou gerando uma consciência   ampla da importância da resistência negra em Sergipe. A pesquisa tomou corpo e vimos muitos e diversos documentos referenciais sobre o personagem: Ariosvaldo Figueiredo, Lourival Santos, Roberto Conrad além das pesquisas nos arquivos: Publico e Judiciário de Sergipe, Biblioteca Epifânio Dórea, etc., até a elaboração de parecer e apresentação de projetos a Assembléia Legislativa, que foram aprovados e sancionados pelos prefeitos Valter Franco e Wellington da Mota Paixão.&lt;br /&gt;JOÃO MULUNGU&lt;br /&gt;Herói negro sergipano, contestado por uns, aplaudido por outros. As controvérsias,distorções e contradições a ele atribuídas,parte da ignorância e do preconceito e sobretudo , do despeito e desrespeito que nutrem e até o desconhecimento da história das controvérsias sobre os Heróis e até o desconhecimento da história das controvérsias sobre os Heróis Nacionais criados nas  caladas das noites e cultuados pela inteligência brasileira.&lt;br /&gt;Introduzido com o advento da escravidão em Sergipe, o negro lutou tenazmente contra o apartheid político, sócio-econômico e cultural, através dos seus diversos agentes tradicionais marcando profundamente a alma do povo sergipano recriando seus valores estéticos , morais ,religiosos históricos, filosóficos e culturais , compondo suas lideranças ,organizações e grupos organizados, elites e heróis.&lt;br /&gt;JOÃO MULUNGU&lt;br /&gt;Protagonista da resistência do segundo quartel do século XIX, liderado a comunidade negra nas organizações guerreiras dos quilombos predatórios em busca da libertação do julgo escravista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O libertário Afro Sergipano, seguramente da Nações Nagô , homem extraordinário pelas suas proezas guerreiras cristalizando entre nós o valor  de  sua magnanimidade, reconhecido 114 anos depois , através dos esforços da Casa de cultura  Afro Sergipana pelos poderes públicas de Sergipe , como Herói Negro Sergipano , elevando  esta categoria pelos feitos magnânimos a humanidade e consciência política de ancestralidade do Negro Sergipano , constituído-se no primeiro Herói Negro no Brasil a ser reconhecido pelos poderes públicos.&lt;br /&gt;Em dezembro de 1989 é inteirado à Categoria de Herói Estadual  pelo Decreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MANIFESTO “JOÃO MULUNGU”&lt;br /&gt;Severo D’Acelino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O discurso contraditório acerca de qualquer afirmativa se nos apresenta como uma grande contribuição ao debate do tema posto em questão. Neste sentido as relações das achegas a histórias possibilitará maiores estudos revitalizantes no repensar da própria historia, cheia de contradições já há muito cristalizada. &lt;br /&gt;A problemática da Historia do Negro brasileiro, cheia de desencontros e embaçada na visão institucional e distorcida a cada abordagem, ate a de historiadores negros, uma vez que compromisso com a questão é um exercício de ideologia na busca constante de novos valores e fatos que direciona a raiz do conflito para extrair as hipóteses para formulações de propostas que configuram o perfil através dos diversos indicadores exaustivamente analisados a luz da época e da fonte, para tirar um diagnostico sustentável.&lt;br /&gt;A introdução nos leva a questão de “JOÃO MULUNGU”, cuja existência em Sergipe Del Rey em 1851 a 1876 (?) está fartamente documentada e sinalizada como o maior líder dos quilombos Sergipanos, banido da historiografia e documentação oficial, a partir de Novembro de 1876, posto que maquiaram as insurreições escravas após a dita prisão e enforcamento de JOÃO MULUNGU.&lt;br /&gt;A historiografia moderna sergipana, nada conhece sobre o personagem e nada se produz a seu respeito, tendo como única fonte de referencia bibliografia, o livro de Ariosvaldo de Figueiredo “O Negro e a Violência do Branco”.&lt;br /&gt;O resgate da memória de JOÃO MULUNGU e o seu reconhecimento pelo poder publico municipal de Laranjeiras e Aracaju, despertou a ira e o despeito de alguns negros que, sistematicamente negam a existência do personagem, adjetivando-o de ladrão, traidor e assassino, sem jamais produzir qualquer documento que comprove suas afirmativas, alem da duvida que produz sobre o único referencial negro de Sergipe, por pura ignorância, má informação e formação. &lt;br /&gt;Ressalta-se o coletivo de Heróis Nacionais, que em seus feitos, muitas duvidas levantam ate hoje, inclusive sobre as suas dignidades. Todos eles, heróis do sistema e esses nobres estudiosos sergipanos jamais levantaram as vozes para protestar porque Caxias é Herói Nacional e recebe culto de toda a nação. &lt;br /&gt;Ao iniciar a luta em direção ao resgate da Memória Afro Negro Sergipano, foi movido pelo impulso de conhecer as manifestações e indicadores, trazidos e pela ancestralidade negro sergipano e conferir algumas informações colhidas no seio da família vivida nos canaviais  e a citações esparsas dos episódios vividos pelos negros no período da escravidão. &lt;br /&gt;O reconhecimento de JOÃO MULUNGU, é apesar da polemica para atingir não a uma idéia, mas a nossa pessoa ante a capacidade de rebuscamento é uma vitória do Movimento negro, que no seu interior é extremamente hostil e discriminatório, onde a pluralidade de idéias propiciais ao debate, a geração de novos questionamentos e pratica da  democracia do mais forte, que a despeito  de criticar e querer mudar o sistema, se utiliza dos seus instrumentos para embrutecer, cooptar e cortar as cabeças dos que não aceitam a submissão do grupo dominante e nisto a democracia é sinônimo de autocracia, a famosa ditadura dos arrogantes que como mariposas, giram em torno do poder. &lt;br /&gt;Mu padá mo iro okourim – propicia a abertura de mentes e consciência para concordarem ou discordarem na participação nas decisões que visem o crescimento do coletivo negro afro sergipano, buscando a valorização do nosso imenso arquivo humano e garantindo as gerações vindouras a planificação da unidade na diversidade, produto do negro do passado, presente e continuadamente para o futuro sem problemas de continuidade. É conhecendo o nosso passado que faremos o nosso futuro, vivendo a realidade presente, sem falsas esperanças e sem o modismo idiossincrásico. &lt;br /&gt;No sentido de esclarecer melhor a importância de JOÃO MULUNGU na historiografia do negro sergipano, buscando através do debate a contribuição efetiva a releitura de nossos episódios e leitura do nosso herói, numa avaliação da documentação existente. &lt;br /&gt;Nos dias de hoje, a ação policial em cima do negro, exemplifica os idos da escravidão, como herança estratégica do sistema de controle e segmentação das disparidades e desigualdade das relações sócias e humanas com forte conotação político-economico, tendo o poder como status e o sistema como instrumento.&lt;br /&gt;O negro no sistema jurídico/penitenciário no Brasil hoje tem seu maior algoz nas delegacias, suas câmaras de tortura, físico-psicomoral que nem os Direitos Humanos conseguem romper as tradicionais barreiras com direito a advogados, etc. E na época do escravismo, qual o direito que tinha o negro? Ali e aqui o negro sente dor sem gemer. Afirma que crucificou o próprio Cristo (referencia a cultura dominante) assim ou afirma o que lhes mandaram assinar ou afirmar. A redação é sempre do opressor, ou seja, agentes do sistema segundo o tom que lhes aprouver, ante a situação  e personagens implícitos. &lt;br /&gt;Como a cara professora de historia, no afã de lançar o descrédito ao trabalho tão significativo de Entidade não-governamental, quer reafirmar os autos fraudulentos e carregados nas tintas, dos processos imputados ao personagem JOÃO MULUNGU, sem refletir nos ensinamentos de suas mestras, na própria universidade, em apurar e analisar os documentos dentro da conjuntura, buscando todas as vertentes e tendências para uma melhor interpretação das variáveis implícitas, de forma impessoal. &lt;br /&gt;Sergipe busca, através do seu grupo acadêmico, fazer releitura documental da historia e cultura sergipana, sem priorizar “documentos” pois, nem sempre eles fazem a historia e sim analise dos fatos a luz da modernidade, respeitando a diversidade e pluralidade cultural nos episódios objetos de preocupação e pesquisas. O escravo reagio a experiência da violência, ao exercício de violência a que era objeto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;REFORMULAÇÃO E REVISÃO DA HISTORIA DO NEGRO SERGIPANO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensamento insólito da professora de historia, contra o direito da revisão e da reformulação dos fatos, historias e pareceres, sem atentar que os heróis institucionais de hoje, foram os bandidos de ontem. &lt;br /&gt;ADVERTENCIA a visão anacrônica de historias. A subjetividade de uma professora de historia, em relação ao objeto de nossas preocupações e pesquisas ao memorial do Arquivo Humano Afro Sergipano, particularmente, o Herói JOÃO MULUNGU, chega as raias do bizarrismo, quando nega as características da personalidade do personagem acentuando e cristalizando e sobretudo, sem direito algum, secularmente escamoteado e explicitamente explorado e que reage de acordo com as ações sofridas.&lt;br /&gt; Sabe-se que no mínimo a luta por sobrevivência dos povos oprimidos passa-se efetivamente por uma reação a situação, daí as diversas e variáveis lutas e que jamais o dominador ofereceu direitos e oportunidades dos seus valores restritos, para defasa do oprimido. &lt;br /&gt;Diz a nobre professora, numa visão distorcida da historia e realidade social escravista, baseada  em auto jurídicos, que o personagem não pode ser considerado herói, tendo em vista que era malfeitor, assassino, traidor e seqüestrador. Na sua ação precipitada sem a visão analítica, visa sobre tudo desacreditar o esforços da casa de cultura Afro Sergipana e seu presidente na ação de resgate e valorização do Arquivo Humano Afro Sergipano e sobretudo, provar a sua força institucional pela função daquela instituição que é a defesa do livre debate promoção dos valores plurais e respeito a diversidade.&lt;br /&gt;A inteligência acadêmica corre o risco de perpetuar os erros seculares da historiografia institucional, se fortalecer os desvarios pessoais da professora de história que ainda vê o Egito fora do mundo africano e nega a descendência racial de Cleópatra e outros faraós. A negação cultural nos leva a lamentar que ainda se caracteriza nos seios acadêmicos, pesquisadores e professores de visões institucionais para diagnosticar pareceres, sócio-histórico-culturais, reduzindo o espaço para o livre debate oferecer novos valores a humanidade e resgate de suas histórias.&lt;br /&gt;O silêncio, escamoteando a história, foi o maior engodo contra João Mulungu, quando não mais precisava de sua ação para as promoções pessoais. Durante muitos anos, a existência de João Mulungu, foi útil aos propósitos do sistema, para justificar as propostas que encobriam os projetos pessoais e as mentiras arquitetadas. Junta-se essa onda de engodos e mentiras sobre as ações dos escravos e perpetuou o silêncio contra a Revolução Negra e seus lideres, notadamente João Mulungu que, no terceiro Quartel do século XIX, provocou o maior movimento contra o sistema e abortou diversos projetos fisiológicos, daí a ocultação de suas ações como conseqüência de uma reação coletiva a que liderava. Apesar da Revolução Negra liderada por João Mulungu ter sido o marco mais importante da história do Negro Sergipano e a que mais repercussão teve, faz-se silêncio e manipulam-se informações numa ação programada de escamoteamento da verdadeira importância do negro, dando importância maior a fatos isolados, tendo sempre o interesse em distorcer os fatos, na maior violência histórica da província.&lt;br /&gt;A manipulação de dados pelo presidente da Província, através de relatórios, ofícios e outros artifícios, promoveu uma barreira para impedir as respostas que levariam a verdade dos fatos e, a historiografia oficial aproveitou-se dos “testemunho” documentais devidamente maquiados, para reforçar a frase do poder institucional da elite escravista, a fim de cristalizar a mentira histórica.&lt;br /&gt;A fraude histórica, perpetuante de interesse escusos e contraditórios, sinaliza a inexistência de debate dos fatos, numa Análise circunstancial da multidisciplinar dos valores interculturais.&lt;br /&gt;No transcurso da análise documental primaria, verificamos que os fatos quando abordados por historiadores, são assinalados erroneamente sem a preocupação de verificar os múltiplos acontecimentos cronológicos determinantes da causa e conseqüência das reações dos escravos, antes as acusações que lhes são imputadas e transcrevem pura e simplesmente como ação fechada. O não merecimento de uma análise mais acentuada dos documentos é que a mentira tem sido permanente, acentuando o fisiologismo liberal.&lt;br /&gt;Assinalamos que coube ao negro, mais que o índio e o branco a defesa da província: contra os franceses, os holandeses e portugueses, só que isso não é ressaltado. Observa-se que os negros sempre derem combates contra os  portugueses, efetivamente essa questão é enfatizada, quando os brancos brasileiro explicitam sua versão lusitana  e para fugir das responsabilidades dos seus atos, utilizam negros como agentes  da  ações, exigidas retaliações aos negros e seus lidere, silenciando a sua importância histórica e social, política e econômica  no processo conjuntural da independência como um todo. &lt;br /&gt;Ariosvaldo Figueiredo, um dos maiores críticos contemporâneos da violência contra o negro, infelizmente caiu na armadilha  documental e acentua a farsa contra João Mulungu, registrado sua morte física histórica , conforme os anais dos famigerados ‘‘RELATORIOS.’’  Outros o seguiram, por tanto a nossa historia  cabe uma revisão, para investigar as verdadeiras causas  como origem da ação formulada e sua conseqüências como questões  geradoras. &lt;br /&gt;O poder paralelo exercido pelo quilombistas, foi útil para a elite até a consumação dos seus interesses, só que poderiam jamais  controlar as  lideranças e o manifesto de participação parietária dos negros  ate as fragmentação do poder do sistema (da denominação do sistema ) que teimava em excluir os negros da sociedade  escravista .&lt;br /&gt;A ação da revolução Negra ,simbolizou  sobretudo, a consciência máxima de defesa da nacionalidade; a luta pela independência  nacional, chegando ao genocídio de um povo que não se rendia para conquistar a liberdade. &lt;br /&gt; A Guerra do Paraguai Foi executada pelo esforço e sangue do negro, que, Substituindo os seus Senhores, Conforme decreto emitido, engrossaram as fileiras do esquadrão suicida e genocida, que no Paraguai foram abatidos, Para que os brancos trucidassem milhares de crianças que defendiam o solo pátrio.&lt;br /&gt;Cada convocado a Guerra do Paraguai, seria dispensado se pagasse uma multa ou entregasse negros, foi a Primeira vez na história colonial que o branco se igualou ao negro.&lt;br /&gt;A penalidade imputada a João Mulungu, pela formulação de um processo Plantado, que visto á luz do Próprio código, levaria seus companheiros a simples chibatadas, mas manipularam e distorceram os fatos dando uma conotação bizarra ao fato e João Mulungu, fora sentenciado a 1 ano de galés e seus dois lugares-tenentes a galé perpétua.&lt;br /&gt;O manifesto das ações dos escravos, notadamente a Revolução Negra, foram conseqüência da violência política, econômica, e social da escravidão como questão geradora do conflito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           JOÂO MULUNGU E O MODELO AFRO SERGIPANO&lt;br /&gt;Severo D’Acelino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A configuração temática, remete-nos se não a revisão do contexto sobre o qual repousa a nossa ação de agentes transformadores ou nos leva a indagações acerca da formulação do próprio tema em tentar estabelecer conceitos diversos. Partindo de que a ideologia da dominação tende sempre atrasar e confundir a formação do pensamento dos dominados e que ela domina intensamente, determinando valores e impondo comportamentos, normas e moldes para os dominados reproduzirem em larga escala, copiando e incorporando os signos, tipos e símbolos da dominação como indicadores do modelo que se servir de exemplo ou normas.&lt;br /&gt;Nós, os negros sergipanos, historicamente, estivemos sempre sobre dois signos de valores distintos como estrutura de poder emanador, definindo os núcleos e áreas culturais, produzindo e impondo normas de ações e procedimentos a que fomos reproduzindo sistematicamente, a ponto de confundir nossa entidade coletiva. Estes signos são respectivamente Bahia e Pernambuco. Hoje tanto a Bahia quanto Pernambuco e Alagoas, têm seus modelos próprios de ação, competindo entre si o poder de exportação no âmbito de influenciar novos valores sistematicamente renovados numa dinâmica célere que  ultrapassa os novos enfoques tecnológicos.&lt;br /&gt;João Mulungu, o herói negro sergipano, questionado, rejeitado por imagens distorcidas de uma recriação do modelo burguês, praticado por nós, agentes de uma cultura não de resistência, mas de dominação, é sobretudo, um herói revivido que ampliará a sombra de dúvidas os referenciais para uma revolução da filosofia do negro sergipano em busca da construção da nossa identidade cheia de hiatos e imagens distorcidas pelas constantes interferências que, nós mesmos, por comodismo, incorporamos a nossa formação e cristalizamos pela idiossincrasia desde os modelos importados no norte europeu. Como denuncia, Núbia Marques, em seu discurso aos formandos da U.F.S., até o vicinal, omitindo os limites das nossas zonas, áreas e núcleos culturais, tão cheios e tão ricos de variáveis e conteúdos distintos, costumes, tradições, formas de agir e pensar, com suas histórias, elites e conjunto organizado de idéias, técnica de subsistência, falares, etc.&lt;br /&gt;Hoje não há espaço para recriações ou readaptações, quando não temos formulado e mantido o conjunto de ações que caracterizam as nossas áreas culturais, principalmente com o desenvolvimento do turismo, que hoje exige muito mais a configuração regional com a memória e imagem ancestral e a marca ou signo característico da região local, em todo o seu conteúdo, sem oportunizar as imitações a que fomos, até então, por comodismo, agentes difusores, na medida em que reproduzíamos em larga escala, os modelos dos outros e os incorporávamos como nosso, desprezando a nossa identidade social e cultural.&lt;br /&gt;Exemplifica-se o modelo afro baiano, que até o mais desinformado percebe a manipulação do seu espaço, pela reação do corpo estanho à sua vida, pela invasão da privacidade.&lt;br /&gt;O nosso modelo tem um arquétipo da cultura de submissão, a que temos vivido e a que temos cultuado, por comodismo, aceitando, acostumados, o autoritarismo do Estado e do governo, bem como, pela expressão do mandarinato daqueles que, no nível de poder, exercem para a manutenção cristalizadora do esmagamento cultural dos que, na periferia do poder, produzem sem, contudo, se prevalecer, os parias da ideologia do vilipendio.&lt;br /&gt;Nós, os negros sergipanos, e a burguesia de Sergipe sempre estivemos a depender da Bahia e, nem mesmo assim, aprendemos, com ela, a sobreviver dentro dos nossos padrões, espelhados pelos baianos, na sua sagacidade e na cristalização de sua cultura, voltada para eles mesmos e expandidas aos demais recantos. Essa dependência histórica cristalizou-se e denuncia o imobilismo do sergipano, enquanto povo, Estado e poder.&lt;br /&gt;Apesar de haver limites claros e definidos no âmbito dos nossos costumes e manifestações, o que pesa na grande carga da nossa área cultural emanada da Bahia, temos, sobretudo, identidade e personalidade cultural, mesmo omissa em nossa prática do dia-a-dia.&lt;br /&gt;Exemplo histórico, vem do último quartel do Século XVI, na associação dos escravos da Bahia aos daqui de Sergipe, que foi construído o primeiro quilombo agrícola do Brasil, aqui em terras sergipanas na região do Rio Real. O célebre quilombo de Itapicuru dos Palmares, em 1601, exemplo este, marco da organização da resistência Negra em Sergipe, desvalorizada e diminuída sua importância pelos historiadores institucionais sergipanos, que atribuem ao negro o mesmo valor e importância que os dominadores atribuíam e até hoje, o negro conforme a visão do poder colonial. Este quilombo estrategicamente localizado tinha o objetivo de dar resistência contra a mobilização das tropas por terra, dificultando o acesso ás Capitanias de Pernambuco e Sergipe, bem como, dificultar o processo de colonização e, neste sentido, associados aos índios e aos franceses, os negros de Sergipe e Bahia desenvolviam uma tarefa de aglutinar os diversos negros e índios, numa área em defesa comum que após a destruição, foi retomado na Serra da Barriga com remanescentes de Itapicuru, numa demonstração de uma unidade panafricanista colocando em relevo a filosofia do coletivo acima do tribalismo étnico.&lt;br /&gt;          A resistência negra na Bahia é bem documentada e suas lideranças reconhecidas através de múltiplas manifestações do memorial do Negro baiano, cuja produção é assinalada continuadamente, tendo seu Arquivo Humano densamente explicitado. Em Sergipe, a presença da Bahia na luta da resistência negra, ressalta-se, também, pela presença de Antônio Pereira Rebouças, como mola mestre e delineação do aporte político á Resistência no seio do poder sem, contudo, delinear modelo.&lt;br /&gt;A despeito da historiografia do negro brasileiro ter evoluído nos últimos anos, a do negro sergipano não se pode dizer que tem acompanhado, contribuindo com novas achegas, uma vez que, o pensamento dos agentes da historiografia, do Estado, continua cristalizado e parado no Século XVI, impedindo a evolução e a produção de um novo pensamento, contemplando a análise dedutiva e o reconhecimento da tradição oral, daí, em evidência, a documentação produzida pelo Estado, documentação esta, marcada pelos conflitos de interesses e pelas contradições onde o negro é visto pelo crivo da autoridade e do pensamento dominante, para o qual o negro como agente de transformação social e política, inexiste até os dias de hoje e a idéia de ter um negro no Panteão de Heróis, agita a idéia de pureza do poder, principalmente quando esse negro é apresentado por negro e que não foi adotado pelo sistema, como outros que tiveram seus serviços cooptados pelo sistema, exemplificando, o emérito Tobias Barreto, que empresta seu nome a maior comenda de Sergipe.&lt;br /&gt;Neste sentido, as contribuições da Bahia á Sergipe é mesmo a dependência deste e não invalida a ruptura de nossa identidade nem a omissão dos nossos valores ou despreza do nosso patrimônio histórico, e cultural ou assinalar o nosso desenvolvimento em busca a revisão da nossa história na revisitação da nossa ancestralidade e reconhecimento do nosso Arquivo Humano, revitalização e manutenção das nossas tradições. &lt;br /&gt;DOCUMENTOS&lt;br /&gt;Não há lisura nos documentos institucionais produzidos em Sergipe no Século XIX, notadamente os relativos aos escravos (rebelião dos). São capciosos dúbios na redação, estilo e intenção, haja visto o conflito de interesses explicitados. A distorção vai dos Juizes aos escrivães; dos Presidentes das Províncias, aos delegados, num universo múltiplo e obscuro interesses em serem simpáticos ao poder imediato.&lt;br /&gt;A Fraude é explicita e no dizer no eminente pesquisador sergipano Ariosvaldo Figueiredo, eles  “carregavam nas tintas  “ , talvez com o expresso interesse de maquiar os fatos,  ampliando , diminuindo e omitindo, com o fio de plantar idéias, apresentando as “suas verdades “. A fraude demonstra a prática de manipulação do poder na consecução dos seus  objetivos e, nisto , exemplifica a configuração de João mulungu,  que até 01 de setembro de 1876,  foi usado  pelo poder e sistema  corrupto de Sergipe,  onde todos  saíram   ganhando  com  o engodo  que aprontaram , até que se prove o contrário, através de documentos que ateste  outra   personalidade de João mulungu,  relativo  aos processos que lhe  foram imputados,  porque a pena  assinada em  setembro, desmoraliza-o e diminui a sua importância,  ampliando  mais ainda  o  desconforto da  fraude  dos poderes  constituídos  em fabricar  eventos  para  distorcer  a história. &lt;br /&gt;A  falta de documentos, leva- nos  a promover a ação dedutiva numa forma de  conduzir o manifesto histórico do personagem,  dentro de um anverso arqueológico. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;            CONTROVÉRSIAS SOBRE JOÃO MULUNGU&lt;br /&gt;Severo D’Acelino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os atores da controvérsia sobre João Mulungu, o negro herói sergipano, paradoxalmente são os negros ditos “militantes” cultores das obras que se vêem pela ótica do dominador e praticantes da idiossincrasia cultural e histórica. Cultuam os heróis dos outros para não terem o trabalho de construir seus próprios heróis, por que aí teriam a responsabilidade de difundi-los, mantê-los e revisita-los afirmando as suas identidades.&lt;br /&gt;A controvérsia da história é fundamental para ampliar as discussões e nos debates ampliar raciocínio através das diversas contribuições e achegas ao tema. Destaca a importância da interpretação que apresenta melhor critério justificado, coerente, atualizado nas informações e referencias das fontes, baseado na conclusão de que há insuficiências nas outras respostas.&lt;br /&gt;Evidentemente que o negro, enquanto tema da história, sempre dá margem a juízos apressados por estar ligado a preconceitos e ser agente do grupo marginalizado. O herói é a dominante que ilumina estrategicamente a identidade do sistema. Rastrear o percurso e a tipologia do herói, é procurar as pegadas dotal sistema. &lt;br /&gt;Os heróis clássicos, são os heróis da classe alta (do poder), que procura demonstrar “a classe” desta classe. Há personagens da história de um povo que personificam a “alma” deste povo, segundo a ideologia, que num certo momento seja a dominante. No que se refere aos heróis, a classe dominante sempre procurou e elevar os seus representantes como os altos, fazendo os “Altos” aparecerem com elevado e mostrando “ baixa” como inferior, mostrando como a classe dominante, domina ideologicamente a sociedade, e isso  se exemplifica no comportamento do negro sergipano que torce o nariz e despreza João Mulungu, como herói negro sergipano, fazendo a verdadeira apologia, a herói constituí dos de outros regiões, principalmente os cantados em prosas e versos.&lt;br /&gt;Os heróis indicados pelo poder, são os da moda, ditados pela mídia. Isso mostra o quanto os nossos negros são comprometidos com a história do negro sergipano. Simplesmente demonstra que são macacos e vivem de macaquear-se imitando a sombra do poste.&lt;br /&gt;É necessário que a controvérsia seja explicita e impessoal para:&lt;br /&gt;a) Realização de um fórum de debates, para múltiplas abordagens e contribuições.&lt;br /&gt;b) Estimular a discussão  sobre João Mulungu.&lt;br /&gt;c)-Apresentar a analise dos seus feitos trajetórios.&lt;br /&gt;d) Analisar os documentos institucionais a ele referidos.&lt;br /&gt;e)-Participar do processo de revisão da história do negro sergipano.&lt;br /&gt;f)-Tomar posição e desenvolvimento critico, destacando a importância da interpretação e do conhecimento histórico.&lt;br /&gt;A controvérsia é importante pela múltipla interpretação, notadamente as antagônica  e conflitantes, e essa é a de depurar o interesse na  construção do pensamento dos agentes, saindo da superfície e buscando a profundidade sem limites. Um debate aberto, não uma reação irresponsável e comodista daqueles que não querem sair do imobilismo e vivem de construir sobre os escombros dos outros. &lt;br /&gt;Não deve ser discriminado o negro que faz apologia ao herói branco, isso é, ao herói dominador, mas devemos ver com cautela o negro  que despreza seu próprio herói e sua cultura regional , numa insegurança que faz ate o branco questionar o ser negro da casa grande (que o negro da case grande não quer voltar para  a senzala ).Daí incide a questão de identidade.&lt;br /&gt;Mesmo sabendo que o negro do eito, nunca teve medo de feitor ou senhor, mas o negro da Casagrande é uma peste, a vergonha da raça, um parasita, não toma decisões a não ser para apologia do seu senhor.&lt;br /&gt;Se o sergipano desse valor as coisas de Sergipe, certamente que o negro sergipano teria uma outra postura em defesa  de suas historia, suas tradições e sobretudo, Itapicuru  dos Palmares estaria na história do BRASIL, explicitamente a importância da resistência  Negra sergipana e a importância  do negro sergipano a nível de resistência nacional, sobretudo a sua participação em Palmares da Serra  da Barriga em formação e trajetória. Mas isso só  acontecera  quando  algum  brasilianista   se interessar  pela  saga do negro sergipano , seja contra o processo  de colonização, seja nas múltiplas  razoes , Feita  por causa  deste imobilismo  que Dias  D’Ávila  anexou  as nossas  terras a  Casa  da Torre  e hoje  o Recôncavo  e baiano, pelas  vacas  da Torre  do Mestre  do  Campo, hoje  o Nordeste  começa  a perder  a sua identidade regional  pela baianizaçao  dos trios elétricos , pela batida  do Olodum  e picadas da Timbalada.&lt;br /&gt;No que se refere a João Mulungu, o que  ser reavaliado e  a nossa  postura, enquanto negros improdutivos e imobilistas de terceira categoria, independente do salário que recebemos,. E a nossa formação e consciência. E o nosso  discurso, e a nossa  dignidade de negros espoliados, vilipendiados numa sociedade excludente a que somos maioria e moremos dizendo que minoria, por medo de tomar decisões e assumir nossa negritude, que mascaramos e  maquiamos para fugir do grupo étnico e nos identificar como branco. E a nossa vergonha que deve ser reavaliada. É o nosso comportamento desrespeitoso para com o próprio negro. É a nossa participação. São as nossas relações intra-racial e humanas que devem ser reavaliadas. Reavaliando-as teremos o negro “nu” em frente ao espelho, sem adereços ou fantasia. O negro visto por ele mesmo, sem a preocupação de se ver branco.&lt;br /&gt;Reavaliar sim, os pscudos professores de  historia, ditos historiadores, que praticam o HISTORISMO  por incompetência..&lt;br /&gt;A identidade de nos Negros Sergipanos, passa pelo conhecimento, respeito e valorização de Nossa Culturas Negras, Nossos  Heróis , Nossas  Tradições e sobretudo ,da Extensão e Profundidade do nosso Patrimônio Cultura, numa Revisitação a nossa Ancestralidade. Revitalização do  nosso Arquivo   Humano e Respeito a nos mesmos, enquanto negros e sergipanos  na universalização de nossa Cultura Regional no âmbito de Panafricanismo  Brasileiro. Basta de macaqueação e de imobilismo. Vamos descobrir a nossa Cultura na cristalização dos valores sergipanos que são nossos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NOTAS SOBRE QUILOMBOS EM SERGIPE&lt;br /&gt;Lourival Santana Santos*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;INTRODUÇÃO&lt;br /&gt;Segundo  Antonil, os escravos são as mãos e os pés dos senhores de engenho, porque sem seria possível conservar e aumentar fazenda nem ter engenho corrente Essa frase de Antonil, explicita de forma notável a importância do trabalho escravo para a economia colonial. No Brasil –Colônia, praticamente, todo trabalho principalmente o agrícola, buscou-se na mão-de-obra escrava.&lt;br /&gt;Após o resgate na África de forma violente vinham para trabalhar de sol a sol. Os castigos corporais eram, comuns, permitidos por Lei, ate pela própria Igreja. Esse comportamento verificou-se em todo o período da existência da escravidão do Brasil.&lt;br /&gt;Em Sergipe os cativos eram provenientes, principalmente, das praças da Bahia. No ano de 1802 a população escrava na província antigia a casa de 19.434, em 1819 eram 26.213, subindo  em l823  para 32.000 indivíduos, distribuídos em vários pontos da Província. Em l834  atingia a soma de 47.812. As vésperas  da abolição a população negra atingia apenas l6.888. Esse declínio de deveu, alem da abolição do trafico negreiro, a exportação de escravos para o sul cafeeiro e as Leis abolicionistas.&lt;br /&gt;Neste trabalho propomos a observar o desenvolvimento dos quilombos em Sergipe, considerando quilombo a formação de escravos prevista na resposta o rei de Portugal  ao Conselho Ultramarino, de 02 de Dezembro de 1740.&lt;br /&gt;“Toda habitação de negros fugidos que passem de cinco em parte despovoada, ainda que tenha ranchos levantados nem se achem pilões neles”.&lt;br /&gt;Nossa tentativa de analise não ultrapassara o nível dissertativo, limitando-se a descrição das fugas e perseguições impostas pelas forças policiais, principalmente a partir da década de 1870.&lt;br /&gt;A natureza desse trabalho, surgiu pó não existir em Sergipe nenhum trabalho que abordasse somente a questão dos quilombos, e sim realizam uma abordagem somente a questão dos quilombos e sim realizam uma abordagem geral sobre  o negro. Naturalmente que o estudo  sobre o negro em Sergipe não e uma questão  inabordada. Trabalhos foram desenvolvidos por pesquisadores como, Luiz Mott, Ariosvaldo Figueiredo e as bacharelas Josefa Elina Souza  e Josefa Perpetua de Carvalho Lima.&lt;br /&gt;                Entretanto, algumas questões impor-se-ão por força da própria natureza do estudo qual a tática de luta dos quilombos de Sergipe  O que explica a  fuga dos cativos. Por que essas fugas tornam-se mais freqüentes a partir da Lei do Ventre Livre.&lt;br /&gt;               Para elaboração desse trabalho, foi feito um levantamento de fontes primarias existentes no Arquivo Publico do Estado de Sergipe, instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. As principais fontes pesquisadas foram: relatórios do governo (Presidentes da Província) e os fundos  G1  e SP1, referentes ao assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GUERRILHA E PERSEGUIÇAO POLICIAL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deste o Séculos XVII, TEMOS Noticias da existência de quilombos em Sergipe. Após a guerra contra os holandeses, os negros sem a rígida fiscalização no período da guerra, “abandonaram as fazendas e reúne-se em mocambos”.&lt;br /&gt;Em decorrência das comunicações recebidas referentes a existência de quilombos na província do Governador Geral do Brasil, por ato de 222 de janeiro de 1662, ordenava que “todos os negros porventura aprisionados deviam ser trazidos para Salvador, salvo os que forem moradores da mesma capitania(Sergipe)”.&lt;br /&gt;No ato é baixado nesse mesmo ano designado o capitão de campo, Francisco Rodrigues, para “liquidar quilombos de Sergipe”.  Sem resultado concretos, novo decretos é baixado,desta vez dando prioridade ao capitão  do campo Fernandes Madeira,para “destruir mocambos de negros fugidos que havia por aquelas bandas(Itabaiana)”. &lt;br /&gt;No final da década de 1670, o capitão-mor, Fernão Carrilho, destrói mocambos na Província, antes de ser chamados para combater em Palmares. Os mocambos ou quilombos desse período foi uma resultante da guerra. Mas somente a partir do século XIX esses redutos negros começam a ser destacar, ou porque foram mais constantes, ou porque a documentação preservada permite a constatação de sua existência, surgindo  em  vários pontos da Província como: Laranjeiras, Capela, Japaratuba, Rosário, Divina Pastora,etc... &lt;br /&gt;Em inícios do mês de abril 1848, corriam boatos de que os escravos de vários engenhos se organizavam para revolta geral a rebentar em vários pontos da província.Tenho conhecimento dessa revolta, o delegado de Socorro relata ao chefe da polícia:&lt;br /&gt;“ Uma insurreição de escravos no dia 17 do corrente a cometer diferentes pontos dessa Província, e conhecendo as tristes conseqüências que se poderão seguir (...) do Governo exijo auxílio de 50 praças (...) e cartucharia que fosse possível afim de eu aqui possa fazer armar toda a guarda nacional”.&lt;br /&gt;                                                         Da mesma forma, o delegado de Capela comunica que nos últimos dias tinha aparecido boato na vila, “anunciando a insurreição de escravos a população aterrada por faltar forças para repelir”.  &lt;br /&gt;De acordo com os comunicados dos delegados municipais, Os locais de reunião eram os engenhos Poxim, São Francisco e São Pedro. Os cativos tinham como ponto de apoio o engenho gameleira, do Capitão Jose Francisco De Meneses. Os revoltos seguiram o seguinte plano: invadiriam as vilas e, depois de matarem todos os brancos e atearem fogo nas casas passariam atacar os engenhos. Deveriam então seguir para a  Serra De Itabaiana, onde ai preparariam a defesa.&lt;br /&gt;Para a classe dominante, a rebelião era perigosa e devia ser combatida. A aliança com o Estado não se fez esperar. Assustado com as denúncias, o Presidente da Província deu ordens para que todos os delegados realizassem buscas e, apresassem os escravos nas senzalas dos engenhos onde fossem encontradas armas de qualquer tipo.&lt;br /&gt;Em Itaporanga. O suplente de delegado Liberato Antonio da Costa Lobo, acompanhado de mais da metade da força de linha, sob o comando do alferes José Joaquim Pereira Mattos, dirigiram-se na madrugada do dia 13 de Abril para o engenho de Roma. Após o cerco, deram as buscas necessárias sem no entanto lograr êxito. Essa revolta abortou no seu nascimento.&lt;br /&gt;Com o exposto acima o que pudemos observar foi que os insurretos nesse momento, já pretendiam se organizar em quilombos, na medida em que fugiriam para Serra de Itabaiana para preparar a defesa. Como essa revolta abortou, não constituíram focos de resistência. A partir da década de 1860, começa a desenvolver-se mais amplamente o quilombo em Sergipe, atingindo seu ponto culminante a partir da Lei do Ventre Livre.&lt;br /&gt;No dia 18 de Dezembro de 1863, quilombolas de Rosário, localizados nas matas das Urubas, próximo ao termo de Santo Amaro, atacavam um escravo de nome Firmino. No dia seguinte tomaram uma carga de farinha de um feirante que vinha de Maruim, também foi atacado o cidadão Francisco José da Costa, perdendo no assalto uma porção de fazendas. O delegado de polícia de Santo Amaro, frente aos fatos ocorridos, comunica ao chefe de polícia que essa onda de assaltos tem amedrontado “ao povo especialmente dos sítios (...) tenho feito recomendações aos inspetores de quarteirão mas vejo que não tem eles suficiente força de armamento para prender esses negros (...) não sabe de que número é o quilombo e o lugar certo onde estão acoitados. Acho conveniente que se tome medidas enérgicas, fazendo-se dispêndio com espias e tendo força pronta para ataca-los”. &lt;br /&gt;A característica marcante dos quilombolas de Sergipe, foi aa guerrilha. Os escravos faziam contínuos deslocamentos, atacando estradas e roubando produtos para garantia da sobrevivência.&lt;br /&gt;Para conter a onda de violência, fez-se uma diligência, sem êxito. Os quilombolas, sempre informados pelos escravos dos engenhos sobre essas diligências, conseguiam burlar esforços das autoridades.&lt;br /&gt;Em 28 de Setembro de 1871, a Lei do Ventre Livre, dava liberdade a todos os filhos de escravos nascidos a partir daquela data. A partir dessa Lei, observa-se em Sergipe mais tendência dos escravos aa fugirem e a se constituírem em quilombos. Interpretavam a Lei como se fosse uma lei abolicionista, abrangente a todos os cativos. Sentindo que ele não atendia a suas aspirações ou seja, a liberdade, as fugas dos engenhos tornam-se continuas em vários pontos da Província, o que levou o Presidente Luiz Soares D’Azevedo Maceió a declarar:&lt;br /&gt;“Alguns dos escravos mal aconselhados, e influídos na falsa idéia de que se acham de todos livres do cativeiro pela Lei N° 2040 de Setembro, e que não gozam da sua liberdade, porque seus senhores a isso se opõem, se tem refugiado nas matas e reunidos em quilombos, saem de vez em quando dos seus esconderijos e pelas povoações e pelas estradas cometem roubo, espancam as vitimas de seus latrocínios, e já algumas mortes  tem cometida. O susto e a desolação tem assaltado  o povo, que vê em perigo a sua vida e a sua propriedade, e com instancia  se pede ao governo, remédio para tão  grande mal.&lt;br /&gt;No final do ano de 1871, uma força de 30 praças comandados pelo alferes  Mathias Jose  dos Santos, deu num quilombo nas terras dos engenhos de Jardim e Coité, prendendo   quatro  escravos . Em Laranjeiras os quilombolas  se  refugiam nas matas dos engenhos  Brejo  e São  Paulo. As pessoas   das mediações  por conta  própria  realizavam  diligencia  conseguindo prender  dois escravos. Em Rosário, sob o comando  do juiz  Municipal, partiu um a força para desalojar  negros fugidos, como resultado, um ferido e um morto, da parte dos quilombolas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O chefe da policia da conta ao Presidente da Província;&lt;br /&gt;“A  comarca de Laranjeiras  tem sido vitima de roubos e violência de um bando de salteadoras e  escravos , tendo sido ultimamente vitima de grave ferimentos e roubos feitos no engenho Cafuz o cidadão  Jose Bernardo (...) O terno de Rosário e  igualmente por outro bando de salteadores e escravos  fugidos”.&lt;br /&gt;No dia 02 de Fevereiro  de  1872, os habitantes de Patioba, termo de Japaratuba, cercaram uma casa para prender dois quilombos. Dobrado o cerco, a nova fuga dos escravos fez o jornal de Aracaju  declarar na sua edição de 05 de Fevereiro;&lt;br /&gt;“Continuam  ousados os quilombolas a despeito das serias providencias que se tem tomado para extingui-los, convém redobrar os esforços  nesse sentido”.&lt;br /&gt;Seis  dias depois do ocorrido, uma expedição  partiu para dar combate a um grupo que agia no termo de Rosário. Sob o  comando do chefe de policia acompanhando de 80 praças do guarda  nacional, coadjuvado pro destacamentos   de diversas  localidades, estabeleceram o seguinte plano; uma parte da tropa daria batidas nas matas dos engenhos do lado de  Rosário , onde se supunha estarem  localizados  os escravos fugidos, e o grosso da tropa ficaria na retaguarda  da mata a espera dos escravos, pois  os quilombolas ao serem atacados , ver-se-iam compelidos a fugir  e ficarem  então sob dois fogos. Com esse plano seguiu o  tenente João  Batista da Rocha , para dar uma batida nos engenhos  Capim-Açu Várzea Grande e Jurema. Perseguidos  os quilombolas deixaram grande quantidade de sebo, corda e alimentos . Cercadas as senzalas do engenho Capim-Açu, foram presos quatro escravos. Na mesma semana sob o comando do  capitão Jose Esteves de Fretas  foram cercadas as senzalas dos engenhos Limeira, Piedade e Quindonga. No dia 16  nova diligencia e feita no engenho Floresta.&lt;br /&gt;No dia 23 de Abril, auxiliado por praças da Guarda Nacional, o delegado de Divina Pastora cercou as matas do engenho Batinga onde havia um  quilombo de 11 negros.&lt;br /&gt; Mas a diligencia fracassou. Cerco idêntico se deu no engenho Floresta no termo de Rosário, também sem resultados satisfatórios.&lt;br /&gt;Ainda  no mesmo mês, o juiz Municipal de Divina Pastora Manuel Caldas Barreto, realizou uma diligencia contra alguns negros aquilombados. Ao chegar a força no lugar em que os mesmos se achavam acampados, foram encontrados somente dois. Nova diligencia foi feita em agosto, no termo de japaratuba. Sabedores, os escravos se refugiaram nas senzalas dos  engenhos circunvizinhos.&lt;br /&gt;Convencidos cada vez mais de sua situação de explorados pela classe dominante, os escravos formavam quistos. Não ficaram somente restritos à formação de quilombos, procuraram alcançar a própria senzala, através de aliança, uma solidariedade perdurou a todo o período do desenvolvimento do quilombismo em Sergipe. Manifestou-se principalmente, em caso de perigo, quando uns protegiam os outros, escondendo-se nas senzalas. Em tempos normais, realizando intercambio comercial, trocando farinha e agasalhos pelos roubos praticados. No inverno escondiam-se  nas senzalas.&lt;br /&gt;Os quilombolas ameaçavam a segurança individual e da propriedade. No dia 30 de janeiro de 1873, foi realizada uma diligência em Rosário, nos engenhos Piripiri Novo e velho. A falta de praças suficientes não permitiu condições para captura de todos os fugitivos, sendo presos apenas três.&lt;br /&gt;As causas apontadas pelo fracasso das diligência, eram os contatos entre os negros insurretos e os escravos das senzalas, e a incapacidade das forças municipais, no Maximo contando 15 praças. Os comandantes de destacamentos pediam, continuamente, reforço ao chefe de policia. Manuel Spinola Junior, tentando justificar o fracasso das diligências acusava também os senhores de engenho pois, “deixam que os escravos se acoitem em suas terras como também não impediam o relacionamento com os do engenho”&lt;br /&gt;De todos os negros aquilombados, o mais famoso foi João Mulungu. Durante muito tempo deu trabalho às forças policiais. Nas perseguições realizadas para sua captura, destacou –se a figura do tenente João Batista da Rocha, “oficial sempre pronto para as diligências mais arriscadas que q policia empreendia, nas quais tem obtido bons resultados, capturando grande número de malfeitores”.&lt;br /&gt;Na primavera de 1873, o tenente, partiu com cinco praças e mais seis do destacamento de Rosário, para capturar João Mulungu. Procedeu-se o cerco nas matas do engenho São José, onde se suspeitava a existência dos quilombos. No caminho encontraram uns escravos, que os guiou até o local onde os negros estavam arranchados. Encontraram 15 ranchos com 14 escravos. Apesar dos esforços empregados, foram capturados somente quatro, inclusive uma preta de 13 anos, que vivia em companhia de João Mulungu. Foram apresentados no rancho dois cavalos e algumas foices. Apesar da tentativa, João Mulungu conseguiu fugi. O motivo apontado pelo fracasso da tropa o pequeno número de praças.&lt;br /&gt;Tendo notícias que João Mulungu encontrava-se residindo nas margens do rio Vaza-Barris, junto ao engenho Itapema, em Itaporanga, parte João Batista da Rocha em seu encalço. Mulungu não se encontrava no local.&lt;br /&gt;No final do mês de setembro, o tenente João Batista da Rocha comunica ao presidente da província:&lt;br /&gt;“Tenho conhecimento que se acha  nas imediações de Rosário, o escravo João Mulungu, um dos poucos quilombolas que restam ser capturados e que é respeitado é o chefe mais terrível  deles (...) mais oito ou dez escravos se acham em sua companhia”.&lt;br /&gt;Outra diligência foi realizada.  Novo Fracasso.  Mais outra na vila de Japaratuba, também resultou em mais um fracasso, pelo auxílio que os quilombolas receberam dos escravos dos engenhos.  Avisados, deixaram os ranchos e se refugiaram nas senzalas.  Somente foram aprendidos inúmeros animais de montaria.&lt;br /&gt;O Presidente da Província. Antonio dos Passos Miranda, comunica à Assembléia Legislativa Província, que ainda não se podia “extinguir os quilombos que de longa data são o terror de grande numero de proprietários, cuja fortuna e vida sofrem de constantes ameaças pelos assaltos que , de vez em quando, dão os escravos em diferentes termos.  Muitas diligências se tem feitos e alguns resultados se há colhido, resta porem muito a fazer-se (...) asseguro-vos que não permanecerei inativo, nesse serviço, se bem que mais de uma dificuldade, existe contra os melhores desejos a respeito”.&lt;br /&gt;Dois anos mais tarde, o Presidente João Ferreira de Araújo Pinho, destaca a Assembléia Legislativa Provincial, que a longos anos são os quilombolas “o terror da população do interior. Formando quilombos diferentes, percorrem engenhos que querem, penetram, algumas vezes disfarçados, nas cidades, roubam, fazem quanta violência entendem”.&lt;br /&gt;Apesar da rede de espias que espias que possuía em todas as localidades, o mais terrível chefe dos quilombolas, João Mulungu, foi preso no dia 13 de janeiro de 1876,  tendo conhecimento de que João Mulungu atacava em divina Pastora, o juiz municipal, Manoel Cardoso Vieira de Mello, ofereceu-se ao chefe da policia Vicente Caucaes Telles para dar-lhe combate ao tempo que também pediu uma expedição que fosse chefiada pelo tenente João Batista da Rocha.  Depois de cinco noites e cinco dias sem descanso, o juiz Municipal e o tenente, com o auxilio do alferes Marcolino de Souza Franco e dos praças que o acompanharam,conseguiram apresa-lo.  Considerado o terror da população, o povo aplaudiu sua prisão.  Por onde a escolta passava.  “era vitoriada pelo povo em massa”.  No entanto Mulungu preferiu ser enforcado a voltar para o seu povo em massa”.  Podemos considerar João mulungu como o Zumbi de Sergipe.&lt;br /&gt;O movimento dos quilombolas não morreu com mulungu.  Crescia sempre, sempre, e mais fugas se verificavam em várias partes da província.  Atentados, principalmente contra senhores e feitores, registram-se com freqüência,  No engenho Paty, em Itaporanga, 36 escravos assassinaram o feitor do engenho.  Fato idêntico se deu em Riachão, assassinaram o feitor do engenho Grutão, por três escravos.&lt;br /&gt;Até as vésperas da abolição, os quilombos foram constantes na história da escravidão em Sergipe.&lt;br /&gt;No dia 20 de janeiro de 1887, o delegado de polícia de Divina Pastora informa ao chefe de policia José Ingnácio Fernandes de Barros, que vem recebendo queixas e reclamações de roubos, incêndios e depredações praticadas por “um quilombo de escravos que estão estacionados nas matas existentes entre os engenhos Salobro e Limeira, o qual quilombo além de roubos e incêndios praticados nas duas mencionadas propriedades, estendem suas façanhas pelos engenhos mais próximos, onde tem furtado gado vacum, animais cavalares e de criação miúda.  A audácia tem chegado a tal ponto de atacarem lavadeiras e tomarem toda roupa (...) peço que remeta força regular sob um comando de num oficial”.&lt;br /&gt;Da mesma forma, o delegado da capela comunica que a uns oito quilômetros da Vila, em direção ao Rosário do Catete, existiam “cerca de dez quilombolas que trazem a população alarmada com os seus furtos continuados e ultimamente até com ameaças a segurança individual”.&lt;br /&gt;Em Maruim, os escravos invadiram o engenho mata, da propriedade de Juviniano Marcelino de Lemos e cometeram roubos incendiando seu canavial.  No caminho da Vila de Capela, os viajantes sofriam ataques por parte de um quilombo ali existente.&lt;br /&gt;No dia 13 de maio de 1888, foi assinada a lei no 3.353, a lei Áurea, declarando extinta a escravidão no Brasil, e com ela chegava ao fim a epopéia dos quilombos, não só em Sergipe como em todo país.  Recebendo a comunicação da assinatura a lei abolicionista, o Presidente da Província, Olimpio N. Santos Vital, expediu comunicação a todos chefes de repartição pública em geral, a todas as autoridades da província recomendando-lhes a pronta execução da lei.  A maior parte dos escravos ficou nas propriedades dos seus senhores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                          CONCLUSÃO&lt;br /&gt;Como podemos observar, a rebeldia surgia, como forma de reação à escravidão, ela aparece como elemento de contradição do sistema implantado na colônia. Socialmente isso conduzia à revolta permanente, pois, como pudemos ver, o grau de sofrimento chegava ao limite. Os movimentos dos escravos foram constantes, principalmente na medida que se procurava transforma-los em coisa. Assim a rebelião surgia e assumia várias formas: fugas, suicídios, assassinatos, passividade no trabalho, aborto, etc...&lt;br /&gt;Em Sergipe, como nas demais partes do Brasil, o escravo se rebelou, fugiu dos engenhos e fazendas. Por isso os quilombos em Sergipe fora uma constante na sua história. Julgamos que a grande diferença entre a escravidão de outras regiões do país e em Sergipe, estar em não serem aqui os quilombos de grandes proporções e nem desenvolverem uma economia própria em seus redutos. Satisfaziam-se apenas em torno de roubos que praticavam em engenhos e em viajantes desavisados. Foi o que observamos através de vários ofícios enviados ao chefe de polícia pelos delegados municipais.&lt;br /&gt;Impossibilitados de se enquadrarem na sociedade vigente, os escravos contestavam a estrutura, apesar de não haver entre eles uma consciência de classe social. Marginalizados dentro do sistema monocultor, maltratados e tratados como animais, para o escravo a fuga era uma alternativa, mesmo sabendo do risco que corriam. A revolta do negro e a sua contestação através dos quilombos também pode ser explicada pela recusa diante de uma condição estranha, que não permitia sequer uma identificação com o espaço físico. O negro era arrancado da sua família, dos seus valores, para sustentar uma sociedade que não o via como ser humano. A rebelião era definida ainda, pela necessidade individual de evadir-se da situação de escravo, onde a sobrevivência reduzia-se aos mínimos físicos.&lt;br /&gt;A tática desenvolvidas pelos quilombolas de Sergipe não resta dúvida que foi uma guerrilha, jamais se empenharam em confrontos diretos com as forças do governo para o recesso das matas e lá, com movimentos rápidos, sempre levavam as tropas a fracassarem.&lt;br /&gt;A explicação que encontramos para o aumento das fugas, a partir da lei do Ventre Livre, nos remete a abolição do tráfico de escravos, além das citadas anteriormente, isso porque com a extinção desse comércio, a população escrava da Província tendeu a diminuir, e o resultado foi a pressão sobre os escravos por parte dos senhores, afim de que se produzissem mais, resultando em fugas constantes.&lt;br /&gt;Concluindo, podemos afirmar que em Sergipe, as relações entre senhores e escravos se caracterizaram tanto pelas violências dos primeiros, como dos segundos. Não foi um escravo, um testemunho mudo da nossa história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;               PRINCIPAIS QUILOMBOS DE SERGIPE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MUNICÍPIO                                 LOCALIDADE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capela                                       Caminho de Capela para Rosário&lt;br /&gt;Divina Pastora                           Engenhos Batinga, Salobro e Limeira&lt;br /&gt;Itaporanga                                  Margens do Rio Vaza-barris, Engenho Itapema&lt;br /&gt;Rosário                                       Mata das Urubas (entre Rosário e Santo Amaro)&lt;br /&gt;   .”                                              Engenhos Floresta, Várzea Grande,&lt;br /&gt;   .”                                              Capim-Açu e Jurema&lt;br /&gt;Laranjeiras                                  Engenhos Brejo, São Paulo e Aroeira&lt;br /&gt;Japaratuba                                   Engenho São José&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BIBLIOGRAFIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;01 - FONTES PRIMÁRIAS&lt;br /&gt;- A.P.E.S. –   SP1 - Pacotilha 121&lt;br /&gt;- A.P.E.S. –   SP1 - Pacotilha 316&lt;br /&gt;- A.P.E.S. –   SP1 - Pacotilha 490&lt;br /&gt;- A.P.E.S. –   SP1 - Pacotilha 564 &lt;br /&gt;- A.P.E.S. –   SP1 - Pacotilha 579&lt;br /&gt;- A.P.E.S. –   G1 - Pacotilha   32&lt;br /&gt;- A.P.E.S. – Relatórios dos Presidentes da Província à Assembléia Legislativa Provincial – Cx. 02 – 1872, 1874 e 1876.&lt;br /&gt;- A.P.E.S. – Relatórios dos Presidentes da Província à Assembléia Legislativa Provincial – Cx. 03 – 1884&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;02 – JORNAIS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Jornal de Aracaju – 1872&lt;br /&gt;- Jornal de Sergipe – 1873&lt;br /&gt;03 – FONTES SECUNDÁRIAS&lt;br /&gt;ANTONIL, André João – Cultura e opulência do Brasil por suas drogas e minas – São Paulo – Ed. Nacional – 1967.&lt;br /&gt;CARDOSO, Ciro Flamarion S. e DRIGNOLI, Héctor Pérez – Os métodos da História – Tradução de João Maia – Rio de Janeiro – Edições Graal 1979.&lt;br /&gt;COSTA, Emília Viotti da – O Escravo na grande Lavoura in: História Geral da Civilização Brasileira – Org. Sérgio Buarque de Holanda – São Paulo – Difusão Européia do livro – Vol. 3 – 1977.&lt;br /&gt;FIGUEIREDO, Ariosvaldo – O Negro e a Violência do Branco: O Negro em Sergipe – Rio de Janeiro – J. Álvaro editor – 1977.&lt;br /&gt;FREIRE, Felisberto – História de Sergipe – 2ª edição – Petrópolis – Vozes – 1977.&lt;br /&gt;GOULART, José Alípio – Da fuga ao suicídio – Ed. Conquista – INL – Rio de Janeiro – Cátedra – INL – Brasília – 1972.&lt;br /&gt;MATTOSO, Kátia de Queiroz – Ser Escravo no Brasil – São Paulo – Ed. Brasiliense – 1982.&lt;br /&gt;MOURA, Clóvis – Os Quilombos e a rebelião Negra – Ed. Brasiliense – São Paulo – 1981.&lt;br /&gt;                            - Rebelião da Senzala – São Paulo – Ed. Ciências Humanas – 3ª Edição – 1981.&lt;br /&gt;MOTT, Luiz Roberto de Barros – População e economia: aspectos do Problema de mão de obra Escrava em Sergipe (Séc. 18 e 19) – in Revista do Instituto histórico e Geográfico de Sergipe – Nº. 28 – 1978 a 1982.&lt;br /&gt;                            - Violência e repressão em Sergipe: Notícias Sobre as Revoltas de Escravos ( Séc. 19) in: mensário do Arquivo nacional – Nº. 125 – 1980 – Ano XI.&lt;br /&gt;SOUZA, Josefina Eliana e LIMA , Josefa Perpetuo de carvalho – O Fundo de Emancipação de Escravos  de Escravos em Sergipe (Aspectos Gerais) – Trabalho apresentado na Universidade Federal de Sergipe para obtenção do grau de Bacharelandos em História – 1983 – (mimeografado).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Licenciado em História pela Universidade Federal de Sergipe.&lt;br /&gt;Bacharelando em História pela Universidade Federal de Sergipe. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FUGAS: UMA ALTERNATIVA DE LIBERDADE DOS ESCRAVOS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                       Maria Nelly Santos&lt;br /&gt;Durante muito tempo a historiografia brasileira produziu e reproduziu uma história da escravidão fundamentada na imagem do escravo dócil, passivo e submisso. Estudos recentes, indicando a descoberta de novas fontes e a reinquirição de outras, atestam como o escravo reagiu de diversas formas a escravidão que lhe foi imposta. A fuga, por exemplo,foi uma delas. Ocorreu em todas as partes e em todos os tempos como algo inerente ao sistema escravista. E tanto mais freqüente quanto maior rigor do cativeiro.&lt;br /&gt;No Brasil, da colônia à abolição, os escravos sempre se utilizaram deste recurso porque “a evasão por mais simples e mais pronta execução era eleita como solução ideal, posto enganadora e fugaz”. Para Kátia Mattoso, a causa primeira e inspiradora maior, teria sido “a revolta interior do escravo inadaptado. O escravo (...) não escapa somente do seu senhor ou da labuta, elide os problemas de sua vida cotidiana, foge de um meio de vida, da falta de enraizamento no grupo de escravos e no conjunto da sociedade”.&lt;br /&gt;Tentar ser livre, mesmo expondo-se a todos os riscos foi o sonho dos escravos José, Joaquim, João Mulungu e Hilário, presos na Província de Sergipe em entre 1871 e 1876. Nossa proposta não é unicamente biografá-los, e sim, analisar a trajetória da fuga, o momento crucial de capturas, o desenrolar do processo e suas conseqüências.&lt;br /&gt;Chamamos atenção que esse trabalho é basicamente resultante das leituras dos autos de perguntas de processos-crimes. Se por lado, tem um caráter oficial, por outro, trata-se de um tipo de fonte, cujas características possibilita reconstruir a história do dominado a partir de depoimentos dos elementos dessa categoria. Por conseguinte; quem eram, como sobreviverem enquanto trânsfugas do sistema escravista, onde, como e quando foram capturados. O quadro a seguir, identifica-os preliminarmente.&lt;br /&gt;Excetuando João Mulungu, que passou oito longos anos longe do domínio do seu senhor, os demais usufruíram um tempo efêmero de liberdade, variável de dois a seis meses. Independente dos percalços inseparáveis de toda fuga, sue sucesso estava condicionado aos fatores sorte, esperteza, audácia do escravo, solidariedade, proteção de terceiros e do grau de disposição do senhor de reavê-lo. Este, enviando todos os esforços, lançava mão de uma série de dispositivos como anúncios em jornais, recompensa, contratação de serviços de capitão do mato, etc. Em suma, entre o ato de fugir e o de sobreviver na clandestinidade, o escravo enfrentava condições extremamente adversas e desvantajosas. Por isso, não é estranhável que a maioria ass fugas tenha redundado em completo fracasso.&lt;br /&gt;Afora as causas gerais, apontadas no início deste trabalho, quais especificamente, desencadearam a evasão dos quatro escravos?&lt;br /&gt;Para José concorreu o fato de “tendo precisão de farinha, por ser muito pequena a ração que recebia, tirava nas roças do dito Isac um cesto de mandioca, e por tal haver descoberto, o mesmo Isac o castigou como poz-lhe um ferro no pescoço e que tais castigos foram a causa”.&lt;br /&gt;O segundo, Joaquim, disse que o seu senhor, João Gonçalves Franco, “além de rigorosos castigos que já lhe tinha aplicado (...) prometeu dar-lhe novos, prendê-lo e mete-lo no tronco”.&lt;br /&gt;Quanto ao depoimento de João Mulungu, apesar de longo, vale a pena transcrevê-lo porque os detalhes colocados deixam patente o excesso de severidade do seu proprietário João Pinheiro Mendonça, Confessou:&lt;br /&gt;“(...) sendo ainda de pouca idade, seu senhor o sobrecarregava de trabalhos superiores as suas forças e castigando-o, às vezes sem razão, o fazia com rigor. Assim, saiu ele de casa por duas vezes a procurar senhor e sendo desenganado que o seu senhor não o vendia por este ter declarado a quem procurava comprá-lo. Deliberou-se pela terceira vez a fugir por não suportar mais a maneira que o seu senhor o tratava, já surrando-o, já trazendo-lhe ao pé uma corrente e sujeitando-o a pesados serviços como botar fogo na fornalha; e, efetivamente fugindo não mais procurou a quem o comprasse e sim, entranha-se pelos matos”.&lt;br /&gt;Suas declarações dão conta que o senhor desconsiderando sua pouca idade, atribuía-lhe tarefas incompatíveis com a sua força física. Estabelecendo-se uma relação entre o ano de captura (1876) e a idade indicada no processo (25 ou 30 anos), deve ter nascido em 1851 ou 1846. Conforme afirmativa dele, nascera em Itabaiana e era filho de Maria, escrava de José Ignácio Prado, proprietário do engenho “Cundongá”. Admitindo ser 1868 o ano da fuga definitiva, teria na ocasião 17 ou 22 anos de idade. Logo, era muitíssimo jovem quando foi vendido a João Pinheiro de Mendonça, dono do engenho Mulungu, cujo nome, serviria para identifica-lo pelo transcurso de sua vida.&lt;br /&gt;A revolta interior e o trabalho desumano estimularam-lhe a vontade de evadir-se. Duas vezes tentou, sem sucesso. O retorno, sempre mais doloroso e humilhante, aumentava-lhe a amargura e ódio que se tornaram companheiros inseparáveis.&lt;br /&gt; Por último, o Hilário. Único a não alegar os motivos de seu ato. Isto não interfere na análise porque afinal, o desejo maior e manifesto em todo o escravo, sempre foi a busca incessante de liberdade.&lt;br /&gt;Que temos então? Um escravo depauperado em seus cinqüenta anos, escapando aos rigores do castigo físico e das marcas indeléveis do ferro no pescoço. O motivo? Ter sido flagrado com um cesto de mandioca, tubérculo que transformado em farinha complementaria a pouca “ração” diária. E finalmente, a velha história tão comum e inseparável da escravidão: violência, excesso de trabalho e castigos intoleráveis. Castigos comprovadores de que os senhores, nos limites de suas propriedades, exerciam uma espécie de “justiça” da ordem legal estatal.&lt;br /&gt;O número limitado dos exemplos desautoriza-nos formular conclusões. No mínimo, porém, nos induz sobre a necessidade urgente de aprofundar os estudos das relações entre senhores e escravos. No caso específico de Sergipe, as teses de Dom Marcos de Souza e de Felte Bezerra devem ser revistas.Aliás, Luis Mott refletindo sobre esse aspecto adverte: “Bem tratados ou não, (...) o certo é que volta e meia a escravatura estava se rebelando, chegando alguma vezes a constituir grave ameaça a tranqüilidade pública”.&lt;br /&gt;Vai mais alem dizendo que a contestação da ordem estaminal assumiu em Sergipe.&lt;br /&gt;“(...) no mais das vezes, a forma de rebeldia individual do tipo fuga, suicídio, assassinato de senhores ou de prepostos seus, incêndio de propriedade rural, envenenamento, etc.”&lt;br /&gt;Apesar de sabermos da freqüência de tais fatos, é –nos impossível conhece-los em sua amplitude por que muito poucos foram estudados.  No que se refere ás fugas, esta é a nossa convicção: nem todas culminaram em quilombos, mas, sem dúvida, todos eles mesmos, originaram-se daquelas. &lt;br /&gt;Por exemplo, em 1868, quando João mulungu escapou definitivamente do domínio do seu senhor, fê-lo sozinho. Abandonou itabaiana e se deslocou para o termo de Capela. Posteriormente encontrando-se com José da Silva, escravo de Manuel Antonio de Morais, e Manuel da hora, pertencente ao cel. Gaspar de Melo, formou o primeiro  “rancho’’ em   terras do engenho boa vista . procedimento idêntico tiveram José maruim, em 1871, Joaquim,em 1872 e hilário em1876. o primeiro saiu do engenho  cana brava para as matas do engenho são José ( Japaratuba) pois era sabedor da existência de um quilombo naquela área; o segundo terminou estacionando em outro nas cercanias do engenho Limeira ( Divina Pastora); enquanto que o terceiro, por sinal, preso juntamente com João Mulungu, dirigiu-se para o quilombo situado nas proximidades do engenho Jurema ( Rosário).  &lt;br /&gt;Em suma: todas as fugas aqui  analisadas caracterizam-se por ações individuais. &lt;br /&gt;O grupo de 1868 , instalado na Boa Vista, permaneceu por um espaço de dois meses no termo de Capela. Para matar a fome e sobreviver a toda odisséia, praticava furtos, roubos, etc. suas ações rápidas e eficientes, provocou inquietação entre os proprietários do local. Sentindo-se inseguros, Mulungu e seus dois companheiros transferiam-se para as terras do engenho Sombinho, em Divina Pastora. Nascia assim o segundo  “rancho”. Este cantou com quatro pessoas em face da chegada de frutuoso, escravo do Major Frederico do engenho Campinhos.  &lt;br /&gt;O que teria concorrido para o sucesso da fuga de João Mulungu? E mais, por que foi tão longa? Desconhecemos os anúncios publicados e outras medidas para capturá-lo. Mais é difícil imaginar acredita-lo inerte diante de uma “peça” tão valiosa!...  Peça  em pleno  vigor físico, extremamente necessária, não só porque apta qualquer serviço, mas principalmente inflacionada devido a vigência do trafico interprovincial. &lt;br /&gt;Inferimos: O êxito, se assim pudemos rotular, não se deveu exclusivamente a sua astúcia, a sua coragem e sua inteligência. Ou apenas as táticas de guerrilhas bem empregadas. Valeu-lhe a proteção de terceiros.  Indagados sobre o apoio recebido, respondeu dessa maneira, ao chefe de policia Vicente de Paula caucaes:  “ a única  proteção com que ele e seus companheiros contaram, foi a de dois moços do termo de capela, do lugar lagoa funda , chamado  um Teixeirinha (...) e outro conhecido por Yoyô, cunhado de Teixeirinha, os quais compram- lhe alguma coisa que ele necessitava, adiantando-lhe dinheiro até  que lhes pudesse pagar e de uma vez levou-lhes(...) quatro bois para yoyô que os vende por quarenta mil reis e dois cavalos e uma burra para Teixeirinha que (...) os vende por sessenta mil reis”. &lt;br /&gt;Independente do interesse comercial tão explicito, o apoio fundiu-lhe confiança e renovou  suas energias para manter-se livre;  especialmente durante os primeiros meses que perambulando a esmo estava exposto a toda sorte de  pressões e adversidades. &lt;br /&gt;As noticias corriam, espalhando-se tão rápidas quanto as ações do seu grupo. Os proprietários das vilas de capela, siriri e divina pastora já não eram os únicos intranqüilos. Por isso, do rancho nas terras do engenho sombinho deslocou-se, sucessivamente, para  as matas do engenho batinga e limeira. A causa da mudança do terceiro para o quarto ocorreu em virtude da captura do quilombo Frutuoso e Malaquias, acusados do assassinato de João Croato da costa.&lt;br /&gt;Segundo declarações do próprio Mulungu “depois desses acontecimentos teve que procurar outro coito(...) estabelecido nas matas do engenho limeira o qual continha vinte  companheiros”(grifo  nosso) inclusive uma mulher livre de nome conceição de&lt;br /&gt;Surpreende-nos que agora nas matas do engenho limeira hajam vinte escravos quilombos. Até então, o número de pessoas não passava de quatro. Nossa hipótese salva melhor juízo, é de que houve uma integração do grupo de João Mulungu ao já existente.&lt;br /&gt;Naturalmente, Mulungu não enfrentou dificuldades para associar-se porque a fama adquirida ao longo de três anos sem dúvida lhe serviu como passaporte.&lt;br /&gt;Tudo faz crer que a permanência de Mulungu e dos outros vinte cativos nas matas do engenho Limeira não foi duradoura. Depreendemos do depoimento de Joaquim ao confessar “que ele já tinha combinado mudarem-se para as matas Pingui porque a tropa os está atormentando muito”.&lt;br /&gt;Na realidade está idéia não foi concretizada, visto que do rancho de Limeira, deslocaram-se, em 1872, para as matas do Engenho Jurema, situado no termo de Rosário. Eis assim a origem do quinto rancho.&lt;br /&gt;Entre o espaço compreendido daquela data ao ano de 1876 a documentação é silenciosa quanto a trajetória e dele e de seus companheiros.Interrogado sobre os furtos cometidos a, na maioria dos engenhos da zona do Cotinguiba, respondeu que os objetos furtados contam em gado, cavalos, ovelha, etc. Além de descriminar os locais assaltados citou, nominalmente, todos os escravos que o acompanhavam, ressaltando porém, que a grande maioria foi recapturada e devolvida aos antigos senhores e sua prisão foi efetuada pelo tenente João Batista da Rocha e o Juiz Municipal de Divina Pastora, Manuel Cardoso Vieira de Melo.&lt;br /&gt;De Janeiro a Setembro do ano citado, João Mulungu foi submetido a vários interrogatórios nas vilas de Divina Pastora, Rosário, capela e na cidade de Aracaju. A exceção de Rosário, onde foi condenado em 12 de abril, a um ano de galé, 70 açoites e a tomar ferro ao pescoço por espaço de um mês, desconhecemos os demais processos condenatórios referentes aquelas localidades.&lt;br /&gt;Diante do exposto levantamos estas questões. Mulungu realmente preferiu ser enforcado para não viver em cativeiro? Teria sido apenas condenado as galés e sua comutada para decapitação?&lt;br /&gt;Nossa comunidade propositadamente questionava e não conclusiva. Razão porque fazemos estas indignações extraídas dos próprios autos de perguntas trabalhados.&lt;br /&gt;a)Que tipo de quilombo tivemos em Sergipe?&lt;br /&gt;b)Seriam predatórios em razão dos quilombolas viveram constantemente assaltando engenhos, fazendas e sítios?&lt;br /&gt;c)As façanhas de João Mulungu poderiam diferencia-lo dos outros escravos quilombolas a ponto de torna-lo um líder na luta pela liberdade de seus irmãos?&lt;br /&gt;d)Qual a diferença entre quilombos, ranchos e coitos, expressões usualmente mencionadas nos processos pelos escravos depoentes?&lt;br /&gt;Tudo isso nos leva a crer que os escravos, em Sergipe, não foram coniventes com sua situação servil, usou de todas as maneiras de revolta, apesar de estruturarem de seus atos uma luta maior pela liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANEXO 01&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo recenseamento feito do depoimento dos quatro escravos, os companheiros de Mulungu entre 1868 até 1876, foram:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ESCRAVOS                                    PROPRIETÁRIO                               ENGENHO&lt;br /&gt;01 - José da Silva                             Manoel Antônio de Morais                           -&lt;br /&gt;02 - Manoel da Hora                       Cel. Manoel Gaspar de Melo                     Velho&lt;br /&gt;03 - Frutuoso                                   Major Frederico                                        Campinhos&lt;br /&gt;04 - Cornélio                                   Cel. Antônio                                              Brejo&lt;br /&gt;05 - Maximiniano                            José Nobre                                                     -&lt;br /&gt;06 - Laureano                                              -                                                     Junco&lt;br /&gt;07 - Jacinto                                      João Bernardino                                             -&lt;br /&gt;08 - Victorio                                               -                                                      Palma&lt;br /&gt;09 - Alexandre                                            -                                                     Lagoa Funda&lt;br /&gt;10 - Cupertino                                             -                                                     Junco&lt;br /&gt;11 - José Maruim                              Isac                                                         Cana Brava&lt;br /&gt;12 - Leonilo                                                 -                                                    Flor da Rosa&lt;br /&gt;13 - Horácio                                                -                                                     Bete&lt;br /&gt;14 - José Quinzanga                                    -                                                    Quinzanga&lt;br /&gt;15 - Benedito                                               -                                                    Palha&lt;br /&gt;16 - Luís da Imbira                                      -                                                    Brejo&lt;br /&gt;17 - Barnabé                                                -                                                    Oito Contos&lt;br /&gt;18 - Belmínia                                               -                                                    Cana Brava&lt;br /&gt;19 - Francisca                                   Guilherme de Tal                                             -&lt;br /&gt;20 - Thomasia                                              -                                                    Santa Bárbara&lt;br /&gt;21 - Luzia                                                     -                                                    Jurema&lt;br /&gt;22 - Joaquina                                                -                                                    Santa Bárbara&lt;br /&gt;23 - Sinforósia                                              -                                                    Serra Negra&lt;br /&gt;24 - Vicencia                                   Antônio Diniz                                                  -&lt;br /&gt;25 - Conceição (livre)                     Divina Pastora                                                  -&lt;br /&gt;26 - Joaquim                                   João Gonçalves Franco                                     -&lt;br /&gt;27 - Antônio Teles                                        -                                                     Farias&lt;br /&gt;28 - Coutinho                                                -                                                     Sítio&lt;br /&gt;29 - Leonídio                                                -                                                      Palmeira&lt;br /&gt;30 - Mathias (missão de Japaratuba)            -                                                           -&lt;br /&gt;31 - Carlota                                                   -                                                     Santa Bárbara&lt;br /&gt;32 - Francisco da Vila de Capela (livre)       -                                                          -&lt;br /&gt;33 - Hilário                                     Manoel Raimundo                                       Sítio Novo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                  OUTROS MULUNGUS, OUTROS MITOS?&lt;br /&gt;Maria Nely Santos&lt;br /&gt;A despeito do volume das fontes, a historiografia sergipana da escravidão, apresenta-se muito limitada porque poucos estudiosos lhe emprestaram a devida importância. Tal procedimento tem contribuído para que generalizações apressadas, equívocas e controvérsias se estabeleçam como verdades absolutas.&lt;br /&gt;Por exemplo, quando se discute a reação dos escravos ao sistema e aos mecanismos de controle social exercido sobre eles, associa-se automaticamente a palavra “quilombo”. E falar em quilombo é lembrar, obrigatoriamente, JOÃO MULUNGU, transformado e reproduzido para várias gerações no “super estrela” da resistência escrava em Sergipe.&lt;br /&gt;Sem dúvida, na década de 70 do século XIX, foi das figuras mais populares entre os escravos, um dos personagens temidos dos senhores proprietários rurais e dos mais experientes desafiadores dos cercos policiais. Mas, daí, torná-lo único, impar e sobretudo tributar-lhe o titulo de líder do Herói Negro Sergipano, é procedimento no mínimo reducionista.&lt;br /&gt;É preciso dizer que a historia da resistência negra em Sergipe, não foi encerrada quando o tenente João Batista da Rocha Banha prendeu João Mulungu, no dia 19 de Janeiro de 1876, no canavial do engenho Flor da Roda, em Laranjeiras. Apesar de sua captura ter significado o epílogo de uma trajetória de figuras audaciosas e espetaculares, enfim o termino de oito longos anos de vida clandestina, de 1876 ate o ano de 1888, outros “MULUNGUS” existiriam merecendo cuidadosas pesquisas e analises.&lt;br /&gt;Na verdade, este artigo trata da temática, RESISTENCIA E PROTESTO cujo objetivo é passar em revista alguns autores como LAUREANO, FRUTUOSO, DIONÍZIO e SATURNINO, cujas historias permanecem ainda empacotadas no Arquivo Público do Estado de Sergipe e no Arquivo Judiciário.&lt;br /&gt;Salvo melhor o juízo, a documentação relacionada ao combate, destruição de quilombos, captura de escravos, assinala o ano de 1876 como aquele em que o alferes, depois tenente e finalmente capitão João Batista da Rocha Banha, surgiram na cena de toda as diligência nas matas dos engenhos de Divina Pastora, Laranjeiras, Maruim, Rosário, Siriri e Capela.&lt;br /&gt;Desse modo, seis meses depois, vamos encontrá-lo em ação. Desta feita no Engenho Aroeira, efetuando a prisão de LAUREANO, escravo do Cel. Antônio de Siqueira Horta, que se achava foragido a mais de oito anos do Engenho Junco. Inclusive, nesse espaço de tempo, tornou-se um dos companheiros permanentes e próximos de João Mulungu, cometendo vários delitos, embora não lhe pesasse qualquer acusação de crime de morte, conforme indica o oficio de 12/06/1876 do mesmo capitão ao então chefe de policia Vicente Caucaes Teles e que aliás, chega a mencionar uma estratégia que deveria ser freqüentemente praticada pelas autoridades, ou seja, a utilização do ex-quilombolas como guia das expedições repressivas e preadoras de cativos, como bem ilustra a citação abaixo:&lt;br /&gt;“...Peço permissão a Vossa Senhora para utilizar-me hoje à noite dos serviços dos mesmo escravo para servir-me  de guia até dois ranchos consta estarem mais alguns quilombolas” (APES, SP1:378).&lt;br /&gt;Após lutar vários anos para preservar sua liberdade, termina sendo irônico o final da história de Laureano. Somente o exame de outras fontes poderá de fato confirma-lo.&lt;br /&gt;O segundo personagem em análise é frutuoso, evadido desde 1869, do engenho campinhos, de propriedade do capitão Frederico.Integrou-se ao grupo de José da Silva, Manoel da hora e João Mulungu, quando estes já haviam estabelecido um rancho nas terras do engenho sobrinho, proximidades do pé do banco (atual município de Siriri).Recapturado em 1879, fugiu da cadeia da capital em 11 de setembro de 1880, homiziando-se num quilombo nas matas dos engenhos Poxim e Tábua, distante cinco léguas da cidade de Aracaju. Frutuoso foi constantemente perseguindo, apesar do senhor não ter “se importado porque o galé não lhe mal e sim aos outros”.&lt;br /&gt;Se o Capitão Frederico o deixara em paz, o mesmo não se pode dizer da polícia. Duas expedições foram organizadas em 1883. A primeira, composta de vinte praças sob o comando do tenente José Sabino de Brito, dirigiu-se ao quilombo dos engenhos Poxim e Tábua, redundando em completo fracasso. Conseguindo furar o seco, frutuoso se estabelece nas cercanias do engenho Pauá no termo de Capela.&lt;br /&gt;Em 11 de julho do mesmo ano, o tenente comandante daquela vila, Francisco D’Alcântara, notificava ao chefe de polícia:&lt;br /&gt;“Segundo estou informado por paisano, a quem incumbi de espreguiçar a frutuoso,prometendo-lhe eu, ele ter uma gratificação se descobrisse, o que prontamente fez descobrindo o arranchamento em uma mata; porém, que(...) mediante a gratificação de quarenta mil reis visto ser pessoa pobre, e em tal diligência corria muito risco de sua vida (...)estão em um lugar porém separados em três ou quatro ranchos que devem ser cercados em um só tempo.&lt;br /&gt;Estão foragidos, estão bem armados” (APES,SP1:548).&lt;br /&gt;Finaliza solicitando quinze praças e inclusive, consultando sobre a possibilidade de “fazer fogo no galé”. Captura-lo vivo ou morto tornou um ponto de honra das autoridades.&lt;br /&gt;Infelizmente a documentação analisada não possibilitou o  conhecimento dos resultados desta diligência e conseqüentemente o destino de frutuoso, que diga-se de passagem, conseguira a incrível façanha de sobreviver por mais quinze, em liberdade.&lt;br /&gt;Quem se der ao trabalho de recensear os escravos fujões de 1881, terá em mãos uma lista relativamente extensa. Arrisco-me a conjetura que a maioria reavida e tal aconteceu, deveu-se muitos mais a iniciativa dos próprios senhores naturalmente inconformados por perderem sua força de trabalho, do que a própria polícia. Obviamente jamais dispensaram o aparato policial. Entretanto, à medida que as fontes são inquiridas, deixam-nos a impressão de que a concentração de esforços e o maior interesse da polícia, estavam direcionados para os escravos líderes e/ou os já pronunciados pela justiça.&lt;br /&gt;Por exemplo, 1886, o chefe de polícia João Batista Costa Carvalho, fez circular um memorando por várias vilas da província, especialmente Divina Pastora, Riachuelo, Laranjeiras, Maruim e Capela, recomendando capturar o escravo Dionízio que se “acha à frente de uma quadrilha de salteadores atacando as propriedades agrícolas. O assassino é mulato, magro, baixo,tem cabelos anelados e preto, barba pouca somente embaixo do queixo, fala às vezes fanhoso, ombros bem suspensos, pés e mãos regulas, idade 30 a40 anos e uma pequena cicatriz de talho por cima de um dos olhos”(APES,SP1:5480).&lt;br /&gt;Este Dionízio tão detalhadamente descrito escapara do engenho Cumbe de propriedade de Pedro dias Dantas de Melo e era acusado justamente com Saturnino de haver assassinado o escravo Canuto em 30 de dezembro de 1885. Saturnino é o último personagem abordado neste arquivo e para melhor compreende-lo, é necessário relatar fatos que se seguem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No dia 21 de abril 1888, dois escravos foragidos foram presos e recolhidos à cadeia da Vila de Laranjeiras.As prisões acompanhadas de  espancamento provocaram protestos veemente da população, do diretório do partido liberal além de uma  ampla reportagem no jornal “A REFORMA”. Diante da repercussão, o então presidente da província, senhor Lycurgo de Albuquerque Nascimento determinou que tomasse as devidas províncias. Para uma melhor compreensão do fato, reproduzo abaixo trechos do relatório do chefe de polícia, por traduzirem o estado de espírito da província às vésperas da abolição: em Laranjeiras, no ano de 1851 (presumível), escravos de propriedade  de João Pinheiro de Fraga, dono de Engenho Flor da Roda.&lt;br /&gt;João Mulungu, amplamente citado por diversos historiadores, inclusive pelo brasileiro Robert Conrad, como o mais importante defensor da causa negra  na contra a escravidão, alem de outras citações , a cognominação  Zumbi Sergipano.&lt;br /&gt;Dentre os companheiros de João Mulungu, no ato da revolução escrava em Sergipe, destaca-se; Manoel Jurema, Pedro Quirino, Galdino, dentre outros.&lt;br /&gt;Acredita-se que desde os anos 60 que João Mulungu fazia parte dos grupos revolucionários, tendo em vista que Laranjeira era tida como o berço das idéias progressista e revolucionarias de Sergipe, palco, portanto, da difusão de depoimentos humanista e de ação liberais como a pratica de   Sergipe, proveniente de diversas tribos e nações  i nações, combinadas com as pressões internas a favor do abolicionismo, no apartheid imposto  pela igreja através das irmandades.&lt;br /&gt;O quilombo predatório ou de estrada, como de estratégia externa dos antigos quilombos africanos, foi o instrumento mais utilizado por João Mulungu, pois a intinerancia se via contra os batalhões da policia em perseguição constante.A tônica  libertaria como objetivo meta, propiciou em diversos levantes,  liberdade através das fugas e milhares de escravos, alem de fortalecer contingente em todos os municípios e Sergipe,como ponto de abrigo e apoio estratégicos.&lt;br /&gt;Ao longo de sua trajetória, a frente da revolução escrava, sua liderança foi sempre contestada pelo sistema e pelo poder, que sempre se esmeraram para tê-la como troféu, na batalha de manutenção do poder.&lt;br /&gt;Suas técnicas, amplamente identificadas e utilizadas pelo sistema, contra opositores e após a execução dos atos, declinavam a autoria de João Mulungu, foi assim por muito tempo que o governo provincial, deu combate aos seus opositores políticos.&lt;br /&gt;Por traição de um dos escravos da Flor Roda, de nome Severino, João Mulungu foi capturado, coincidentemente, nas terras do engenho em que nasceu e evadiu-se, quando descansava com seus companheiros a sombra dos bananais, as 12:00hs. Do dia 19 de Janeiro, em Laranjeiras e imediatamente conduzido ao Quartel de Divina Pastora sob a guarda do capitão João Batista da Rocha Banha, comandante da diligencia.&lt;br /&gt;No afã de notoriedade e na pressa de divulgar o ato e sobressair no cenário nacional, o governo provincial dava dimensão ao caso em seus Relatórios e Assembléia Provincial, de 01 de janeiro, fevereiro e março, chegando a afirmar em relatório de março que... Pode ter 25 anos, mais ou menos, é crioulo de estatura regular, e como bem o qualificam “um pouco ladino e insinuante, resignado hoje com a sua sorte, preferindo contudo ser enforcado em praça publica a voltar para a casa do seu senhor”.&lt;br /&gt;Em outro documento próprio governo afirma que João Mulungu...”o mais forte elemento da resistência, o quilombola João Mulungu, e todos dizem ser o mais audaz, o chefe dos escravos fugidos, foi capturado no dia 13 de Janeiro do corrente...”&lt;br /&gt;Efetivamente o presidente da província, João Ferreira de Araújo Pinho, iniciou toda uma manipulação em torno do nome de João Mulungu, divulgando sua morte, quando na verdade desde 1835 não poderiam mais enforcar escravos no Brasil e diversos documentos, mesmos confusos, demonstravam que ate dezembro, João Mulungu estava vivo sendo transferido de cadeia em cadeia, inclusive condenado a um ano de galé, enquanto seu companheiro Manoel jurema era condenado a uma pena máxima, efetivamente, João Mulungu, foi uma presa preciosa nas mãos do governo que querendo mostrar serviço, declara extinto os quilombos em Sergipe, com a prisão e morte de João Mulungu, o que na pratica só fez retroceder a ação tendo em vista as manifestações isoladas de diversos grupos em toda província ate o alvorecer de maio de 1888.&lt;br /&gt;A prisão de João Mulungu e seu confinamento histórico, só serviu de instrumento para promoções das autoridades que serviam o sistema e tinham no maceramento do negro sua meta de vida. A luta do negro Sergipe, na busca da liberdade e contra a escravidão, foi uma das mais tenaz e feroz do Brasil como também feroz foi a escravidão, onde os delírios dos senhores, tornavam a escravidão, ou seja, os escravos passiveis de qualquer penalidade, pela violência praticada Paradoxalmente diversos senhores de engenho, davam guaridas aos quilombolas alem de praticarem abertamente o trafico interprovincial de escravos reclamados pela justiça.&lt;br /&gt;João Mulungu, marco da resistência negra em Sergipe, simboliza as aspirações democráticas dos sergipano, independente da raça e/ou posição econômica.Herói Negro Sergipano, cristalizando os anseios da liberdade do povo brasileiro em todos os momentos em que a opressão determina a ação e o comportamento dos homens. Lutou, não pela liberdade de seu povo, seu nome em Laranjeiras em Sergipe e no Brasil deve ser tão respeitado e reverenciado como tantos outros Heróis que deram sua vida pela liberdade de sua gente, dentre eles:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zumbi                                     Lucas Dantas                             Manoel Balaio&lt;br /&gt;Chico Rey                              Ambrosio                                   Isidoro&lt;br /&gt;João Candido                         Manoel Congo                           Luiz Mahim&lt;br /&gt;Zeferina                                  Pedro Cosme                             etc.....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JOÃO MULUNGU&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ARIOSVALDO  FIGUERÊDO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na caçada que por muito tempo cobriu Sergipe, destaca-se o Alferes e; depois Tenente e Capitão João Batista da Rocha Banha, o mais eficiente e agressivo caçador de escravos, “oficial sempre pronto para as diligências mais arriscadas que a policia empreende”.&lt;br /&gt;Em 13/01/1876 ele escreve ao Chefe de Policia Vicente Paula Caçais Telles: “Comunico a V. Sa. Que no dia 11 do corrente, pelas 10 da noite, foram atacados neste termo, os Cidadãos Luiz Maynart e Joviano de tal, pelos quilômbolas que se acham circulando neste Termo, e logo veio ao mês conhecimento e segui imediatamente a socorrê-los, não encontrei mais os quilombolas, visto ser de grande distância desta vila, tendo ali encontrado grande roubo feito por eles em objetos e muitas criações daquele senhor, dos quais levaram um carneiro pela corda que o dito carneiro foi que serviu de guia tomando-se o rasto pelo caminho. Consta-me que o regente desses malfeitores é o célebre quilômbola João Mulungu, e seu imediato Manuel Jurema. Hoje chegou ao meu conhecimento que aquele malfeito está preparando-se com muitos quilômbolas para invadirem esta vila prometendo vir até o quartel com seus companheiros atacarem a força prevenido 2 quilômbolas com 15 escravos para esse fim, mais não se pôde ainda capturar aquele malfeitor porque todo movimento que se dá na vila, ele no mato é sabedor, visto ter sócios nesta vila que se prestam a avisarem a ele”.&lt;br /&gt;O militar fala em roubo de objetos e criações, porém não os descrimina, salvo um pobre carneiro levado, certamente, para alimentar os escravos. Fala, igualmente, em um ataque a vila, que obviamente não se realizou, o que mostra que ele carregava nas tintas para impressionar o chefe de Policia. O que há de verdadeiro em seu depoimento é o fato dos escravos contarem com informantes solitários nos lugares onde viviam. Isso era, aliás, muito comum em todas as épocas e partes da Província.&lt;br /&gt;João Batista da Rocha Banha volta, logo depois, à presença do chefe de policia, com nova carta, ao saber que um proprietário fora agredido em Divina Pastora, “pela audaz chefe dos quilombolas João Mulungu e alguns dos seus acérrimos companheiros que fazem parte dos grandes coitos que infestam as matas do Cotinguiba e Japaratuba”. Ele, escrevendo em 14/01/1876, lastima “que em minha província ainda se dêem fatos tão desagradáveis quando podem ser eles abatidos com um pequeno esforço da Policia”. João Batista da Rocha Banha oferece-se, ma oportunidade, para “abatê-los e extingui-los em poucos meses”.&lt;br /&gt;___________________________________________&lt;br /&gt;-Relatório do Presidente João Ferreira de Araújo Pinto&lt;br /&gt; à Assembléia Legislativa Provincial, 1°/3/1875.&lt;br /&gt;-Arquivo Público do Estado de Sergipe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SAGA DE JOÃO MULUNGU&lt;br /&gt;É Esta a historia historiada&lt;br /&gt;De um negro Sergipano&lt;br /&gt;Que em plena escravidão&lt;br /&gt;Lutou nos quilombos&lt;br /&gt;Para a Libertação&lt;br /&gt;Sergipe Del Rey&lt;br /&gt;Sergipe.Aracaju&lt;br /&gt;Santo Antonio do Aracaju&lt;br /&gt;Ogum&lt;br /&gt;Sua Padroeira&lt;br /&gt;Nossa senhora da conceição&lt;br /&gt;Oshum. Saravá&lt;br /&gt;Ogum Deus da Guerra&lt;br /&gt;Das batalhas, Orixás&lt;br /&gt;Da agricultura&lt;br /&gt;Protetor dos oprimidos&lt;br /&gt;Oshalá&lt;br /&gt;Ogum senhor do Quilombo&lt;br /&gt;Protetor dos quilombos&lt;br /&gt;Xangô Deus da Justiça&lt;br /&gt;1851ele nasceu&lt;br /&gt;De mãe negra escrava&lt;br /&gt;nas senzalas do Cotinguiba e do&lt;br /&gt;brinquedo do amor&lt;br /&gt;Seu nome JOÃO MULUNGU&lt;br /&gt;Negro puro e forte&lt;br /&gt;Não aceitou o nome&lt;br /&gt;O nome do seu senhor&lt;br /&gt;Mamou o leite que&lt;br /&gt;banco amansou, sua mãe&lt;br /&gt;mãe negra forte, lhe&lt;br /&gt;reservava mais amor&lt;br /&gt;João cresceu entre a&lt;br /&gt;Senzala e a Casa Grande&lt;br /&gt;Da cozinha pro canavial&lt;br /&gt;Até aprender o um oficio&lt;br /&gt;Por certo era a capina&lt;br /&gt;Ou pedreiro&lt;br /&gt;Negro ladino esperto e guerreiro&lt;br /&gt;João era escravo de ganho&lt;br /&gt;Escravo de profissão&lt;br /&gt;Saía e ouvia&lt;br /&gt;Ouvia e aprendia&lt;br /&gt;Sabia tudo o que acontecia&lt;br /&gt;João Mulungu cresceu&lt;br /&gt;Sabendo a palavra quilombo&lt;br /&gt;Sua fúria&lt;br /&gt;Seu significado&lt;br /&gt;Sua importância seu grito&lt;br /&gt;De morte&lt;br /&gt;Vivendo no quilombo&lt;br /&gt;Para ele era ver África –Mãe&lt;br /&gt;Que suas historias ouvia&lt;br /&gt;Todas as noites na senzala&lt;br /&gt;Pra ouvir estrelas e sentir&lt;br /&gt;Java ,a guerra e batalhas&lt;br /&gt;da tribo dos seus avós&lt;br /&gt;O engenho, o bangüê, o açúcar&lt;br /&gt;O mel, para João&lt;br /&gt;Tinha gosto de morte&lt;br /&gt;de saudade&lt;br /&gt;Gosto de pura necessidade&lt;br /&gt;Um dia João chorou&lt;br /&gt;Sua mãe de peito aberto&lt;br /&gt;Pelo chão se contorcia&lt;br /&gt;Uma chibata do senhor&lt;br /&gt;No castigo do feitor&lt;br /&gt;O sangue a terra bebia.&lt;br /&gt;João via que ele morria&lt;br /&gt;Seu corpo rijo vingança pedia&lt;br /&gt;Jurou em silencio e andou&lt;br /&gt;Para a fuga, a vitória dos&lt;br /&gt;Quilombos, a liberdade do chão&lt;br /&gt;Clamou vingança&lt;br /&gt;Exu nas estradas cobertas de cana&lt;br /&gt;Rio estridente, pedindo sangue&lt;br /&gt;a João. Ogum lhe mostrou os&lt;br /&gt;caminhos do quilombo na ventania&lt;br /&gt;de Yansã e para lê ele rumou&lt;br /&gt;levando consigo a imagem&lt;br /&gt;o pensamento, a coragem.&lt;br /&gt;Despiu suas roupas num rio&lt;br /&gt;de mudanças.&lt;br /&gt;Despiu sua sombra; esperança&lt;br /&gt;Despiu seu espírito: liberdade&lt;br /&gt;e foi a luta contra o opressor&lt;br /&gt;De sua mãe&lt;br /&gt;Seu povo, raça&lt;br /&gt;Sua Ancestralidade&lt;br /&gt;Logo cedo já tinha&lt;br /&gt;Sua tropa, seus camaradas&lt;br /&gt;Companheiros de luta&lt;br /&gt;Contra a opressão&lt;br /&gt;Contra discriminação&lt;br /&gt;Contra a escravidão&lt;br /&gt;Por motivos diversos&lt;br /&gt;Mas lutando contra o terror.&lt;br /&gt;Nas estradas&lt;br /&gt;Nos engenhos e senzalas&lt;br /&gt;Tinha sua arma de guerra&lt;br /&gt;Tudo que via, pegava&lt;br /&gt;E assim se mantinha&lt;br /&gt;E assim se provia&lt;br /&gt;Andou com anda&lt;br /&gt;Na África, o guerreiro&lt;br /&gt;Nômade em busca de batalhas&lt;br /&gt;e conhecimento&lt;br /&gt;E nisso João dava batalha&lt;br /&gt;Ao inimigo com conhecimento,&lt;br /&gt;Pois sabia do opressor&lt;br /&gt;E logo começou a organizar&lt;br /&gt;Seus camaradas, as batalhas&lt;br /&gt;Os quilombos e quilombos&lt;br /&gt;Onde passava, sempre ganhava&lt;br /&gt;Informantes e tudo sabia&lt;br /&gt;Os inimigos não lhe vencia.&lt;br /&gt;Andou em Laranjeiras&lt;br /&gt;Santo Amaro - Maruim&lt;br /&gt;Itaporanga - Capela - Japaratuba&lt;br /&gt;Atacava de dia e de noite&lt;br /&gt;Ensinava por onde passava&lt;br /&gt;A comunidade crescia&lt;br /&gt;Era líder, herói e chefe&lt;br /&gt;Dos quilombos e cativos&lt;br /&gt;O terror dos senhores&lt;br /&gt;Seu nome seus feitos&lt;br /&gt;Logo se espalhou&lt;br /&gt;Até os Henriques foram&lt;br /&gt;Chamados para batalha lhe dar&lt;br /&gt;O som do poder&lt;br /&gt;de repressão, já estava sendo&lt;br /&gt;Interrompido pelo nome de Mulungu.&lt;br /&gt;Sergipe Del Rey, se interrompia&lt;br /&gt;Na luta pela liberdade dos escravos&lt;br /&gt;E lutava para reprimir&lt;br /&gt;Era o poder que se debatia&lt;br /&gt;A economia da cana e do algodão&lt;br /&gt;Que caia, os quilombos que se&lt;br /&gt;multiplicavam.&lt;br /&gt;João Mulungu&lt;br /&gt;Era tido o terror do Sistema&lt;br /&gt;Ameaçava com sua luta&lt;br /&gt;A oligarquia o poder os poderosos&lt;br /&gt;Com receio dos levantes&lt;br /&gt;Que se aproximavam com o descontentamento  urbanos.&lt;br /&gt;O Presidente da Província&lt;br /&gt;Os chefes de polícia&lt;br /&gt;Os senhores de engenho&lt;br /&gt;Os comerciantes&lt;br /&gt;Os políticos que se desesperavam&lt;br /&gt;Pelas inúmeras façanhas de&lt;br /&gt;João Mulungu e bradavam&lt;br /&gt;Tropas foram&lt;br /&gt;Tropas voltam&lt;br /&gt;Sem o João como presa.&lt;br /&gt;João Mulungu passou por&lt;br /&gt;Nossa Senhora das Dores&lt;br /&gt;Divina Pastora e diversos quilombos&lt;br /&gt;Organizou.&lt;br /&gt;Muitos senhores lhe davam cobertura&lt;br /&gt;em troca proteção nos engenhos e&lt;br /&gt;nas estradas.&lt;br /&gt;João Mulungu era Herói&lt;br /&gt;Era assombração&lt;br /&gt;Em parafuso, era visto e não visto&lt;br /&gt;a polícia tinha respeito&lt;br /&gt;ódio e devoração.&lt;br /&gt;Pé branco, Socorro&lt;br /&gt;Santa Rosa, Itabaiana&lt;br /&gt;Brejão lhe teve por muitas vezes&lt;br /&gt;Em auxílio ao Rey Menino&lt;br /&gt;Porte régio, liderança.&lt;br /&gt;Muitas famílias ajudaram&lt;br /&gt;Na fuga do cativeiro, morto livre.&lt;br /&gt;Muitas honras lavaram com sangue&lt;br /&gt;Na cobrança dos opressores&lt;br /&gt;Do seu povo.&lt;br /&gt;Era querido e odiado por todos&lt;br /&gt;O seu povo.&lt;br /&gt;Em noite fria, tempo chuvoso.&lt;br /&gt;Ouvia forte o relâmpago&lt;br /&gt;No aviso de Shangô&lt;br /&gt;Acordado ouviu&lt;br /&gt;Acordado sonhou&lt;br /&gt;E sonhando lutou&lt;br /&gt;Lutou em África&lt;br /&gt;Batalha feroz, muito sangue.&lt;br /&gt;Muitas vidas.&lt;br /&gt;E lutando tombou sem ferimentos&lt;br /&gt;Inerte ouviu estrelas&lt;br /&gt;Cantar&lt;br /&gt;Exu rindo falou e fugiu&lt;br /&gt;Seu corpo enrijeceu&lt;br /&gt;E gritando pulou&lt;br /&gt;O vento forte soprou em outra direção&lt;br /&gt;E em vez de trovão os tiros eclodirão&lt;br /&gt;E gritos enraivecidos, confusos.&lt;br /&gt;Tomaram conta da noite silenciosa&lt;br /&gt;Divina Pastora foi ao palco&lt;br /&gt;Mulungu e seus companheiros&lt;br /&gt;Os protagonistas da sinistra ação&lt;br /&gt;A artilharia das tropas policiais&lt;br /&gt;Os antagonistas do ato final em&lt;br /&gt;Tragédia, em chão de perdição.&lt;br /&gt;Seus companheiros feriados&lt;br /&gt;Iam caindo na súbita investida.&lt;br /&gt;Cinco dias e cinco noites&lt;br /&gt;Um após um outro tombava&lt;br /&gt;Para não mais se erguer&lt;br /&gt;Muitas baixas e reforços&lt;br /&gt;De toda força policial&lt;br /&gt;Zumbi em Palmares&lt;br /&gt;Também chorou&lt;br /&gt;Na alegria da vitória&lt;br /&gt;De cada inimigo que caia.&lt;br /&gt;Sem munição e exausto&lt;br /&gt;O cerco foi apertado&lt;br /&gt;E só ele restou&lt;br /&gt;Amarrado como um fardo&lt;br /&gt;Mais seu porte sempre erguido&lt;br /&gt;Tez sombria&lt;br /&gt;Rosto calmo&lt;br /&gt;Vencido, vencedor.&lt;br /&gt;Arrastado para&lt;br /&gt;Santo Antônio de Aracaju&lt;br /&gt;Como troféu foi trazido&lt;br /&gt;Muita gente se alegrou&lt;br /&gt;Pois o tinha como bandido&lt;br /&gt;Nas Câmaras e Assembléias&lt;br /&gt;Antecâmaras e Palácios&lt;br /&gt;Discursos eram proferidos&lt;br /&gt;E festas: o pesadelo terminou&lt;br /&gt;Nas senzalas e quilombos&lt;br /&gt;As iras frustrações contidas&lt;br /&gt;Nas salas das casas grandes&lt;br /&gt;A euforia da vitória&lt;br /&gt;E o poder mantido&lt;br /&gt;Dia e noite João Mulungu&lt;br /&gt;Foi exposto na cadeia&lt;br /&gt;Publica como troféu de guerra.&lt;br /&gt;Símbolo de força e poder&lt;br /&gt;Para todos que sentissem&lt;br /&gt;E vissem o exemplo da repressão&lt;br /&gt;O povo via ouvia e nada dizia&lt;br /&gt;Uns aplaudiam, outros com medo corriam.&lt;br /&gt;No dia do julgamento&lt;br /&gt;João Mulungu foi levado&lt;br /&gt;A presença do Juiz e grande júri&lt;br /&gt;A ordem era desmoralização publica&lt;br /&gt;O líder quilombola, no perdão pelo.&lt;br /&gt;Seu crime e devolução ao cativeiro&lt;br /&gt;Onde seria manietado pelo seu senhor&lt;br /&gt;O símbolo de luta pela liberdade&lt;br /&gt;Seria o símbolo da derrota e de&lt;br /&gt;Força para o poder&lt;br /&gt;João Mulungu reagiu&lt;br /&gt;E a todos frustrou&lt;br /&gt;Deu a seu povo dignidade&lt;br /&gt;De luta e para a luta&lt;br /&gt;O perdão não aceitou, preferira.&lt;br /&gt;A morte do patíbulo&lt;br /&gt;A ter de voltar a tragédia do cativeiro.&lt;br /&gt;Foi proferida a sentença&lt;br /&gt;Enforcamento em praça pública&lt;br /&gt;João Mulungu riu&lt;br /&gt;E como um rei sutilmente agradeceu&lt;br /&gt;Poucos entenderam, ele disse.&lt;br /&gt;Com seu corpo, expressão.&lt;br /&gt;Seu olhar e riso:&lt;br /&gt;“Nunca tive a vida como contemplação de mim.&lt;br /&gt;Meu povo é minha vida.&lt;br /&gt;E ela se multiplica&lt;br /&gt;Onde haja um negro&lt;br /&gt;Aí eu estou...”a luta continua...&lt;br /&gt;E continuou&lt;br /&gt;Os ensinamentos e exemplos&lt;br /&gt;De João Mulungu se alastraram&lt;br /&gt;E perduraram até a chamada abolição&lt;br /&gt;Jurídica dos cativos.&lt;br /&gt;Sergipe Del Rey se apressou logo&lt;br /&gt;A cumprir o decreto a fim de se&lt;br /&gt;Ver livre da tragédia que se alastrava.&lt;br /&gt;A Tróia Negra dos Filhos da África,&lt;br /&gt;Sedentos de liberdade.&lt;br /&gt;Negros que construíram o&lt;br /&gt;Brasil e edificou Sergipe Del Rey.&lt;br /&gt;Após a dita abolição&lt;br /&gt;Uma apatia atroz&lt;br /&gt;O negro marginalizado sem condições&lt;br /&gt;De competir calou.&lt;br /&gt;Sua Cultura – Sua luta – Sua força – E expressão – hibernou sua&lt;br /&gt;África.&lt;br /&gt;Sem a raiz árvore&lt;br /&gt;E o negro tombou&lt;br /&gt;O trovão roncara novamente&lt;br /&gt;Pois relâmpago já se dá&lt;br /&gt;E João Mulungu se projetará&lt;br /&gt;Como já dizia o poeta “Ser Negro&lt;br /&gt;é não ser somente  Negro&lt;br /&gt;E sentir milhões de Negros&lt;br /&gt;Com a força de Oxalá”.&lt;br /&gt;João Mulungu&lt;br /&gt;Se projetar para liderar a luta&lt;br /&gt;Pela reformulação do pensamento&lt;br /&gt;A luta com a força de Ogum&lt;br /&gt;A justiça de Shangô e negro vive&lt;br /&gt;Sua Cultura, História e Movimento.&lt;br /&gt;Na glória de seus resgatados&lt;br /&gt;João Mulungu, no Panteão Brasileiro.&lt;br /&gt;E um Orixá - OGUM DO COTINGUIBA.&lt;br /&gt;Toca tambor&lt;br /&gt;Toca atabaque&lt;br /&gt;Toca agogô&lt;br /&gt;Tocando rum&lt;br /&gt;Salé filhos de África&lt;br /&gt;No shirê para Mulungu.&lt;br /&gt;Bate palmas&lt;br /&gt;Minha gente&lt;br /&gt;Samba e satisfação&lt;br /&gt;E chegando Mulungu&lt;br /&gt;Da falange de Ogum&lt;br /&gt;Ogunhê&lt;br /&gt;Ogum Deus das batalhas&lt;br /&gt;A guerra ainda não findou&lt;br /&gt;Ogum Rei das Estradas&lt;br /&gt;Abre passagem para seu filho&lt;br /&gt;Mulungu&lt;br /&gt;Ogunhê&lt;br /&gt;Bate palmas&lt;br /&gt;Minha gente&lt;br /&gt;Samba de satisfação&lt;br /&gt;E chegando Mulungu&lt;br /&gt;Da Falando de Ogum&lt;br /&gt;Ogum, rê, rê, rê&lt;br /&gt;Ogum jurou bandeira&lt;br /&gt;Lá no Humaitá&lt;br /&gt;Mulungu&lt;br /&gt;Esta é uma das tantas&lt;br /&gt;Manifestações da comunidade negra&lt;br /&gt;Que a história esqueceu&lt;br /&gt;E as histórias revividas repassam&lt;br /&gt;Em busca de registro&lt;br /&gt;Nas gerações que vêm.&lt;br /&gt;O Negro Sergipano&lt;br /&gt;Ainda não acordou, mas dá sinal.&lt;br /&gt;No despertar recuperar&lt;br /&gt;Sua cultura, seus Heróis, Líderes.&lt;br /&gt;E Ancestralidade&lt;br /&gt;Verá que a cor de sua pele&lt;br /&gt;Não é bastante para encobrir&lt;br /&gt;Sua cultura.&lt;br /&gt;Mulato, pardo ou marrom.&lt;br /&gt;A consciência de sua negritude&lt;br /&gt;E sergipanidade das diversas&lt;br /&gt;Culturas da África-Mãe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;_____________________________________________________________________________ &lt;br /&gt; NOTA:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BIBLIOGRAFIA:&lt;br /&gt;Conrado, Robert - Os últimos dias da Escravidão&lt;br /&gt;Figueiredo, Ariovaldo - O negro e a violência do Branco&lt;br /&gt;Nele, Maria - Suje uma alternativa de Liberdade (monografia)&lt;br /&gt;_ Outros Mulungu, outros mitos  (monografia)&lt;br /&gt;Santos, Lourival-Notas sobre  os Quilombos de Sergipe&lt;br /&gt;                          Fontes Primarias:&lt;br /&gt;_  Projeto de Lei do vereador Araújo apresentado a câmara Municipal de Aracaju.&lt;br /&gt;_ Projeto de Lei do Prefeito Municipal Apresentado a câmara Municipal de Laranjeiras.&lt;br /&gt;_ Projeto Lei da Deputada Suzana Azevedo apresentado a Assembléia Legislativa do Estado de Sergipe.&lt;br /&gt;_ Câmara Municipal de Laranjeiras Jornais&lt;br /&gt;_ A TARDE&lt;br /&gt;_ Universidade Viva – 1995.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2449249290595044570-6986332808282078011?l=mororialjmulungu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mororialjmulungu.blogspot.com/feeds/6986332808282078011/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mororialjmulungu.blogspot.com/2009/10/joao-mulungu-heroi-da-resistencia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2449249290595044570/posts/default/6986332808282078011'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2449249290595044570/posts/default/6986332808282078011'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mororialjmulungu.blogspot.com/2009/10/joao-mulungu-heroi-da-resistencia.html' title='JOÃO MULUNGU - HEROI DA RESISTÊNCIA'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/St-ghiVLZJI/AAAAAAAAB9I/7Ys6Z40k0vQ/s72-c/gtyu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2449249290595044570.post-294294555042597111</id><published>2009-09-18T08:52:00.000-07:00</published><updated>2009-09-18T08:53:04.446-07:00</updated><title type='text'>RESISTÊNCIA NEGRA SEVERIANA</title><content type='html'>18 DE OUTUBRO 1968&lt;br /&gt;41 aniversário da&lt;br /&gt;RESISTENCIA NEGRA SEVERIANA&lt;br /&gt;HÁ 41 ANOS- Era fundado o Movimento Negro Contemporâneo de Sergipe, com o signo da mística do Teatro e da Tradição Popular, assinalando o Canto do Povo Populorum Cantun . O Mundo festejava a mudança de Opiniões a Atitudes com diversas ações contestadoras em todos os Continentes.Era a era de sorrir lutando contra as desigualdades por uma ação direta de liberação, a luta por Direitos contra os privilégios.&lt;br /&gt;Luta essa que continua a despeito das ações inovadoras e revolucionárias. O Brasil cristalizava opressões numa ditadura equivocada, repressora e reducionista num centralismo perverso onde as liberdades foram ofuscadas pela violência do poder ditatorial.&lt;br /&gt;No dizer de Mário Maestri  in Brasil, 1968 – Assalto ao Céu, a descida ao inferno, salientando O Poder Negro(http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&amp;pid=957)&lt;br /&gt;A situação internacional era tensa e dinâmica. Após o fiasco dos regimes árabes conservadores, com destaque para o Egito, a Síria e a Jordânia, na Guerra dos Seis Dias, contra Israel, de inícios de junho 1967, a guerrilha palestina assumia a luta anti-sionista em lugar das direções conservadoras desmoralizadas. Com a crise econômica chegando aos USA, em boa parte devido aos gastos de guerra, que antes haviam apenas garantido lucros ao grande capital, o movimento pacifista estadunidense questionava duramente a intervenção no Vietnã e os valores do american way of life. O imperialismo yankee era golpeado no próprio ventre. Malcolm X fora assassinado em fevereiro de 1965, em Nova York, mas o black power fortalecia-se e os bairros negros ardiam sob o fogo do ódio da população humilhada. Os hispano-estadunidenses e as próprias populações ameríndias levantavam também a cabeça. No Vietnã, em 30 de janeiro 1968, morreriam os sonhos de vitória militar, com a ofensiva do Ano Ted, durante a qual os vietcongs atacaram mais de trinta cidades sul-vietnamitas e a própria embaixada USA, em Saigon. Entretanto, a classe operária estadunidense mantinha-se imóvel sob a hegemonia do grande capital. &lt;br /&gt;Com o advento da Nova República as ações em torno da Ancestralidade e das Questões e condições do Negro Sergipano, explicitou as manifestações em torno da luta racial num intenso combate ao Racismo e a busca de visibilidade do Coletivo Negro Sergipano, com ações inovadoras.&lt;br /&gt;O Governo das Mudanças, representado pelo PT através da sagração de Luiz Ignácio Lula da Silva a presidência da Republica, desestruturou o signo de luta e cristalizou-se os privilégios em torno do Partido dos trabalhadores através das perseguições as Entidades não alinhadas, trazendo os manifestos da Ditadura Militar e, a militância em torno das questões coletivas foram desviadas para as individuais privilegiando os amigos  e lideranças do partido. A transformação do Movimento Negro desestruturou o Coletivo e engessou  as ações, criando um universo distante ao combate transformando lideranças em personalidades opressoras da Comunidade Negra em defesa do governo.&lt;br /&gt;Sergipe que detinha um segmento de Entidades Negras forte e combativa, de repente se transformou em canteiro de mendicantes e de milicianos partidários, predadores da comunidade, o Coletivo Negro ficou a deriva sem representação, pois os antigos militantes e lideranças se aliaram ao governo, deixando o Estado sem ações em torno da resistência  negra, atendendo a política do partido e do governador, passou de um movimento de mudanças, para movimento partidário.&lt;br /&gt;A Intolerância e o Racismo Institucional cristalizaram pela ausência de Políticas Públicas, governo e Estado, as perseguições se tornaram mais forte que o regime militar, diversas lideranças tiveram cabeças decepadas, alijadas das ações, vilipendiadas e Entidades destruídas e enfraquecidas. Negro contra negros em defesa do governo e do partido com  prejuízos para a comunidade, sem Cultura, Educação, Saúde, Segurança, Emprego, criminalizada, discriminada e vilipendiada.&lt;br /&gt;Hoje a trajetória do Fundador do Movimento Negro Contemporâneo de Sergipe é omitida e silenciada pelos próprios negros militantes da milícia partidária. Sem respeito a sua história, sem direitos a expressão e constantemente vilipendiado, assinala os 41 anos de atividades ininterruptas e de luta  contra toda forma de discriminação, hoje discriminado e mesmo assim, assinala sempre que pode, o racismo institucional do Estado e do governo, a descaracterização e etnocentrismo da educação, saúde, a violência da segurança e que Sergipe ainda é o Estado mais Racista da Federação.&lt;br /&gt;Sem espaço nas mídia , rádios, jornais e TVs – busca na internet o instrumento de expressar o pensamento do negro revoltado, mesmo tendo paginas de relacionamentos fechadas por ter publicado denuncias raciais contra o governo e contra o PT.  Neste sentido a mídia protege ladrões, traficantes e viciados, mas não abre espaço para Severo D’Acelino, para não perderem os privilégios  que o governador oferece  aos jornais, rádios e televisões, alem dos CCs aos jornalistas.&lt;br /&gt;Hoje o governador tem o controle total do negro. Estamos vivendo o séc 17 em pleno séc 21, quem manda é o governador. Dizer quer os poderes são autônomos é querer demais, só no papel, no mais quem manda e desmanda é o governador deste estado teocrático e racista.&lt;br /&gt;A nossa História é até hoje omitida e vilipendiada, a nossa Cultura, folclorizada e reduzida pelo governo através de suas ações na secretaria de educação , na de cultura e conselho estadual de cultura. Só as ações dos brancos são levadas em conta pelo governador, cultura negra é coisa de preto, de policia e tem de ser aturada como folclore.&lt;br /&gt;Negros no staff do governador são brancos, em pensamento, atitudes e comportamentos. Nunca o governador estimulou ou atendeu manifestos de negros. O “Projeto Cultural de Educação” João Mulungu vai ás Escolas” um projeto  afirmativo e vitorioso que era desenvolvido por uma Entidade Negra, no âmbito da Educação e que foi suspenso antes denuncia que o Projeto estava fazendo  política para o DEDA, a Entidade Casa de Cultura Afro Sergipana e seu Coordenador José Severo dos Santos, após a vitoria do DEDA, foi excluída das ações do Estado e do projeto do governador, considerada inapta pela secretaria de educação de DEDA, sob o comando da racista do DED e do Secretário Branco que se dizia negro e respeitava Severo quando era reitor da universidade, a racista do DED, Ladeira,professora de historia da universidade desde lá ,já praticava racismo contra Severo.&lt;br /&gt;A nossa cultura considerada baixa e inferior pelo governador e seus  seguidores, carece de referencial e a sua produção inexiste, principalmente a literatura. Exemplifica que o Marco de Resistência Negra do Sertão Sergipano, a nossa Constituição consagrou a Lampião. Pois a Área Remanescente de Antigos Quilombos, marco do Patrimônio Afro Sergipano é consagrada a Lampião e o negro ficou de mãos abanando. A mesma coisa se aplica a nossa literatura, pois os negros intelectuais aqui são brancos, daí a literatura não existe.&lt;br /&gt;Considerando a situação encaminhamos solicitação ao governador de um apoio cultural para edição de dois títulos da nossa lavra sobre a literatura Afro Sergipana. VISÕES DO OLHAR EM TRANSE e QUELÓIDE, poemas transculturais do negro sergipano. O  processo encaminhado a secretaria de cultura e vetado pelo seu secretário que se mostrou invadido e disse como resposta que” quem manda na secretaria sou eu. Eu sou o secretário, portanto o pedido deveria ter sido dirigido a mim e não ao governador”. Moral da história, os títulos não foram editados e na época era eu, conselheiro estadual de cultura.&lt;br /&gt;Por isso: Sergipe é um Estado tão racista que o negro tem vergonha de ser  negro, sobretudo os intelectuais que pensam  branco e só produzem textos universais, fugindo do regionalismo, do racial das tradições, usos e costumes do negro. Não retratam as condições e as questões negras, fugindo do reverencial inferior, para situar no grupo dominador negando a Sergipe o manifesto e pujança de sua cultura matriz.&lt;br /&gt;A literatura sergipana é uma literatura branca, eurocêntrica feita por negros estereotipados, sem referencia ou identidade natural. Aqui não há uma literatura negra de eventos, episódios, pensamento, cores e culturas, só se assinala o potencial branco, dominador, etnocêntrica onde o negro quando aparece é cristalizado  como coisa, e essa coisificação do negro, exemplifica a filosofia racista e reducionistas dos negros das casas  grandes, que almejam a continuidade histórico e cultural do domínio dos senhorial.&lt;br /&gt;O Estado e o governo se omitem , para não investir ou reconhecer a realidade cultural do segmento  que eles baniram e que  sistematicamente estão cooptando nomes destacados, como personalidades brancas, estes branqueamentos se tornaram tradicional, quando o negro se destaca, automaticamente vira branco, reconhecido pelo Estado e pelos governos, os demais ficam alijados até que o ato se  consagre. É o DNA do Poder. O estado e o governo não investem em negros, para eles o negro não tem potencialidade , pensamento ou criatividades só impulsos e criminalidade, cuja cultura é baixa e inferior, tem que ser tratado com rédeas curtas. Com a palavra o governador do PT, o  descendente de vaqueiro( talvés ele desconheça que  vaqueiro é referencia de negro, pois uma das primeiras ocupação do negro escravisado em Sergipe do Rey, foi de vaqueiro) o Arianista Marcelo Chagas Deda.&lt;br /&gt;VISÕES DO OLHAR EM TRANSE e QUELÓIDE – Poemas tranculturais do negro sergipano, marcos de minha produção literária, indicativo da literatura afro sergipana, anteriormente autorizada a edição pelo governo, mas desautorizada pelo seu secretário de cultura num equivoco histórico, busco agora  numa campanha junto a Vereadores da Capital, Deputados Estaduais , Federais e Senadores  condições para a edição dos títulos, importantes para o coletivo negro sergipano e o próprio estado que oportuniza a leitura de conteúdo étnico distinto. Na área de educação, tive meu trabalho roubado pelo diretor da SEPIR, trata-se do Livro de Testes, com mais de 600 páginas . A SEPIR disse que publicaria para repassar as escolas de Sergipe, e eu fiquei no prejuízo Carlos Trindade é o responsável por esta  tragédia, felizmente meu  editor tem a memória. Agora não entrego mais o material  sem antes distribuir para evitar esses equívocos . Dirigimos as autoridades nestes termos:&lt;br /&gt;“Cumprimentando Vossa Excelência, vimos postular vosso apoio pessoal, a edição de nossa produção, depositada na SEGRASE a espera de uma ação afirmativa para a impressão.Trata-se de memorial da Literatura Afro Sergipana, representada pelos títulos “QUELOIDE” e “VISÕES DO OLHAR EM TRANSE”&lt;br /&gt;Sabemos não ter credenciais,mérito ou credibilidade para postular  tal empresa ,junto Vossa Excelência  esse tipo de propositura, mas a importância do manifesto nos  anima a  pedir  Apoio Cultural para a Edições dos títulos.&lt;br /&gt;Nosso manifesto se justifica por causas justas, de eventos que fugiram ao nosso alcance e nos deixaram com sérias dificuldades para gerenciar as conseqüências. Fomos vítimas de diversos eventos, que nos impossibilitaram a realização da produção e nos deixaram extremamente endividados, (nossa sede foi invadida e perdemos tudo, estamos envidando esforços para recuperar o prédio e retornar as ações) há muito desejada e esperada pela comunidade sergipana, uma contribuição ímpar a literatura sergipana em seu signo e conteúdo de inspiração afro, trazendo o pensamento e diversidade do negro em toda a sua expressão política e tradicional.&lt;br /&gt;As cobranças são constantes, principalmente dos grupos ligados as personalidades que contribuíram com suas análises, enriquecendo o conteúdo contextual, dentre elas, Bispos, juristas, psicólogos, historiadores, jornalistas que contribuíram com seus estudos a expressão da obra.&lt;br /&gt;A vossa contribuição, deverá ser encaminhada diretamente a SEGRASE ( Serviços gráficos de Sergipe), em favor das Edições MemoriAfro, e,(estaremos reservando a contra capa, para o Memorial de Apoio Cultural, onde gravaremos para a comunidade a vossa participação na produção da obra.) Não se preocupe a quantidade,contribua de acordo a disposição, esperamos tão somente vossa contribuição para que possamos em tempo, repassar as comunidades as nossas produções literária.&lt;br /&gt;A literatura sergipana é tradicionalmente expressiva e festejada, no entanto, carece da temática negra da produção e presença do negro, como autor e personagem contando e vivendo seus episódios sociais, culturais, políticos , religiosos e tradicionais, expressando sua linguagem e psicologia. Essa literatura é agora, tardiamente, inaugurada pelas edições MemoriAfro que vem sofrendo problemas de continuidades.&lt;br /&gt;A Casa de Cultura Afro Sergipana, fundada em1968, expressa seu manifesto em favor da Literatura Afro Sergipana e das Edições MemoriAfro.&lt;br /&gt;Os títulos , após a edição, serão repassados a comunidade a cinco reais, em favor da Área de Vivencia Social (http://severod.blogspot.com/) , oportunizando a difusão em todo Estado.&lt;br /&gt;Certo de vossa expressão a cultura sergipana. &lt;br /&gt; Respeitosamente,&lt;br /&gt; José Severo dos Santos&lt;br /&gt;Coordenador Geral&lt;br /&gt; CASA DE CULTURA AFRO SERGIPANA ANO DO QUADRAGÉSSIMO PRIMEIRO ANIVERSÁRIO &lt;br /&gt;OUTUBRO 1968. OUTUBRO 2009”&lt;br /&gt;Por entender que: se cada um contribuísse com o mínimo de 200 reais, teríamos a publicação da edição comemorativa e, a  trilogia.... estaria composta com o Panáfrica Africa Iya N’La, patrocinada pelo  Deputado  Jorge Araujo  no governo de Albano, quando Secretário da Casa Civil. Mas como se diz lá na Roça: “ Kosi ewe Kosi Orixa”.  Pedi não arranca pedaços e não tira a dignidade de ninguém&lt;br /&gt;EU Severo D’Acelino, Militante e Fundador do Movimento Negro em Sergipe, Bahia e  Alagoas, Ativista dos Direitos Civis,com um vasto currículo e serviços prestado ao Estado e ao País conhecido, condecorado,respeitado nacional e internacionalmente, desrespeitado, vilipendiado e segregado em minha própria terra, numa perversa inversão de valores, posso dizer sem nenhuma restrição: Tenho Orgulho de ser Negro Brasileiro e, Vergonha de ser Sergipano.&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2449249290595044570-294294555042597111?l=mororialjmulungu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mororialjmulungu.blogspot.com/feeds/294294555042597111/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mororialjmulungu.blogspot.com/2009/09/resistencia-negra-severiana.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2449249290595044570/posts/default/294294555042597111'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2449249290595044570/posts/default/294294555042597111'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mororialjmulungu.blogspot.com/2009/09/resistencia-negra-severiana.html' title='RESISTÊNCIA NEGRA SEVERIANA'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2449249290595044570.post-5356730101823948671</id><published>2009-01-18T09:57:00.000-08:00</published><updated>2009-01-18T10:00:25.204-08:00</updated><title type='text'>MANIFESTO AO GOVERNADOR MARCELO DEDA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SXNuK62QrRI/AAAAAAAAA3Q/MaygBp706Lw/s1600-h/bandeira.bmp"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SXNuK62QrRI/AAAAAAAAA3Q/MaygBp706Lw/s400/bandeira.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5292695120965053714" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Manifesto ao governador MARCELO DEDA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EXCELENCIA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou convencido, que o perfil de um governador democrático, não pode ser&lt;br /&gt;- Arrogante, vaidoso, personalista, centralizador, autoritário, vingativo, hostil, reducionista, de visão maniqueísta, que troque o manifesto Filosófico de pensar o outro, pelo enquadramento Jurídico para penalizar seus supostos desafetos e que só goste de ser ovacionado, adulado e valorize o puxa-saquismo, punindo seus críticos, violando seus direitos, alijando do espaço de poder e das ações de Estado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que o magistrado, deve sim, valorizar e respeitar as criticas em torno de suas ações e de sua administração, sem se preocupar em perseguir e vilipendiar os que lhes criticam, os que se sentem discriminados pelas ações do seu governo.&lt;br /&gt;Acredito que como chefe ou líder de uma gestão, deve se proteger sim, dos aduladores e daqueles que só levam flores e as cabeças dos seus críticos para lhe homenagear, garantindo que estão cuidando e defendendo seu mandato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acredito que os críticos e as criticas são maiores e mais importantes do que os amigos de última hora, os amigos do poder. Só do poder, pois enquanto poder obter vantagens estão a fazer vassalagem e depois o esquecimento. &lt;br /&gt;Os aduladores vão sempre dizer do seu fracasso e da sua insegurança, vão lhe trair como já traíram outros. Basta mirar a nossa história recente, quem eram os que estão em derredor de sua camarinha? Gosando de sua companhia e se aproveitando de seu prestigio como moeda de troca e de intrigas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O governador sabe o que se passa nas periferias do poder? O que em seu nome fazem as pequenas autoridades? Como somos vilipendiados e excluídos das ações de Estado e de Governo. Como a imprensa nos silencia, crente que estão fazendo favores ao governador e como esta mesma imprensa é regiamente paga pelos cofres do Estado através da Secretaria de Comunicações, para prestar este desserviço ao Estado tido e havido como o mais racista do País.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certamente sabe o engessamento que o Racismo Institucional provoca na vida da comunidade negra, principalmente quando no governo tem negros que estão sempre justificando as atitudes racistas do sistema e  prejudicando as organizações e lideranças negras, que lutam por políticas publicas e melhoria de condições para o coletivo. Estes negros estão sempre se articulando para garantir seus lugares do espaço de poder, pouco se importando com o coletivo. O negocio deles é destruir  os manifestos e garantir a plenitude de suas autoridades. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim é se assim quer, no entanto, mesmo sem espaços para reivindicar e apresentar as reivindicações do Coletivo Negro, haveremos de envidar esforços para continuar reivindicando e denunciando os Abusos, Corrupção, Traficos de Influencias, Ausência de Governo e de Estado e, sobretudo da prática hedionda do Racismo Institucional Sergipano referendado com a mídia que nos silencia, mas o Brasil não se limita a Sergipe e as aços não são estáticas. Por onde andar estarei denunciando as Questões e Condições do Negro Sergipano e o Apartheid a que somos submetidos no Estado da maior população negra do Brasil, apesar da nossa exclusão da mídia e, apesar da Secretaria de Estado da Comunicação.&lt;br /&gt;Excelência. Estou convencido que Sergipe é o Estado de maior potencialidade desta Nação, só que precisamos de mudanças de Atitudes e Comportamentos e pensar mais o outro, só assim haveremos de radicalizar a democracia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aracaju (SE), 19 de Janeiro – Dia Estadual de Luta da Consciência Negra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;José Severo dos Santos&lt;br /&gt;Coordenador Geral&lt;br /&gt;Casa de Cultura Afro Sergipana&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2449249290595044570-5356730101823948671?l=mororialjmulungu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mororialjmulungu.blogspot.com/feeds/5356730101823948671/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mororialjmulungu.blogspot.com/2009/01/manifesto-ao-governador-marcelo-deda.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2449249290595044570/posts/default/5356730101823948671'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2449249290595044570/posts/default/5356730101823948671'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mororialjmulungu.blogspot.com/2009/01/manifesto-ao-governador-marcelo-deda.html' title='MANIFESTO AO GOVERNADOR MARCELO DEDA'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SXNuK62QrRI/AAAAAAAAA3Q/MaygBp706Lw/s72-c/bandeira.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2449249290595044570.post-3585362851490108012</id><published>2009-01-14T09:19:00.000-08:00</published><updated>2009-01-14T09:22:52.900-08:00</updated><title type='text'>FILOSOFIA RACISTA DA MÍDIA SERGIPANA</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SW4fZZjYTtI/AAAAAAAAA3I/Ed5iUBJMRYE/s1600-h/i20love20black20people.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 325px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SW4fZZjYTtI/AAAAAAAAA3I/Ed5iUBJMRYE/s400/i20love20black20people.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5291201133423382226" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;A Mídia Sergipana, Racista até o pensamento.&lt;br /&gt;Impede a difusão das ações da Casa de Cultura Afro Sergipana&lt;br /&gt;afim de calar Severo D'Acelino e cristalizar o Racismo em Sergipe.&lt;br /&gt;Rádios - Jornais e TVs abertas, são os mais criminosos&lt;br /&gt;os radialistas se divertem batendo os telefones na cara da gente&lt;br /&gt;e muitas das vezes cortam.&lt;br /&gt;A Manifestação do Dia Estadual de Luta da Consciencia Negra, não tem espaço na mídia sergipana.&lt;br /&gt;Espero que Deda dê emprego para todos eles e aumente a participação do Estado&lt;br /&gt;na cota de propoganda. O Racismo Institucional é fortalecido pella mídia, mercantilista e amiga do poder. &lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2449249290595044570-3585362851490108012?l=mororialjmulungu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mororialjmulungu.blogspot.com/feeds/3585362851490108012/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mororialjmulungu.blogspot.com/2009/01/filosofia-racista-da-mdia-sergipana.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2449249290595044570/posts/default/3585362851490108012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2449249290595044570/posts/default/3585362851490108012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mororialjmulungu.blogspot.com/2009/01/filosofia-racista-da-mdia-sergipana.html' title='FILOSOFIA RACISTA DA MÍDIA SERGIPANA'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SW4fZZjYTtI/AAAAAAAAA3I/Ed5iUBJMRYE/s72-c/i20love20black20people.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2449249290595044570.post-1585246290649842741</id><published>2008-12-30T05:42:00.000-08:00</published><updated>2008-12-30T05:45:02.341-08:00</updated><title type='text'>JOÃO MULUNGU O HEROI DA RESISTÊNCIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SVolu4jQh5I/AAAAAAAAA2o/wVcupUxzd10/s1600-h/corsica_cliffs.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SVolu4jQh5I/AAAAAAAAA2o/wVcupUxzd10/s400/corsica_cliffs.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5285578600057178002" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Mulungu Herói da Resistência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BACURO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há muitos anos, na época da  colonização, onde os negros  eram  escravizados aqui em Sergipe, não se respeitavam nem as crianças, as  perversidades contra elas eram terríveis, quando não lhes  queimavam ás mãos e ou a boca com  cocada e ou outra  comida, lhes  amarravam num poste qualquer para domar-lhes os ânimos buliçosos, também  eram usadas como sacos de pancadas, para livrar os filhos dos Senhores dos castigos corporais, pois eles não podiam passar por nenhum constrangimentos uma vez que lhes estavam assegurada a continuidade do patrimônio, eram os sucessores dos seus pais, e por isso, quando faziam qualquer bolinagem, tinham  seus sacos de pancadas para serem punidos por eles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era também utilizadas as crianças, principalmente os meninos, como  mane gostoso, dado de presente aos meninos da casa grande, para suas brincadeiras e distrações e muitas das vezes os manes gostosos eram os brinquedos sexuais dos  seus donos, que se utilizavam deles como objetos de perversão sexual, se iniciavam sexualmente, violentando os escravos manes gostosos, sobre os aplausos e conivências de todos da casa grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa situação  se perdurou por muito tempo contra  as crianças escravas que desde o seu nascimento eram  penalizadas, não podendo se alimentar do peito das suas mães, porque estava reservado o leite para os da casa grande, quando não, suas mães eram alugadas como  vacas leiteiras para alimentar as crianças de quem tinham dinheiro para pagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste ambiente as crianças viviam muitas das vezes  em pior condições que os adultos, que podiam mesmo em desvantagem, se defenderem ou se vingarem dos maus tratos recebidos.  Este  ódio e esta mágoa infantil, crescia a cada passo de violência sofrida e clamando por reação, e esta se encaminhava a passos largos, através das constantes fugas de crianças e adolescentes  dos engenhos para os matos e vez por outra, buscavam outros Senhores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesta época os capatazes e capitães do mato, se esmeravam em  capturar crianças e adolescentes fugidas e promover as suas entregas, pois sabiam que seriam bem remunerados, mas sabiam também que dificilmente conseguiriam captura-las se estas estivessem com  os grupos quilombolas ou se estivessem em contatos  com eles, pois  conheciam que uma das estratégia dos quilombolas era o contatos com crianças e através delas a sua  relação com os demais negros dos engenhos, como também o conhecimento das ocorrências. As crianças eram os olhos e os ouvidos dos escravos, através delas os chefes quilombolas sabiam de tudo, da  movimentação das tropas , do Senhor de engenho, das manifestações de toda vida . Através dela havia a comunicação em tempo  real, num  bôque bôque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste clima  foi que João Mulungu se  estruturou, investindo na sua formação para na Resistência,  sobreviver aos enfrentamentos e iniciou a sua jornada, fugindo diversas vezes do engenho do seu Senhor, ora buscando outro Senhor  ou  o contato com grupos aquilombados, fugia porque apanhava e era extremamente  maltratado, deixou a sua mãe a escrava Maria e foi para os Quilombos em terna idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio de sua vida quilombola, foi capturado e vendido ao Engenho Flor da Roda, do  proprietário João Pinheiro da Fraga, agora já na adolescência e com  bastante experiência de luta  para sobrevivência,  teve seu novo Senhor, não porque estivesse procurando, mas porque lhes deram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Mulungu, agora já mais tarimbado, utilizou a sua experiência no engenho para reforçar a sua liderança  e logo foi identificado e respeitado por  muitos escravos do engenho, é verdade que despertou a ira e o ciúme de muitos. João Mulungu era faceiro , insinuante, corpo atlético, sensual e logo despertou a  paixão e o desejos de muitas escravas que  o procuravam sempre que podia para os mimos de amor, mas não conseguiam amarrar seu coração, pois ele estava  reservado para as lutas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As  matas do engenho era muito densa e ali João  Mulungu buscava o seu sossego e . a utilizava para dar guarita aos quilombolas procurados e os que buscavam pouso depois de uma longa jornada, e foi ali que conheceu os seus fieis   escudeiros, Manoel Jurema e Galdino força multiplicadora do grupo que  deu nova expressão á Resistência Negra Sergipana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ali no engenho Flor da Roda, conheceu a negra Angélica que não o perdia de vistas, talvés  a mais ciumenta das suas mulheres, mas a  sua autoridade nunca fora questionada e ou desrespeitada, mantinha um a boa relação de disciplina com os membros do seu grupo e com os demais grupos que se relacionava, João Mulungu mantinha a mais  temida  organização quilombo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diversas vezes João Mulungu se reunia com seus companheiros e promovia uma incursão pelas Vilas, capturando  mantimentos e cavalos, a moeda mais forte na época para negociar com os ciganos, que constantemente lhes procuravam e muitas das vezes se abrigava sobre a proteção do grupo, quando estavam sendo perseguidos pela fôrça policial, mais era fundamental a  relação que mantinha pois os ciganos eram a ponte e a garantia de  vir a possuir boas armas para os embates com a policia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muita das vezes essas excursões eram  objeto de perseguições da policia e passavam mais de  três meses nestas manobras, que muita das vezes só eram  concluídas ou só tinham os finais felizes por intervenção de outros grupos que  usavam de artimanha para tirar a policia  do encalço do grupo de João Mulungu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com essas atividades paralelas, já era tido como fugitivo pelo Senhor do engenho Flor da  á era tido como fugitivo pelo Senhor do engenho Flor da  oda que comunicando o caso a policia, tinha garantido o seu retorno quando recapturado, mas João e seus companheiros, mantinham as matas do Flor da Roda como  Quartel General, era ali a sede do seu quilombo, e o descalço dos seus guerreiro,era ali onde se refugiava das manobras, agora as fugas da policia.&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;O nome de João Mulungu cresceu tanto  que a simples menção deixava&lt;br /&gt;O pessoal apreensivo, donos de engenhos, autoridades e principalmente o  tenente João Batista Banha que nutria o maior ódio ao quilombola, tendo em vista as dores de cabeça e as canhotas  de que  era vítima por não conseguir capturar João Mulungu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Mulungu  foi transformado  em objeto e agente  na  luta contra os opressores, seu nome era muitas das vezes utilizados para garantir feitos e ou para encobrir manobras de  opositores,  estratégica utilizada por políticos, senhores de engenhos e pela própria policia, quando queria atingir alguém, a  mando dos senhores de engenhos e de políticos. Atacavam  usando a estratégia do grupo de João Mulungu e deixavam falsas pista  que identificaria o quilombola com o depoimentos das suas vítimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por diversas vezes João Mulungu foi acusado junto com os seus companheiros de ter praticado crimes, roubos, invadido fazendas, queimado e destruído plantações. Essas acusações caluniosas lhes  deram bastante  dores de cabeça e  aceleraram suas incursões  em outras Vilas, fugindo das tropas, mas em todas as Vilas  visitadas só lhe renderam  amizade o que irritava a repressão que o vendia como o terror da Capitania e deixava o Tenente João Batista da Banha em maus lençóis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João Mulungu e seus companheiros fez incursões em todas as Vilas da Capitania , percorrendo de norte a sul toda a extensão do pequeno território convivendo com ciganos, índios, portugueses, escravos, forros, libertos, perseguidos enfim, o quilombo era  expressão de liberdade e a levava em suas ações itinerantes onde que fosse, um libertário,perseguido e perseguindo o modo de bom viver&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com diversos processos crimes   para responder,seguia em frente  na sua luta, promovendo seus manifestos, junto com os companheiros e sempre retornava a Flor da Roda, sem saber que ali seria a sua perdição pela traição de  um escravo do engenho enciumado, pela preferência de Angélica e pelo poder de liderança de Mulungu, o Severino, escravo  do engenho, sabedor da chegada do grupo e da sua localização , e sabendo da diligência do agora Capitão João Batista da Rocha Banha, procura –o e  denunciou  a sua localização, era 11 horas da manhã do dia  19 de janeiro, João Mulungu e seus companheiros, descansando á sombra dos bananais do engenho Flor da  Roda foram capturados e conduzidos para   a Vila de Divina Pastora.Tendo a Igreja como cárcere onde  fora violentamente interrogado e torturado pelo delegado responsável pelos autos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como era de se esperar os dividendos políticos da prisão de João Mulungu, aguçou a muitos, dos policiais ao Presidente da Província anunciou que havia acabado os quilombos em Sergipe, pois que o seu terrível chefe, havia sido  enforcado  naquela data. O que não condisse com a verdade, pois por muito tempo tramitou a ação jurídica de João Mulungu, sendo transferido de uma Vila para outra e por fim, anunciado a sua sentença e dos seus dois companheiros, sentenciados as Galés, certamente que foram mandados a cumprir pena na Bahia, como era de costume na época. O certo é que João Mulungu não permaneceu por muito tempo na Bahia, deve ter estendido a sua experiência as lutas dos negros e se insurgido contra  os opressores, formando outro grupo de resistentes quilombolas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Severo D’Acelino&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2449249290595044570-1585246290649842741?l=mororialjmulungu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mororialjmulungu.blogspot.com/feeds/1585246290649842741/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mororialjmulungu.blogspot.com/2008/12/joo-mulungu-o-heroi-da-resistncia.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2449249290595044570/posts/default/1585246290649842741'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2449249290595044570/posts/default/1585246290649842741'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mororialjmulungu.blogspot.com/2008/12/joo-mulungu-o-heroi-da-resistncia.html' title='JOÃO MULUNGU O HEROI DA RESISTÊNCIA'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SVolu4jQh5I/AAAAAAAAA2o/wVcupUxzd10/s72-c/corsica_cliffs.jpg' height='72' 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AFRO-SERGIPANA&lt;br /&gt;CONSELHO CULTURAL&lt;br /&gt;NÚCLEO DE DOCUMENTAÇÃO E PESQUISA&lt;br /&gt;ARQUIVO AUTORIA PEREIRA REBOUÇAS&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Programa: Revitalização do Arquivo Humano Afro-Sergipano.&lt;br /&gt;Projeto: memorial de JOÃO MULUNGU&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Auto de Perguntas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Arquivo Público do Estado de Sergipe&lt;br /&gt;Ref: ASP – SP¹ 397&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;OBS: Transcritos segundo a ortografia atual conservando a pontuação, concordância e o artigo do documento original, por MARIA LENIA SILVA MEIRA dos APES em 14/12/1995.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juízo Municipal da Vila de Divina Pastora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autuamento de um auto de perguntas feita ao preto João.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Escrivão&lt;br /&gt;Machado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e setenta e seis aos vinte e um de Janeiro do dito ano, nesta Vila de Divina Pastora em o Consistório da Igreja Matriz desta Vila autuou o auto de perguntas que ao diante se segue do que para constar faço este termos, Eu Thomas de Aquino Machado Escrivão a Escrevi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Auto de perguntas como abaixo  se declara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No mesmo dia mês e ano e lugar, retiro declarado no Consistório da Igreja Matriz desta Vila onde se achava o juiz Municipal Doutor Manoel Cardoso Vieira de Melo, comigo escrivão de seu cargo abanco nomeado se procedeu as perguntas seguintes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTADO seu nome, idade, naturalidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPONDEU chamar-se João de idade trinta anos pouco anos mais ou menos, natural do engenho trindade da Freguesia de Itabaiana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTADO seu estado, profissão e residência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPONDEU ser solteiro e que não tem profissão vista como e  escravo e achava –se no moto a mais de oito anos, tendo sido preso ontem pela força publica desta Vila em terras do engenho Flor da Roda, quanto a residência   respondeu que antes de retirar –se  de casa morava em casa do senhor João Pinheiro proprietário do engenho Mulungu e que depois de sua fugida  tem sempre morado em ranchos em diversas matas desta província.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTADO em que lugar eram esses ranchos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPONDEU   que o primeiro foi na Boa Vista, terreno da Capela onde morava com os escravos  Jose da Silva, pertencente ao Capitão Manoel Antonio  Morais e Monoel da Hora, pertencente ao Coronel  Gaspar, proprietário do EngenhoVelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTADO pelos crimes que cometeu com os seus  companheiros    quando se achavam nesse  rancho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPONDEU que furtaram alguns  bois ,galinhas,ovelhas e mais animais preciosos para seus  alimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTANDO quais os lugar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPONDEU que no engenho  Faria tiram duas ovelhas,no engenho&lt;br /&gt;Boa Vista duas ovelhas alem  de (...) e galinhas que furtaram  em vários lugares.&lt;br /&gt;Declarou finamente que por engenho disse que nesse primeiro rancho furtou bois.&lt;br /&gt;Declarou que disse rancho onde demoraram de dois messes, passou-se para outro rancho nas matas do engenho Sobrinho com dos mesmos companheiros tendo depois aparecidos outros que era escravo tortuoso, pertencente ao major Frederico proprietário do Engenho Campinho, Termo de Capela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTADO pelos crimes praticados nesse segundo rancho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPONDEU que ai praticaram furto de bois ovelhas e mais criações preciosas para sua subsistência.&lt;br /&gt;PERGUNTADO qual os donos desses bois furtados?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPONDEU do modo seguinte que um foi tirado no engenho Fortuna, então pertencente a Senhora Dona Maria (...) e outro foi pregado no tabuleiro da Lagoa Grande e que não sabe a quem pertence e depois tiraram mais um da parte do engenho Mata Verde ,pertencente então ao Coronel Gaspar Senhor dos seus companheiros Manoel da Hora e outros no engenho Unha de Gato pertencente a Francisco  Correia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTADO se os escravos desses engenhos não o auxiliavam nesses furtos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPONDEU que não obstante a alguns (...) relações com eles e fazem troca de farinha com carne, disse mais que deste lugar se retiraram para as matas do engenho Batinga ainda com os mesmos companheiros Fortuoso assassinou a José (...) com o seu companheiro Malaquias escravo do engenho Salobro de cujo crime já foram processados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTADO quem (...) assassinado a Malaquias um dos (...) morte de José Croado. ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPONDEU que não viu mais sabe que foi o Maximiniano escravo do Barão de Japaratuba. Disse que depois do que ficou dito teve que procurar novo coito o qual foi estabelecido nas Matas do engenho Limeira, o qual continha vinte companheiros com ele respondente e uma mulher livre filha desta vila de nome Conceição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTADO pelo nome de seus companheiros?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPONDEU que eram o seguinte: Carvalho, pertencente ao capitão Antonio de Oliveira Ribeiro, Lauriano do engenho Lagoa Junco, Alexandre do engenho Lagoa Funda em Japaratuba, Maximiniano de José Nobre do engenho Farias, Victorio do engenho Palma, Benedito do engenho (...) Barnabé dos outros, José Mar (...) da Canabrava Jacinto do Passão, Cupertino do Senhor Nico do Junco, Leandro da Flor da Roda, Delmira da Canabrava, Francisca de Santa Bárbara, Luisa da Jurema, Joaquina da Santa Bárbara, Sinforosa da Serra Negra, Vicência do Senhor Antonio Dones.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTADO  pelos crimes praticados nesse coito?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPONDEU que aí praticaram uma série de furtos que não pode dizer todos, visto como eram muitos companheiros e cada um furtaram (furtava) por seu lado mas que era narrado os furtos que se lembrar  que são os seguintes: que furtaram cavalos, os quais a todas as fazendas da Cotinguiba e Japaratuba que de interesses alguns deixaram em outros engenhos quando cansavam, outros vendiam aos ciganos os quais foram os seguintes: o cigano Inácio, o Antônio ciganos, Joana, Elvaristo os quais venderam alguns cavalos, por preço de cinco mil a dez mil reis quantia que nunca receberam se não dez tostões ou dois mil reis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse mais que dos outros alguns desses cavalos furtados alguns form ter na Lagoa Funda Termo de Capela, onde moram Teixeirinha os Iôio cunhado de Teixeirinha os quais empenhava com ele respondente e seus companheiros que lhe fornecessem de cavalos e bois, tendo obtido com eles quilombolas assim desses cavalos, mais quatro bois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disse mais  que  essas  mesmas  pessoas a quem  já se referiu se prestavam a  comprar fazendas e  o  mais  precioso com  o dinheiro  dos  escravos e que por várias vezes os  tinham em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTADO se  não  tinham homens livres que assassinasse com  eles sobre  frutos de cavalo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPONDEU  que não acredita que muitos tinham  negócios com os escravos das fazendas a   que  já ouviu dizer há muito tempo que o escravos  de nome Pedro furtava cavalos a seu senhor para  vender a Antonio Procópio morador  do  saco do Bomfim.  Disse mais que  exista no lugar denominado (...). termo de itabaiana, um tal Manoel do rio que comprava  cavalos a escravos desta (...) indo (?)a que sabe de um  escravo de nome Pedro, que é  hoje  do  penha que já foi da piedade,  que tem tido negocio com o dito Manoel do rio e é assim sabe de fatos iguais dado como o escravo Carmelo do mesmo engenho penha.  Disse mais que no  Riachuelo existe um firmo de tal,   que mandava ele respondente  furtar cavalos para vender- lhe e que chegou a comprar-lhe um tração do engenho Canabrava de Japaratuba,  em  cujo negócio saiu de mal ele respondente, visto como vendendo o cavalo por  vinte cinco mil reis, apenas recebeu quinze.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTADO se não sabe quais os outros do assassinato de José de Silvério cujo assassinato teve lugar no engenho piedade? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPONDEU  que quando deu-se essa morte não achava-se ele respondente no  lugar mas sim  no engenho penha e que  os seus companheiros que achavam-se na  piedade isto é, um coito entre Piedade e Tangui e canto alegre, sendo esta razão pela qual atribuem a morte aos escravos fugidos, mas não  que haja provas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTADO pelos crimes de mortos e ferimentos  emprestados ao interrogado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPONDEU  que a  morte nunca praticou visto como apenas limita-se  a fazer alguns frutos para  sua subsistência que apenas deu umas pancadas em  Lourenço, mas tinha por causa  de andar os espiando para pegá-lo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTADO acerca de um furto praticado em c as de Antonio (...) e quais seus autores?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPONDEU que este furto foi feito por ele  respondente por Bacurão e Cupertino escravo do Capitão Neco do junco que já foi embarcado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTADO  se  tem ciência  de um  tiro dado em capitão Manoel oliveira matos, cujo tiro  não causou ferimentos não por falta de vontade de seu autor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPONDEU  que passando pelo engenho Jumco, aí encontrou-se (...) ser madrugada com o dito Manoel de Oliveira Matos, que pretendeu com os (...) amedrontá-lo ao seu agressor, deu um tiro com  a pistola em direção muito oposta para não ofender, visto como o seu único fim era amedronta-lo para poder  evadir-se. E por nada mais dizer(...) lhe perguntado deu-se por findo dito auto de perguntas em que (...) juiz assina pelo interrogado o senhor Antonio Luiz de loureiro  maior do que  tudo dou fé eu Thomas de Aquino machado escrivão o escrevi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; MANOEL  CARDOSO VIEIRA DE MELO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; ANTONIO LUIS DE LOUREIRO MAIOR&lt;br /&gt;SECRETARIA DA POLÍCIA DE SERGIPE&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;INTERROGATÓRIO FEITO  AO PRETO JOÃO MULUNGU &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Auto de perguntas feitas ao escravo João de João Pinheiro proprietário do engenho Mulungu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao vinte e três dias  do mês de janeiro e mil oito centos e senta e seis  do ano do nascimento do nosso senhor Jesus Cristo nesta cidade de Aracaju em casa da residência  do dr. Chefe de Polícia Vicente de Paula Caucaes Telles, aí presente o escravo de João pinheiro proprietário do engenho Mulungu, comigo amanuense da secretária da polícia servindo de escrivão abaixo nomeado foram feitas ao supra dito escravos as perguntas seguintes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual o seu nome, idade, estado, filiação, naturidade e profissão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPONDEU chamar-se João com 25 Engenho Cundengá a 30  anos de idade, solteiro, filho natural de Maria escrava de José Inácio senhor do, natural de Itabaiana e com profissão   de   agricultor, enquanto esteve em casa do seu   senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTADO a que  tempo se  havia ausentado  da casa do  seu senhor, porque o fizera  e  para onde se dirigia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPONDEU que não pode precisar  o tempo em que se ausentara, mas  que parece-lhe ter sido a oito anos poucos mais ou menos . que se ausentara da casa do seu senhor  porque sendo ainda de pouca idade seu senhor o subjugava de trabalhos superires as suas  forças e  castigando-os ás vezes sem razão o faria com vigor, assim saiu ele  de sua casa por duas vezes a procurar senhor e sendo desenganado que seu senhor o não vendia por ter este declarado a quem procurava comprá-lo,deliberou-se  pela terceira vez a fugir por não suportar mais a maneira porque  seu senhor o tratava,  já surrando-o já trazendo-lhe ao pé uma corrente e  sujeitando-o a pesados serviços como o  de botar fogo na  fornalha e efetivamente fugindo não mas procurar  quem o  comprasse e sim entranhar-se pelas matas onde tem vivido até a data de ontem (...) em que  foi preso pelo doutor juiz  municipal de divina  pastora e pelo capitão banha com seus soldados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTADO se nos diversos lugares por onde  andou se  praticou algum crime  e se fez  só  ou acompanhado de  outras pessoas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPONDEU que a  exceção de alguns furtos que  ele fazia com seus companheiros nenhum outro crime  mais cometeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTADO em que consistiam estes frutos, que eram os donos dos  objetos furtados e em que lugares  eles o praticou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPONDEU que  consistia em gado, cavalo,  ovelhas(...) que os donos desses animais eram diversos proprietários   desde  Japaratuba até laranjeiras, que eram seus companheiros de furtos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cornélio,escravo de Antonio do Brejo&lt;br /&gt;Maximiniano, escravo de José Nobre&lt;br /&gt;Lauriano, de Antonio de tal, do engenho Junco&lt;br /&gt;Jacintho de José Bernadino&lt;br /&gt;Victório, do engenho da Palma&lt;br /&gt;Alexandra, da Lagoa Funda&lt;br /&gt;Cupertino, do Neco do engenho Junco&lt;br /&gt;José Maroim, se Isac da Cana Brava&lt;br /&gt;Leomilho, do engenho Flor da Roda&lt;br /&gt;Horácio, do engenho Bite&lt;br /&gt;José Quisanga (digo) do engenho Quisanga&lt;br /&gt;Benedito, do engenho Palma&lt;br /&gt;Luiz, do Imbiriba de Brejo do Rosário&lt;br /&gt;Bernabé do engenho oito centos&lt;br /&gt;Belmira, da Cana Brava&lt;br /&gt;Francisca de Guilherme de tal, da Capela&lt;br /&gt;Thomasia, da Santa Barbara&lt;br /&gt;Lusia do Jurema&lt;br /&gt;Joaquim, da Santa Barbara&lt;br /&gt;Simphoracia, da Serra Negra&lt;br /&gt;Vincencia, de Antonio Dinis de Itabaiana&lt;br /&gt;Conceição, mulher livre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTADO se estes escravos continuam ainda fugido?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPONDEU que não e que quase todos já tem sido entregue&lt;br /&gt;a seus senhores.&lt;br /&gt;PERGUNTADO se ele respondente contou proteção de&lt;br /&gt;Alguém durante a tempo que esteve fugido?&lt;br /&gt;RESPONDEU que a única proteção com que ele e seus companheiros contaram foi com de dois moços do Termo de Capela do lugar Lagoa Funda chamando um Teixeirinha os quais compraram-lhe alguma coisa que ele necessitava adiantando-lhe dinheiro até que lhe pudesse pagar e de uma vez lhe encomendaram alguns companheiros quatro bois por Iôio que vendeu por quarenta mil reais e dois cavalos e uma burra para Teixeirinha que também vendeu por sessenta mil reais,notando-se que tendo os quatro bois sido furtados do engenho Paté, foram pelos senhor do dito engenho tomados do Iôio logo depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTADO como se havia dado o roubo feito a Antonio Pião do alto do falcão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPONDEU que a três anos mais ou menos  um seu companheiro de nome Maximiniano o convidou para irem a  casa  de Antonio Pião,roubar e conquanto ele respondente lhe fizesse suas objeçõe teve contido de (...)ao seu convite e assim saiu um dia pela manhã com Maximiniano e Cupertino seus companheiros foram colocar-me em um tabuleiro de onde virão a casa de Antonio Pião,esperão nessa ocasião sua casa e com efeito presenciando ele a retirada de Pião com seus trabalhadores dirigiram-se eles três a mulher a sogra e a mãe de Pião e não podem elas resistirem a eles três teve Maximiniano de lançar mão da fice que levava e com ela arrancou a fechadura de uma caixa que estava em um quarto e abrindo-a tirou de dentro uma carteira com dinheiro.E dirigindo-se eles três para o mato sem nenhum mal fazerem as mulheres ali,recebeu de Maximiniano com o restante que ele respondente não pode precisar quando foi por não ter contado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTADO como se havia dado um tiro que se diz ter sido ele respondente autor por ocasião de furtos de ovelha que praticavam?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPONDEU pela maneira seguinte  que tendo por costume passar pelo engenho junco, encontrou uma vez a  cancela  mudada  e receitando que talvez isto fosse feito pelo proprietário do engenho com o fim de pegá-lo  quando por ali tivesse ele de passar  teve  de voltar  e com efeito passando perto da casa de morada  do proprietário  já quase dia, é justamente nessa ocasião  que vai ele abrindo aporta  e vendo-a pergunta-lhe quem era e para  onde o dirigira, não olhe  respondendo ele causa alguma grita por seus escravos a de um só momento aparecem-lhe todos  armados procuraram tornar-lhe o caminho, ele respondeu que estão se achava montado e com uma pistola lança mão dela e dá um tiro não em direção  aos  escravos mas sim, em direção oposta e com o fim unicamente de amedronta -los e por esta forma pode assim escapar-se sem que tivesse o tiro que deu empregado –se em pessoas alguma. E nada mais lhe foi perguntado dando-se assim por findo este auto em que com o Doutor Chefe de policia assina Guilherme Francisco da rocha, do que dou fé.&lt;br /&gt;Eu Ernesto Alves Ramos, amanuense da Secretaria da Policia servindo de escrivão  que escrevi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vicente de Paula Caucaes Teles&lt;br /&gt;Guilherme Francisco da Rocha  a Rogo&lt;br /&gt;do escravo  João Antonio Carlo Gomes.&lt;br /&gt;Mathias Jaboticaba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Auto de perguntas  feitas ao  escravo&lt;br /&gt;Ilário de Manoel Raimundo do proprietário do Engenho Sitio Novo, Termo de Rosário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos vinte e seis anos do mês de janeiro de mil oitocentos e setenta e seis do ano do nascimento do nosso Senhor Jesus Cristo nesta cidade em casa da residência do Doutor Chefe de Polícia Vicente de Paula Caucaes Telles, aí presente o escravo Ilário de Manoel de Raymundo proprietário do engenho Sitio Novo comigo nomeado, foram feitas as perguntas seguintes:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual o seu nome, idade, estado, filiação, naturalidade e profissão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPONDEU chamar-se Ilário com trinta e cinco de idade pouco mais ou menos, solteiro, filho de Ignácio com Micaela escrava do finado José Tuten, natural do Rosário, profissão agricultor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTADO a que está fora  da companhia do seu senhor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPONDEU que a seis semanas pouco mais ou menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTADO para onde se dirigia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPONDEU que conservou-se  por  espaço de três  semanas nas imediações  da fazenda do seu senhor e logo depois saindo em busca das metas do engenho jurema encontrou-se na baixa com João Mulungu e lá,  digo seguindo daí era o engenho  “ Flor da Roda”  ai se conservou por outras três semanas ate que afinal foi ai com seu companheiro preso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTADO se durante o tempo esteve com João Mulungu o que presenciou fazer este e o que lhe contou este com referência aos frutos, roubos e assassinatos por ele praticado?&lt;br /&gt;RESPONDEU que durante estas três semanas que com João Mulungu esteve no engenho Flor da Roda nada presenciou relativamente a frutos que praticasse o mesmo Mulungu assim como ele nunca lhe contou proeza alguma que houvesse praticado.&lt;br /&gt;PERGUNTADO de que se alimentaram no mato?&lt;br /&gt;RESPONDEU que de alguma carne que levou de casa e de caranguejos que apanhava no lugar em que se achava, trocando às vezes alguns desses caranguejos por farinha com escravos do referido engenho e com os quais se entendiam à noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PERGUNTADO se o senhor desse engenho algum dia os encontrou falando com seus escravos ou se soube que eles iam à noite a (...) do seu engenho?&lt;br /&gt;RESPONDEU que nunca os encontrou e que enquanto ao mais não sabia dizer.&lt;br /&gt;E por mais nada lhe ser perguntado deu-se por concluída o presente auto em que o Doutor Chefe de policia assina Antonio Batista Bitencourt do que dou fé.&lt;br /&gt;Eu Ernesto Alves Ramos, amanuense da Secretaria da policia servindo de escrivão que escrevi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vicente de Paula Cascaes Teles a Rogo do escravo Ilário Antonio Baptista  Bitencourt  J. (...) Testemunha. Antonio Carlos Gomes Mathias Espínola Jaboticaba.                Autos de perguntas feitas ao Escravo João de João pinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos vinte seis dias do mês de janeiro do ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e setenta e seis em casa da residência do Doutor Chefe de policia Vicente de Paula Cascaes Teles, ai presente o escravo João de João pinheiro, proprietário do engenho Mulungu, comigo amanuense da Secretaria da policia servindo de escrivão abaixo nomeado foram feitas as supra dita escravo que havia sido anteriormente interrogado.&lt;br /&gt;Como se havia dado a morte de um homem no (...) do (...) que se diz ter sido ele respondente o autor tendo por companheiro um escravo do tenente Coronel Horta e uma negra a Alexandre Teles?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPONDEU que ele nenhuma culpa teve em semelhante atentado e que o ignora completamente.&lt;br /&gt;PERGUNTADO ainda que assassinou um moleque do proprietário Araújo do engenho Mumbaça?&lt;br /&gt;RESPONDEU que ignorava.&lt;br /&gt;PERGUNTADO ainda por outro assassino de um homem na (...) de (...) que fora lançado em um braseiro e que se diz ter sido ele autor?&lt;br /&gt;RESPONDEU não ser exato esse boato com referência a autoria que se lhe da porquanto nenhuma parte teve respondente neste assassinato, pensa, entretanto que talvez pelo fato dele ser filho deste lugar que se lhe atribua semelhante atentado.&lt;br /&gt;PERGUNTADO também por assassinato que se dera na Pedra Branca nas pessoas de um homem que encontrara (...) sua (...)?&lt;br /&gt;RESPONDEU que não sabe de semelhante assassinato nem que fora o seu autor acrescentado que durante o tempo em que andou fugido a exceção dos crimes e furtos que perpetuo nem uma morte cometeu.&lt;br /&gt;PERGUNTADO que não sabia como se havia dado, apenas (...) Marcelino de tal, morador no engenho Cabral de Baixo e outras pessoas que não pode precisar o nome, por não conhece-las disseram que quem tinha prestado esse roubo tinha sido o filho do Capitão Paulo, senhor do engenho Batinga, conhecido por lôio ignorado completamente (...) esse roubo se houvera dado.&lt;br /&gt;PERGUNTADO se conhecia alguém na Vila de Riachuelo e se entre teve negociações nesse lugar com alguma pessoa?&lt;br /&gt;RESPONDEU que conhecia ali diversas pessoas apenas de vista e que negociação apenas tivera ali com Firmo de tal, sapateiro e purgador do engenho Palmeira o qual por algumas vezes lhe pediu que furtasse alguns animais e lhe levasse que ele compraria e, com efeito, furtara ele respondente um cavalo de Isaac do engenho Cana Brava, levou-o por venda e apossando-se dele pelo preço de vinte e cinco mil reis, apenas dez por cento e mais nada, passando afinal uma troca com ele respondente de um par de esporas de latão por outro par de ferro resultado do ajuste de contas (...)&lt;br /&gt;              Firmo a restar-lhe doze mil reis.&lt;br /&gt;PERGUNTADO o que sabia acerca de um roubo feito a uma mulher de Bom Sucesso entre lugar e Bom Jardim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;RESPONDEU que sabe ter se dado esse roubo e que por lhe disseram os negros do engenho São José, sabe que fora Venceslau escravo de Dona Maria do engenho Bom Jardim o seu autor. &lt;br /&gt;PERGUNTADO quem tinha ido atacar o major Mainart em sua casa para rouba-lo?&lt;br /&gt;RESPONDEU que não sabia, que supunha, entretanto ter sido Manoel Jurema, Manoel de Júlia e Malaquias escravo, o primeiro do Capitão Paulo da Mandioca o segundo de uns ingleses do Maroim o terceiro também dos mesmos ingleses. E por nada mais lhe ser perguntado deu-se por findo o presente auto em que por ele assinou Guilherme Francisco da Rocha, Eu e, digo o Doutor Chefe de Polícia servindo de escrivão do que tudo dou fé.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Vicente de Paula Cascaes Telles Guilherme Francisco da Rocha a rogo de escravo João Mathias Espínola Jaboticaba.&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2449249290595044570-8149354210690494509?l=mororialjmulungu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mororialjmulungu.blogspot.com/feeds/8149354210690494509/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mororialjmulungu.blogspot.com/2008/12/autos-de-perguntas_29.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2449249290595044570/posts/default/8149354210690494509'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2449249290595044570/posts/default/8149354210690494509'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mororialjmulungu.blogspot.com/2008/12/autos-de-perguntas_29.html' title='AUTOS DE PERGUNTAS'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SVlxGY5fBlI/AAAAAAAAA2g/Kn-UbSsu-eM/s72-c/ATgAAABlfyNB6e63z4kNt7WwfreoxNJA4f7aqtlh4D4BJ5EkgG7mj9gbQqnw-93uE1hRL2ELAdcNkQA4GMSXy1ucub-YAJtU9VBrm5ewNu234X9BH9M-Nb5ZgYxmSg.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2449249290595044570.post-4248963597926231296</id><published>2008-12-29T16:44:00.000-08:00</published><updated>2008-12-29T16:47:42.714-08:00</updated><title type='text'>JOÃO MULUNGU DISCRIMINADO</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SVlvo1wp9WI/AAAAAAAAA2Y/gSD_0REyqEM/s1600-h/Severo+-+Projeto+Jo%C3%A3o+Mulungu+02.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 400px; height: 288px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SVlvo1wp9WI/AAAAAAAAA2Y/gSD_0REyqEM/s400/Severo+-+Projeto+Jo%C3%A3o+Mulungu+02.jpg" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5285378385112593762" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;João Mulungu: Herói  Discriminado&lt;br /&gt;Racismo institucional&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ A Liberdade,&lt;br /&gt; não era uma condição fixa,&lt;br /&gt; mas um alvo em constante movimento”&lt;br /&gt;Bárbara Fields&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No caso específico desta propositura, notamos &lt;br /&gt;uma inversão de valores, ou seja, há a inversão&lt;br /&gt;da heroicização de um negro rebelde, que, fora do seu contexto histórico,&lt;br /&gt; servirá de modelo a contestação das condições sociais &lt;br /&gt;em que se encontram os afro descendentes na atualidade,&lt;br /&gt; ou ainda, e mais que isso, valendo-se da estratégica&lt;br /&gt; ideológica dos agentes dominantes do passado, &lt;br /&gt;ás avessas, convertendo os antigos “heróis”, no caso&lt;br /&gt; os” senhores brancos civilizados”, em vilões.&lt;br /&gt;Lourival Santana Santos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ Qual a civilização que sustentada na força do trabalho escravo.&lt;br /&gt;E no esmagamento do homem, pode-se dizer moralista, ainda &lt;br /&gt;Mais quando aos negros, escravos ou não era vedada a instrução.”&lt;br /&gt;Maria Thetis Nunes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Relator deveria como ‘acadêmico’ que é, buscar outras informações documentais para se pronunciar e nunca se basear por um único documento. Faltou o contraditório.&lt;br /&gt;Severo D’Acelino.&lt;br /&gt;                                                                    Não há Direitos para o Negro e sim contra ele&lt;br /&gt;Na prática o Direito ainda hoje é Racista.&lt;br /&gt;Hélio Sabóia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;“ O crime não se apresenta&lt;br /&gt; quando é praticado em auto defesa, e&lt;br /&gt;a estatística se projeta tão somente para ressaltar&lt;br /&gt;a criminalidade do negro escravo e omite&lt;br /&gt;a violência que se pratica contra ele”&lt;br /&gt;Maria Helena P.T. Machado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                          &lt;br /&gt;Peço a alguém da parte do Prefeito&lt;br /&gt;explique o Projeto para não votar sem saber&lt;br /&gt;procurei uma pessoa formada em História &lt;br /&gt;e indaguei sobre João Mulungu.&lt;br /&gt;Segundo essa pessoa, a história não diz nada sobre ele&lt;br /&gt;e diz que foi uma invenção de outro negro meio doido&lt;br /&gt;querendo aparecer que se chama Severo, pois&lt;br /&gt; o mesmo inventou isso para para ganhar dinheiro,&lt;br /&gt; e criou o Herói Negro João Mulungu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vereador Neemias de Almeida Ribeiro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;39ªSessão Ordinária da Câmara Municipal de Laranjeiras&lt;br /&gt;Em 06 de Agosto de 1990&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7 de agosto de 2007 o Conselheiro Conselho Estadual de Cultura de Sergipe aprova o parecer do relator&lt;br /&gt;Repudiando o Herói Negro Sergipano,cristalizando o Etnocidio, um tributo a Eugenia negativa&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A NEGROFOBIA  instalada  no Conselho Estadual de Cultura, mais o corporativismo do Relator do processo, prof. José Paulino ex-Vice Reitor da UFS, prevaleceram na aprovação contrária ao reconhecimento de João Mulungu, aprovando as ações caluniosas denunciadas no processo e desqualificando o Legislativo Estadual e Municipal contrariando a máxima de que a Lei  maior assinala o referencial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Baseado num parecer fraudulento do professor Lourival Santana, do Departamento de História, inimigo confesso de João Mulungu, sem outro parecer que reforçasse ou atenuasse a sua posição, o Relator, seguiu a risca as recomendações do professor, sem contudo analisar o documento e ou apresentar a sua versão sobre a questão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O documento apresentado pelo professor, carece de verdades, se constitui numa fraude, perversa e deliberada, principalmente quando se utiliza do nome e do prestigio  de João José dos Reis, quando adultera a citação do seu texto, in “ Quilombos do Brasil, pg,33”, para reforçar sua tese criminosa e torna-la  viável. Quando diz que;...o Prof. Dr. João José dos Reis, um dos maiores especialistas sobre escravidão, quando afirma que: “Dizer que os quilombolas foram heróis é pouco, pois diminui a riqueza de suas experiências. Que sejam celebrados como  heróis da liberdade, mais o que celebramos (...) é a luta de homens e mulheres que para viverem a liberdade nem sempre puderam se comportar constantemente com as certezas e a coerência normalmente atribuídas ou exigidas dos heróis”(grifo nosso). Não dar referencia em nenhuma de suas citações ou nomeação, para como no dizer “acadêmico’ verificar as fontes, e no dizer popular: Matar a cobra e mostrar o pau”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O texto na íntegra, para conhecimento do Conselho e do relator. O douto historiador João José Jorge, citando a Historiadora americana Bárbara J. Fields autora de: SLAVERY AND FREEDON ON THE MIDDLE GROUND: MARYLAND DURING THE NINETEENTH CENTURY. Para afirmar que os quilombolas são heróis mais que heróis e que devem ser celebrados como Heróis da Liberdade. E não para negar as evidencia históricas.&lt;br /&gt;“ Entre  Palmares e os quilombos dos últimos anos da escravidão, os escravos brasileiros construíram uma empolgante história da liberdade. Mas  uma história cheia de ciladas e surpresas, de avanços e recuos, de conflitos  compromisso, sem um sentido linear, uma história que amplia e torna mais complexa a perspectiva que temos de nosso passado. “A liberdade”, escreveu a historiadora Bárbara Fields, ‘ não era uma condição fixa,mas um alvo em constante movimento’ – palavras escritas para um outro contexto, que tem  um valor quase universal. Os quilombolas brasileiros ocuparam sertões e florestas, cercaram e penetraram em cidades, vilas , garimpos, engenhos e fazendas; foram atacados e usados por grupos escravistas, aos quais se  também atacaram e usaram em causa própria; fugiram da escravidão e se comprometeram com a escravidão; combateram e se aliaram com outros negros, índios e brancos pobres; criaram economias próprias e muitas vezes prosperas; formaram grupos pequenos,ágeis, móveis e temporários, ou grupos maiores, sedentários, com gerações que se sucediam, politicamente estruturados; envolveram-se com movimentos, alguns abolicionistas; aproveitaram-se  de conjunturas políticas conflitivas nacionais, regionais, até internacionais, para crescer, ampliar alianças, fazer avançar seus interesses imediatos e projetos de liberdade mais ambiciosos. Esses lances, e muitos outros, fazem parte da história contada neste livro. Dizer que os quilombolas foram heróis é pouco, pois diminui a riqueza  de sua experiência. Que sejam celebrados como heróis da liberdade, mas que o celebramos neste volume é a luta de homens e mulheres que para viverem a liberdade nem sempre puderam se comportar com as certezas e a coerência normalmente atribuídas aos heróis.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Doutor relator, se baseou neste e mais outro trecho do documento emitido por Lourival Santana Santos, datado de 08 de março de 2004, protocolado no CEC em 15 de março sob o numero 015. O outro trecho adotado pelo  relator. Assinala  a opinião do  historiador  e dos seus pares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ Somos da opinião de que a construção da História não se processa pela relação vilão/herói, mas por uma complexa malha de interesses, (grifo nosso), sublinhando-se os particularismos e os regionalismos, considerando o fato de que onde há conflitos, há negociações. Assim, todo acontecimento é parte de um conjunto mais amplo de resistência e sobrevivência de um povo e não de um herói, ocorrendo de forma dinâmica, mudando no tempo e no espaço.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste particular não deixa claro ‘quem somos’, se a instituição, o departamento ou ele e seu grupo hostil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No parágrafo anterior, o Historiador após qualificar a propositura numa inversão de valores, um invenção de heroicização de um negro rebelde, que fora do contexto histórico servirá de modelo a contestação das condições sociais em que se encontram os afros descendentes na atualidade. Demonstra o medo de que o modelo possa ser utilizado para desconstruir os antigos heróis da cultura civilizada, alta e superior dos “senhores brancos civilizados” em vilões. Sentenciando sua desaprovação da heroicização de João Mulungu, pelo Conselho Estadual de Cultura e assinala Laureano e Odorico, como também, merecedores da homenagem, tendo em vista que desempenharam papeis importantes na crise do escravismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste sentido o douto professor, explicita a sua  luta pelo aperfeiçoamento Eugênico do povo sergipano, na expectativa de fazer desaparecer a raça inferior e cristalizar a raça superior . “É o Francis Galton sergipano a quem Silvio Romero se curvaria se vivo estivesse, seu livro de cabeceira deve ser o “Ensaio sobre as desigualdades das raças humana” do Conde Gobineau e hoje deve está satisfeito com a manipulação do GENOMA” só assim pode assinalar suas partes Brancas e européias, provando sua matriz colonizadora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O que dirá o douto professor, sabendo que Severo D’Acelino um preto, negro de marca e origens, assenta na cadeira do Conselho Estadual de Cultura, o primeiro preto na história deste órgão governamental, criado para acolher a burguesia intelectual, nomeadamente no domínio cultural, defensores do memorial  da oligarquia,  sem títulos, militante da periferia do movimento negro, com a mania reivindicatória de assinalar a importância do Negro na sociedade sergipana, com foco na educação e na revitalização do Arquivo Humano? Uma falha no controle social. Um preto quilombista no Conselho, a reivindicar ações para o reconhecimento e valorização dos negros. Como fica a elite  da civilização branca, será também o primeiro a ser expulso do nobre colegiado, incomodado com sua presença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Neste sentido, o douto professor e o douto relator, deixam clara a sua total falta de informação do conteúdo histórico recente a que nós vivemos e também do histórico anterior de nossa nação  eurocêntrica, onde a casa grande e os usineiros dão as ordens e promovem seus heróis.Ele não contesta os heróis brancos, só o negro. Porque não contestar  Caxias, está com medo do Exercito, e Tiradentes, está com medo da Policia, de Uchoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Há na decisão de ambos uma relação incestuosa de domínio e submissão, o douto historiador, quando da graduação, em suas monografia, assinala entre outra que: Podemos considerar João Mulungu como o Zumbí Sergipano”, ora Zumbí é o Herói dos Negros das três América, o nosso Herói construído no inconsciente coletivo e adotado em todas as ações, antes mesmo de ter seu nome, registrado no Livro de Tombo Nacional pelo negro Presidente Fernando Henrique Cardoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sergipe é sem dúvidas o Estado mais racista do Brasil e sua pratica institucional, se cristaliza nas ações do Conselho Estadual de Cultura  e da Universidade Federal, sempre que o assunto do negro esteja em questão. O Conselho relutou no projeto de Tombamento do Terreiro Filhos de Obá, colocou todas as dificuldades, documentos sumidos e só foi tombado graça a interferência do Governador e da data efemérica, a única que se voltou em favor do patrimonial do negro aqui em Sergipe e na Universidade, foi a saudosa professora Gracinha, que teria dito: - “Já chega de só se pensar no patrimônio da dominação, é hora de se voltar para o importante  conjunto dos negros”. A Universidade Federal, como de resto a Educação, nunca teve compromisso com o negro, talvez , espera como diz o Lourival: “ Negociar”, pois no dizer da estrada,  “ quem cria dificuldades, quer vender facilidades”. Talvez a indicação para o Conselho, Academia Sergipana de Letras ou cargo de Secretário, sonho de consumo também, da Historiadora &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será a cristalização do Paternalismo, para que o negro continue  conformado e agradecido pela sua vitimização, sem direitos de reclamar das constantes Violações dos seus Direitos. É necessário praticar ações diferenciadas e afirmativas, para promover mudanças de atitudes e comportamentos e não reproduzir o manifesto discriminatório  gravado  sociedade contra o conteúdo negro e isso se chama desconstrução em direção do respeito a Diversidade olhos voltados para o processo democrático da Igualdade Racial&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O douto professor Lourival,. Deixa clara a sua fragilidade, o seu descompromisso racial e a sua dependência e despreparo intelectual e psicológico, intelectual porque não tem força critica e  pensamento reflexivo; dependente porque é  auto sugestionado,mesmo sem ter argumentos, modifica constantemente sua afirmações, dependendo de quem lhe ordena, e neste sentido cristaliza os chavões da Nele,  principalmente quando afirma que seja reducionismo, assinalar a importância de João Mulungu e cita os brancos deles como merecedores de heroicizações além de uma lista de comandados do João Mulungu, mas não apresentam os fatos nem os documentos e nisso os documentos de João Mulungu são roubados dos arquivos. A primeira desaparoubação se verificou a época da Fundação Cultural, gestão Lins&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma interrogação no ar. Porque os detratores de João Mulungu, não promovem um levantamento dos seus heróis e apresentam o projeto de reconhecimentos. Será que só se interessam pelo que estão construídos, para promoverem suas desqualificações. Autores fraudulentos e seus trabalhos acadêmicos frouxos, deveriam passar por uma banca examinadora. Infelizmente a classe de professores está isenta de perderem o direito de ensinar. Professores nós temos demais, o que nos falta são educadores, esses são muito pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que é Lourival, quem são os membros do seu grupo. Nego, distribalizados, aculturado, que não se reconhece como negro, e busca no grupo de poder, capachiar os usineiros na Casa Grande, investindo contra os negros quilombolas e os negros das Senzalas a quem ele despreza,” apesar da rede de espias que possuía em quase todas as localidades, o mais terrível dos quilombolas, João Mulungu, foi preso no dia 13 de janeiro de 1876” assinala ele, citando o Presidente da Província, em sua insólita monografia .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não ganhamos nada com isso, Só serviu para demonstrar a radiografia das relações raciais em Sergipe, que continua do Rey e dos Usineiros e que aqui vivemos no século XVIII com toda sua estrutura da escravidão. Os negros são os braços e os pés dos Senhores de Engenho. Portugal meu avozinho, cadê  Mãe África?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No afã de notoriedade, o douto professor, encarna SEBERINO, o traidor de João Mulungu, que  por  inveja, levou a tropa de policia, até os bananais do engenho Flor da Roda, onde João Mulungu descansava junto com seus outros companheiros. Certamente as trintas moedas não foram o bastante para lhe possibilitar a alforria. Há sempre um traidor entre nós. Zumbí pagou pela traição de Antonio Soares e teve seu corpo decapitado e empencado em estacas, como era o modus operandi dos “brancos civilizados do nobre professor de estória da Ufs,”Será que ele sabe quem foram Seberino e Antonio Soares ?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nos autos ao reportar-se aos autores, o douto “acadêmico”não ofereceu as referências e suprimiu o enunciado distorcendo o conteúdo e seu significado, com o firme propósito deliberado de reforçar uma  farsa, cristalizando sua ideologia recalcada e fraudulenta, tendo em vista que o texto de João José Reis, assinala o contrário, o que não interessava ao seu grupo de interesse, nem ao relator. Se o processo partisse de uma autoridade destacada no espaço de poder e branca, certamente que o destaque seria outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em Sergipe, até agora, só os brancos, fizeram no espaço de poder, alguma coisa para o coletivo negro sergipano, a ver. Cleovansostenes Pereira de Aguiar, a Introdução da Cultura Negra na Grade do 1º e 2º graus em 1986. Antonio Carlos Valadares, O Tombamento do Terreiro Filhos de Obá, Antonio Carlos Leite Franco, o Reconhecimento de João Mulungu, como Herói Negro de Laranjeiras, Jorge Araújo e Wellington da Mota Paixão, o Reconhecimento de João Mulungu como Herói Negro de Aracaju e Conselho Municipal de Participação da Comunidade Negra., Albano Pimentel do Prado Franco. Reconhecimento de João Mulungu como Herói Negro de Sergipe,, Introdução da Cultura Afro Sergipana em concursos , e cursos bem como o primeiro e único Curso de  Memória Cultural  em Comunidade Remanescente de Antigos Quilombos de Sergipe e o Projeto Cultural de Educação João Mulungu vai ás Escolas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os Negros subservientes e conformados nos espaços de poder, só tem prejudicado a revitalização da nossas tradições e resgate de nossa memória cumpliciados por  brancos sem  pedigree, titulados sem conhecimentos e sem méritos que usam o Poder para poder praticar o etnocidio...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Etnocídio - extermínio cultural de um povo. É deferente do genocídio (extermínio físico) porque visa não somente a destruição física, a matança, e sim o desaparecimento por inteiro dos traços culturais (língua, costumes, hábitos, tecnologia,mitos). Como diz Pierre Clastres, qualquer sociedade vê a si própria como "superior", encarando as outras com uma ótica etnocêntrica (isto é, com etnocentrismo, com o uso de seus próprios valores e padrões culturais como medida para avaliar os outros povos), mas apenas as sociedades com Estado, com dominantes e dominados, portanto, passam do etnocentrismo ao Etnocídio, ou seja, não toleram essas diferenças e buscam eliminá-las pela força"&lt;br /&gt;José William Vesentini - doutor em Geografi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;... contra a nossa comunidade e os que se atrevem a levantarem a cabeça, e como diria nossa saudosa Núbia Marques: Quando os Negro levantam as cabeças, vem outros e cortam-lhes os pescoços. Com a palavra: Professor Lourival Santana Santos, pois a sentença do nobre relator foi  perversa e sem direito a contraditório alegando falta de documentos de  “indiscutíveis  existência histórica” de João Mulungu. Desconhece o memorial produzido pelos Legislativos Municipais e Estadual,  evidencia a não existência nos autos do processo, documentos de relevância, reconhece  a importância da Casa de Cultura como agente multiplicador e segue a decisão do Lourival e diz não  ao reconhecimento de João Mulungu pelo Conselho Estadual de Cultura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Presente, sem direito a voz e voto, por entender conflitos de interesse, engoli a seco a mais uma demonstração orquestrada e comemorada da intolerância a revisitação ancestral sergipana: nosso Arquivo Humano e a vitória perversa dos negros da Casa Grande. Pele Negra em Máscara Branca. O que se conclui de tudo isso é que foi um massacre, um etnocidio sem precedência na história recente do Brasil.&lt;br /&gt;Parafraseando o Jackson da Silva Lima em História da Literatura Sergipana, numa analise racial. “ “Negro é aquele que se reconhece e é reconhecido como tal”, não importa ter a pele preta se a máscara é branca ou ter a pele branca se a máscara é preta, a importância de Ser não é Ter, mas saber que É.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“ Quando o Negro levanta a cabeça&lt;br /&gt;Vêm outros “e corta-lhe o pescoço”&lt;br /&gt;Núbia Nascimento Marques&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces&lt;br /&gt;Estendendo-me os braços, e seguros&lt;br /&gt;De que seria bom que eu os ouvisse&lt;br /&gt;Quando me dizem: "vem por aqui!"&lt;br /&gt;Eu olho-os com olhos lassos,&lt;br /&gt;(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)&lt;br /&gt;E cruzo os braços,&lt;br /&gt;E nunca vou por ali...&lt;br /&gt;A minha glória é esta:&lt;br /&gt;Criar desumanidades!&lt;br /&gt;Não acompanhar ninguém.&lt;br /&gt;— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade&lt;br /&gt;Com que rasguei o ventre à minha mãe&lt;br /&gt;Não, não vou por aí! Só vou por onde&lt;br /&gt;Me levam meus próprios passos...&lt;br /&gt;Se ao que busco saber nenhum de vós responde&lt;br /&gt;Por que me repetis: "vem por aqui!"?&lt;br /&gt;Prefiro escorregar nos becos lamacentos,&lt;br /&gt;Redemoinhar aos ventos,&lt;br /&gt;Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,&lt;br /&gt;A ir por aí...&lt;br /&gt;Se vim ao mundo, foi&lt;br /&gt;Só para desflorar florestas virgens,&lt;br /&gt;E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!&lt;br /&gt;O mais que faço não vale nada.&lt;br /&gt;Como, pois, sereis vós&lt;br /&gt;Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem&lt;br /&gt;Para eu derrubar os meus obstáculos?...&lt;br /&gt;Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,&lt;br /&gt;E vós amais o que é fácil!&lt;br /&gt;Eu amo o Longe e a Miragem,&lt;br /&gt;Amo os abismos, as torrentes, os desertos...&lt;br /&gt;Ide! Tendes estradas,&lt;br /&gt;Tendes jardins, tendes canteiros,&lt;br /&gt;Tendes pátria, tendes tetos,&lt;br /&gt;E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...&lt;br /&gt;Eu tenho a minha Loucura !&lt;br /&gt;Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,&lt;br /&gt;E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...&lt;br /&gt;Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!&lt;br /&gt;Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;&lt;br /&gt;Mas eu, que nunca principio nem acabo,&lt;br /&gt;Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.&lt;br /&gt;Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,&lt;br /&gt;Ninguém me peça definições!&lt;br /&gt;Ninguém me diga: "vem por aqui"!&lt;br /&gt;A minha vida é um vendaval que se soltou,&lt;br /&gt;É uma onda que se alevantou,&lt;br /&gt;É um átomo a mais que se animou...&lt;br /&gt;Não sei por onde vou,&lt;br /&gt;Não sei para onde vou&lt;br /&gt;Sei que não vou por aí!&lt;br /&gt;“José Régio”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;____________________________________________________________&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Notas: &lt;br /&gt;1-Processo, 108/1995 – Conselho Estadual de Cultura – 2008.&lt;br /&gt;2-Notas sobre os Quilombos em Sergipe – mimeo - Lourival Santana Santos&lt;br /&gt;3-Liberdade por um fio  A História dos Quilombos no Brasil- José João Jorge&lt;br /&gt;4-Herói da Resistência – mimeo - Severo D’Acelino- 1996&lt;br /&gt;5-Memorial João Mulungu –mimeo – Severo D’Acelino. -1998&lt;br /&gt;6-Resistência Negra em Sergipe D’El Rey - mimeo –Severo D’Acelino. 1998&lt;br /&gt;7-  Cântico negro. José Régio. www.releituras.com/jregio_cantico.asp &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FONTES PARA A HISTORIA DE JOÃO MULUNGU.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Câmaras Municipais – Laranjeiras – Aracaju .&lt;br /&gt;Assembléia Legislativa do Estado de Sergipe&lt;br /&gt;Arquivo Público do Estado de Sergipe&lt;br /&gt;Arquivo Judiciário do Estado de Sergipe&lt;br /&gt;Casa de Cultura Afro Sergipana&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Negro e a Violência do Branco – Ariosvaldo Figueiredo&lt;br /&gt;A sociedade libertadora – Cabana do Pai Thomaz – Maria Nele&lt;br /&gt;Os últimos dias da Escravidão no Brasil – Robert Conrad&lt;br /&gt;Clovis Moura -&lt;br /&gt;Notas sobre os Quilombos de Sergipe – mimeo- Lourival Santana Santos&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2449249290595044570-4248963597926231296?l=mororialjmulungu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mororialjmulungu.blogspot.com/feeds/4248963597926231296/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mororialjmulungu.blogspot.com/2008/12/joo-mulungu-heri-discriminado-racismo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2449249290595044570/posts/default/4248963597926231296'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2449249290595044570/posts/default/4248963597926231296'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mororialjmulungu.blogspot.com/2008/12/joo-mulungu-heri-discriminado-racismo.html' title='JOÃO MULUNGU DISCRIMINADO'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SVlvo1wp9WI/AAAAAAAAA2Y/gSD_0REyqEM/s72-c/Severo+-+Projeto+Jo%C3%A3o+Mulungu+02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2449249290595044570.post-3195062018659996501</id><published>2008-12-29T16:38:00.000-08:00</published><updated>2008-12-29T16:43:51.065-08:00</updated><title type='text'>JOÃO MULUNGU DISCRIMINADO -  </title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SVluJVbKMuI/AAAAAAAAA2Q/CEdYYFWuXfc/s1600-h/Severo+-+Projeto+JoÃ£o+Mulungu+01.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5285376744344924898" style="DISPLAY: block; 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margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 304px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SVlsRQ4AaQI/AAAAAAAAA2I/sPrNFjFoMF8/s400/joao+mulugu.bmp" border="0" alt=""id="BLOGGER_PHOTO_ID_5285374681539438850" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;SEVERO D’ACELINO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M E M O R I A L &lt;br /&gt;M U L U N G U &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Transcrição Preliminar de &lt;br /&gt;Documentos Institucional&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“RESISTÊNCIA NEGRA EM SERGIPE&lt;br /&gt;D’EL REY”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1870 A 1888&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Série: Arquivo Humano&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CASA DE CULTURA AFRO SERGIPANA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1998&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“30 ANOS DE LUTA PELA IDENTIDADE CULTURAL”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;EQUIPE:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N’ZAMÉ&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SEVERO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ZELITA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ALBERTO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;GILDO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NERY&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anexo nº&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Delegacia de Nossa Senhora de Capela 27 de Janeiro de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tendo chegado ao conhecimento desta Delegacia que fora capturado o célebre  João Mulungu, e tendo este cometido neste Termo alguns crimes ( . . .) de tentativa  de morte na pessoa do Tenente Manoel de Oliveira Matos, proprietário do engenho Junco Novo, o qual se acha provado e porque não ficou ( . . . ) este crime de tamanha gravidade ( . . . ) peço a Vossa Senhoria afim de no prazo ( . . . ) de entender justo mandar o referido Mulungu para cadeia desta Vila para ser processado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Deus guarde a Vossa Senhoria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor Doutor Vicente de Paula Cascae Telles&lt;br /&gt;M.D. Chefe de Policia desta Província&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Deocrecio do Carmo Andrade&lt;br /&gt;               Delegado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Arquivo Público do Estado de Sergipe&lt;br /&gt;Ref.     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anexo nº&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Presidência                  22 de janeiro de 76&lt;br /&gt;N.º 11&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Agora mesmo cinco e meia horas da tarde chega preso pela força que há oito dias expedi, o celebre João Mulungu, chefe dos quilombos d’esta província e um outro companheiro.&lt;br /&gt; Cumpre-se por hora dizer a Vossa Excelência que aos esforços do Doutor Manoel Vieira Cardoso de Melo Juiz Municipal do termo de Divina Pastora e do Capitão de Polícia João Baptista da Rocha deve-se o bom êxito dessa diligência com o sucesso. &lt;br /&gt; Aguardo as partes oficiais que minuciosamente levo ao conhecimento de Vossa Excelência todo o ocorrido. Assim com o que colher de autos de perguntas que terei de amanhã proceder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Arquivo Público do Estado de Sergipe&lt;br /&gt;Ref.: SP1-636 &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;D O C U M E N T O S &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANEIRO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anexo nº&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Chefe de Policia da Bahia &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;19 de janeiro de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;segue desta  cidade com destino à Côrte o réu José, escravo afim de cumprir a pena de prisão perpetua com trabalho na Casa de Convenção. &lt;br /&gt; Rogo a Vossa Senhoria se digne envia-lo ao (. . .) de Policia da Côrte para ter o dito réu o (. . .) (. . .) Juiz Municipal desta Provincia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Arquivo Público do estado de Sergipe&lt;br /&gt;Ref.:  SP1: 585&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Secção&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Recebi o ofício de Vossa Senhoria datado de 14 vigente sob o n.º 12 em que me ordenam a capturar ou extinção dos quilombolas que ultimamente tem invadido este e outros termos, bem como que auxilie o Doutor Juiz Municipal de Divina Pastora e ao Capitão João Baptista da Rocha, cumpre que esta Delegacia recorram no sentido de perseguirem aos ditos quilombolas. &lt;br /&gt; Em resposta cumpre-se dizer a Vossa Senhoria que ontem foi capturada nas matas do Engenho Maria Telles, deste termo, uma escrava que sendo interrogada declarou-se chamar Angélica, pertencente ao proprietário do engenho Flor da Roda - João Gonçalves e ser amasia do célebre João Mulungu assim como que foi tomado o cavalo em que ela vinha  montada, o qual se acha convenientemente depositado. &lt;br /&gt; Deixou de ser capturada o mendionado João Mulungu que viajava com a supra dita escrava pela razão de ser muita diminuta a força de que dispõe esta Delegacia e é por isso e por que pretendo continuar a proceder diligência no sentido de captura-lo e a outros quilombolas que estão aparecendo, e peço a Vossa Senhoria suas ordens a fim de auxiliar-me com uns 5 ou 6 praças a fim de por em prática o que pretendo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Deus guarde Vossa Senhoria&lt;br /&gt; Delegacia de Maroim em 20 de Janeiro de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor Doutor Vicente de Paula Cascaes Telles&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;M.D. Chefe de Polícia da Província&lt;br /&gt;Delegado de Polícia&lt;br /&gt;Manoel Cardoso de S. Sacramento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Secção&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Captura de João Mulungu&lt;br /&gt;e seu companheiro Silistrino&lt;br /&gt;Engenho Flor da Rocha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Marchando desta cidade no dia 14 do corrente com 10 praças sobre meu comando, dirigi-me à Vila de Divina Pastora, e ali reunido com o distinto Doutor Juiz Municipal, Manoel Cardoso Vieira de Melo, o alferes Marcolino de Souza Franco e oito praças, marchamos na noite do dia 15 com direção às matas do engenho Maria Teles, Termo da Cidade de Maroim, nada encontrando-se no dia seguinte seguimos ao riacho Maniçoba aonde acampamos para descansar a tropa. &lt;br /&gt; A noite colocamos diversas tocalhas e nos dirigimos acompanhados por quatro praças ao Limoeiro Termo de Divina Pastora a fim de verificarmos uma denuncia que nos deram de estar próximo as matas do mesmo sítio o chefe dos quilombolas e seus companheiros, nada encontrando, no dia 17 marchando com direção as  matas dos engenhos Jurema e Capim Assu, junto a cancela deste fomos agredidos por número superior a 20 escravos armados de facas, enxadas e facões que indignados pela perseguição de seus parceiros tentaram espancar a tropa, os quais foram repelidos a ponto de baionetas havendo apenas dois leves ferimentos nas mão dos soldados Manuel Januário de Sant’Ana  e José Caetano de Oliveira, deste engenho marchamos com direção as matas do povoado de Nossa Senhora do Carmo e ali a noite colocamos tocalha e nada se pôde conseguir, no dia seguinte, regressamos para Divina Pastora e ao chegar no engenho Periperi, encontramos a força da cidade de Maroim batendo as matas do mesmo engenho, ali prestamos toda coordenação precisa e nada se conseguindo, continuamos a marcha para aquela vila; quando chegamos ao engenho Vassoura vinha a nossa procura o escravo Seberino, do proprietário Flor da Roda, termo da cidade de Laranjeiras, e entregando-me uma carta vi que se achava em uma das suas senzalas do mesmo engenho, o chefe dos quilombolas João Mulungu. &lt;br /&gt; As 10 horas da noite marchamos e encontramos com o referido escravo Seberino, no engenho Velho Tanque de Moura e ali chegamos as 2 horas da manhã e não encontrando o dito escravo, nos refugiamos para o centro de um grande bananeiral e mandamos o soldado José Francisco da Rocha em camisa, ceroula e chapéu ver se encontrava o escravo Seberino como de fato poucas horas depois chegou dando parte que João Mulungu andava fora, porém que nós confiássemos que até no meio dia chegaria. &lt;br /&gt; As 11 horas e meia do dia chegou o Seberino e deu parte que, João Mulungu se achava em descanso com seu inseparável companheiro no centro de um grande canavial debaixo de uma árvore; a vista do que marchamos sem perda de tempo e em pequena distância apiou-se o Sr. Doutor Juiz Municipal e o Alferes  Marcolino, montados em seus cavalos dos praças de confiança. Mandei que seus guardas franqueassem pela esquerda, nove carregasse pela retaguarda e eu com três praças a cavalo atacamos pela frente.&lt;br /&gt; Logo que os dois quilombolas sentiram a primeira apressam, um entregou-se e João Mulungu desligando-se das mãos de três soldados  evadiu-se a toda carreira deixando as armas composta de uma pistola  de alcance carregada e um facão grande de ponta; não perdi tempo em persegui-lo com os praças montados que a distância de duzentos passos mais ou menos foi arrojado no chão com um pequeno golpe na cabeça&lt;br /&gt; Não tenho expressão para demonstrar a Vossa Senhoria os serviços prestados pelo incansável Doutor  Juiz Municipal Manoel Cardoso Vieira de Melo, Alferes Marcolino de Souza Franco, e os 18 praças constantes da relação junta. Aproveito da ocasião para felicitar a Vossa Senhoria pela captura de tão audaz criminoso que a longos anos causa grandes horrores aos habitantes de minha província. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Deus guarde a Vossa Senhoria&lt;br /&gt; Quartel em Divina Pastora,  21 de janeiro de 1876.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor Doutor Vicente de Paula Cascaes Telles&lt;br /&gt;M.D. Chefe de Polícia desta Província&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      João Baptista da Rocha Banha&lt;br /&gt;            Capitão Comandante da Diligência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A relação nominal dos praças que fizeram parte na captura do chefe dos quilombos João Mulungu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vicente Domingos dos Santos&lt;br /&gt;Benevindo José do Espirito Santo&lt;br /&gt;João Antônio dos Santos&lt;br /&gt;Francisco Manoel de Jesus&lt;br /&gt;José Francisco Souza&lt;br /&gt;João Manoel Vicente da Cruz&lt;br /&gt;Domingos Alves Pereira&lt;br /&gt;Antônio Quirino dos Santos&lt;br /&gt;Manoel Corrêa Lima&lt;br /&gt;Hermildo Pereira Vasconcelos&lt;br /&gt;José Caetano de Oliveira&lt;br /&gt;Manoel Januário de Sant’Ana&lt;br /&gt;Dorindo de Amaral Pinto&lt;br /&gt;Manoel Gomes de Lima&lt;br /&gt;Baldomiro Pereira&lt;br /&gt;José Lima de Sant’Ana&lt;br /&gt;Manoel dos Anjos Lima&lt;br /&gt;João Baptista de Oliveira&lt;br /&gt;                  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                          Quartel em Divina Pastora, 21 de janeiro de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                               &lt;br /&gt;                                                           Rocha Banha&lt;br /&gt;                                                        Capitão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Tenho a honra de comunicar a Vossa Senhoria que ontem ao meio dia capturei nos Canaviais do Engenho Flor da Roda, os chefes dos Quilombolas João Mulungu e  um seu companheiro. O incansável Doutor Juiz Municipal desta Vila não se poupou as grandes virgilais de cinco dias e cinco noites até o fim da captura dos referidos quilombolas e bem afim o alferes comandante do destacamento Marcolino de Souza Franco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Deus guarde a Vossa Senhoria da Divina Pastora, 21 de janeiro 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor Doutor Vicente de Paula Cascaes Telles&lt;br /&gt;M.D. Chefe de Polícia desta Província.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                  João Baptista da Rocha Banha&lt;br /&gt;                                                 Capitão Comandante da Diligência&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Acho-me agora mesmo interrogando celebérrimo quilombola João Mulungu, por mim e pelo bravo Capitão Rocha, e mais companheiros, capturados ontem no Engenho, digo,  no Canavial do Engenho Flor da Roda. Fico cheio de satisfação pelo meu triunfo que mim custou cinco dias e cinco noites de fadigas, em ter cumprido o que a Vossa Senhoria prometi. Amanhã aí deverei chegar no vapor, pois desejo ir pessoalmente entregá-lo a Vossa Senhoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Deus guarde Vossa Senhoria, Divina Pastora, 21 de janeiro de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor Doutor Vicente de Paula Cascaes Telles&lt;br /&gt;M.D. Chefe de Polícia desta Província&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                                                         O Juiz Municipal&lt;br /&gt;                                               Manoel Cardoso Vieira de Melo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Documento n.º 26&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Presidência                         22 de janeiro de 1876&lt;br /&gt;N.º 11&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Agora mesmo cinco e meia horas da tarde chega preso pela força que há oito dias expedi, o célebre João Mulungu, chefe dos Quilombolas desta Província e um outro seu companheiro.&lt;br /&gt; Cumpre-me por hora dizer a Vossa Excelência que aos esforços do Manoel Vieira Cardoso de Melo, Juiz Municipal do termo de Divina Pastora e do Capitão de Polícia João Baptista da Rocha Banha deve-se um bom êxito dessa diligência, e a mim cabe a satisfação de ver realizada tão importante diligência com o sucesso.&lt;br /&gt; Aguardo as partes oficiais que minuciosidade levo aos conhecimento de Vossa Excelência todo o ocorrido. Assim com o que colher de autos de perguntas que terei de amanhã proceder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SP1 – 636&lt;br /&gt;J – 39  -  J – 21&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Registro Geral: 86&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capela                                                Ao Promotor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;13 26 de Janeiro de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Remeto a Vossa Excelência cópia do interrogatório feito ao quilombola João Mulungu afim de que Vossa Excelência denuncie se assim entender pelo crime de tentativa de morte perpetrado contra os escravos do proprietário do engenho Junco desse Termo esse quilombola acha-se recolhido a casa de prisão desta Capital, como fugido do poder de seu senhor. Assim pode Vossa Excelência requisita-lo por intermédio do Juiz Municipal para assistir ele a formação de culpa. &lt;br /&gt;           &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Documento n.º 30&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Dr. Promotor do Rosário.&lt;br /&gt;26 de Janeiro de 1876. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Remeto a V.S. – Cópia do interrogatório feito ao quilombola João Mulungu, afim de que V.S.  o denuncie, se assim o entender, pelo crime de morte que ele com outros comparsas Ter cometido nesse termo.&lt;br /&gt; Esse quilombola acha-se recolhido a casa de prisão desta capital como  fugido do poder de seu senhor. Assim pode V.S.  requisitá-lo por intermédio do Juiz Municipal para assistir-lhe a formação de culpa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SP1 – 585&lt;br /&gt;J – 19  - J – 39&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Registro Geral n.º 90&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Laranjeiras                                  Ao Doutor Juiz Municipal&lt;br /&gt;N.º 12                                         Em 25 de Janeiro de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Segundo a requisição de Vossa Excelência  em seu Ofício de 23 do corrente.&lt;br /&gt; Seguem devidamente escoltados os escravos Mathias José dos Santos, Daniel, Benedito (. . .) e escravos, não segue também já o escravo João por se achar em tratamento na enfermaria. &lt;br /&gt; Quanto a José Cupertin, já dei as necessárias ordens para lhe ser reme (. . .) outros, (. . . ) na cidade São Cristóvão onde se acha aquele réu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anexo nº&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Doutor Promotor de Rosário&lt;br /&gt;26 de Janeiro de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Remeto a Vossa Senhoria cópia do interrogatório feito ao quilombola JÕAO MULUNGU, afim de que Vossa Senhoria o denuncie, assim o entender, pelo crime de morte que ele com outros confessa Ter cometido neste Termo. &lt;br /&gt; Esse quilombola acha-se recolhido a Casa de Prisão desta Capitão, como fugido do poder do seu senhor. Assim possa Vossa Senhoria (. . .) por intermédio do Juiz Municipal que assiste a formação de culpa. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Arquivo Público do Estado de Sergipe&lt;br /&gt;Ref.: SP1 – 585&lt;br /&gt;Registro Geral n.º 58&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Delegacia de Nossa Senhora de Capela, 27 de Janeiro de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tendo chegado ao conhecimento desta Delegacia que fora capturado o célebre João Mulungu, e tendo este cometido neste Termo alguns  crimes (. . .) de tentativa de morte na pessoa do Tenente Manoel de Oliveira Matos, proprietário do engenho Junco Novo, o qual se acha provado e porque não ficou (. . .) este crime de tamanha gravidade (. . .) peço a Vossa Senhoria afim de no prazo de entender justo manter  o referido Mulungu para cadeia desta Vila para ser processado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Deus guarde a Vossa Senhoria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor Doutor Vicente de Paula Cascaes Telles&lt;br /&gt;M.D. Chefe de Polícia desta Província&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Deocrecio do Carmo Andrade&lt;br /&gt;                    Delegado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Arquivo do Estado de Sergipe&lt;br /&gt;Ref.:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FEVEREIRO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Registro Geral n.º 78&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor Doutor Juiz Municipal&lt;br /&gt;Machado                          3 de fevereiro de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Perante Vossa Senhoria queixou-se Luiz Madureira Maynart, branco, solteiro e natural desta Província de Sergipe, com residência neste Termo de divina Pastora, contra os escravos, João Mulungu, crioulo, preso na Capital desta Província, do domínio proprietário  João Pinheiro de Fraga, morador no Termo de Laranjeiras, Quirino, crioulo, pertencente ao proprietário Manoel de (. . .) Faro, residente no Termo de Rosário, Manoel e Malaquias, primos, pardo, preso na dita cadeia, e o crioulo fugido, ambos pertencentes a João Augusto Ferraz, que os comprou para assim a ( . . . ) mesmo Maroim, morador no Termo de Aracaju; sendo o motivo de sua queixa o  seguinte, digo, Aracaju; Cassiano escravo (. . . ) Tenente Coronel João D’Aguiar, morador no Termo de  Maroim; Pedro escravo do proprietário do engenho (. . .) do cidadão João Ignácio; Manoel (. . .)escravo do proprietário de sua(. . .) partes seguintes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Registro geral n.º 06&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Perante mim, queixa-se o cidadão Luiz Barbosa Madureira Mainart, contra os escravos João Mulungu, ora preso na Capital desta Província do domínio de João Pinheiro de Fraga, morador no Termo de Laranjeiras. Levino, escravo Manoel de Azevedo Faro, residente no Termo do Rosário, Manoel e Malaquias, pertencentes a José Augusto Ferraz que os comprou para comissão, Cassiano, escravo do Tenente Coronel João Aguiar, do Termo de Maroim, Pedro, escravo do cidadão José Ignácio do engenho Cambão, Manoel Jurema, escravo do Capitão Paulo este e aquele, ambos do Termo de Laranjeiras e como se acha nesta cadeia o escravo Manoel, afim para que o dono o tem é embarca-lo, previno a Vossa Senhoria para que o empate que na ocasião de ser inquiridos requisitarei a vinda dele, assim como a de João Mulungu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Deus salve a Vossa Senhoria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Vila de Divina Pastora, 04 de fevereiro de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor Doutor Vicente de Paula Cascaes Telles&lt;br /&gt;M.D. Chefe de Polícia desta Província&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        O Juiz Municipal&lt;br /&gt;               Manoel Cardoso Vieira de Mello&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;G – 21&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Registro Geral n.º 03&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2ª  Secção&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Capela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tendo este Juízo designado o dia 18 do corrente pelas 10 horas da manhã para ter lugar a inquisição das testemunhas do processo que por denuncia do Doutor Promotor Público se vai instaurar contra o escravo João Mulungu e outros por crime e roubo, vou pelo presente requisitar a Vossa Senhoria, necessárias providências para que seja remetido com a presença de segurança para esta Vila afim de assistir a formação de culpa, devendo ser acompanhado por praças da Capital visto (. . .)  de pequeno destacamento (. . . ) lugar não se dispensar praça alguma por se achar guardando também dois criminosos que se acham respondendo o processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Deus Guarde Vossa Senhoria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Juiz Municipal da Vila de Rosário, 7 de fevereiro de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor Doutor Vicente de Paula Cascaes&lt;br /&gt;M.D. Chefe de polícia desta Província&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        O Juiz Municipal&lt;br /&gt;             Joaquim José Gomes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cm3 - 38&lt;br /&gt;J - 18&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentativa de Morte &lt;br /&gt;por João Mulungu&lt;br /&gt;Capela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A 2ª Secção&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Logo que me foi entregue o ofício de Vossa Senhoria sob n.º 13 de janeiro do mês próximo findo, dirigido a esta Promotoria, passei a indagar as provas que haviam a respeito da tentativa de morte praticada pelo quilombola João, na pessoa do proprietário do engenho Junco Novo, deste Termo, Manoel de Oliveira Mattos, colegidas elas, formulei a denuncia, que já se acha em poder do Doutor Juiz Municipal o qual tem de requisitar o referido escravo para esta Vila. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Deus Guarde a Vossa Senhoria, Capela 07 de fevereiro de 1876.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor Doutor Chefe de Polícia&lt;br /&gt;Vicente de Paula Cascaes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       O Promotor Interino&lt;br /&gt;      Antônio Noutel Ayres de Souza&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cm3 - 38&lt;br /&gt;C - 24&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Documento n.º 24&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Comandante do Destacamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16 de Fevereiro de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Entrego (. . .) a Antônio Miguel o preso a (. . . ) que lhe requisitado ao saldado Valeriano (. . . ) nesta (. . . ) termo os pareceres presidenciais afim de que seja igualmente pago (. . .) Manuelino Messias da Conceição que também adiantou dinheiro ao referido soldado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J - 26&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Documento n.º 15&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capela &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        16 de fevereiro de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Para poder seguir convenientemente escoltado para Rosário a requisição ao Juiz Municipal o escravo João Mulungu, que ali vai assistir a formação de culpa por denuncia dada pelo Promotor Público da Comarca peço a Vossa Excelência que se digne dar suas ordens afim de serem hoje mesmo apresentados 3 praças de confiança para o indicado fim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SP1  636&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosário       Ao Doutor Juiz Municipal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N.º 22      Em 16 de fevereiro de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Segue devidamente escoltado o réu escravo João Mulungu, que nessa Vila vai assistir a formação do Processo que contra o mesmo vai instaurar, segundo a requisição de Vossa Excelência contida no Ofício de 07 do corrente, peço a Vossa Excelência que logo que concluir os trabalhos daquele processo favor regressar o dito criminoso para esta Capital em cuja cadeia existe mais segurança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SP1  585&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Divina Pastora     Ao Doutor Juiz Municipal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N.º 26             Em 17 de fevereiro de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em resposta ao ofício de Vossa Senhoria de 11 do corrente em que se requisita aos escravos João Mulungu e Manoel - declaro-lhe que deixam de seguir ambos,  o primeiro porque foi requisitado para o mesmo fim, pelo Juiz Municipal do Rosário e o segundo por ter sido entregue ao seu senhor e enforcado para fora da Província.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; - 585&lt;br /&gt;A - 1&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ofício&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Existindo neste juízo, uma denuncia contra alguns escravos, dentre os quais se encontra compreendido, dois que se encontram na cadeia desta Capital, que são JOÃO MULUNGU, pertencente aos proprietários de engenho (. . .) e Menoel Jurema, pertencente a José Augusto Ferraz, requisito a Vossa Senhoria, que com urgência os remeta para esta Vila afim de referem os processos.&lt;br /&gt; Outrossim, torna-se preciso que Vossa Senhoria os remeta pela presença da companhia de policiais visto o destacamento desta Vila se achar em diligência sob o comando do capitão João Baptista da Rocha Banha. Peço a Vossa Senhoria todo o preso cito, com o dia marcado, para inquisição das testemunhas, é o dia 18 do corrente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Deus Guarde Vossa Senhoria, Divina Pastora, 17 de fevereiro de 1876. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilmº.  Sr. Vicente de Paula Cascaes&lt;br /&gt;M.D. Chefe de Policia desta Província.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Juiz Municipal&lt;br /&gt;       Manoel Cardoso Vieira de Mello&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Documento n.º 23&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Divina Pastora    ao Dr. Juiz Municipal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N.º 26     em 17 de fevereiro de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em resposta ao Ofício de V. Exa.  de 15 do corrente em que requisita os escravos João Mulungu e Manuel declaro-lhe que deixam se seguir amanhã o prisioneiro para que foi requisitado para o mesmo fim, pelo Juiz Municipal do Rosário e segundo por ter sido entregue a seu senhor e embarcado 16ª folha da primavera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SP1 -  585&lt;br /&gt;J - 27          J - 16&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capital      Ao Vice Presidente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N.º 27      em 18 de fevereiro de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Para poder seguir convenientemente escoltado para o Rosário. A requisição do respectivo Juiz Municipal o réu escravo João Mulungu que ali vai assistir a formação de culpa por denuncia dada pelo Promotor Público da Comarca, peço a Vossa Excelência que se digne dar suas ordens afim de me serem hoje mesmo apresentados 3 praças de confiança para o indicado fim:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SP1 - 636&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Acho-me agora mesmo interrogando o celebérrimo quilombola João Mulungu, por mim e pelo bravo Capitão Rocha, e mais companheiros, capturado ontem com mais outro no engenho, digo no canavial do engenho Flor da Roda, fico cheio de satisfação pelo meu triunfo que me custou cinco dias e cinco noites de fadigas, em ter cumprido o que a Vossa Senhoria prometi. &lt;br /&gt; Amanhã aí deverei chegar no vapor, pois desejo ir pessoalmente entregá-lo a Vossa Senhoria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Deus Guarde a Vossa Senhoria&lt;br /&gt;      Divina Pastora, 21 de fevereiro de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor Doutor Vicente de Paula Cascaes Telles&lt;br /&gt;M.D. Chefe de Polícia desta Província.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Juiz Municipal&lt;br /&gt;                      Manoel Cardoso Vieira de Mello&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;F - 22&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Presidente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;29 de fevereiro de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A bem do Serviço Público proponho a Vossa Excelência que fique (. . .) a Juiz Municipal de Divina Pastora o Capitão João Baptista da Rocha, o qual hora ali se acha em diligência para captura de (. . .) devendo vir para a Capital, Marcolino de Souza Franco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SP1 636&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MARÇO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Presidência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N.º 70       em 27 de março de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tendo de seguir hoje as 3 horas da tarde para Vila do Rosário o réu João Mulungu e mais dois para entrarem em julgamento naquele Termo, peço a Vossa Excelência se digne dar suas ordens afim de que me sejam   apresentados os mesmos réus, aquela Vila. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SP1 636&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ABRIL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Tenente João Batista da Rocha&lt;br /&gt;Comandante do Destacamento de Rosário&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16 de abril de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tenho em vista o Ofício que Vossa Senhoria, dirigiu-me em 10 do corrente e fico inteirado das diligências que procedeu para a captura dos quilombolas, especialmente do João Mulungu . . .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SP1  -  579    APES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MAIO                                       &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juízo Municipal da Vila de Capela em 04 de maio de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Vou pelo presente rogar a Vossa Senhoria que digne-se de dar suas ordens para ser remetido o mais breve possível o escravo João Mulungu, afim de assistir aqui a um processo que se lhe vai instaurar, a requerimento do Ministério Público, por crime de tentativa de morte. &lt;br /&gt; Não fiz a requisição há mais tempo, porque não convinha conservar um criminoso de tanta importância na cadeia desta Vila quem até poucos dias não oferecia segurança alguma e se acham mesmo em consertos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Deus Guarde a Vossa Senhoria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor Doutor Chefe de Polícia desta Província&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         O Juiz Municipal&lt;br /&gt;          Benvindo Pinto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CM3 - 38&lt;br /&gt;D - 23&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Documento n.º 50&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor. &lt;br /&gt;(. . . ) a 6 de maio de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tendo designado a dia 10 do corrente às 12 horas, para ter lugar em casa da Câmara Municipal. A inquisição das testemunhas no processo de calúnias assacadas por Francisco José Alves ao Capitão Pedro Antônio de Oliveira Ribeiro, e sendo uma declaração ao Capitão João Baptista da Rocha Banha, que se acha na Vila de Nossa Senhora de Divina Pastora destacado, requisito de Vossa Senhoria o comparecimento da (. . . )&lt;br /&gt; Testemunhas no dia hora a lugar acima declarado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Deus Guarde a Vossa Senhoria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Aracaju, 5 de maio de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor Doutor Vicente de Paula Cascaes Telles&lt;br /&gt;Muito Digne de Polícia desta Província&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        &lt;br /&gt;        O Juiz Municipal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capela       Ao Doutor Juiz Municipal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N.º 107      em 11 de maior de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A este acompanhamento o seu escravo João Mulungu que segundo a requisição de Vossa Senhoria contida em Ofício de 4 do corrente, a que assiste a um processo que se (. . . ) vai instaurar por crime de tentativa de morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SP1  - 581&lt;br /&gt;M - 16&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Presidente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11 de maio de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Rogo a Vossa Senhoria que se digne em expedir suas ordens afim de que me sejam apresentados 2 praças para conduzirem o célebre criminoso João Mulungu até a Vila de Capela onde deve ser processado por crime de tentativa de morte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SP1 - 636&lt;br /&gt;K - 4&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Documento n.º 31&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juiz Municipal do Termo da Capela, ( . . .)&lt;br /&gt;19 de maio de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Acuso o recebimento do ofício de V. Exa. de 11 do corrente, o que acompanhava o criminoso João Mulungu que foi recolhido a cadeia desta Vila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Deus Guarde Vossa Excelência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor Doutor Chefe de Polícia da Província&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ref.: APES, CM3 38&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JUNHO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Laranjeiras    Ao Doutor Juiz Municipal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;N.º 122     6 de junho de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Seguem devidamente escoltado os réus José da Conceição Oliveira e João, escravo afim de serem submetidos a julgamento na próxima sessão do júri desse Termo, corrente Vossa Senhoria requisito-me em Ofício de 5 do corrente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SP1  585&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor Doutor Chefe de Polícia&lt;br /&gt;Ateste-se Secretaria de Polícia de Sergipe 15 de junho de 1876. &lt;br /&gt;O Delegado encarregado do expediente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em cumprimento ao Despacho retro, atesto afirmativamente quanto ao primeiro e segundo tópico da petição abaixo, e quanto ao seu último passado, segundo o Ofício do capitão João Baptista da Rocha Banha, fez o suplicante parte da diligência que capturou o calhambola João Mulungu.&lt;br /&gt; Marcolino de Souza Franco, Alferes do Corpo de Polícia desta Província, necessita a bem de seu direito que Vossa Senhoria se digne mandar atestar pela secretaria a cargo de Vossa Senhoria, se o suplicante faz parte da diligência pela qual foi capturado o quilombola João Mulungu, e bem assim se foi seu nome incluído no relatório apresentado a Presidência pelo antecessor de Vossa Senhoria, assim como o que constar a seu respeito no Ofício do Capitão João Baptista da Rocha Banha, Comandante daquela Diligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Nestes Termos&lt;br /&gt;      Pede Vossa Senhoria Deferimento&lt;br /&gt;                          E.R.M.el&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Aracaju, 21 de junho de 1876&lt;br /&gt;         Marcolino de Sacramento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SP1 - 397&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; (. . . )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Marcolino de Souza Franco, Alferes do Corpo de Policia desta Província, necessita a bem de seu direito que Vossa Senhoria se digne mandar atestar pela Secretaria a cargo de Vossa Senhoria, se o suplicante faz parte da diligência pela qual foi capturado o Quilombola João Mulungu, e bem assim se foi seu nome incluído no relatório apresentado a Presidência pelo antecessor de Vossa Senhoria assim como o que constar a seu respeito no Ofício do Capitão João Baptista da Rocha Banha, Comandante daquela Diligência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          Nestes Termos&lt;br /&gt;     Pede Vossa Senhoria Deferimento&lt;br /&gt;                                                                       E.F.M&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Aracaju, 21 de junho de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Marcelino Souza Franco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SP1  397  - APES&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JULHO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Comunica-me  o Tenente João Baptista da Rocha Banha, comandante do destacamento da Vila de Rosário, que o escravo de nome José, depois de achar-se há nove meses fugitivo, apresentou-se ao seu senhor, Luiz Barbosa Madureira, que (. . . ) insignifacante vestígios restam se gue(. . . ) quilombolas  naquele Termo e no de Divina Pastora, e que finalmente o grupo dirigido por João Mulungu consta-se  estar residindo na margem do rio Vaza-Barriz, junto ao engenho Itapuruá do termo de Itaporanga. &lt;br /&gt; Em vista disto, considero dispensável a presença do referido Tenente na Vila do Rosário, parecendo-me mais conveniente que tendo ele a sua disposição um destacamento volante, seja encarregado de promover a captura dos quilombolas no termo de Itaporanga. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;15 de julho de 1876&lt;br /&gt;Ao Presidente da Província&lt;br /&gt;Ref.: 381&lt;br /&gt;Remetente: Juiz Municipal  ou Chefe de Policia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AGOSTO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor  Doutor Chefe de Polícia da província&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tendo pago o imposto de exportação e da produção e achado se legalizado os documentos, dê-se o passaporte, pedido. Secretaria da Polícia de Sergipe 14 de agosto de 1876.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      O Delegado encarregado do expediente.&lt;br /&gt;           Antônio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Diz o Tenente Coronel João Gonçalves Franco morador em seu engenho FLOR DA RODA do termo de Socorro jura que tendo de exportar para o Rio de Janeiro a ser vendido o seu escravo Gregório, crioulo, solteiro, não podendo faze-lo podendo faze-lo sem passaporte e que aquele escravo é do serviço (. . . )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Laranjeiras 12 de agosto de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SP1  - 397&lt;br /&gt; 9 - U&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor Doutor Chefe de Polícia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Diz o Tenente Coronel João Gonçalves Franco, morador em seu engenho Flor da Rocha do Termo de laranjeiras que tendo de exportar para o Rio de Janeiro a ser vendido o seu escravo Gregório, crioulo (. . . ) não podendo faze-lo seus passaportes o qual escravo e os seus serviços a (. . . ) requerente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Pa Vossa Senhoria&lt;br /&gt;       passaporte ao dito escravo&lt;br /&gt;     visto achasse&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      E.R.M&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Laranjeiras, 12 de agosto de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SP1  - 393&lt;br /&gt;Y - 2&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capela &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        22 de agosto de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tendo de remeter para essa Capital o criminoso João Mulungu e não havendo aqui conforme declara-me hoje o Delegado de Polícia forças disponíveis para conduzir com necessária segurança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Conhecimento de Vossa Senhoria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Doutor Juiz Municipal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capela&lt;br /&gt;24 de agosto de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em resposta ao Ofício de Vossa Excelência de 22 do corrente cabe-me dizer que o Delegado de Polícia (. . . ) acha-se informado para fornecer 3 praças para acompanharem o escravo Mulungu até esta Capital conforme Vossa Senhoria requisita-me. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SP1 585&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Documento n.º 18&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao ( . . . )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capela     24 de agosto de 1876&lt;br /&gt;200&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em resposta ao ofício de V. Exa. de 22 do corrente. Cabe-me dizer que o delegado de polícia destes termos acha-se (. . .) 3 praças para acompanharem o escravo Mulungu até esta Capital. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J - 13&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SETEMBRO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Presidente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12 de setembro de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Rogo a Vossa Excelência se digne de expedi suas ordens no sentido de ser reforçado o destacamento da Vila do Rosário com mais de 5 praças, afim de ativarmos a captura do quilombola João Mulungu e outros não poderão ser presos na última diligência procedida pelo Tenente João Baptista da Rocha, e que segundo sou informado continua no Município a ameaçar a segurança individual. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SP1  - 636&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NOVEMBRO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em 11 de Novembro de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Remeto a Vossa Senhoria os presos, Manoel Jurema e Galdino, o 1º pronunciado no art. 192 do Código Criminal e no art. 269 do mesmo Código e o 2º no art. Da lei de 10 de junho de 1835 os quais deverão ser recolhidos a cadeia desta Capital visto não oferecer a desta Vila segurança até que sejam requisitados para só fins convenientes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Deus Guarde Vossa Senhor Vila de Divina Pastora 9 de novembro de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor Doutor Ângelo Pires Ramos&lt;br /&gt;M.D. Chefe da Polícia, desta Província Aracaju&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Juiz Municipal&lt;br /&gt;      Manoel Cardoso Vieira Mello&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cm3 - 39&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Divina Pastora   Ao Juiz Municipal&lt;br /&gt;N.º 280            Em 11 de Novembro de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ficam recolhidos  a casa de prisão desta Capital os réus Manoel Jurema e Galdino que acompanhado do Ofício a Vossa Excelência a que convém a fim de serem guardados até que sejam requisitados  por esse Juiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SP1  - 585&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Divina Pastora   Ao Juiz Municipal&lt;br /&gt;N.º 309     11 a 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Seguem nesta data convenientemente escoltado os réus Manoel Jurema e Galdino, conforme a requisição de Vossa Excelência constante em Ofício de 8 do corrente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SP1  - 585&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;DEZEMBRO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Documento n.º 49&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Vossa Excelência&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Requisito de V.S. os negros Manoel Jurema e Galdino, que se acham recolhidos na cadeia desta cidade para serem submetido a julgamento na próxima secção do Júri designado para o dia 18 do corrente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Deus Guarde a Vossa Vila de Divina Pastora 8 de dezembro de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilmo. Senhor Ângelo Pires Ramos&lt;br /&gt;M.D. Chefe de Polícia desta Província de Aracaju&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Juiz Municipal&lt;br /&gt;       Manoel Cardoso Vieira de Mello&lt;br /&gt;APES     Cn3  39&lt;br /&gt;Gildo A. Bezerra&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Documento n.º 14&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Vossa Excelência&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tendo requisitado a V. S. a três dias os presos Manoel Jurema e Galdino para (. . .) em julgamento próximo do júri que deve ter lugar no dia 18 do corrente mês, (. . . ) que (. . . ) deste não tenham chegado os referidos presos o que provavelmente (. . . ) lugar a não ver secção o segundo estou informando provei este fato de dever do comandante do corpo de polícia que cumpriria apreço parece ligar a seus deveres. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Deus Guarde a Vossa Divina Pastora 16 de dezembro de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilmo. Sr. Dr. Ângelo Pires Ramos&lt;br /&gt;M.D. Chefe de Polícia desta Província&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Juiz Municipal&lt;br /&gt;           Manoel Cardoso Vieira de Mello&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;APES, Cn3  39&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Documento n.º 32&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em resposta ao ofício de V.S. datado de 11 do corrente, no qual comunica o mesmo das prisões Manoel Jurema e Galdino, requisitados deste Juiz sendo ofício a V.S. que na prisão se acham recolhidos a cadeia desta vila.&lt;br /&gt; Entretanto devo lembrar a V.S. que teria sido feito a requisição há dias (. . .) que chegaram no (. . . ) Lei, neste com V.S. não (. . .) que (. . .) no lugar três dias  (. . .) meses antes do Juiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Deus Guarde a V. S. Divina Pastora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   17 de dezembro de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilmo. Sr. Antônio &lt;br /&gt;De Vasconcelos M.D Delegado&lt;br /&gt;Encarregado do Expediente da Polícia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Juiz Municipal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J - 38&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Remeto para cadeia desta Capital os réus escravos Manoel Jurema e Galdino, este condenado a prisão perpétua e aquele a pena última, ambos na secção do Júri dos dias 19 e 20 do corrente e apelados para relação do distrito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Deus Guarde a Vossa Senhoria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Juízo Municipal de Divina Pastora em 22 de dezembro de 1876. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor Doutor Ângelo Pires Ramos&lt;br /&gt;M.D. Doutor Chefe de Polícia da Província de Sergipe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        O Juiz Municipal&lt;br /&gt;            Manoel Cardoso Vieira de Mello&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cm3   39&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1872&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SETEMBRO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Documento nº 13&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Presidente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12 de Setembro de 1872.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Rogo a Vossa Excelência que se digne a expedir suas ordens no sentido de reforçar o destacamento da Vila de Rosário com mais 5 praças afim de ativarem a captura do quilombola João Mulungu e outros que não poderão ser presos na última diligência procedida pelo Tenente João Baptista da Rocha e que segundo sou informado continua  no município a ameaçar á segurança individual.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;439 / 12-9-1872&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;J/1&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1873&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JANEIRO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anexo&lt;br /&gt;Nº &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Presidente (. . .)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Municipal de Aracaju&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 24 de janeiro de 1873&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; A vista do oficio de que Vossa Senhoria dirijo-me em data de 23 do corrente (. . .) de providência de modo que sob a direção do fiscal da Comissão Municipal de Aracaju sejam encarregado alguns CONDENADOS A GALÉS e TRABALHOS PÚBLICOS do serviço da limpeza e (. . .) dos terrenos ocupados, auxiliando assim ao mesmo (. . .) que, segundo Vossa Senhoria mim declara, não pode pelo seu estado de finanças, comportar com as pesadas despesas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Arquivo Público do Estado de Sergipe&lt;br /&gt;Ref.: SP1: 579&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1873&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ABRIL&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anexo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nº&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Tenente João Baptista da Rocha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 de abril de 1873&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tendo-me expedido ordem nesta data para que siga o Tenente Jeremias Boto o (. . .) onde vai (. . .) o respectivo destacamento, fica Vossa Mercer em virtude disto encarregado além do comando da Força do Rosário que se acha destacado (. . .) Divina Pastora.&lt;br /&gt; Na direção de ambos os destacamentos espero que Vossa Mercer com a  atividade de que dispõem e deseja a bem servir, como tem dado provas, poderá realizar mais aproveitraveis diligências promovendo a captura dos quilombolas sobretudo dos chefes destes e ainda com especialidade  o de nome João Mulungu, cuja prisão é um grande passo para o esmerecimento dos escravos e destruição dos quilombos. &lt;br /&gt; Remeto-lhe a quantia de 50$000 para com as despesas (. . .) da requisição que Vossa Mercer (. . .) fim (. . .)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Arquivo Público do Estado de Sergipe&lt;br /&gt;Ref.: SP1: 579. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anexo&lt;br /&gt;Nº&lt;br /&gt;12-4-73&lt;br /&gt;16-4-73&lt;br /&gt;Quilombos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Excelentíssimo Senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No dia 7 do corrente assumir do Tenente Jeremias Roberto de carvalho o comando do destacamento de Divina Pastora e no dia seguinte fiz uma diligência  com o sub-delegado do Pé do Barro, nas matas do engenho Chapadão e Pisada Danta, não obstante os grandes esforços daquela tão (. . .) nada encontramos. &lt;br /&gt; Horas antes da minha chegada no Pé do Banco, o sub-delegado tinha mandado uma diligência para a captura de João Mulungu, porém foi malograda a diligência porque o (. . .) José Baptista onde se achava  oculto o referido quilombola, deu fuga a ele pela porta do quintal. &lt;br /&gt; Notei grande necessidade de ter cinco ou seis praças  destacados naquele Povoado porque de momento se pode tomar uma boa  impressão, estas praças ali expedirá suas respectivas ordens (. . .) de Divina Pastora para pagar as pequenas despesas que se efetuar com uma pequena casa, água e luz para eles, o cavalo tomado na diligência que se fez contra João Mulungu e que consta ser dele, acha-se em meu poder entregue pelo mencionado sub-delegado.&lt;br /&gt; O quilombola audaz de nome Rufino, companheiro de Vesceslaus, sendo-se perseguido com muitas diligências resolveu vir para a casa do seu senhor  onde se acha (. . .), não se tem preocupado contra ele porque o senhor acha-se em perigo de vida e receia-se que com alguma intimação  que receber para entregar o escravo, perigue o mesmo. &lt;br /&gt; Nada mais existe que mereçam a honrosa atenção de Vossa Senhoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Deus Guarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Vila de Rosário, 10 de abril de 1873. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilmº Srº. Doutor Manoel José Spindolo&lt;br /&gt;MD.  Chefe de Policia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Arquivo Público do Estado de Sergipe&lt;br /&gt;Ref.: SP1: 579&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anexo&lt;br /&gt;Nº&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Tenente João Baptista da Rocha&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;12 de abril de 1873&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Fico inteirado pelo seu oficio de 10 do corrente de naveres Vossa  Mercer no dia 7 tomado contra do destacamento de Divina Pastora.&lt;br /&gt; Fico igualmente ciente da diligência por Vossa Mercer feita para captura de quilombolas, bom como do que expõem sobre o de nome João Mulungu, cuja captura Vossa Mercer conseguindo como é capaz pela sua atividade e dedicação, terá prestado um valioso serviço á segurança individual e (. . .)&lt;br /&gt; Logo que chegou a Capital o Ilustríssimo Senhor Doutor Chefe de Policia nestes dois dias, se dará conhecimento (. . .) do seu oficio para que possa resolver como julgar a (. . .) acerca da permanência dos praças  no lugar por Vossa Mercer indicado.&lt;br /&gt; Por enquanto acho que as deve conservar no dito posto uma vez que assim Vossa Mercer julgue preciso. &lt;br /&gt; Quanto ao quilombola Rufino, que Vossa Mercer declara ter  recolhido a casa do seu senhor, cabe-me declarar-lhe que convém tomar as precauções necessárias, afim de que não escape a ação da justiça aquele escravo, para que seja punido dos crimes que tiver praticado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Arquivo Público do Estado de Sergipe&lt;br /&gt;Ref.: SP1 579&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anexo&lt;br /&gt;Nº&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Tenente João Baptista da Rocha&lt;br /&gt;Comandante do Destacamento de Rosário&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;16 de abril de 1873&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tendo em vista o oficio que Vossa Mercer dirigui-me em 10 do corrente, fico inteirado das deligências que procedeu para a captura dos quilombolas, especialmente João Mulungu.&lt;br /&gt; E para sentir-se que ainda (. . .) não pudesse prender aquele escravo. (. . .) Vossa Mercer que o será em breve capturado, tenho motivos para crer na continuação de seus esforços e atividade neste sentido. &lt;br /&gt; (. . .) a deliberação que tomou de (. . .) por enquanto alguma (. . .) no Termo de Rosário. &lt;br /&gt; A respeito do Tenente João Baptista (. . .) trata em seu oficio e cabe-me dizer-lhe que o mando por em liberdade para não poder tê-lo preso por mais tempo em vista da lei. &lt;br /&gt; Ficando todavia em meu poder os papeis relativo ao mesmo que me foram (. . .) pelo sub-delegado das quais darei oportunamente o destino conveniente a contestam as acusações. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Arquivo Público do Estado de Sergipe&lt;br /&gt;Ref.: SP1: 579&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1873&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JULHO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anexo nº&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Excelentíssimo Senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;QUILOMBOLOS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Apresentou-se com seu senhor Cândido Barbosa Madureira o quilombola José que há nove meses se achava fugido. &lt;br /&gt; Muito insignificante vestigios restam de quilombolas, neste Termo de Divina Pastora.&lt;br /&gt; O grupo dirigido por João Mulungu, consta-me que está resindindo na margem do Rio Vaz-Barriz, junto ao engenho Itaperoá (. . .) Vila de Itaporanga. &lt;br /&gt; É o que nesta data posso levar ao conhecimento de Vossa Excelencia a quem&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Deus Guarde&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; (. . .) na Vila de Rosário do Catete 12 de julho de 1873&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilmº Exmº Srº Doutor Manoel José Spindola&lt;br /&gt;MD.  Chefe de Policia da Província&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      João Baptista da Rocha&lt;br /&gt;        Tenente Comandante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Arquivo Público do Estado de Sergipe&lt;br /&gt;Ref.: SP1: 393&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1873&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AGOSTO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anexo nº&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Excelentíssimo Senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tenho a honra de passar as mãos de Vossa Senhoria o oficio do senhor Tenente Jeremias Roberto de Carvalho e o interrogatório feito pelo mesmo escravo José Maroim.&lt;br /&gt; Quanto a morte que declara o mesmo escravo ter ouvido dizer pelos quilombolas João Mulungu. Inocência, Cornélio, Maximiniano, e Aureliano, serem eles autores dela no Rio São Francisco, por terem sido perseguidos por dois paisanos, parece-me mentirosa porque se alguém fosse as autoridades das Cidades, Vilas e Povoados edificados na margem daquele rio, teriam comunicado a Vossa Excelência e (. . .) o (. . .) de dois anos e meses que estive em diligência capturando escravos fugidos, nunca me consta que houvesse morte praticada por quilombolas no lugar acima indicado. &lt;br /&gt; Durante a viagem que fizeram aqueles escravos para Itabaiana é (. . .) e parece-me que disso fez sair ante a Vossa Excelência por me ter informado o meu espia, porém chegando lá os ditos escravos não acharam dormindo e regressaram logo para as matas do engenho Areia Branca do Termo de Divina Pastora e daí resolveram-se a fixarem residência na margem do Rio Vaza_Barriz no lugar denominado Aldeia, conforme tudo declarou-me o último quilombola por mim preso em Divina Pastora, posteriormente a D. Maria Feliciana de Menezes, proprietária do engenho Bom Jardim, Termo de Rosário do Catete. &lt;br /&gt; Finalmente procedendo ontem e hoje a um longo interrogatório ao escravo Cornélio, respeito aos fatos que dizem ter ele praticado quando andava fugido, respondeu-me todas as perguntas (. . .) pela negativa e pelas próprias respostas que me dava e a fisionomia do seu caráter, parece que este escravo não cometeu crime de homicídio algum como lhe imputaram, o que demonstra é ser ele dotado de muita sagacidade. &lt;br /&gt; Não obstante Vossa Excelência se informa á de pessoas mais habilitadas que tenham pleno conhecimento das ações praticadas por este escravo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Deus Guarde Vossa Excelência.&lt;br /&gt; Guarda da Cidade, na Capital em 7 de agosto de 1873.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilmº Exmº Srº Doutor Manoel José Spindola&lt;br /&gt;MD. Chefe de Policia desta Província&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       João Baptista da Rocha&lt;br /&gt;       Tenente&lt;br /&gt;Fonte: Arquivo Público do Estado de Sergipe&lt;br /&gt;Ref.: SP1: 393&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1873&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SETEMBRO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anexo&lt;br /&gt;Nº&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Presidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 2 de Setembro de 1873.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tendo conhecimento de que se acha nas imediações do Termo de Rosário o escravo João Mulungu, um dos poucos quilombolas que resta a ser capturado e que é reputado o Chefe mais Temivel  deles, havendo probabilidade de efetuar-se a prisão do mesmo e mais 8 ou 10 escravos que se acham em sua companhia.&lt;br /&gt; Tomei tal deliberação de mandar o Tenente João Baptista com 6 praças do Corpo de Policia afim de reunindo-se ao destacmento do Rosário proceder a captura do referido MULUNGU e seus companheiros fora feita a toda presteza. O que levo ao conhecimento de Vossa Senhoria pedindo se digne em dar-me sua aprovação. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Arquivo Público do Estado de Sergipe&lt;br /&gt;Ref.: SP1: 564&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anexo nº&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Procedendo algumas perguntas aos quilombolas que foram ontem recolhidos a cadeia desta Capital, obtida dos mesmos as respostas seguintes, José Maroim diz que se achava fugido há três meses e durante este tempo andava pelas matas dos engenheiros Limeirão, Bete, Quindongá, Brejo e São José, sempre acompanhado de João Mulungu, Bacurau, Venseslaus, Antonio, Marcelino, Felix, (. . .) Jacinto, Leandro, Mathias, Coutinho, Horácio , Vicencia, Francisco, Thomásia, Luiza, Brigida, e uma mulher forra de nome Conceição e que do mesmo deste foram presos Venseslaus, Felix e morto Jacinto e Leandro; Antônio, Inocêncio e Conceição acham-se de residência nas matas do engenho Brejo, disse mais que todos tinham comunicação com os escravos dos engenhos Brejo, disse mais que todos tinham comunicação com os escravos dos engenhos Limerão e São José e nunca lhe constam que seus companheiros tivessem perpetrado algum disse que pertenciam ao proprietário do engenho Cardo e que fugiu porque tendo o seu senhor lhe entregado uma carga de genero para ele José Maroim trazer do Povoado do Riachuelo para o   (. . .) engenho Corão foi atacado pelos quilombolas em caminho e tomado-lhe a carga e que por esse motivo seu senhor o queria castigar rigorosamente. &lt;br /&gt; Estevão escravo do proprietário do engenho Cajueiro, diz que se achava fugido há três semanas e andava em procura de novo senhorio porque o atual o maltratava sem piedade pelo que foi obrigado a fugir. &lt;br /&gt; Francisca, escrava de Guilherme, morador na rua de Capela, diz que se achava fugida de quatro para cinco anos e durante esse tempo sempre se conservava em companhia dos companheiros de João Mulungu e que fugiu por não agüentar os castigos de sua senhora. &lt;br /&gt; Thomásia, escrava do proprietário do engenho Santa Barbara José Sutoro, diz que se achava fugida há 3 anos e durante esse tempo estava em companhia dos quilombolas já explicitados, tendo concebido 3 filhos, um aborto, outro morreu de mal de 7 dias e o último desapareceu do rancho e que nunca lhe disseram onde tinham o colocado, fugiu por não poder suportar os castigos de sua senhora Maria Senhirinha, fôrra, diz que foi raptada por João Mulungu e Mathias no dia de ao Pedro no engenho Brejo, está no mato há dois meses e dias. &lt;br /&gt; Nada mais disseram que mereceria a atenção de Vossa Excelência a quem Deus Guarde.&lt;br /&gt; Casa de Prisão com Trabalhos&lt;br /&gt; Aracaju, 5 de setembro de 1873&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilmº Exmº Srº Doutor Manoel José Spindola&lt;br /&gt;MD.  Chefe de Policia desta Província.&lt;br /&gt;      João Baptista da Rocha&lt;br /&gt;       Tenente&lt;br /&gt;Fonte: Arquivo Público do Estado de Sergipe&lt;br /&gt;Ref.: SP1: 393&lt;br /&gt;Anexo nº&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Presidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 de Setembro de 1873&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tendo a honra de levar ao conhecimento de Vossa Senhoria, o resultado da diligência de que foi por mim incumbida no dia 2 do corrente o Tenente João Baptista da Rocha, para a captura do escravo JOÃO MULUNGU e outros quilombolas.&lt;br /&gt; Partindo desta Capital com 6 praças reunindo a estes mais 6 do destacamento de Rosário, procedeu o Tenente Rocha e cerco nas matas do engenho São José, onde suspeitava-se a existência de quilombolas. Em caminho encontrou um escravo que confessando achar-se fugido há muitos dias, foi imediatamente preso.&lt;br /&gt; Em seguinda se (. . .) apresentou um outro, encarregado pelo Tenente Coronel João Gonçalves de Siqueira Maciel de guia-lo até os ranchos dos quilombolas. &lt;br /&gt; Dirigindo-se a lugares em que havia probabilidade de serem eles encontrados, encontrou 15 ranchos com 14 escravos.&lt;br /&gt; Apesar dos esforços empregados, pode somente capturar 4, inclusive uma preta de 13 anos mais ou menos, que seria uma companhia de João Mulungu.&lt;br /&gt; Foram surpreendidos um rancho, dois cavalos, um canivete, uma pistola, algumas foices e outros objetos. &lt;br /&gt; Como vê Vossa Senhoria, não pode ser capturado o escravo João Mulungu e todos os outros que o acompanhavam por motivos superiores a vontade do oficial, como fosse o pouco número de praças e a circunstância de serem os ranchos todos de palha o que muito facilitou a fuga dos escravos. &lt;br /&gt; Não sendo, entretanto improfícua a diligência pois que algum resultado (. . .) tornou-se mais como ver  (. . .) de minha convicção o Tenente João Baptista da Rocha, pela dedicação como que sempre se porta ao serviço público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: arquivo Público do Estado de Sergipe&lt;br /&gt;Ref.: SP1: 564&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anexo nº&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Excelentíssimo Senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5 de Setembro de 1873&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em cumprimento as ordens de Vossa Excelência recebidas em 2 do corrente, marchei com seis praças ate a vila do rosário e ali reuni seis ditos do destacamento da mesma Vila e as 11 horas da noite, segui com ele e um oficial da justiça para cercar os quilombolas nas matas do Engenho São José (. . .) próximo a propriedade do mesmo engenho que fica no termo da Vila de Japaratuba em caminho encontrei um negro que foi imediatamente preso e confessou estar fugido ha muito dias, mas alem encontrei um outro montado a cavalo, este dirigiu-se a força perguntado pelo comandante, apresenta-me chamou de parte e disse-me que estava encarregado pelo Ilustríssimo Tenente Coronel João Gonçalves de Siqueira Maciel de guiar-me ate os ranchos dos quilombolas. Perguntei por mais de uma vez quanto era os ranchos dos quilombolas, respondia-me sempre que eram dois e que um deles existiam JOÃO MULUNGU, Bacurau, Mathias e quatro negros. Segui com a força e chegando no lugar indicado em vez de encontra-me com dois ranchos e sete escravos fugidos, encontre-me com cinco ranchos dispersos contendo neles 14 quilombolas dos quais foram presos quatro que se acham recolhidos na Casa de Prisão com Trabalhos desta cidade, estando incluído no número deste, uma preta de idade pouco mais ou menos 13 anos que diz ser fôrra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Vossa Excelência não ignora que uma casa tapada toda de palha é facílimo qualquer pessoa sendo atacada pela porta da rua evadir-se não só pelo fundo como pelos lados como aconteceu, porque o diminuto número de praças que tinha na ocasião não chegou para se proceder o  cerco como se devia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; De 12 praças que marcharam sob meu comando, uma ficou guardando os cavalos que não podiam penetrar no mato e duas esmoreceram, procedendo-se a captura dos quatros quilombolas com nove praças.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Pessoas alguma terá e com razão, mais desejo de capturar o quilombola JOÃO MULUNGU, do que seja eu, PORQUE DESDE 11 DE FEVEREIRO DE 1871, que minha vida corre perigo e em ocasião do cerco estou vendo a fatal hora de desaparecer a minha vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Peço submisso desculpas de não ter satisfeito os desejos de Vossa Excelência, foram apreendido no rancho os objetos seguintes, dois cavalos, um canivete, uma pistola, algumas foices, uma (. . .) dois pares de malas de cipó, um selim de montaria e algumas roupas de ambos os sexos, cujos foram entregue ao subdelegado  de policia da Vila do Rosário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Deus Guarde a Vossa Excelência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Aracaju 4 de setembro de 1873&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Excelentíssimo Senhor Doutor Manoel José Spindola&lt;br /&gt;M.D. Chefe de Policia desta Província&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     João Baptista da Rocha&lt;br /&gt;     Tenente Comandante da Diligência&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Arquivo Público do Estado de Sergipe&lt;br /&gt;Ref.: SP1: 393&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anexo nº&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Presidente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; 12 de setembro de 1873&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Rogo a Vossa Excelência que se digne a expedir suas ordens no sentido de ser reforçado o destacamento da Vila de Rosário com mais 5 praças afim de ativarem a captura do quilombola JOÃO MULUNGU e outras que não poderão ser presos na última diligência procedida pelo Tenente João Baptista da Rocha e que segundo sou informado continuara no município a ameaçar a segurança individual. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Arquivo Público do estado de Sergipe&lt;br /&gt;Ref.: SP1: 393&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1874&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JULHO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anexo nº&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor Doutor Chefe de Polícia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Eu o Tenente Coronel João Gonçalves de Siqueira Maciel, morador no Engenho Jerichó, do Termo de Rosário, que sendo senhor e possuidor do escravo Manuel, actualmente recolhido a cadeia desta Capital. Como prova com a escritura junta, vem requerer a Vossa Senhoria se digne ordenar que lhe seja entregue o dito escravo, visto como se acha livre de qualquer imputação oriminosa, e desembaraçado de qualquer pendência Judicial. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Nestes Termo, &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Como requer, Aracaju 29 de julho de 1874&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Pede A Vossa Senhoria Deferimento&lt;br /&gt;     E. R. M. ce&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Aracaju 23 de julho de 1874&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; João Gonçalves de Siqueira Maciel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Arquivo Público do Estado de Sergipe&lt;br /&gt;Ref.: SP1 - 397&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Traslado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Escritura de compra e venda que faz o Tenente Coronel João Gonçalves de Siqueira Maciel a Francisco Alves de Souza, morador no Termo da Capela do escravo Manuel, preto, solteiro, de idade vinte e cinco anos e do serviço de lavoura, pela quantia de um conto de réis, como abaixo se declara. Saibam quantos este público instrumento de escritura de compra e venda que no ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e setenta e quatro aos vinte e quatro dias do mês de fevereiro do dito ano, neste sítio Magalhães Trevo da Vila de Japaratuba onde em tabelião a (. . .) sem  comparecerão partes autorgantes havidas e constituidas, a saber como autorgante vendedor Francisco Alves de Souza, morador na Pedra Branca e como conspirador o Tenente Coronel João Gonçalves de Siqueira Maciel, proprietário do Engenho Jerichó Termo da Vila do Rosário e reconhecidos do mesmo Tabelião e das testemunhas abaixo nomeado do que dou fé e peço primeiro autorgante vendedor Francisco Alves de Souza foi dito em presença das mesmas testemunhas que o escravo Manuel preto de idade vinte e cinco anos, pouco mais ou menos, solteiro e do serviço da lavoura matriculado na colheita da Vila de capela, primeiro de julho de mil oitocentos e setenta e dois sob número mil oitocentos e trinta e na relação em nele a quantia de um conto e trinta mil réis, que houve por doação de seus pais Manoel José Alves e dona Maria José de Sant’ana, e estes precisam para herança de sua finada mãe e sogra Dona Maria José Sant’ana vende o referido escravo ao Tenente Coronel João Gonçalves de Siqueira Maciel pelo preço e quantia certa de um conto de réis o escravo se acha livre e desembaraçado de qualquer embargo,  hipoteca, e cuja  quantia lhe foi logo entregue pelo dito comprador em moeda legal, quitação de prazo e satisfeito para mais tempo algum ela não (. . .) nem por  (. . .) e nem por  (. . .) e nem por seus herdeiros, e que (. . .) domínio e  (. . .) que no dito escravo tem tido, cede e (. . .) para  (. . .) autorgante comprador que agora vá como seu por força desta escritura que lhe passa sem constrangumento algum. E pelo segundo autorgante comprador foi dito  em presença das mesmas testemunhas qual aceita a presente a escritura de compra e venda a mim feira, e pela maneira que nela se contém e declara, e pelo que sendo já se da para (. . .) do referido escravo o Manoel nesta mesma ocasião a perante as mesmas testemunhas me foi apresentado o talão, digo pelo mesmo autorgante comprador e talão de pagamento da meia lira e imposto provincial do (. . .) seguinte número cento e trinta e cinco (. . .) meia lira (. . .) de Japaratuba.&lt;br /&gt; De  mil oitocentos e setenta e três a mil oitocentos e setenta e quatro a Folha vinte e cinco do livro respectivo da receita fica debitado a (. . .) auto em nome de Maria na quantia de trinta e dois mil réis importância que pagou a dinheiro ao Tenente Coronel João Gonçalves de Siqueira Maciel, sendo dois mil reis do imposto provincial de escritura e trinta mil reais e meia lira correspondente a de um conto de réis por quanto comparara a Francisco Alves de Souza o escravo Manuel, preto, solteiro de idade vinte e cinco anos e do serviço da lavoura. E para constar se deu este (. . .) pelo mesmo assinado e escrevi em vinte quatro de fevereiro de mil oitocentos e setenta e quatro. Antônio Nunes de Moura. Escrivão Jesuino. &lt;br /&gt; Pelo (. . .) Jesuino Antônio da Silva. Estava tranlado em uma estampilha de duzentos reis e completamente inutilizada de como (. . .)  reciprocamente autorgação  e aceitação e pedirão  ao mesmo  tabelião  que (. . .) o presente instrumento que aceita e autorga em nome dos ausentes e de pessoas outras a que pertencer possa dá fé: Foram testemunhas a tudo presentes Antônio Luiz Rolember da Cruz e José Correia de Santana que assinam com os autorgantes depois de esta perante todos (. . .) mesmo Antônio Procópio Passos Tabelião que escreve e assino. Antônio Procópio Passos, Francisco Alves de Souza, João Gonçalves de Siqueira Maciel, Antônio Rolemberg da Cruz, José Correia de Santana. Nada mais se continua nem declarava em dita escritura de compra e venda (. . .) meu livro de notas (. . .) o presente traslado e a (. . .) me (. . .) haver coisa que duvida (. . .) companheiro conferi (. . .) e conserta nesta Vila de Japaratuba em 25 de fevereiro de 1884. Eu Antônio Procópio Passos Tabelião que escrevi e assino. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Antônio Procópio Passos&lt;br /&gt;   (                                       )&lt;br /&gt;                fevereiro 1884&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     O Tabelião&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Roubo por João Mulungu e outros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A 2ª Seção&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tendo este Juízo designado o dia 18 do corrente pelas 10 horas da manhã para ter lugar a inquisição das testemunhas do processo que por denuncia do Doutor Promotor Público se vai instaurar contra os escravos João Mulungu e outros por crimes de roubo, vim pelo presente requisitar a Vossa Senhoria as necessárias providências para que o réu João Mulungu que se acha recolhido a cadeia desta Capital seja remetido com a precisa segurança para esta Vila afim de assisti a formação da culpa, devendo ser acompanhado por praças da Capital, visto como de pequeno destacamento deste lugar não se pode dispensar para alguma por se achar guardando também dois criminosos que se acham respondendo a processo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Deus guarde a Vossa Senhoria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Juízo Municipal da Vila de Rosário &lt;br /&gt;  1º de fevereiro de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor Doutor Vicente de Paula Cascaes Telles&lt;br /&gt;Chefe de Policia desta Provincia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Juiz Municipal&lt;br /&gt;    Joaquim José Gomes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ref.: CM3 - 38&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R. em 24 de março de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tendo o Doutor Juiz de Direito desta Comarca designado o dia três de abril próximo a entrar para ter lugar a 1ª reunião ordinária do júri deste Termo, na qual tem de ser submetido a julgamento os processos dos réus Manuel Raimundo Zacarias, Manuel Agostinho de Figueiredo, e João Mulungu, que se acham recolhidos na cadeia dessa Capital, a disposição deste Juiz vou pelo presente requisitá-los a Vossa Senhoria que deverá dar as precisas providências para que sejam lhes entregues aos 5 guardas municipais que este acompanham, aos quais recomendará  Vossa Senhoria todo cuidado e segurança na condução dos mesmos presos até esta Vila. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      (. . .) a Vossa Senhoria&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Vila do Rosário do Catete 22 de março de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor Doutor Chefe de Polícia&lt;br /&gt;Vicente de Paula Cascaes Telles. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      O Juiz Municipal&lt;br /&gt;      Joaquim José Gomes&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ref.: CM3 - 38&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anexo nº&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Calhambolas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Há longos anos são os calhambolas o terror da população do interior. Formando quilombos diferentes, percorrem os engenhos que querem, penetram algumas vezes disfarçar na cidade, roubam, fazem quanta violência entendem.&lt;br /&gt; A Polícia não tem sido inactiva, incessante trabalha para extinguir todos os quilombos. E tem encontrado decidido auxilio da parte de seus agentes nos lugares em que é preciso perseguir esses malfeitores. Eles constumam mais freqüentar o termo de Divina pastora; as vezes chegam também da Capela, e ali são logo rechaçados pelo brioso oficial que comanda o destacamento; outras vezes tocam ao termo de laranjeiras onde a autoridade policial trata de bate-los como o dedicado auxílio do Tenente José Casemiro Teixeira, activo comandante da guarda municipal d’aquela cidade. &lt;br /&gt; Muitos escravos teem sido capturados nos termos referidos. &lt;br /&gt; Agora tenho a satisfação de dizer a V. Exc. que considero extincto os quilombos. O mais forte elemento de resistência, o calhambola JOÃO MULUNGU, de quem geralmente mais se receiava, e todos dizem ser o mais audaz, o chefe dos escravos fugidos, foi capturado no dia 13 de janeiro corrente. &lt;br /&gt; O Dr. Manoel Cardoso Vieira de Melo, Juiz Municipal de Divina Pastora tendo conhecimento de que o bandido JOÃO MULUNGU atacava no termo de sua jurisdição as pessoas que encontrava, e ali cometia roubo e outras tropelias, veio em pessoa se me oferecer para auxiliar-me na captura do dito calhambola.&lt;br /&gt; Não demorei-me em providenciar, de acordo com V. Exc. para expedição de uma diligencia sob o comando do capitão João Baptista da Rocha, e essa diligência obteve o mais feliz êxito. &lt;br /&gt; Depois de cinco dias e cinco noites de fadigas, da parte do Dr. Juiz Municipal, do capitão Rocha, do alferes Marcolino de Souza Franco e das praças que os acompanhavam, conseguiram a captura do célebre bandido.  &lt;br /&gt; Por toda parte em que intrepida escolta passava com o referido escravo, era victoriada pelo povo em massa que manifestava ainda francamente e seu agradecimento ao Dr. Juiz Municipal de Divina Pastora, ao capitão João Baptista da Rocha e ao alferes Marcolino, os quase acompanharam aquele manifesto até esta capital onde tem sido ele objecto de curiosidade. Pode ter 25 anos mais ou menos, é crioulo, de estrutura regular, e como bem o qualificam, “um pouco ladino e insinuante, resignado hoje com a sua sorte, preferindo com tudo ser enforcado na praça pública a voltar para casa de seu senhor. &lt;br /&gt; Tenho procedido a todas as averiguações acerca dos orimes por elle cometidos, para os fins convenientes. &lt;br /&gt; Sabe já V. Exc. a quem deve-se especialmente tão importante capitura; sabe que nella distinguiram-se o Dr. Juiz Municipal de Divina Pastora, o capitão João Baptista da Rocha, e o alferes Marcolino de Souza Franco. &lt;br /&gt; Tenho, porém, o dever de recomendar a V. Exc. o nome do Capitão João Baptista da Rocha , não só por esse serviço que acaba de prestar, como por outros anteriores. É um official sempre prompto para diligencias mais arriscadas que a Polícia emprehende, e nas quaes tem obtido bons resultados, capturando grande número de malfeitores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Arquivo Público do Estado de Sergipe - Apes&lt;br /&gt;Cx. 04 - Diversos Sergipe&lt;br /&gt;Relatório de Presidente&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Fica recolhido na cadeia da Vila da Capela o escravo João Mulungu que vai ser processado e me foi entregue pelo comandante da escolta Manuel José Valdir vim por isso lhe posse o presente recibo que por mim vai assinado. &lt;br /&gt; Cadeia da Vila da Capela 18 de Maio de 1876. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      O Carcereiro&lt;br /&gt;     Cândido Manoel de França&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ref.: Cm3 - 38&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anexo nº&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rosário &lt;br /&gt;Ao Juiz Municipal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;24 de maio de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Segue devidamente escoltado os réus Manoel Raimundo (. . .), Manoel Agostinho de Figueiredo, João Mulungu, para entrarem em julgamento na secção do juri deste Termo, segundo a requisição de Vossa Senhoria contida em seu oficio de 22 do corrente.&lt;br /&gt; Recomendo a Vossa Senhoria que sendo absorvido o réu João Mulungu, remete-me para esta Capital visto como tem ele de responder ainda a outros processos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Arquivo Público do Estado de Sergipe&lt;br /&gt;Ref.: SP1 - 585&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anexo nº&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Juiz Municipal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24 de maio de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Segue devidamente escoltados os réus Manoel Raimundo (. . .) Manoel Agostinho de Figueiredo, João Mulungu, para entrarem em julgamento na secção do Júri deste Termo, segundo a requisição de Vossa Senhoria que sendo absorvido o réu João Mulungu, remeta-me para esta Capital visto ter ele de responder ainda a outros processos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Arquivo Público do Estado de Sergipe&lt;br /&gt;Ref.: SP1: 585&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anexo nº&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Doutor Chefe de Polícia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O Tenente Coronel João Gonçalves France vem requerer a Vossa Senhoria a soltura de seu escravo Pedro que foi capturado (. . .) Termo da Província da Bahia e que se achava fugido e com a matricula junta prova e (. . .) a (. . .) e domicilio (. . .)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Para o Vosso Deferimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   E R M &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Aracaju 02 de agosto de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   Por meu pai João Gonçalves France&lt;br /&gt;    Albano do prado Pimentel&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; (. ) (. . .) Portaria e (. . .) pague as despesas devidas&lt;br /&gt; (. . .) 1 de Sergipe  2 de agosto de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Arquivo Público do estado de Sergipe&lt;br /&gt;Ref.: SP1: (?) 397 / 585&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juízo Municipal do Termo de Capela, em 22 de agosto de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;R. 24 de agosto de 1876. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tendo de remeter para essa Capital o criminoso João Mulungu, e não havendo aqui, conforme declarou-me hoje o Delegado de Policia, força disponível para conduzi-lo com a necessária segurança, isto mesmo levo ao ilustrado conhecimento de Vossa Senhoria, cujas ordens respeitosamente aguardo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Deus Guarde a Vossa Senhoria.&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor Doutor Chefe de Polícia da Província&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      O Juiz Municipal&lt;br /&gt;           Benevindo Pinto Lobão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ref.: Cm3 - 38&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anexo nº&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Capela&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;24 de agosto de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em resposta ao oficio de Vossa Senhoria de 22 do corrente cabe-me (...) que o Delegado de Policia deste Termo, acha-se (. . .) a (. . .) 3 praças para acompanhar o escravo João Mulungu até esta Capital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Arquivo Público do Estado de Sergipe&lt;br /&gt;Ref.: SP1: 585&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juizo Municipal do Termo da Capital da Capela, em 1º de setembro de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Para essa Capital segue, devidamente escoltado, o réu João Mulungu, que vai cumprir a pena de um ano de galés, a que foi condenado pelo Juiz da Vila do Rosário, segundo me comunicou o respectivo Juiz Municipal. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Deus guarde a Vossa Senhoria&lt;br /&gt;Ilustríssimo Senhor Doutor Chefe de Polícia da Província&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      O Juiz Municipal&lt;br /&gt;          Benevindo Pinto Lobão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ref.: CM3 - 38&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anexo nº&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Divina Pastora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Juiz Municipal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11 de novembro de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Segue nesta data convenientemente escoltados os réus Manoel Jurema e Galdino conforme a requisição de Vossa Senhoria contida em oficio de 8 do corrente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Arquivo Público do estado de Sergipe&lt;br /&gt;Ref.: SP1: 585&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anexo nº&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Divina Pastora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao Juiz Municipal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;11 de novembro de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ficam recolhidos a Casa de Prisão desta Capital os réus Manoel Jurema e Galdino que acompanharam o oficio de Vossa Senhoria de 9 do corrente afim de serem guardados até que sejam requisitados para esse júri. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Arquivo Público do estado de Sergipe&lt;br /&gt;Ref.: SP1: 585&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANEXO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Arquivo Público do Estado de Sergipe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referências: Cx 1 - CLJ 1º - 1870 - 1878&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Documento nº 39&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1872&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juízo Municipal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Autuações de uma portaria Corpo de delito feito no preto de nome Victório, escravo de (. . .) sobrinha do comendador Manuel José de Menezes Prado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrivão Manuel Joaquim de Av. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ano do nascimento do nosso senhor Jesus Cristo de mil oitocentos setenta e dois aos trinta dias do mês de abril nesta cidade de Laranjeiras e Comarca dessa Província de Sergipe D’Eu rey, em meu cartório autuo a Portaria corpo do delito (. . .) feito no preto Victórico, acima declarado. Do que faço esse termo, eu Manuel Joaquim de Araújo Escrivão de Juiz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    (. . .)&lt;br /&gt;   Diz: aos trinta&lt;br /&gt;   dias do mês de Abril&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    M J Av. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cx1 - CLJ1º&lt;br /&gt;1870 - 1878&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O escrivão Araújo, ao receber esta, notifiquei aos facultativos Dr. Antônio Martins Faro e D. Benito (. . .) para proceder o corpo de delito nos ferimentos do preto Victório, que se acha no hospital d’esta cidade, hoje, às 6 horas da tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cumpra-se &lt;br /&gt;Laranjeiras, 30 de abril de 1872&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    O Juiz Municipal&lt;br /&gt;        Manuel Caldas Barreto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juntada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Aos trinta dias do mês de abril de 1872, nesta cidade de Laranjeiras e comarca dessa província de Sergipe D’Eu Rey, em meu cartório junto a estes autos a petição (. . .) despacho  (. . .) que (. . .) do Dr. Promotor Público interino dessa Comarca Francisco (. . .) Madureira (. . .). do que faço este termo eu Manuel Joaquim de Av. Escrivão que o escreve. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilmº  Sr.  Dr.  Juiz Municipal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já este juízo ordenou o corpo de delito requerido junta-se no mesmo. &lt;br /&gt;Laranjeiras, 20 de abril de 1872&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Carlos Barreto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Digno Bacharel Francisco da Silva Madureira Freire, que tendo visto chegar a esta cidade um indivíduo de cor negra gravemente ferido e acompanhado por escolta, vem pois perante V. As  requerer que se digne mandar proceder (. . .) o corpo de delito nos ferimentos do mesmo. Assim: &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     (. . .) V. Sª  deferimento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      E. R. M ª&lt;br /&gt;     O Promotor Público interino&lt;br /&gt;    Francisco da Silva Madureira Freire&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mandado de Prisão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juízo Municipal da cidade de Laranjeiras e seu Termo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mando a qualquer Oficial de Justiça neste Juízo, aq.m este for apresentado indo por mim assinado, (. . .) nas matas do Engenho denominado Bugio e lugares adjacentes, e indo lá prenda e recolha a prisão pública os escravos fugidos que forem encontrados. O que cumpra. &lt;br /&gt; Laranjeiras 29 de abril de 1872. Eu (. . .) (. . .)&lt;br /&gt; d’Aguiar. Escrivão que o escreve. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Caldas Barreto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Auto de resistência e a (. . .)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ano do nascimento do nosso senhor Jesus Cristo do 1872, aos 31 dias do mês de abril do dito ano, no termo de laranjeiras, nas matas do Engº (. . .) e Brejo, onde eu oficial de Justiça, fui (. . .) do, em virtude do Mandado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Já os nos esfeitos; e paguei o senhor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Mando o retro, e sua assinatura, acompanhada de uma escolta de soldados do corpo Policial sob o comando do Mffs. João Baptista da Rocha, (sic) intimei os dois escravos fugidos que encontramos, como sentinelas avançados, de prose (. . .) acontecer. Antes porém, de (. . .) (. . .) um desses escravos fez fogo, sobre o dito alfere e o Sr. Coronel Pedro Antônio de Oliveira ribeiro que com estava e o que se achava mais próximo, aos encarregados da diligência como auxiliares e testemunhas, munido de um sujo, avanço sobre o mesmo Mffs. que se achava na frente, ocupado em segundo lugar por ter o dito M.ff.s tomado logo a dianteira e o lugar não presta passagem franca a mais de uma pessoa atrás da outra. Quando o dito M.ff.s  se viu prestes a ser vítima da presa desse escravo, ouvindo partir outros  tiros das matas, ordenou a escolta que também (. . .) fogo (. . .). Por felicidade uma bala dirigida pela escolta varando a coxa direita do escravo que se achava a dianteira, pôs este por terra, salvou o Mff.s &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O M. (. . .) e (. . .) em (. .  .) em e fuga os escravos resistentes. Continuando na diligência não pudemos, a (. . .) de maior esforços, conseguir a prisão  do escravo ferido chamado Victório, pertencente aos Srs. do Engenho Palma entretanto procedendo a busca nos dois mucambos de palha que encontramos nas ditas matas, (. . .) sobre os dez (. . .) aos, ou como que nele existiam os seguintes objetos: duas baionetas, - um facão grande - um sujo, uma pistola ainda carregada, cinco foices de roçar um alforje, junto a este alforge uma mochila de couro tendo dentro, buchas para espingardas, uma cela, uma espora, um (. . .), uma espora, e finalmente uma jaqueta de (. . .) (. . .), e um (. . .) de senhora, de chita verde matizada de flor preta e quatro chapéus de couro, e junto aos dois mucambos quatro cavalos amarrados comendo capim cortado e uma sela já usada. Vendo que nada mais podia conseguir, conduzi o escravo Victório a presença do (. . )&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Certifico que intimei aliás notifiquei os doutores em Medicina, Antônio Mateus Torres e (. . .) De (. . .) pelo (. . .) da Portaria retro. O que dou. Laranjeiras em 3º de abril de 1872. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Manuel Joaquim de Araújo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Auto de Exame e Corpo de delito no preso de nome Victório que disse ser escravo de Manuel José de Menezes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Aos trinta dias do mês de abril do Corrente ano do nascimento de nosso senhor Jesus Cristo (. . .) causas (. . .) e ( . . .), nesta cidade de Laranjeiras e Comarca dessa província de Sergipe de D’Eu Rey, depois do cinco aliás das quatro horas (. . .) (. . .) da tarde. (. . .), no Hospital da Caridade dessa mesma cidade, onde se olham presentes o Sr. Dr. Juiz Municipal deste Termo, Manuel Caldas Barreto, comigo Escrivão de (. . .)  (. . .) (. . .) e assinado, os peritos notificados, como se vê da certidão, (. . .) , os doutores em Medicina, Antônio  Mateus Passos Brito (. . .), e as testemunhas João Jaú de Almeida Ramos e Jaú.&lt;br /&gt; Amazonas (. . .), (. . .) mercadores nesta mesma cidade, o dito Sr. Juiz definiu aos mesmos peritos o juramento aos santos Evangelhos em um livro deles, em que passaram a mão direita na forma (. . .), do bem ( . . .) mente desempenharam a sua missão, declarado comissão dada (. . .) cobrirem e encontrarem e o que sua consciência entenderam; e encarregou-se que procedessem o exame no preso de nome Victório, crioulo, que diz ser escravo do Comendador Manuel José de Menezes, o que respondessem aos quietos seguintes: primeiro, se há (. . .) ou ofensa física; segundo, se é (. . .); terceiro, qual o instrumento que o (. . .); quinto, se houver ou resultou mutilação ou destruição de algum membro ou órgão; quando se pode haver ou resultar essa mutilação ou destruição; sexto, se pode haver ou resultar inhabilitação de membro ou órgão sem que fique (. . .) distrito; sétimo, se pode haver ou resultar alguma deformidade, e qual (. . .) seja, escravo, se o mal resultante do ferimento ou ofensa física produz grave incomodo da saúde; (. . .) (. . .) Habilita do serviço por mais de trinta dias; décimo finalmente qual o valor dado (. . .) causado. Em conseqüência, passaram os peritos e fazer os exames e investigações ordenadas, com que julgaram (. . .); concluídos os quais declararam o seguinte: terem achado no (. . .) superior da caixa (. . .), na parte inferior da mesma, uma solução de (. . .) de ( . . .) forma (. . .), debaixo designadas (. . .) polegada de comprimento de cima abaixo e os lábios afastados encontraram quatro polegadas, deixando assim a mostra os (. . .) os músculos da parte  interior da caixa. Nesta solução (. . .) duas aberturas no interior dos quais foram encontrados, diversos (. . .) os seus pertencentes (. . .) o qual achava-se (. . .) (. . .), ( . . .) de substância. Na parte posterior da caixa ca(. . .) e acha a solução (. . .) (. . .) (. . .) solução de (. . .) (. . .) solução de continuidade da forma (. . .) como na polegada de (. . .) (. . .) (. . .) (. . .).&lt;br /&gt; Com a lesão manifestada no lado  inferior. Examinado o (. . .) superfido  corpo e órgãos internos, acharam tudo em perfeito estado e consutado o pulso acabou (. . .) (. . .)  forma (. . .). Concluiu, pro(. . .) que  a lesão foi ocasionada por um proposi(. . .) ocasionado por uma arma de fogo, o qual penetrando pelo lado posterior depois de (. . .) o homem veio saber pelas (. . .) (. . .) existentes (. . .) salvação (. . .)     (. . .) (. . .) (. . .) (. . .) achou (. . .) (. . .) (. . .) por (. . .) (. . .) (. . .) (. . .) (. . .), que sim   (. . .) (. . .), que não ao (. . .) que foi  uma arma de fogo. (. . .) que houve mutilação e destruição de um membro inferior ao (. . .), (. . .) (. . .), fi- com  respondidos no (. . .) oitavo, que sim? (. . .), finalmente que (. . .)(. . .) o dono causada endur (. . .) (. . .) (. . .) (. . .) 200$00 deu-se por concluído  de nada e de tudo (. . .) (. . .) (. . .), que vai por mim (. . .) (. . .), é rublicado pelo V. Juiz, e assinado mesmo peritos (. . .) (. . .) (. . .), comigo Manuel Joaquim de Araújo, Escrivão que escreve do que (. . .) dou fé. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Manuel Caldas Barreto&lt;br /&gt;     D. Antônio Martins Gomes&lt;br /&gt;     Benito (. . .), &lt;br /&gt;     João José (. . .)&lt;br /&gt;     (. . .) Amazonas de Lacerda&lt;br /&gt;     Manuel Joaquim de Araújo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juntada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ao primeiro dia do mês de maio de 1872, nesta cidade de Laranjeiras, em meu cartório junto a estes outros o (. . .) de (. . .) (. . .), do que faço este termo eu Manuel Joaquim de Araújo, Escrivão que o escreve. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Auto de Perguntas feitas ao preso de nome Victório. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ao primeiro dia do mês de Maio do ano do nascimento do nosso senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e setenta e dois nesta cidade de Laranjeiras e comarca desta Província de Sergipe d’Eu Rey; em o (. . .) da (. . .)  des(. . .) cidade, onde foi visto o Senhor Dr. Juiz Municipal desse termo, Manuel Caldas Barreto, comigo Escrivão de seu cargo adiante nomeado, e di(. . .) foram feitas as perguntas seguintes ao preto acima mencionado. &lt;br /&gt; Perguntado como se chama? Respondeu ser o nome Victório. Que idade tem? Respondeu não saber, mas representa ter de vinte e tantos anos. Perguntado se é casado ou solteiro? Respondeu ser solteiro. Que profissão tem? Respondeu ser de roça. Perguntado onde nasceu? Respondeu que nos (. . .) de Japaratuba. Você é livre ou escravo? Respondeu ser escravo de uma menina de nome Dona Joana, sobrinha do senhor comendador Manuel José de Menezes Prado. Perguntado há quanto tempo se acha fora da casa de seu senhor? Respondeu que há três meses, pouco mais ou menos. Perguntado onde se achava e o que fazia na ocasião e que foi ferido. Respondeu que se achava com seu companheiro de nome José Caróla de (. . .) para (. . .) aos outros do quilombo quando chegou a tropa que já  tinham visto passar pela manhã. Perguntado se ele e seu companheiro estavam armados. Respondeu que eletinha um (. . .) e seu companheiro uma pistola, o qual deixou, a chão, quando como que (. . .) (. . .) (. . .) dele respondesse, a (. . .) não temia (. . .), aquela arma de fogo não (. . .) em (. . .) (. . .) na (. . .). Perguntado que número de escravos havia no quilombo. Respondeu que dez escravos e duas mulheres, sendo uma dessas (. . .). Perguntado se seus companheiros se achavam armados.  Respondeu que  alguns tinham armas de fogo, e outros de ferro frio. Perguntado se na ocasião em que ele (. . .) (. . .) foi ferido, seus companheiros não fizeram fogo sobre a tropa? Respondeu que quando ele caiu de bruço, ouviu diferentes tiros e que supões que seus companheiros fizeram fogo sobre a tropa. Perguntado quais os nomes dos seus companheiros? Respondeu que (. . .) de José Coróla, Carmelio, João Mulungu e Guilherme, que supõe ser (. . .), não sabe dos nomes dos outros. Perguntado se dentre os seus companheiros há alguém que seja criminoso de morte? Respondo que não. (. . .) mais (. . .) sendo (. . .), assina o Senhor Juiz este auto com Antônio Dario de Moraes, que o presenciou, e do que dou fé, despachado por mim Manuel Joaquim de Av., Escrivão que o escreve assim&lt;br /&gt;      Caldas Barreto&lt;br /&gt;      Antônio Dario de Moraes&lt;br /&gt;      Manuel Joaquim de Av. &lt;br /&gt; Tem a paga delito (. . .) por q.m (. . .) fora obrigado 18400s. (?)&lt;br /&gt; Laranjeiras em 1º de Maio de 1872. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       MjAv. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Em mesmo dia, mês e ano (. . .) declaramos nesta cidade de Laranjeiras; em meu cartório faço concluídos estes autos V. Dr. Juiz Municipal desse termo Manuel Caldas Barreto, o que faço esse termo Manuel Joaquim de Av. Escrivão, que o escreve.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;       Cls.or&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Julgo procedente o corpo de delito de (. . .), para que produza já os seus efeitos; e pague o senhor do escravo a vista. Laranjeiras 3 de maio de 1872. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Manuel Caldas Barreto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Public.m&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Aos três dias do mês de Maio de 1872, nesta cidade de Laranjeiras em meu cartório que possa do Senhor Dr. Juiz Municipal desse termo, Manuel Caldas Barreto me  foram dados estes outros com seu despacho (. . .), que mandou se cumprisse como nele se concluiu. Do que fora este seu nome Manuel Joaquim de Av. , escrivão que o escreve. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Certifico que (. . .) o despacho (. . .) ao Dr. (. . .) Pu-(. . .) (. . .)dessa Comarca, Francisco da Silva Madureira (. . .). O que dou fé. Laranjeiras em 3 de Maio de 1877. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Manuel Joaquim de Araújo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Documento nº&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Dr. Juiz Municipal que mandou recolher no hospital da santa Casa da Misericórdia para ser tratado, do que dou fé e para constar lavro este auto, assinado por mim, pelo alferes João Baptista da Roxa e pelas testemunhas (. . .) Coronel Pedro Antônio de Oliveira Ribeiro e Francisco Frederico digo Frederico Francisco Franco da Hora. &lt;br /&gt; Antônio Pinheiro da fraga&lt;br /&gt; Pedro Antônio de Oliveira (. . .)&lt;br /&gt; Frederico Francisco da Hora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Declaro abaixo do mesmo fé que os objetos apreendidos os entreguei ao Sr. Dr. Juiz Municipal, ele entregou ao M. H. Comandante o que dou fé. Laranjeiras 31 de Abril de 1872. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Oficial de Justiça&lt;br /&gt;       Antônio Pinheiro da Fraga&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tem mais (. . .) 3 (. . .) ao lado são despachado 2$000. Laranjeiras em 6 de Maio de 1872. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     M.J.A.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juntada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Aos seis dias do mês de maio de 1872, nesta cidade de Laranjeiras, em meu cartório junto estes autos e mando com auto de resistência adiante que (. . .) me foi dado pelo V. Dr.  Juiz Municipal desse termo, Manuel Caldas Barreto. Do que faço este termo eu Manuel Joaquim de Araújo, Escrivão que o escreve. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      &lt;br /&gt;ANEXO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fonte: Arquivo Público do Estado de Sergipe&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Referências: Cm 1 - Cx 01 - 1843 - 1921&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AJES &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cm1 - Cx 01 - 1843 - 1921&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juízo Municipal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Autuação  de um processo vindo da Vila de Divina, para o requerimento de Luís Barbosa Madureira Mainart, dar-se andamento neste Juízo; como abaixo se declara. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Escrivão Horácio Nelson&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ano do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil oitocentos  setenta e seis, aos vinte quatro dias do mês de julho do dito ano, nesta cidade de Maroim em meu cartório faço autuação de um processo vindo do Juízo Municipal da Villa de Divina Partora para o fim (. . .) declarado. Do que para constar faço esta. Eu Horácio Dias ribeiro Nelson escrivão escrevi. &lt;br /&gt;    &lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juízo Municipal da Villa de Divina pastora&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Processo Crime&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Autuamente de uma petição de Luís Barbosa Madureira Mainart&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    O Escrivão&lt;br /&gt;    Machado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Do nascimento do nosso senhor Jesus Cristo de mil oitocentos e setenta e seis aos quatro dias do mês de fevereiro do dito ano, nesta Villa de Divina Pastora Comarca de Laranjeiras Província de Sergipe, em meu Cartório autuo uma queixa de Luís Barbosa Madureira Mainart contra os escravos João Mulungu, Luirino Manoel e Malaquias, Cassiano, Pedro; e Manuel Jurema, o qual despachado pelo Juiz Municipal, mandado passar mandado para o fim (. . .) e em virtude de (. . .) (. . .) distribuída, passei o Competente mandado o (. . .) autuado, e tudo é como adiante se ver do que para constar fraço este termo eu chamos de Aquino. &lt;br /&gt; Machado Escrivão de Juiz.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilmº. Sr. Dr. Juiz Municipal&lt;br /&gt;Do Escrivão Machado de 3 de fevereiro de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Perante V. S.  queixa-se Luís Barbosa Madureira Mainart, branco, solteiro e natural desta província de Sergipe, com residência neste Termos de Divina Pastora, contra os escravos João Mulungu crioulo, vá preso na Capital  desta província, do domínio do proprietário João Pinheiro da Fraga, m.os  no termo de Laranjeiras, Luirino, crioulo pertencente hoje ao proprietário Manuel de Azevedo Foro (. . .) e no termo do Rosário, Manuel e Malaquias, o primo pertencentes a José Augusto Fenos, que  os  comprou para (. . .) a casa Sohranm H.co  no Maruim, m. os no Aracaju, sendo o motivo de sua queixa o fato seguinte digo, Aracaju; Cassiano escravo do Tem. e Cel. João de Aquino, m.os no termo de maruim; e Pedro, escravo do proprietário do engº combão do Cidadão José Ignácio; Manoel Jurema, escravo do proprietário Cop.m  Paulo do termo de Lorª, sendo o motivo de sua queixa fato seguinte:&lt;br /&gt; No dia 10 de janeiro do corrente ano, pelos onze pocos da noite, achando-se o Lupp em viagem do maruim para sua casa que é em terras do engenho Morto ou Triumpho, em caminho foi atacado pelos ditos escravos e outros quilombos, os quais o fizeram (. . .) com ameaças de morte, por estarem todos armados de bacamartes, facas de ponta e outros instrumentos mortíferos, e os acompanharam a pé a sua residência. Ali chegando, encontrou o Lupp. um hóspede e outras pessoas, q.  estavam em companhia de sua ama Felismina Maria do Sacramento; e os dos escravos penetraram violentamente sua morada e a posarão em cerco, carregando galinhas, perus, carneiro, seda e seus pertences: e, depois de o injuriarem bate com palavras afrontosas, o deixarem felizmente sem ofensas físicos, devido isto a um deles que se opôs à morte do Lupp. e com eles premeditaram e o tinham alertado. Avista disto, que foi presenciado pelos testemunhos abaixo arrolados, e eles mesmos o têm confessados, e de lei que sejam os mesmos escravos punidos com penas do art. 267 do Cod. Criminal, no grau máximo, em que se acham incursos; sendo os seus sem.es  a todas para os ver processar, dando-se-lhes Cur.os  que os defendia, em juízo, e os dos sem.es  reapossáveis pelos danos causados ao Lupp., avaliando-se na quantia de dois contos de reis, sob pena de revelia. Portanto requer e &lt;br /&gt; D. (. . .) (. . .) p.ª tê-los que a requisição das teste- C.ae se digne recebe munhos em intimação&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dos senhores nomes (. . .) dos (. . .) cidadão  Manuel  de Melo F. Lima. Dei   (. . .) 3 de fevereiro de 1887&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                          C. Mello a presente queixa, q. juizo e q. marque dia e hora p.ª a formação da culpa, com requisição oficial do Juiz e intimação ao senhor do sol to. p. ao apresentar bem cada testemunha&lt;br /&gt;                              E.R.M&lt;br /&gt;                         D’este termo &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Testemunhas&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1ª Severina Vieira de Mello&lt;br /&gt;2ª Alexandrina Vieira de Mello&lt;br /&gt;3ª Felismina Mª do Sacramento&lt;br /&gt;4ª M.el Victor, m.os  em Propriá e Machado dos Bo(. . .)&lt;br /&gt;5ª Laurindo de tsl, m.os no Maruim&lt;br /&gt;6ª Maymiano, escravo da viúva          , moradora  no Maruim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Divina Pastora (. . .) de 1876&lt;br /&gt;       Luiz Barbosa Madureira&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Termos de Juramento&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Aos três dias do mês  de fevereiro de mil oitocentos e setenta e seis do ano do nascimento do Nosso Senhor Jesus Cristo, nesta Vila de Divina Pastora em casa do residenciado Dr.  Manuel Cardoso Vieira de Mello, Juiz Municipal, com amigo Escrivão de seu cargo abaixo nomeado, fui (. . .), presente Luís Barbosa Madureira Mainart. &lt;br /&gt; (. . .) denunciante, o Juiz lhe definiu o juramento aos santos Evangelhos em um livro deles, em que pôs na mão direita, (. . .) foi declarado q. jurava em sua alma (. . .) (. . .) a queixa e que (. . .) é dado sem (. . .), malícia, e só o bem da Justiça. E de como (. . .)  (. . .) jurava, lavro o presente termo q. assina com o juiz, do que  dou fé, eu Thomas de Aquino Machado escrivão que o Juiz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       C. Mello&lt;br /&gt;     Luís Barbosa Madureira Mainart. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mandado de Notificação de Testemunhos &lt;br /&gt;como abaixo declara-se&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Dr. Manuel Cardoso Vieira de Mello, Juiz Municipal nesta Vila de Divina pastora dou termo p. sua M. S. C. aq.m Deus guarda na forma da lei. &lt;br /&gt; Mando a q. oficial Judicial d’esta (. . .) juízo aq.m  for este apresentado indo p. mim assinado, q. em seu cumprimento (. . .) (. . .) de Luis Barbosa Madureira Mainart há ao Engenho Carvão deste termo está intimada a D. Sursiana Vieira de Mello, no engenho triunpho D. Felismina Maria do Sacramento nesta Vila, D. Alexandrina Vieira de Mello, p.ª como testem.os  do processo  q. neste juízo se vai instaurar contra os escravos , João Mulungu do domínio do proprietário João Pinheiro do Fraga, m.os  no termo de Laranjeiras, Lurino, pertencente ao proprietário Manoel de Azevedo Faro, do termo do Rosário, Manoel e Malaquias, pertencentes a João Augusto que comprou (. . .) a casa Shram C.ª em              , Cassiano escravo do Tenc.el João de Aguiar do termo de Maruim, Pedro escravo do cidadão João Ign.co  do Engenho Combão e Manuel Jurema do proprietário Cop.ão Paulo, do Eng.º Mandioca Bra(. . .) (. . .) a q. ambos do termo de laranjeiras, compareceram as 10 horas do dia 18 do corrente a fim de deporem (. . .) (. . .) (. . .) lhes fór (. . .) da presente causa. O que cumpra sob as penas da Lei. Dado passado nesta dita Vila de Divina Pastora aos 4 (?) dias do mês de fevereiro de 1876. Eu Thomas de Aquino Machado Escrivão de Juiz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Escrivão su(. . .)                            C. Mello &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Certifico que fui ao Engenho dias ao sitio nosso a anexo ao Engenho Triumpho, deste termo lá intimei Felismina Maria do Sacramento e nesta Vila intimei a D. Alexandrina Vieira de Mello, em suas próprias (. . .) por todo conteúdo do mandado (. . .) (. . .), e responderam não ficar bem (. . .) (. . .) e dou fé, Vila de Divina Pastora 9 de fevereiro de mil oitocentos e setenta e seis. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      O Escrivão&lt;br /&gt;     Thomas de Aquino Machado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Certifico que fui ao engenho Carmão deste termo distante desta Vila duas léguas, e lá intimei a D. Lursiana Vieira de Mello, (. . .) de encontrá-lo doente, não só por ela não responder como também pelo proprietário do (. . .) engenho e mais pessoas que ela se acha em convalecencia (. . .) é verdade dou fé, Vila de Divina pastora 14 de fevereiro de 1876. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     D.  1000&lt;br /&gt;     D.  1500&lt;br /&gt;     D.   200&lt;br /&gt;         1800&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Escrivão&lt;br /&gt;Thomas de Aquino Machado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Certifico mais que nesta Vila fui a casa do tem. Manuel de Melo Franco Lima, e lá o intimei pelo conteúdo do despacho de fs. na qualidade de curador e respondeu (. . .)ficar ciente e dou fé Vila de Divina Pastora  16 de fevereiro de 1876. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Escrivão&lt;br /&gt;Thomas de Aquino Machado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Termo de Juramento&lt;br /&gt; Aos dezoito dias do mês de fevereiro de 1876 nesta Vila de Divina Pastora presente o Tenente Manuel de Melo Franco Lima curador nomeado, o Juiz lhe deferiu o juramento aos santos Evangelhos em um livro deles em que pós na mão direita, e o encarregou que servisse de curador aos Rios, por serem escravos e que bem (. . .) os defendesse requerendo o que pelo (. . .) Franco Lima foi dito o jurado que  cumprisse do melhor modo que lhe fosse possível, e sem (. . .) nem malícia. E ele como assim o disse e jurou. Como o presente termo, que assina com o Juiz do que dou fé. Eu Thomas de Aquino dou fé. Eu Thomas de Aquino Machado Escrivão de Juiz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        C. Mello&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Juntado&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; Aos dezoito dias do m6es de fevereiro de 1876 nesta Vila de Divina Pastora em meu Cartório junto a estes outros a Justiça que adiante-se segue do que para constar faco este termo Eu Thomas de Aquino Machado Escrivão de Juiz. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; (. . .) (. . .) Dr. Js Municipal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Diz Luís Barbosa Madurª Mainart q. tendo queixando-se p. este (. . .) contra os escravos João Mulungu, Lurino Manoel Malaquias, Caciano Predro, Manuel Jurema (. . .) (. . .) que noticiou a M. ma queixa designou V. Sª o dia de hoje 18 do corre. mês, p.ª a inquirição dos resp.os testemunhas mas acontece q. requisitando V. Sª a vinda dos escravos q. se acham presos na cadeia da Capital da Província p. deliberação do Dr. Chefe de Policia da m.ma, p.ª ver se processou p. ser (. . .) e (. . .) susede não ter até agora, três horas da tarde, chegado a esta Vila os referidos  escravos presos; e p. isso requer a V. S.ª  (. . .) mas com novo dia hora e lugar com precedência de tempo a expedição  deles (. . .) no qual  tal (. . .) (. . .) (. . .) e qualm.te dos testem.os que na lista aprontou, formas e atos regulares nestes termos e com (. . .) ao (. . .) (. . .) Nos autos, (. . .) V. Aº V. Sª de (. . .) O Escrivão foco em santos na forma requerida salmos, pª designar nome. &lt;br /&gt; Deus. Pastora 18 de &lt;br /&gt;        E. R. M. do&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    Fevereiro de 1876 Divina Pastora 18 de fevº de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        C. Mello&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;      Luís Barbosa Madurª Mainart&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juntado &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Aos dezoito dias do m6es de fevereiro  de 1876 nesta Vila de Divina Pastora em meu Cartório junto a estes outros requerimento que o diante se segue do que para constar faço este termo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Eu Thomas de Aquino Machado&lt;br /&gt;      Escrivão de Juiz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vª Juiz Municipal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Sebastião d’Aguiar Boto de Barros residente no engenho Santos Audio Município da Cid.e de Maroim tende noticia que por queixa de Luís Barbosa Madureira Mainart se está n’este  Juízo processando de um escravo do Lupp.e de nome Cassiano. O Lupp.e firmado na disposição do art. 160 (. . .) da Cid. Do Pará e Aviso de 9 de março de 1836 declara sua V.S. que (. . .) (. . .) processo; p. quanto o fato de que se queixou o Lupp.e (. . .) no (. . .) denominado sitio (. . .) (. . .) que foi do engenho Matta Velha e que pertence ao município da Cidade de maruim. Segundo a punição do Citado art. A culpa pode formar-se na residência do réu ou no lugar do delito os réus quralados são diversos (. . .) pertencentes a vários senhores e todos com residências diferentes. Logo a culpa corr.e pode ter lugar no distrito em que se deu o delito este distrito é a Cidade de maruim por onde V. S. nos termos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;do art. 51 § 1º do Decreto nº 4824 do 22 de (. . .) de 1871, deverá remeter o processo  julgando-se incompetente para o mesmo funcionar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Na Lei provincial de 19 de fevereiro de 1835 mostrará V. S.  designados os limites do município de Maroim,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;P. tanto o Luoo.e&lt;br /&gt;Nos outros, (. . .)&lt;br /&gt;(. . .) Divina Pastora&lt;br /&gt;10 de fevereiro de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;           C. Mello&lt;br /&gt;     Já V. S. despº juntando-se esta ao processo&lt;br /&gt;        E. R. M.do&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Divina Pastora 8 de fevereiro de 1876&lt;br /&gt;       Sebastião d’Aguiar Bôto de Barros&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chr. Om&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Aos dezoito dias do mês de fevereiro de 1876 nesta Vila (. . .) Divina Pastora em meu Cartório faço este auto concluso ao Ilmº Lm. E Dr. Juiz Municipal do que para constar faço este termo 200 eu Tomas de Aquino Machado Escrivão de Juiz. &lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;      Clr.os&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Da leitura da lei provincial de 19 de fevereiro de 1835, não se concluiu que o (. . .) da queixa (. . .) no termo de Maroim e outro (. . .) (. . .) se vê que pertence a esse termo. &lt;br /&gt; Avisto neste, (. . .) petição de (. . .) definido a petição de V. S. designo nomes e o dia (. . .) de março para tão lugar a requisição das testemunhas para (. . .) ordem e faço os (. . .) intimações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Divina Pastora 18 de fevereiro de 1876.                                                            C. Mello    &lt;br /&gt;Data &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Aos dezoito dias do mês de fevereiro de 1876 nesta Vila de Divina Pastora em meu Cartório por parte do Ilmº Juiz 200 Municipal me foram entregues estes  outros com seu despacho (. . .) do que  para  constar faço este termo eu Thomas de Aquino Machado Escrivão de Juiz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Junto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Aos dezenove dias do mês de fevereiro de 1876 nesta Vila de Divina Pastora em meu 1200 Cartório junto a estes autos a precatória que para constar faço este termo eu Thomas  de Aquino Machado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Escrivão de Juiz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o Juiz (. . .) (. . .) a precatória (. . .) (. . .) da Vila do Rosário requisitaria de diligência e intimação passado no Juizo Municipal da Vila de Divina Pastora para (. . .) Juízo em (. . .) seu intimado o cidadão Manuel de Azevedo Foro para o fim abaixo declarado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Ao Ilustríssimo Senhor Doutor Juiz Municipal da Vila do Rosário do Catete, ao aq.m em seu impedimento seu homoso cargo (. . .) do estiver. &lt;br /&gt; Eu o Dr. Manuel Cardoso Vieira de Mello, Juiz Municipal  nesta Vila de Divina Pastora e seu termo, na forma da Lei. &lt;br /&gt; Saúdo e                              faço&lt;br /&gt; Saber V. Sª  q. pelo cidadão Luis Barbosa Madureira  Mainart me foi dado uma queixa de (. . .) (. . .) Ilmº Senhor D. Juiz Municipal me foi dado  uma queixa de (. . .) (. . .) Ilmº Senhor D. Juiz Municipal perante V. Sº queixa de Lis Barbosa Madureira Mainart Branco, solteiro, natural desta Província de Sergipe  com residência neste termo de Divina Pastora contra o escravo João Mulungu crioulo ora preso na capital d’esta Província, do domínio do proprietário João Pinheiro da Fraga, morador no termo de Laranjeiras, Luirino, Crioulo, pertencente hoje ao Proprietário  Manuel de Azevedo Faro, residente no termo do Rosário, Manuel e Malaquias, primeiro pardo, preso na dita Cadeia e o segº Crioulo fugido ambos pertencentes a João Augusto Ferros que ao comprar para (. . .) a casa Scharonm (. . .) no Maroim morador no Aracaju Cassiano escravo do Tenente João de Aguiar, m.os no termo  de Maroim e Pedro, escravo do proprietário do engenho (cambão do cidadão João Ignácio, Manuel Jurema, escravo do proprietário cap.m   Paulo  do Termo de Laranjeiras, sendo o motivo de sua queixa o fato seguinte: no dia 10 de junho do corrente ano pelas onze horas da noite achando-se o Lupp.e em viagem do maroim para sua casa q. é em terras do Eng.º Motta ou Triumpho, em caminho foi atacado pelos ditos escravos e outros quilombos, os quais fizeram (. . .) com ameaças  de morte, por estarem todos bem amados de bacamartes, facas de ponta e outros instrumentos mortíferos, e os acompanharam a pé a sua residência; ali chegado encontraram o Lupp.e  um hospede e outras pessoas, que estariam em Comp.ª  de sua ama Felismina Maria do Sacramento os ditos escravos penetraram violentamente sua morada e (. . .) em cerco carregando galinhas, perus, carneiros, seda e seus peetences e depois de injuriarem bastante com palavras afrontosas o deixarão felism.e  sem ofensas física, devido isto a um deles que se opôs a morte do Lupp.e, como eles premeditaram e o tinham assertado. Avista disto, que foi presenciado pelas testemunhas abaixo assinalados e eles mesmo têm confessados, é de Lei que sejão os mesmos escravos punidos com as penas do art. 267 do Cod. Crim., no grau máximo em q. se acham em (. . .), sendo os seus senhores responsáveis pelos donos digo senhores litados p.ª (. . .) processar, dando (. . .) curador q. os defende  em juizo os ditos senhores responsáveis pelos  danos causados ao Lupp.e  avaliando-se no q.to  de dois contos de reis , sob pena de (. . .). Por tanto pode V. S.ª  se digne receber a presente quixa, q. (. . .), e q. marque dia e hora pª a formação da culpa  com requisição oficial dos presos e intimação ao senhor do solto p.ª  o apresentar bem como dos testem.os  e receberá (. . .). Estava (. . .) de Estampalha no valor de quatro contos de reis (. . .) pelo (. . .) (. . .) do modo seg.º  Divina Pastora  3 de fevereiro de 1876. Luis Barbosa Madureira  Mainart (. . .) p. q. (. . .) (. . .) (. . .) despacho (. . .) seg.º digo  Main.te  testemunhas Sursiana vieira de Mello, Alexandrina Vieira de Mello, Felismina Maria do Sacramento, Manuel Victor morador na malhada dos Burros (?) no termo de Propriá, Laurindo de tal, morador no Maroim Maximiano escravo da viúva  moradora  no Mar.m  há mais p. (. . .) (. . .) (. . .) despacho Desp. do  (. . .) segº D. A. J. como seg.m  e designo  o dia 18 do corrente p. ter lugar a inquisição dos testem.os  com intimação dos senhores. Nomeio Curador dos acusados o cidadão Manuel de Mello Franco Lima, Divina Pastora 3 de fevereiro de 1876 C. Mello. &lt;br /&gt; Aos três dias do juram.to  mês de fevereiro de mil oitocentos setenta e seis do ano do nascimento de nosso senhor Jesus Cristo nesta Vila de Divina Pastora em casa da Residência  do Dr. Manuel Cardozo Vieira de Mello, Juiz Municipal, comigo escrivão de seu cargo abaixo nomeado fui (. . .); presente Luís Barbosa Madureira Mainart o queixoso denunciante, o Juiz lhe deferiu o juram.to  aos santos Evangelhos em um livro deles em que pôs sua mão direita ep. ela foi declarado que jurava em sua alma ser verdadeira a queixa, e que ela é dado sem (. . .), malícia e só a bem da justiça. E de como assim o disse e jurou lavro o presente.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Documento nº&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1872&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juizo Municipal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Autuações  de uma portaria corpo de delito feito no preto de nome Victorio, escravo de (...) sobrinha do comendador Manuel José de Menezes Prado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrivão Manuel Joaquim de Av.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ano do nascimento do nosso senhor Jesus cristo de mil oitocentos setenta e dois aos trinta dias do mês de abril nesta cidade de Laranjeiras e Comarca dessa Provincia de  Sergipe D’Eu Rey, em meu cartório autuo a portaria corpo do delito (..) feito no preto Victório, acima declarado. Do que faço esse termo, eu manuel Joaquim de Araújo Escrivao de Juiz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(...)&lt;br /&gt;diz: aos trinta dias&lt;br /&gt;do mês de abril&lt;br /&gt;M J Av.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O presente termo q. assina com o Juis, do que tudo dou fé. Eu Thomas de  Aquino Machado Escrivão  q. escreve C. Mello. Luis Barbosa Madureira Mainart Distribuição D. ao Escrivão Machado de Divina  Pastora, 3 de fevereiro de 1876. (...) há o mais porque se passou minha presente carta precatória que sendo lhe                 indo por mim assinada de p. q. V. Sª (...) lançar seu respeitável cumpra-se p. um dos ofícios do seu Juis mandar intimá-lo, Manuel de Azevedo Faro, morador no Engenho Várzia do termo dessa Vila para ver perante este Juiso trasendo seu escravo Luireno para ver se processar, pelas 10 horas do dia 18 do corrente em casa de minha audiencia e feita a deligência com respectiva Certidão (...) outro Juízo, noq. Fará a justiça os postos (...) (...) q. (...) me for quando p. V.Sª (...) me for. Dado passado nesta Vila de Divina Pastora em 3 de fevereiro de 1876. Eu  Thomas de Aquino Machado Escrivão de Juis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;C.  (...) Mello &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Volta a presente precatória ao Juis donde veio sem o devido cumprimento por ter esse Juis de processar também no dia 18 do corrente ou inquisição de testemunhos no processos, que entra o escravo João Mulungú e outros e outros, se vai instaurar por crime de roubo, cujo escravo já foi por este Juis requisitado  ao Doutor chefe de policia para ser remetido para está Vila de Maruim, 10 de fevereiro de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Clr. Am&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Aos desenove dias do mês de 200 fevereiro de 1876 nesta Vila de Divina Pastora em meu Cartório faço este auto conclusao ao Im. Dr. Juis municipal do que para constar faço este termo. Eu Thomas de aquinoi machado, escrivão de Juis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CL.  os&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; De (...) o momento, para que seja intimado o cidadao manuel d’Azevedo faro; senhor do escravo Luirino o (...) (...) (...) que apresente, para (...)  no dia 6 de março. Divina Pastora 19 de fevereiro de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;C.  Mello&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Data&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Aos desenove dia do mês de fevereiro de 1876 neste vila de Divina Pastora pov (...) 200 sem Dr. Juis Municipal foram  me entregue este outra conclusão despachado (...) e (...)  do que para constar faço este termo. Eu Thomas de Aquino Machado Escrivão de Juis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Ilmº Smº Juis M.ol&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Informo a V. Sª que achava este processo a tempos passado como (...) do (...) despacho, passo consigo em que recebe despacho (...) desse mais precatória visto que o senhor de Lurino já havia vendido p. procuração na cidade  de Maruim do q. V. Sª não (...) do não comprimento do despacho (;;;) (...) dia sabe ao contrário, passei precatória e sendo o (...) de parte como se vê da denuncia não tendo aparte sua formado o competente (...), por tudo isto. &lt;br /&gt;Deixei  (...) (...) e por muitos (...) no meu  Cartório deixei deamº dias levar ao conhecimento de V. Sª  os de mº (?) o (...). informando mais que o queixoso  segº tao bem informaram-me (..) no termo de maruim e não no d’está Vila e havendo dado precatória (...) pª as Cidades de Maruim e Laranjeiras estar pª ser intimados os senhores de Manuel Jurema, e de Pedro e aquela p. ser intimado ao senhor de Cassiano e os tesrem os  e não tendo ditos precatórios ainda sido remetidos pª este Juizo sabido q. o Escrivao de Maruim, p. falta de pagamento das deligências (...) de dita precatória, tem deixado de fazer remessa para o Juiso de onde veio, por tudo isto informo para q. V. Sª (...) em sua alta sabedoria como melhor julgar em Direito. Vila de Divina Pastora 20 de maio de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  O Escrivao&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Thomas de Aquino Machado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Clr. Am&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;logo (?) no mesmo dia mês ano e lugar (...) declarado faço este autos conclusos ao senhor Dr. Juis Municipal do q. faço este termo. Eu Thomas de Aquino Machado Escrivao de Juis&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Clr. As&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Avista da informação (...) se remeto esses autos para Maroim, nesta ter se dado o fato naquele termo. Divina Pastora 2 de maio de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;C.  Mello&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Data&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No mesmo dia mês ano e lugar (...) declarado por parte do Imº Dr. Juis Municipal me formo entregue estes autos com seu despacho su- (...) do que fiz este termo Eu Thomas de Aquino Machado, Escrivão de Juis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Remissao&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; aos desoito dias do mês de junho de 1876 nesta Vila de Divina pastora em meu cartório faço remissao destes autos ao Juiso Municipal da cidade de Maroim do que faço este termo eu thomas de Aquino machado, Escrivao de Juis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Remetido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Deseja-me conclusão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Maruim 24 de Julho de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;C.  (...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;certifico que (...) (...) o despacho (...) (...) capitao Jeremias Noberto de Carvalho comandante do (...) destacamento desta cidade, P.. carta enviada pelo Oficial de Justiça Jose Honorio dos santos que ficou ciente do que dou fé. Maruim 25 de julho de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  O Escrivao&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  (...) Dias Ribeiro Nelson&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Juntado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Aos vinte e cinco do mês de julho de mil oitocentos e setenta e seis, junto estes autos ou petiçao que (...) do que fiz está. Eu (...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  Dias Ribeiro Nelson&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;D.  (...) (...) Maruim 24 de julho de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Distribuidor intrº&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;         Gs os (?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Clr. M (?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Aos vinte e quatro dias do mês de julho de mil oitocentos, setenta e seis faço estes autos conclusao ao Juis Municipal Doutor Candido Pinto Lobao (...) fls. Este. Eu (...) Dias Ribeiro Nelson (...).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CL.  os&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Tendo este Juiso despachado uma(. . .) do queixoso em q. podia q. o escravo     (. . .) pertencente a V. Augusto Ferros fora conservado no quartel desta cid. E por ser um dos indiciados no crime de roubo q. (. . .)), mandou intimar o conde do destacamento para não entregar (. . .) escravo sem ordem deste juiz; mando p. a conclusão os presentes autos, sem a (. . .) q. mandou juntar, verificou os mesmos q. o escravo detido não tinha sido preso em fragante e q. o seu sujeito não se dava os requisitos exigidos no artigo 1282º da Lei de 20 de fevereiro de 1876, sem os q. não haverá prisão legal; pelo q. mando q. o intime de novo o comandante do destacamento para entregar o escravo a seu senhor, logo q. forexigido; ficando sem efeito o despacho proferido na pre(. . .) petição. Intima-se antes os queixosos pª prosseguir no processo dentro de 10 dias, sob pena de (. . .), e de passar a Promotoria (. . .) pª (. . .) (. . .) da Justiça (. . .), nisto tratari-se  de (. . .) publicar  (. . .) ao Escrivão q. g.do fis  autos conclusão neste Juiz, (. . .)  trazer papel em branco (. . .) para (. . .), e como não os presentes, cujo espaço mal chegou para este despacho. Maruim  24 de julho de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        C. Lobo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ilmº Semº Dr. Juiz Municipal&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; De Luis Barbosa Madurª Mainart que tendo requisitado perante o Dr. Juiz Municipal de Divina pastora contra os escravos João Mulungu e outros em cuja  número  se acha o preto Malaquias escravo hoje de José Augusto Ferros, o qual escravo se acha recolhido ao quartel desta Cidade afim de ser embarcado pª fora da Povoação queixa que foi fundado no artigo 269 do Código Criminal; e como dito Juiz, depois de receber a queixa e dar andamento ao processo, se reconheceu incompetente e remeteu o processo pª este Juiz, pª isto o Lupp.e, avisto da disposição o artigo 5151º (. . .) (. . .) número 4824 de 22 de novembro de 1871, vem não só requere q. V. Sª de andamento ao dito processo na forma da lei, como também q. se digne a botar q. o dito escravo Malaquias seja o destino q. lhe quer o seu dito senhor, sendo pª isto enviado o Comandante do destacamento pelo escrivão o (. . .) tocar o processo pª que  o não entregue a pessoa alguma sem expressa ordem deste Juiz, antes o (. . .) (. . .) afim de assistir, a formação de culpa dando-lhe (. . .) curador, e sendo mortificado (. . .) do mesmo escravo pª que o defenda na forma da Lei: Portanto, junto ao respectivo processo intimou-se o Comandante do destacamento pª não entregar o escravo sem ordem deste Juiz. Maroim 24 de julho de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     C. Lobão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;   (. . .) a V. Sª diferimento; sendo esta autuada, com o dito  processo, o qual já se acha em poder de V. Sª. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      E.R.M.do&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maruim 24 de julho de 1876.&lt;br /&gt;Luis Barbosa Madureira Mainart&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Certifico que Notifiquei P. carta enviada pelo Oficial de Justiça a Jeremias Norberto de carvalho Capitão Comandante do destacamento, por todo com- Vol.  conteúdo da petição do despacho (. . .), sendo o pª a dita carta o Oficial José Honório dos Santos, e respondeu ficar ciente do que dou fé. Maruim em 24 de julho de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     O Escrivão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;    (. . .) Dias Ribeiro Nelso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deixei (. . .) (. . .) (. . .) e por m. tos (. . .) no meu Cartório deixei deamº  dias levar ao conhecimento de V. Sª os de mº (?) o (. . .). Informado mais que o queixoso segº tão bem informaram-me (. . .) no termo de maruim e não no d’esta Vila e havendo dado precatória (. . .) pª as Cidades de Maruim e Laranjeiras estar pª ser intimados os senhores Manuel Jurema, e de Pedro e aquela p. ser intimado ao Senhor de Cassiano e os tesrem.os  e não tendo precatórias ainda sido remetidos pª este Juízo sabido q. o Escrivão de maruim, p. falta de pagam.to  das deligências (. . .) de dita precatória, tem deixado de fazer remessa pª o Juizo de onde veio, por tudo isto informo pª q. V. Sª (. . .)  em sua alta sabedoria como melhor julgar em Direito. Vila de divina Pastora 20 de maio de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      O Escrivão&lt;br /&gt;     Thomas de Aquino Machado&lt;br /&gt;           Clr.am&lt;br /&gt;   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;logo (?) no mesmo dia mês ano e lugar (. . .) declarado faço este autos conclusos ao Sr. Dr. Juiz Municipal do q. faço este termo Eu Thomas de Aquino Machado Escrivão de Juiz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      Clr.as&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Avista da informação (. . .) se remeto esses autos para Maroim, nesta ter se dado o fato n’aquele termo. Divina Pastora 2 de maio de 1876&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  &lt;br /&gt;       C. Mello&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Data&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; No mesmo dia mês ano e lugar (. . .) declarado por parte do Ilmº Dr. Juiz Municipal me formo entregue estes autos com seu despacho su- (. . .) do que fiz este termo Eu Thomas de Aquino Machado, Escrivão de Juiz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Remissão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Aos dezoito dias do mês de junho de 1876 nesta Vila de Divina Pastora em meu Cartório faço remissão destes autos ao Juiz Municipal da Cidade de Maroim do que faço este termo eu Thomas de Aquino Machado Escrivão de Juiz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Remetido&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Deseja-me Conclusão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maruim 24 de julho de 1876.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;          C. (. . .)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Certifico que (. . .) (. . .) o despacho (. . .) (. . .) Capitão Jeremias Noberto de Carvalho comandante do (. . .) Destacamento desta Cidade, P. Carta enviada pelo Oficial de Justiça José Honório dos Santos que ficou ciente do que dou fé. Maruim 25 de julho de 1876. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;      O Escrivão&lt;br /&gt;     (. . .) Dias Ribeiro Nelson&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Juntado&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; Aos vinte e cinco do mês de julho de mil oitocentos e setenta e seis junto estes autos ou petição que (. . .) se (. . .) Do que fiz esta. Eu (. . .). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;       Dias Ribeiro Nelson&lt;br /&gt;     &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1874&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;AGOSTO&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anexo n.º&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“A LIBERDADE”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ano 1, n.º 53&lt;br /&gt;Aracaju – agosto de 1874.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Violência, Atentado e Crime&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt; O abaixo assinado, Fernando Manoel Barbosa, proprietário do Engenho “Sumbinho” do município de Siriry, vem perante as primeiras autoridades da Província e o público narrar o atentado e violência de que foi vítima na noite do 1º para 2 do corrente mês de agosto em sua casa e engenho, praticado pelo Senhor Francisco Correia Dantas Cardoso, capitaneando uma horda de malfeitores e sicários para tão criminoso fim&lt;br /&gt; Serião 10 para 11 da noite referida quando o reboliço da gente a cavalo e a pé, o tinir de armas, o ladrar dos cães e vozes diversas me despertarão do repouso que eu a toda família procurávamos Ter das fadigas agrícolas do dia, e pozeram em sobressalto nosso espíritos assustados pelo perigo que corria nossa casa. &lt;br /&gt; Sem crime algum cometido e sem agregados criminosos, ou gente suspeita que nunca abriguei em minhas fazendas, meu espirito se perturbou seriamente. A idéia que me veio a mente foi de que estava cercado pelo Chefe bandido JOÃO MULUNGU com a sua quadrilha de ladrões e muito grave se tornava minha situação e de minha família. &lt;br /&gt; Só Deus sabe o quadro que se apresentava em minha casa, as feições de meus numerosos filhos em torno de mim. &lt;br /&gt; Não tardou que fortes pancadas na porta principal se fizesse ouvir acompanhada de uma voz rouquenha; por minha parte então falei perguntando quem era e o que queriam. Reconheci que em lugar do bandido JOÃO MULUNGU, era o Senhor Alferes Francisco Correia Dantas Cardoso, o qual exigia com gritos e ameaças que lhe abrisse a porta da minha casa!&lt;br /&gt; D’uma janela em boa altura que abri reconheci o dito Senhor Alfreres Correia acompanhado de numeroso grupo, armados todos de bacamartes, foices e cacetes, os quais se foram aglomerados ao sons das palavras que trocavamos. Por essa ocasião gritou o mesmo Senhor Alferes que não largassem o cerco  das portas e janelas do fundo da minha casa; voz que foi obdecida pelos selenados como verdadeiros cães de fila. Não restava duvida; estava cercado na próxima casa, nas senzalas e no engenho pelo Senhor Alferes com os seus sequases!!!&lt;br /&gt; Exigindo do mesmo Senhor o fim de sua empresa, em nome de quem a fazia e em caracter, respondeu-me que vinha prender dois escravos do cidadão Manoel José Alves, penhorados pelo vigário Brandão, os quais lhe forão entregues pelo Senhor Juiz Municipal Doutor Jesuino José Gomes, em nome de quem ali se achava e havia de correr toda a fazenda aquela mesma hora. O fato de não ser bandido JOÃO MULUNGU, porém o Alfares Francisco Correia e o nome invocado do Doutor Juiz Municipal, trazendo-me certo grão de menor receio permitido que exigisse se havia  mandado do Juiz, se ali estava o oficial de Justiça e o comandante da força pública deste município. Depois de alguns gaguejos hesitações do Senhor Alferes dizendo que tudo ali se achava e tudo tinha a sua disposição por contar com o mesmo Senhor Doutor Juiz Municipal, a quem já havia defendido em um abaixo assinado quando seriamente acusado, invocando minha memória para esse fato passado, como meio de amedrontar-me, porém sem nada de apresentar de judicial, mas tudo tendo de abusivo e criminoso, fiz-lhe sentir que não abriria minha porta, embora ficasse sujeito a toda sorte de violência conforme estava sendo alvo de suas ameaças e injuriosas insultos. &lt;br /&gt; Forão corridas todas as senzalas e o engenho, forçando-se portas em buscas dos figurados escravos que nunca ali estiverão, nem deles tinha notícia e nem eu que ver som semelhante questão em que sou inteiramente alheio, e invoco que falem a tal respeito os dois contendores como todos quantos me conhecem de perto se nunca andei me envolvendo nos negocios alheios, tendo o tempo como pouco para meu trabalho na lavoura. &lt;br /&gt; Durante horas de por em prática as violências do Senhor Alferes Correia, forão conhecidos entre os celerados: - Manoel Gomes de Moura, Marcolino de Dona Antônia, os cabras João José Luiz Caboclo, José Belina, Manoel Caboclo, Boré, Manoel Jorge e Antônio Camboa, e os escravos Lourenço de propriedade do mesmo Senhor Alferes Correia e José, da propriedade de sua lavradora Dona Antônia, além de outros muitos que as sombras da noite não puderam ser conhecidos. &lt;br /&gt; Convém notar que Marcolino, de Dona Antônia, procurou me falar e ou por fraqueza, ou porque fosse a verdade, disse-me que lhe desculpasse por quanto tinha enganado pelo Senhor Alferes Correia abusando dele como seu lavrador que era. &lt;br /&gt; Ficou patente pois que nem um caracter judicial houve em semelhante procedimento, que nele não tomou parte autoridade, nem a força municipal daqui ali estava confundido com tão desenfreado troço de sicários, e salteadores da liberdade, paz, honra e vida do cidadão. Sem acreditar que o Senhor Doutor Camilo Correia Dantas fizesse parte desses assaltantes e aliás se tem tornado notório que ali estive-la também, não pode sua Senhoria escapar a responsabilidade moral de sua selvática realização e perceber minhas justas censura e do público, porque sendo Sua Senhoria sobrinho e genro do Senhor Alferes Francisco Correia, com ele morador, e convivendo na mesma propriedade, sendo seu ascessor e intimo; manifesta como é a destituição intelectual de seu tio e sogro, não haverá quem possa crer que o criminoso atentado fosse posto em prática sem o parecer e consentimento de sua Senhoria. &lt;br /&gt; Ainda mais: a candidatura do Senhor Doutor Camilo Correia à presidência da comissão Municipal do Siriry, pleiteada por seu sogro, não merecendo aceitação da maioria do partido Liberal de que faço parte neste Municipio, que não presta-lhe adesão, porém de costas quente por um apoio que se gaba Ter suas senhoria no centro provincial para fazer tudo, possuido de despeito, odio, rancor contra todos que como eu lhe negarão votos, ameação ambas, e tudo de mão promete fazer seu sogro vingativo, contra quem quer que for. A mim cabe sofrer o que narrado fica; a outros tocará igual, se não piores para mim e minha familia; e devo crer que possão entender-se contra minha vida e honra de minha familia que não julgo seguras. Do alto da imprensa pois previno a todos em geral que se ponhão de sobreaviso para com o Senhor Alferes e seus criminosos peitos largos, pedindo e rogando aos Excelentissímos Senhores presidentes e Chefe de Policia da Província providências benenficas e sábias que me ponhão ao abrigo do esenfreimento e garras ferinas daquele senhor para com garantias legais poder no juizo criminal promover a punição desses malfeitores. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;     Villa do Siriry, 6 de agosto de 1874&lt;br /&gt;                            Fernando Manoel Barbosa&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/2449249290595044570-8701071077798600872?l=mororialjmulungu.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://mororialjmulungu.blogspot.com/feeds/8701071077798600872/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://mororialjmulungu.blogspot.com/2008/12/resistncia-negra-em-sergipe-del-rey.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2449249290595044570/posts/default/8701071077798600872'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/2449249290595044570/posts/default/8701071077798600872'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://mororialjmulungu.blogspot.com/2008/12/resistncia-negra-em-sergipe-del-rey.html' title='RESISTÊNCIA NEGRA EM SERGIPE D&apos;EL REY - 1870 a 1888'/><author><name>Severo D'Acelino</name><uri>http://www.blogger.com/profile/05359687031518340769</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='22' height='32' src='http://bp3.blogger.com/_SD5Mc5cFGus/SADW8oL_oMI/AAAAAAAAACQ/vlANeBs8OdY/S220/consciencia+negra.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_SD5Mc5cFGus/SVlsRQ4AaQI/AAAAAAAAA2I/sPrNFjFoMF8/s72-c/joao+mulugu.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-2449249290595044570.post-4400172182953280644</id><published>2008-12-29T14:03:00.001-08:00</published><updated>2008-12-29T14:08:25.451-08:00</updated><title type='text'>CONSTRUIN DO A LIBERDADE -(ANA CARLA DE JESUS) Revisita a Resistencia Negra Sergipana em João Mulungu</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;UNIVERSIDADE FERERAL DE SERGIPE&lt;br /&gt;CENTRO DE EDUCAÇÃO E CIÊNCIAS HUMANAS&lt;br /&gt;DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA&lt;br /&gt;ANA CARLA DE JESUS&lt;br /&gt;CONSTRUINDO A LIBERDADE: entre conflitos e&lt;br /&gt;alianças, quilombolas (re)inventam sua história na Região&lt;br /&gt;da Cotinguiba (1870-1879)&lt;br /&gt;Cidade Universitária Prof° José Aloísio de Campos&lt;br /&gt;São Cristovão&lt;br /&gt;Março/2008&lt;br /&gt;ANA CARLA DE JESUS&lt;br /&gt;CONSTRUINDO A LIBERDADE: entre conflitos e&lt;br /&gt;alianças, quilombolas (re)inventam sua história na Região&lt;br /&gt;da Cotinguiba (1870-1879)&lt;br /&gt;Monografia apresentada à disciplina Prática&lt;br /&gt;de Pesquisa, como requisito básico para a&lt;br /&gt;obtenção do grau de licenciado em história.&lt;br /&gt;Orientador:Prof. Msc. Joceneide Cunha dos&lt;br /&gt;Santos.&lt;br /&gt;São Cristovão&lt;br /&gt;2008&lt;br /&gt;iii&lt;br /&gt;A João Mulungu e os quilombolas sergipanos que&lt;br /&gt;viveram na Região da Cotinguiba.&lt;br /&gt;A minha família&lt;br /&gt;iv&lt;br /&gt;AGRADECIMENTOS&lt;br /&gt;Este é um momento de reconhecer gestos e pessoas que foram essenciais no&lt;br /&gt;decorrer da minha vida acadêmica. Mesmo correndo o risco de cometer algum lapso de&lt;br /&gt;memória, não poderia aqui deixar de expressar minha gratidão.&lt;br /&gt;Serei eternamente grata ao meu Deus por tamanha fidelidade para com a minha&lt;br /&gt;vida, mais uma promessa do Senhor acaba de ser cumprida. Louvo e engrandeço a esse Deus&lt;br /&gt;por ter me escolhido para fazer parte da Igreja Congregacional Vida com Cristo e ser ovelha&lt;br /&gt;da Pastora Magdail, cujo zelo e orações foram fundamentais para mim.&lt;br /&gt;Aprendi a admirar Joceneide Cunha, que como orientadora se mostrou uma&lt;br /&gt;profissional exemplar. Seu incentivo, críticas, sugestões e intervenções foram de inestimável&lt;br /&gt;valor para elaboração desta monografia.&lt;br /&gt;Agradeço também a Severo D’Acelino pelo apoio dado, “abrindo as porta” da&lt;br /&gt;Casa de Cultura Afro-Sergipana, fornecendo documentos primordiais e estimulando a&lt;br /&gt;continuidade da pesquisa.&lt;br /&gt;Durante a graduação fui presenteada com a amizade e carinho de pessoas que&lt;br /&gt;jamais esquecerei, são elas: Patrícia, Gislaine, Leilane, Josimari, Eloiza , Aline e Maria.&lt;br /&gt;Nossas viagens, seminários , conversas, risadas, choros ; serão momentos que ficarão&lt;br /&gt;guardados em minha memória.&lt;br /&gt;A base para eu alcançar essa conquista foi a minha família. Agradeço a minha&lt;br /&gt;mãe Marlene por toda sua luta desde os primeiros anos da minha vida, sempre se esforçando&lt;br /&gt;para que nunca me faltasse nada. Soube superar os momentos de dificuldades e hoje&lt;br /&gt;comemoramos essa vitória.&lt;br /&gt;A Fá (minha outra mãe), minha gratidão não é menor; Deus me presenteou com&lt;br /&gt;sua vida, e nesses mais de vinte anos que moramos juntas, conseguimos transpor várias&lt;br /&gt;barreiras e sei o quando desejou e lutou para vivenciar este momento. Seu total apoio no&lt;br /&gt;v&lt;br /&gt;decorrer da minha vida, suas renuncias ao meu favor , me tornaram a pessoa que sou hoje, e&lt;br /&gt;com certeza essa conquista teve sua intensa participação.&lt;br /&gt;Agradeço também ao meu avô, pelo seu carinho e “histórias”; a minha prima Iêda,&lt;br /&gt;que jamais se negou a ajudar nos momentos em que precisei; e a meus irmãos Luciano,&lt;br /&gt;Fabiano, Thaís, Tatiana e Aline.&lt;br /&gt;A minha irmã Aline agradeço pelo incentivo, a ajuda na hora de digitar as&lt;br /&gt;transcrições, a companhia que me fez durante as madrugadas que passei produzindo a&lt;br /&gt;monografia, por agüentar minhas mudanças de humor, enfim agradeço pelo carinho.&lt;br /&gt;vi&lt;br /&gt;SUMÁRIO&lt;br /&gt;LISTA DE TABELAS --------------------------------------------------------------------------------- vii&lt;br /&gt;RESUMO ----------------------------------------------------------------------------------------------- viii&lt;br /&gt;INTRODUÇÃO ------------------------------------------------------------------------------------------ 9&lt;br /&gt;CAPÍTULO I -------------------------------------------------------------------------------------------- 17&lt;br /&gt;A HISTÓRIA DE UM NEGRO QUILOMBOLA ---------------------------------------------- 17&lt;br /&gt;1.1 O NASCIMENTO DO CRIOULO JOÃO------------------------------------------------------- 17&lt;br /&gt;1.2 MULUNGU REIVENTA SUA PRÓPRIA HISTÓRIA ---------------------------------------19&lt;br /&gt;CAPÍTULO II ------------------------------------------------------------------------------------------- 23&lt;br /&gt;A INTERAÇÃO ENTRE O MUNDO DOS QUILOMBOLAS E A SOCIEDADE&lt;br /&gt;ENVOLVENTE ----------------------------------------------------------------------------------------23&lt;br /&gt;2.1 UM BREVE PERFIL DOS QUILOMBOLAS SERGIPANOS ------------------------------23&lt;br /&gt;2.2 ALIANÇA ENTRE QUILOMBOLAS AFRICANOS E CRIOULOS ----------------------28&lt;br /&gt;2.3 A UNIÃO DOS QUILOMBOLAS COM OS ESCRAVOS LIBERTOS -------------------31&lt;br /&gt;2.4 SENZALAS: UM REFÚGIO SEGURO --------------------------------------------------------33&lt;br /&gt;2.5 PRESENÇA FEMININA: RELAÇÃO DAS MULHERES COM OS ESCRAVOS&lt;br /&gt;QUILOMBOLAS ---------------------------------------------------------------------------------------36&lt;br /&gt;2.6 A REDE DE SOCIALIZAÇÃO ------------------------------------------------------------------39&lt;br /&gt;CAPÍTULO III -------------------------------------------------------------------------------------------41&lt;br /&gt;SENHORES E QUILOMBOLAS: HISTÓRIAS DE CONFLITOS E BARGANHAS NA&lt;br /&gt;ZONA DA COTINGUIBA ---------------------------------------------------------------------------41&lt;br /&gt;3.1 JOGO DE INTERESSES: FAZENDEIROS E QUILOMBOLAS ABREM ESPAÇO&lt;br /&gt;PARA BARGANHAS ----------------------------------------------------------------------------------41&lt;br /&gt;3.2 QUILOMBOLAS E FAZENDEIROS TRAVAM CONFLITOS ----------------------------48&lt;br /&gt;3.3 REPRESSÃO: O APARATO MILITAR ENTRA EM CENA -------------------------------51&lt;br /&gt;CONSIDERAÇÕES FINAIS ------------------------------------------------------------------------- 57&lt;br /&gt;ANEXOS------------------------------------------------------------------------------------------------- 63&lt;br /&gt;vii&lt;br /&gt;LISTA DE TABELAS&lt;br /&gt;Tabela 1.1 : Saldo Migratório da População Escrava por Regiões ......................................... 18&lt;br /&gt;Tabela 2.1: Sergipe (1850) - Distribuição por Regiões da População Livre e Escrava .......... 24&lt;br /&gt;Tabela 2.2 : Composição Demográfica dos Escravos de Sergipe segundo a Nacionalidade&lt;br /&gt;(1872) ......................................................................................................................................29&lt;br /&gt;Tabela 3.1: Sergipe – Diversos Municípios : Plantel Médio de Escravos por Engenho..........41.&lt;br /&gt;viii&lt;br /&gt;RESUMO&lt;br /&gt;A interação dos quilombos com o mundo escravista, na região da Cotinguiba, Província de&lt;br /&gt;Sergipe, foi parcamente estudada. Visando contribuir para o preenchimento dessa lacuna, esta&lt;br /&gt;monografia tem como objetivo analisar as relações travadas entre os quilombolas sergipanos&lt;br /&gt;e a sociedade envolvente, na década de 1870. Faremos isso através da vida de João Mulungu e&lt;br /&gt;seus companheiros. Utilizei um leque diverso de fontes históricas: inventários post-mortem,&lt;br /&gt;processos-crime, ofícios expedidos e recebidos pela segurança pública, autos de perguntas,&lt;br /&gt;relatórios provinciais, dentre outras. Poderemos notar que a maior parte dos quilombos não&lt;br /&gt;estavam à margem da sociedade escravista, mas sim em contínua relação com ela.&lt;br /&gt;Palavras chave: escravidão, quilombos , João Mulungu, sociedade envolvente&lt;br /&gt;INTRODUÇÃO&lt;br /&gt;O trabalho escravo impôs uma realidade social extremamente violenta. No&lt;br /&gt;entanto, como afirma Sidney Chalhoub, homens e mulheres escravizados não se tornaram&lt;br /&gt;passivos receptores dos valores senhoriais, ao contrário, os escravos pensavam e agiam&lt;br /&gt;segundo premissas próprias ¹.&lt;br /&gt;Esses cativos buscavam negociar espaços de autonomia com seus Senhores, no&lt;br /&gt;entanto, quando essa negociação falhava abria-se espaço para fuga e possível formação de&lt;br /&gt;quilombos, sendo esta uma das formas mais notórias de resistência dos escravos e que se fez&lt;br /&gt;presente em quase todo território nacional ² .&lt;br /&gt;Na Província de Sergipe , as notícias sobre existência de quilombos remetem ao&lt;br /&gt;século XVII, como bem afirma Felte Bezerra3. Contudo, é a partir do século XIX que esses&lt;br /&gt;quilombos começaram a se destacar. De acordo com Lourival Santos isso deve ter ocorrido&lt;br /&gt;ou porque foram mais constantes nessa época, ou porque a documentação preservada permite&lt;br /&gt;a constatação de sua existência4; ou ainda devido a uma maior presença de africanos nas terras&lt;br /&gt;sergipanas.&lt;br /&gt;O objetivo dessa monografia, portanto, é analisar as relações travadas entre os&lt;br /&gt;quilombolas sergipanos e a sociedade envolvente, pois partimos do pressuposto que os&lt;br /&gt;quilombos não eram redutos de negros marginalizados e isolados da sociedade, ao contrário,&lt;br /&gt;os quilombolas buscaram , sempre que possível, uma interação com o “mundo” escravista.&lt;br /&gt;Faremos isso através da vida de João Mulungu, seus companheiros e companheiras.&lt;br /&gt;Pretendemos ainda descrever e analisar o cotidiano e as experiências desses sujeitos.&lt;br /&gt;_________________________&lt;br /&gt;¹CHALHOUB,Sidney. Visões da liberdade: uma história das últimas décadas da escravidão na corte.São Paulo:&lt;br /&gt;Companhia das letras, 1990.&lt;br /&gt;²Ver sobre o assunto REIS, João José e GOMES, Flávio dos Santos. Liberdade por um fio:história dos&lt;br /&gt;quilombos no Brasil.São Paulo:Companhia das letras, 1996&lt;br /&gt;3 BEZERRA, Felte.As Etnias Sergipanas. Aracaju:J.Andrade , 1984.p.107&lt;br /&gt;4 SANTOS, Lourival Santana. Quilombos e quilombolas em terras de Sergipe no século XIX. Revista do&lt;br /&gt;Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe.Aracaju:n° 31, 1992,p. 32.&lt;br /&gt;10&lt;br /&gt;Mulungu é aqui retratado como um sujeito que representa dezenas de outros&lt;br /&gt;escravos, que assim como ele, não se mantiveram passivos aos desígnios do Senhor de&lt;br /&gt;Engenho. A pesquisa não pretende se concentrar no indivíduo examinado em si mesmo, mas&lt;br /&gt;apenas se valer dele para examinar o seu “em torno”5. João Mulungu é um pequeno&lt;br /&gt;fragmento através do qual buscamos perceber realidades mais amplas, e compreender a&lt;br /&gt;configuração social na qual encontrava-se inserido.&lt;br /&gt;A historiografia tradicional prioriza a história vista por cima, ou seja, valoriza&lt;br /&gt;figuras ilustres como generais, estadistas , enfim, aqueles que são considerados grandes&lt;br /&gt;homens. Muitos historiadores deixam de lado a história de personagens comuns, esquecendose&lt;br /&gt;que estes também constroem a história. A nova história, por sua vez, busca considerar tanto&lt;br /&gt;a “história de cima” como também a “vista de baixo”6. Foi com o intuito, de valorizar os&lt;br /&gt;sujeitos até então anônimos, ou pouco celebrados pela historiografia que resgatamos a história&lt;br /&gt;do quilombola João Mulungu.&lt;br /&gt;Para algumas pessoas ligadas ao Movimento Negro, como Severo D’Acelino,&lt;br /&gt;Mulungu é um símbolo de resistência, o verdadeiro Herói Negro Sergipano, para outros se&lt;br /&gt;trata de apenas mais um negro que foi escravizado, e que como outros fugiu para se tornar&lt;br /&gt;um quilombola, defendendo essa concepção temos a historiadora Maria Nely, para a qual&lt;br /&gt;“tributar a João Mulungu o título de líder dos quilombolas e herói negro é um procedimento&lt;br /&gt;precipitado e reducionista7”.&lt;br /&gt;Outro a corroborar com a idéia da historiadora Maria Nely é o historiador&lt;br /&gt;Petrônio Domingues, este em artigo publicado no Jornal da Cidade, aborda a luta pelo fim do&lt;br /&gt;cativeiro em Sergipe, ressaltando o papel desempenhado pelos ativistas do movimento&lt;br /&gt;abolicionista e pelos próprios escravos.No decorrer de seu artigo cita o quilombola João&lt;br /&gt;Mulungu, como um daqueles que lutou pela liberdade através da “rebeldia” e afirma que&lt;br /&gt;__________________________&lt;br /&gt;5BARROS, José D’Assunção. O campo da história: especialidades e abordagens.3ª ed. Rio de Janeiro: vozes,&lt;br /&gt;2004.&lt;br /&gt;6 Sobre a chamada “história vista de baixo” cf. BURKE, Peter. A Escrita da História : Novas Perspectivas. São&lt;br /&gt;Paulo: Editora da UNESP, 1992.&lt;br /&gt;7 SANTOS, Maria Nely. A sociedade Libertadora “Cabana do Pai Thomaz”: Francisco José Alves, uma&lt;br /&gt;história de vida e outras histórias. Aracaju: Gráfica J.Andrade,1997,p.121.&lt;br /&gt;11&lt;br /&gt;Mulungu não deve ser tratado como herói , pois “antes e sobretudo depois de sua&lt;br /&gt;morte surgiram outros ‘mulunguns’, com histórias tão ou mais fabulosas do que a dele8”&lt;br /&gt;Contudo, independente do título que lhe queiram conferir, é inegável que&lt;br /&gt;Mulungu se tornou um mito, um emblema contra a discriminação racial, um referencial de&lt;br /&gt;luta para o Movimento Negro em Sergipe, embora muitos não o reconheçam como tal.&lt;br /&gt;Atualmente a Casa de Cultura Afro-Sergipana , tendo a frente Severo D’Acelino,&lt;br /&gt;promove uma ação de resgate e revitalização a respeito da figura de João Mulungu, tentando&lt;br /&gt;fazer com que esse quilombola saía do anonimato e passe a ser reconhecido. Severo&lt;br /&gt;D’Acelino tem desenvolvido alguns trabalhos, como o intitulado João Mulungum: vida e&lt;br /&gt;morte de um negro herói sergipano9, onde narra, em versos, a saga do quilombola Mulungu.&lt;br /&gt;Uma importante conquista foi o reconhecimento de João Mulungu como Herói&lt;br /&gt;Negro, pela lei N° 407 de 08 de agosto de 1990, em Laranjeiras. Dois anos depois , em&lt;br /&gt;Aracaju é sancionada a lei 1.856 de 14 de julho, na qual Mulungu também foi reconhecido&lt;br /&gt;como Herói Negro e o dia 19 de janeiro (data de sua captura) é instituído como Dia Municipal&lt;br /&gt;da Consciência Negra10.&lt;br /&gt;Ainda por iniciativa da Casa de Cultura Afro-Sergipana, em 2002 foi implantado&lt;br /&gt;o Projeto Cultural de Educação “João Mulungu vai às escolas” em parceria com a Secretária&lt;br /&gt;de Estado da Educação. Esse projeto buscou difundir a importância do negro na sociedade&lt;br /&gt;sergipana, promover a auto-estima e construção da identidade cultural dos alunos, discutir o&lt;br /&gt;racismo nas escolas, promover debates sobre a resistência negra em Sergipe e discussões&lt;br /&gt;sobre a política de ações afirmativas e compensatórias11.&lt;br /&gt;Academicamente não existem trabalhos que tenham o personagem citado como&lt;br /&gt;eixo principal. A historiadora Maria Nely , em um de seus estudos buscou traçar uma&lt;br /&gt;____________________________&lt;br /&gt;8 DOMINGUES,Petrônio. 13 de Maio e os embates abolicionistas. Aracaju, 2007. disponível em: http://&lt;br /&gt;www.jornaldacidade.net Acesso em 14 de março de 2008.&lt;br /&gt;9 D’ACELINO.Severo.João Mulungum: vida e morte de um negro herói sergipano. Série memória negra&lt;br /&gt;Sergipana ; n° 01: GRFACACA.&lt;br /&gt;10/11 Informações obtidas através do Memorial João Mulungu, produzido por Severo D’Acelino.&lt;br /&gt;12&lt;br /&gt;biografia sobre o abolicionista Francisco José Alves, e em alguns momentos a autora retratou&lt;br /&gt;a questão da resistência negra através da formação de mocambos, onde cita, dentre outros&lt;br /&gt;quilombolas, João Mulungu12. A exemplo de Nely temos também Lourival Santos, que em&lt;br /&gt;sua pesquisa sobre os quilombos sergipanos, aborda o caso do quilombola João Mulungu,&lt;br /&gt;mas não tem a pretensão de torná-lo o eixo central de seu trabalho13. Por todos os motivos&lt;br /&gt;citados, acreditamos ser relevante transformá-lo no tema central deste trabalho.&lt;br /&gt;O marco espacial desta pesquisa é a região da Cotinguiba, que compreende os&lt;br /&gt;municípios cortados pelas bacias hidrográficas do Rio Sergipe e do Rio Japaratuba14. A&lt;br /&gt;escolha de tal região se deve ao fato da mesma ser considerada a mais importante na produção&lt;br /&gt;açucareira da Província , contando portanto, com uma maior concentração de escravos.&lt;br /&gt;Consequentemente , foi a região onde se pode notar uma maior resistência dos escravos ao&lt;br /&gt;sistema que lhes foi imposto.A escolha dessa região também está atrelada ao fato de ter sido a&lt;br /&gt;área em que Mulungu mais atuou.&lt;br /&gt;Optamos por delimitar o marco temporal para a segunda metade do século XIX,&lt;br /&gt;mais especificamente, a década de 1870, por representar o período de desagregação do&lt;br /&gt;escravismo e relativa estagnação da economia açucareira. Segundo Josué Modesto dos Passos&lt;br /&gt;Subrinho, na década de 1870, o açúcar participou, em média, com 77% do valor total das&lt;br /&gt;exportações sergipanas, sendo que na década de 1850 correspondia a 91,1% das&lt;br /&gt;exportações15. E principalmente porque esse foi o período de atuação do quilombola João&lt;br /&gt;Mulungu.&lt;br /&gt;Segundo Lourival Santana Santos e Maria Thetis Nunes, na década de 1870&lt;br /&gt;também se verificou uma maior tendência dos escravos para fugirem e se organizarem em&lt;br /&gt;quilombos; principalmente após a promulgação da lei de 28 de setembro de 1871, Lei do&lt;br /&gt;Ventre Livre, que dava liberdade os filhos de escravos nascidos após esta data15.&lt;br /&gt;__________________________&lt;br /&gt;12 SANTOS, Maria Nely. A sociedade Libertadora “Cabana do Pai Thomaz”: Francisco José Alves, uma&lt;br /&gt;história de vida e outras histórias. Aracaju: Gráfica J.Andrade, 1997, pp. 107-132.&lt;br /&gt;13 SANTOS, Lourival Santana. Quilombos e quilombolas em terras de Sergipe no século XIX. Revista do&lt;br /&gt;Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Aracaju: n° 31, 1992, pp. 31-43.&lt;br /&gt;14cf.PASSOS SUBRINHO, Josué M. Reordenamento do trabalho: trabalho escravo e trabalho livre no&lt;br /&gt;Nordeste açucareiro (1850-1888). Aracaju: FUNCAJU, 2000, p.57.&lt;br /&gt;15 PASSOS SUBRINHO, Josué M. op.cit. pp. 36-40.&lt;br /&gt;16cf. NUNES, Maria Thetis. Sergipe Provincial II (1840/1889).Rio de Janeiro:Tempo Brasileiro,2006,pp.59-60.&lt;br /&gt;SANTOS, Lourival Santana. Op.cit. pp. 31-43.&lt;br /&gt;13&lt;br /&gt;Contudo, os cativos interpretavam a lei como se fosse abrangente a todos os escravos. Ao&lt;br /&gt;perceberem que ela não atendia as suas aspirações, houve um aumento das fugas. O&lt;br /&gt;Presidente Luiz Álvares de Azevedo, em relatório à Assembléia Provincial , no ano de 1872,&lt;br /&gt;registrou:&lt;br /&gt;“Alguns escravos, mal aconselhados e imbuídos de falsa idéia de que se acham&lt;br /&gt;todos livres pela Lei n° 2.040 de setembro (Lei do Ventre Livre); e que não gozam&lt;br /&gt;de sua liberdade porque os senhores a isso se opõem, se têm refugiado nas matas, e&lt;br /&gt;reunidos em quilombos (...)17” .&lt;br /&gt;A historiografia da escravidão no Brasil remete ao final do século XVII, pois os&lt;br /&gt;cronistas coloniais, dentre eles Gaspar Van Barleu, já destacavam a resistência dos&lt;br /&gt;quilombolas, notadamente dos Palmarinos, sendo que um dos principais objetivos era&lt;br /&gt;enaltecer a ação das forças repressoras, do aparato militar18. Posição que prevaleceu até o&lt;br /&gt;século XIX.&lt;br /&gt;Nos anos 30 do século XX, seguindo os estudos de Nina Rodrigues, Arthur&lt;br /&gt;Ramos e Edison Carneiro, os estudos sobre quilombos assumem um viés culturalista, segundo&lt;br /&gt;os mesmos, o objetivo dos quilombolas seria restaurar a África, tratar-se-ia de uma reação&lt;br /&gt;contra-aculturativa19.&lt;br /&gt;Por volta da década de 1950, a chamada “escola paulista”, que reúne autores&lt;br /&gt;como Fernando Henrique Cardoso, Octavio Ianni , Florestan Fernandes e Emília Viotti da&lt;br /&gt;Costa trataram a resistência escrava como algo secundário, pois procuravam enfatizar a&lt;br /&gt;coisificação do escravo. No entanto, Clóvis Moura, Luís Luna, José Alípio Goulart e Décio&lt;br /&gt;Freitas, colocaram em destaque a resistência escrava, embora atrelada a corrente marxista, na&lt;br /&gt;qual os quilombos passam a serem vistos como uma forma de negar o regime escravista&lt;br /&gt;através da construção de uma sociedade alternativa20.&lt;br /&gt;____________________&lt;br /&gt;17 NUNES, Maria Thetis. Sergipe Provincial II (1840/1889).Rio de Janeiro:Tempo Brasileiro,2006,p.59.&lt;br /&gt;18 REIS, João José e GOMES, Flávio dos Santos. Liberdade por um fio:história dos quilombos no Brasil.São&lt;br /&gt;Paulo:Companhia das letras, 1996, p.11.&lt;br /&gt;19/20 Adelmir Fiabani faz um apanhado historiográfico a respeito do que já se escreveu sobre os quilombos&lt;br /&gt;brasileiros no período de 1532-2004. Vide: FIABANI, Adelmir.Mato, Palhoça e Pilão: O quilombo, da&lt;br /&gt;escravidão às comunidades remanescentes (1532-2004).São Paulo:Expressão Popular,2005. Dentre outros&lt;br /&gt;trabalhos que fazem esses apanhado historiográfico cito: REIS, João José e GOMES, Flávio dos Santos.&lt;br /&gt;Liberdade por um fio:história dos quilombos no Brasil.São Paulo:Companhia das letras, 1996.&lt;br /&gt;14&lt;br /&gt;A nova historiografia da escravidão, no que concerne a questão dos quilombos&lt;br /&gt;não abandonou a problemática cultural nem a influencia marxista, mas vem tentando elaborar&lt;br /&gt;trabalhos que renovem as discussões e os quilombolas passem a ser vistos como sujeitos de&lt;br /&gt;sua própria história ; temos como exemplo João José Reis, Flávio dos Santos Gomes, Eduardo&lt;br /&gt;Silva, dentre outros21.&lt;br /&gt;Pesquisadores Sergipanos também não se mantiveram alheios à discussão sobre&lt;br /&gt;quilombos na Província da Sergipe. Felte Bezerra, por exemplo, alia-se a corrente culturalista,&lt;br /&gt;uma vez que defende que as tentativas de resistência dos negros em Sergipe, representaram&lt;br /&gt;um fenômeno contra-aculturação22.&lt;br /&gt;A historiadora Maria Nely Santos, retrata os “mocambos” existentes na Província&lt;br /&gt;de Sergipe como um movimento espontâneo e desorganizado, incapaz de subverter a ordem&lt;br /&gt;escravista. Para a citada historiadora, os “mocambos” também são vistos como algo&lt;br /&gt;marginalizado. Nely opta pela expressão mocambo em detrimento do termo quilombo, pois de&lt;br /&gt;acordo com a mesma, não se trata simplesmente de uma variante terminológica, mas sim de&lt;br /&gt;recolocá-la no seu verdadeiro contexto23.&lt;br /&gt;A opção de Maria Nely Santos parece estar atrelada ao fato dos quilombos&lt;br /&gt;sergipanos não serem fixos, terem um caráter predatório e contarem com um número reduzido&lt;br /&gt;de escravos, se comparado a quilombos de outras regiões brasileiras.&lt;br /&gt;O artigo de Amâncio Cardoso , Escravidão em Sergipe: fuga e quilombos – século&lt;br /&gt;XIX24; retrata e corrobora para a análise do fenômeno quilombola como símbolo de&lt;br /&gt;resistência a escravidão,e não apenas um fenômeno contra-aculturação, como foi defendido&lt;br /&gt;por Felte Bezerra.&lt;br /&gt;_______________________&lt;br /&gt;21 Vide: FIABANI, Adelmir.Mato, Palhoça e Pilão: O quilombo, da escravidão às comunidades remanescentes&lt;br /&gt;(1532-2004).São Paulo:Expressão Popular,2005.&lt;br /&gt;22BEZERRA, Felte.As Etnias Sergipanas. Aracaju:J.Andrade , 1984.p.104.&lt;br /&gt;23 SANTOS, Maria Nely. A sociedade Libertadora “Cabana do Pai Thomaz”: Francisco José Alvas,uma&lt;br /&gt;história de vida e outras histórias. Aracaju: Gráfica J.Andrade,1997,pp. 107-132.&lt;br /&gt;24 CARDOSO, Amâncio. Escravidão em Sergipe : fugas e quilombos , século XIX. Revista do Instituto&lt;br /&gt;Histórico e Geográfico de Sergipe. Aracaju,n° 34 , 2003-2005, pp. 55-73.&lt;br /&gt;15&lt;br /&gt;O historiador Lourival Santana Santos, também é um dos estudiosos que retratam&lt;br /&gt;a questão dos quilombos em Sergipe. Na concepção desse historiador, os quilombos&lt;br /&gt;sergipanos “em nenhum momento promoveram uma transformação social revolucionária25”.&lt;br /&gt;Buscaremos inserir este trabalho no âmbito da nova historiografia da escravidão,&lt;br /&gt;e nessa proposta, o escravo negro aquilombado, não será um testemunho mudo , ao contrário&lt;br /&gt;representará um elemento vivo, dinâmico, capaz de agenciar sua própria vida.&lt;br /&gt;Para tanto, foi utilizada fontes primárias, tais como: inventários post-mortem,&lt;br /&gt;processos-crime, ofícios expedidos e recebidos pela segurança pública, autos de perguntas e&lt;br /&gt;relatórios provinciais26.&lt;br /&gt;Grande parte dessas fontes faz parte dos chamados “documentos da repressão”, ou&lt;br /&gt;seja, foram produzidos por membros da força repressora, chegando até nós através de filtros e&lt;br /&gt;intermediários que os deformam; porém isso não os torna inutilizáveis, pelo contrário, cabe ao&lt;br /&gt;historiador ler as “entrelinhas” para desvendar e abrir caminhos para o estudo dos escravos&lt;br /&gt;em fuga.&lt;br /&gt;Não devemos esquecer que para se extrair algo dos documentos, é preciso que&lt;br /&gt;coloquemos algumas indagações. O documento oferece respostas de acordo com as perguntas&lt;br /&gt;que lhe são feitas. Ele não fala por si mesmo; apenas apresenta uma situação que foi&lt;br /&gt;registrada por alguém com intenção específica. Portanto, pretendemos fazer uso do método&lt;br /&gt;indiciário proposto por Ginzburg, no qual , apenas observando atentamente e registrando&lt;br /&gt;com minúcia os fatos é possível elaborar “histórias”27.&lt;br /&gt;Apesar da dificuldade encontrada na coleta das fontes primárias , o presente&lt;br /&gt;trabalho conta com um grande volume de documentos produzidos no século XIX, a&lt;br /&gt;___________________________&lt;br /&gt;25 SANTOS, Lourival Santana. Quilombos e quilombolas em terras de Sergipe no século XIX. Revista do&lt;br /&gt;Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe.Aracaju:n° 31, 1992,p. 42.&lt;br /&gt;26Esses documentos foram encontrados no Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe, Arquivo Público do&lt;br /&gt;Tribunal Judiciário, Arquivo Público do Estado de Sergipe e Casa de Cultura Afro-Sergipana.&lt;br /&gt;27 GUINZBURG, Carlo. Sinais: raízes de um paradigma indiciário.São Paulo:Companhia das Letras, 1989, pp.&lt;br /&gt;143-179.&lt;br /&gt;16&lt;br /&gt;importância desses documentos não é apenas quantitativa; trata-se de uma documentação de&lt;br /&gt;importante valor qualitativo, uma vez que, através dela podemos ampliar nosso conhecimento&lt;br /&gt;sobre os quilombos sergipanos, como também tais fontes possibilitam uma maior reflexão a&lt;br /&gt;respeito das relações travadas pelos quilombolas com a sociedade envolvente.&lt;br /&gt;Esta monografia é composta por três capítulos. No primeiro deles buscamos&lt;br /&gt;apresentar a história de um quilombola sergipano: João Mulungu. Nesse capítulo ocorre a&lt;br /&gt;descrição da vida desse crioulo, que se tornou, em meio ao regime escravocrata, autor de sua&lt;br /&gt;própria história.&lt;br /&gt;O segundo capítulo aborda o envolvimento dos quilombolas com a sociedade&lt;br /&gt;envolvente. Inicia-se com o perfil dos quilombolas sergipanos, onde buscamos perceber quem&lt;br /&gt;eram esses sujeitos que optavam pela vida nos quilombos, bem como quais as motivações&lt;br /&gt;para tomarem essa atitude. Em seguida ocorre uma análise das alianças que os quilombolas&lt;br /&gt;celebravam com diversos grupos sociais, em meio ao sistema escravista vigente.&lt;br /&gt;O terceiro e último capítulo retrata a relação dos quilombolas com os proprietários&lt;br /&gt;de engenhos , onde evidenciamos que ao lado daqueles que buscaram reprimir a formação de&lt;br /&gt;quilombos também existiu alguns Senhores que apoiavam os quilombolas, dando-lhes&lt;br /&gt;proteção. Perceberemos neste capítulo o jogo de interesses que envolvia quilombolas e&lt;br /&gt;Senhores de Engenho. Para finalizar o capítulo temos uma exposição sobre a ação das forças&lt;br /&gt;repressoras contra os quilombos.&lt;br /&gt;CAPÍTULO I&lt;br /&gt;A HISTÓRIA DE UM NEGRO QUILOMBOLA&lt;br /&gt;1.1 O NASCIMENTO DO CRIOULO JOÃO&lt;br /&gt;Por volta de 1851 nascia no Engenho Piedade, freguesia de Itabaiana, o negro&lt;br /&gt;João; filho de Maria, escrava de José Inácio do Prado, proprietário do Engenho “Quidongá”.&lt;br /&gt;Nascera, portanto, dentro do sistema escravocrata, e sua sorte parecia já estar traçada. Seria&lt;br /&gt;mais um negro a ser inserido no trabalho compulsório vigente28.&lt;br /&gt;Segundo Passos Subrinho, na década de 1850, o então Município de Itabaiana&lt;br /&gt;abrangia vasta área do agreste-sertão, no entanto, possuía um reduzido número de engenhos&lt;br /&gt;de açúcar, cerca de 29 . Essa região era ocupada principalmente por uma agricultura de&lt;br /&gt;subsistência e pecuária, bem como pelo cultivo do algodão29.&lt;br /&gt;Ainda de acordo com o citado autor, o Agreste-Sertão de Itabaiana foi à região&lt;br /&gt;mais caracteristicamente exportadora líquida de escravos. Em termos líquidos foram&lt;br /&gt;exportados, no período de 1873-86 , 1.388 escravos, que em termos relativos corresponde a&lt;br /&gt;39,99% da população escrava matriculada em 187330. A tabela 1.1 demonstra de forma mais&lt;br /&gt;detalhada o saldo migratório da população escrava.&lt;br /&gt;________________________&lt;br /&gt;28 As informações expostas tem como base documental as transcrições dos autos de perguntas feitos ao escravo&lt;br /&gt;João Mulungu, quando este foi preso. Essas transcrições foram consultadas no acervo da Casa de Cultura Afro-&lt;br /&gt;Sergipana.&lt;br /&gt;29 Ver PASSOS SUBRINHO, Josué M. Reordenamento do trabalho: trabalho escravo e trabalho livre no&lt;br /&gt;Nordeste açucareiro (1850-1888). Aracaju: FUNCAJU, 2000, pp.76-79.&lt;br /&gt;30 Ver PASSOS SUBRINHO, Josué M. op.cit.pp.117-142.&lt;br /&gt;18&lt;br /&gt;Tabela 1.1 : Saldo Migratório da População Escrava por Regiões&lt;br /&gt;Regiões 1873-82 1882-86 1873-86&lt;br /&gt;Cotinguiba 1.102 -71 1.031&lt;br /&gt;Mata Sul -277 365 88&lt;br /&gt;Agreste-Sertão do S.Francisco -315 56 -289&lt;br /&gt;Agreste-Sertão de Itabaiana -1.013 -375 -1.388&lt;br /&gt;Agreste-Sertão Sul -152 -213 -365&lt;br /&gt;Total -655 -238 -893&lt;br /&gt;Fonte: Passos Subrinho, 2000, p.145.&lt;br /&gt;João será um dentre os inúmeros escravos que foram exportados da região de&lt;br /&gt;Itabaiana. Ainda muito jovem foi vendido a João Pinheiro de Mendonça, dono do Engenho&lt;br /&gt;Mulungu, no Termo de Laranjeiras. Por isso, “Mulungu” foi o nome com o qual João passou&lt;br /&gt;a ser identificado ao longo de sua vida.&lt;br /&gt;Laranjeiras, situada na Zona da Cotinguiba; possuía em torno de 73 engenhos na&lt;br /&gt;década de 1850, enquanto Itabaiana contava com uma média 29 engenhos. Em 1875 o&lt;br /&gt;número de engenhos em Itabaiana é reduzido para 16, enquanto Laranjeiras passa a contar&lt;br /&gt;com 5431. A partir dessa constatação percebe-se que havia uma maior demanda pela mão-deobra&lt;br /&gt;escrava na Zona da Cotinguiba, fato que pode ter motivado a venda de escravos para essa&lt;br /&gt;região.&lt;br /&gt;Ao chegar a fazenda de João Pinheiro passou a exercer a profissão de agricultor,&lt;br /&gt;e executar outros serviços que o seu Senhor ordenasse, como por exemplo o de colocar fogo&lt;br /&gt;na fornalha, serviço que João considerava pesado, pois na época era muito jovem e esses&lt;br /&gt;trabalhos acabavam sobrecarregando-o. Além disso tinha que conviver com os constantes&lt;br /&gt;castigos 32.&lt;br /&gt;Por não aceitar essa situação, João resolve ir em busca de um outro Senhor. Por&lt;br /&gt;duas vezes chegou a fugir de casa, mas João Pinheiro deixava claro para aqueles que&lt;br /&gt;demonstravam interesse em comprá-lo que não o venderia.&lt;br /&gt;_______________________________&lt;br /&gt;31 Ver PASSOS SUBRINHO, Josué M, op.cit ,p.58.&lt;br /&gt;32 Informações presentes na transcrição do auto de perguntas feito ao escravo João Mulungu em 1876.&lt;br /&gt;19&lt;br /&gt;João José Reis e Eduardo Silva definem esse tipo de fuga como sendo de caráter&lt;br /&gt;reivindicatório, onde os escravos estavam em busca de melhores condições de trabalho e vida,&lt;br /&gt;e para tanto, assumiam uma posição não colaboracionista para pressionar senhores&lt;br /&gt;indesejáveis a vendê-los33. Esse sem dúvida foi o caso do escravo João.&lt;br /&gt;Contudo, não obteve êxito ; e já não suportando mais a maneira com a qual seu&lt;br /&gt;Senhor o tratava; João tentou mais uma fuga. Dessa vez não buscava um outro Senhor; agora&lt;br /&gt;tinha por objetivo “entranhar-se pelas matas”, na época ele tinha por volta de 17 anos, era o&lt;br /&gt;ano de 1868.&lt;br /&gt;A fuga que a princípio tinha um caráter apenas reivindicatório; visava agora o&lt;br /&gt;rompimento. Porém como bem afirma Reis e Silva , “a escravidão, não terminava nas porteiras&lt;br /&gt;de nenhuma fazenda em particular, mas fazia parte da lei geral da propriedade e, em termos amplos,&lt;br /&gt;da ordem socialmente aceita34”.&lt;br /&gt;1.2 MULUNGU REIVENTA SUA PRÓPRIA HISTÓRIA&lt;br /&gt;Com a decisão de fugir definitivamente das amarras de João Pinheiro; o escravo&lt;br /&gt;João, que a partir desse momento passa a ser conhecido por Mulungu, mudou a história de&lt;br /&gt;sua vida. Aquele escravo que pensava ter nascido com um futuro pré-determinado, nos&lt;br /&gt;demonstra que a vida do negro não era algo inalterável, eles souberam agenciar de diversas&lt;br /&gt;formas suas vidas e construir suas histórias.&lt;br /&gt;Após sua fuga , João Mulungu passou a morar em diversos ranchos , o primeiro&lt;br /&gt;deles foi o Boa Vista, no termo de Capela; onde morava com José da Silva e Manoel da&lt;br /&gt;Horta.Passaram dois meses ali aquilombados , indo em seguida para as matas do Engenho&lt;br /&gt;Sumbinho, nas proximidades de Siriri.Um quarto quilombola chamado Frutuoso se junta a&lt;br /&gt;eles.&lt;br /&gt;_______________________________&lt;br /&gt;33 REIS;João José &amp; SILVA; Eduardo. Negociação e Conflito: a resistência negra no Brasil escravista. São&lt;br /&gt;Paulo: Companhia das Letras, 1999, p.63.&lt;br /&gt;34 REIS &amp; SILVA , op. cit, p.66.&lt;br /&gt;20&lt;br /&gt;Mulungu, passou por diversos pontos da Província de Sergipe, além dos citados&lt;br /&gt;anteriormente, esteve aquilombado também em Maruim, Itaporanga, Laranjeiras, Rosário do&lt;br /&gt;Catete, Japaratuba, Divina Pastora, e por certo outras áreas35. Como podemos notar as ações&lt;br /&gt;de Mulungu e seu grupo não ficaram restritas a região da Cotinguiba; abrangeram uma grande&lt;br /&gt;área.&lt;br /&gt;Vários escravos foram seus companheiros, dentre eles Manuel Jurema&lt;br /&gt;(considerado pelas autoridades locais como sendo o seu fiel companheiro), Cornélio,&lt;br /&gt;Maximiano, Lauriano, Jacinto, Victorio, Alexandre, Cupertino, José Maroim, Leonilo,&lt;br /&gt;Horácio, José Quisanga, Benedito, Luiz, Barnabé, Belmira, Francisca, Thomasia, Luzia,&lt;br /&gt;Joaquim, Vicência, Carlota , Conceição e Anna Rita 36.&lt;br /&gt;Esses quilombolas eram oriundos de diversos engenhos, localizados em diferentes&lt;br /&gt;cidades da Província. Entre eles haviam escravos libertos, como é o caso de Conceição, como&lt;br /&gt;também ocorria a junção de africanos e crioulos nos grupos que se formavam.&lt;br /&gt;Mulungu manteve relações afetivas com algumas de suas companheiras&lt;br /&gt;quilombolas, como foi o caso de Anna Rita, que declarou ser casada, mas que durante o&lt;br /&gt;_____________________________&lt;br /&gt;35 Diversos são os ofícios expedidos pelas autoridades locais e autos de perguntas que fazem referência a&lt;br /&gt;presença de Mulungu e outros e quilombolas em vários pontos da Província na década de 1870. Dentre eles&lt;br /&gt;temos: um auto de perguntas , de novembro de 1871, feito a escrava Limôa, no qual temos a notícia que&lt;br /&gt;Mulungu estava em Japaratuba - Arquivo público do Estado de Sergipe, SP1, pacotilha 176.&lt;br /&gt;Em um outro auto de perguntas, em 22 de Dezembro de 1872, o escravo Francisco declarou que João Mulungu e&lt;br /&gt;seus companheiros estavam no Termo de Divina Pastora - Arquivo público do Estado de Sergipe, SP1 –&lt;br /&gt;pacotilha 178.&lt;br /&gt;No ofício expedido pelo tenente João Batista da Rocha Banha,em 15 de julho de 1873, temos a informação que&lt;br /&gt;Mulungu e seu grupo estavam na Vila do Rosário – Arquivo público do Estado de Sergipe, SP1 – pacotilha 564.&lt;br /&gt;Temos ainda o auto de perguntas feito ao próprio João Mulungu, no qual assume ter percorrido diversas áreas da&lt;br /&gt;província de Sergipe.&lt;br /&gt;Podemos ainda obter mais informações sobre os locais onde Mulungu formou quilombos através do Memorial&lt;br /&gt;João Mulungu produzido por Severo D’Acelino, onde o autor narra a saga desse quilombola.&lt;br /&gt;36Os nomes dos companheiros de Mulungu estão presentes no auto de perguntas feito ao escravo João Mulungu&lt;br /&gt;(a transcrição deste documento encontra-se disponível no acervo da Casa de Cultura Afro-Sergipana);&lt;br /&gt;Podemos ainda obter essas informações através dos seguintes documentos que fazem parte o acervo do Arquivo&lt;br /&gt;Público do Estado de Sergipe: SP1 – pacotilha 705; SP1 – pacotilha 176; SP1 – pacotilha 178 ; SP1 –&lt;br /&gt;pacotilha 373; SP1 – pacotilha 75; SP1 – pacotilha 298 ; CM3 – pacotilha 39.&lt;br /&gt;O Memorial João Mulungu, produzido por Severo D’Acelino também faz referencia aos companheiros de&lt;br /&gt;Mulungu.&lt;br /&gt;21&lt;br /&gt;tempo que esteve fugida se tornou amásia de João Mulungu; tal fato demonstra certa&lt;br /&gt;autonomia da mulher escrava em romper a subordinação que, teoricamente, deveria ter para&lt;br /&gt;com o seu companheiro. A escrava Vicência também confirmou um envolvimento afetivo&lt;br /&gt;com o citado escravo. Essas duas escravas tinham em torno de trinta e cinco anos; e segundo&lt;br /&gt;as autoridades locais Mulungu possuía uma outra companheira de treze anos de idade37, nessa&lt;br /&gt;época Mulungu tinha por volta de vinte e dois anos.&lt;br /&gt;Momentos de lazer e de religiosidade também faziam parte da vida desses&lt;br /&gt;quilombolas. Na noite de Natal do ano de 1872, Mulungu e alguns companheiros passaram&lt;br /&gt;toda a noite se divertindo em um batuque38 . Possivelmente a festa revigorava os escravos e&lt;br /&gt;ajudava a diminuir as tensões39. Pois como já foi dito, a escravidão não terminava nas&lt;br /&gt;porteiras de uma fazenda, ou seja, fugir para liberdade não significava ser livre. Portanto,&lt;br /&gt;esses quilombolas para melhor conviver com as tensões e medos, buscavam reconstruir&lt;br /&gt;espaços de identidade coletiva. Os batuques, a religião, serviram como um elemento&lt;br /&gt;agregador entre esses escravos.&lt;br /&gt;Para sobreviverem aquilombados, esses escravos chegaram a trocar carne por&lt;br /&gt;farinha com alguns escravos das senzalas; praticavam furtos a fazendas e transeuntes;&lt;br /&gt;roubavam animais (bois, cavalos, galinhas, ovelhas) para trocarem por alimentos e dinheiro.&lt;br /&gt;O resultado desses furtos eram comercializados; o grupo de Mulungu, por exemplo, negociou&lt;br /&gt;com alguns ciganos a venda de cavalos; por preços que variavam de cinco mil a dez mil réis,&lt;br /&gt;quantia que segundo Mulungu nunca receberam, o valor máximo que esses ciganos pagaram&lt;br /&gt;foram dois mil réis40.&lt;br /&gt;______________________&lt;br /&gt;37 Sobre a escrava Anna Rita ver o auto de perguntas feito a mesma, no dia três do mês de janeiro de&lt;br /&gt;1873.(Arquivo Público do Estado de Sergipe, SP1 – pacotilha 373).&lt;br /&gt;O auto de perguntas da escrava Vicência, foi feito no dia 04 do mês de janeiro de 1873. (Arquivo Público do&lt;br /&gt;Estado de Sergipe - SP1 – pacotilha 373).&lt;br /&gt;Sobre a companheira de Mulungu que tinha 13 anos de idade, cf. Arquivo Público do Estado de Sergipe - SP1 –&lt;br /&gt;pacotilha 564)&lt;br /&gt;38Maria , uma mulher forra, que exercia a profissão de costureira assumiu para as autoridades ter feito parte do&lt;br /&gt;grupo que foi batucar na noite de natal, e citou os nomes dos escravos que participaram desse batuque. Cf. auto&lt;br /&gt;de perguntas feito a Maria em 04 de janeiro 1873-Arquivo Público do Estado de Sergipe - SP1 – pacotilha 373.&lt;br /&gt;39 cf. SANTOS, Joceneide Cunha dos.Entre farinhadas,procissões e famílias:a vida de homens e mulheres&lt;br /&gt;escravos em Lagarto, Província de Sergipe (1850-1888).Salvador, 2004.Dissertação de Mestrado – Universidade&lt;br /&gt;Federal da Bahia.pp.70-78.&lt;br /&gt;40 Ver auto de perguntas feito ao escravo João Mulungu.&lt;br /&gt;22&lt;br /&gt;Homens livres também participavam das negociações; em Riachuelo, Firmino&lt;br /&gt;mandava João Mulungu furtar cavalos para vender-lhe. Mulungu chegou a vender para ele um&lt;br /&gt;cavalo no valor de vinte cinco mil réis, mas o quilombola diz ter feito um mau negócio, pois&lt;br /&gt;acabou recebendo apenas quinze mil réis41.&lt;br /&gt;Mulungu costumava utilizar como meio de transporte cavalos, e para se defender&lt;br /&gt;estava sempre munido de armas, como facões, facas, pistolas, espingardas e outros&lt;br /&gt;instrumentos que conseguisse adquirir através dos furtos ou das negociações42.&lt;br /&gt;Como poderemos perceber no decorrer desse trabalho, os quilombolas&lt;br /&gt;estabeleceram alianças com a sociedade envolvente, fato que possibilitou a existência&lt;br /&gt;contínua de quilombos na Província de Sergipe, notadamente na região da Cotinguiba.&lt;br /&gt;Mulungu e os outros quilombolas sergipanos souberam reconstruir suas histórias; traçar seus&lt;br /&gt;próprios caminhos em meio ao sistema em que estavam inseridos.&lt;br /&gt;João Mulungu passou a ser tido pelas autoridades locais como o mais audaz ,&lt;br /&gt;chefe dos quilombolas sergipanos; esse título lhe foi dado pelo Presidente da Província João&lt;br /&gt;Ferreira de Araújo Pinho, em 187643. Talvez tal definição explique o porquê desse quilombola&lt;br /&gt;ser um dos escravos fugidos mais procurados, chegando a ser cogitado pelas autoridades que&lt;br /&gt;sua prisão representaria o fim dos quilombos na Província de Sergipe Del Rey. Fato que não&lt;br /&gt;foi comprovado, mesmo após sua prisão, os quilombos sergipanos continuaram a existir.&lt;br /&gt;Mulungu passou por volta de oito anos fugido; e durante todo esse tempo as&lt;br /&gt;autoridades não cessaram as buscas para conseguir capturá-lo. Inúmeras diligências foram&lt;br /&gt;montadas, espias foram contratados, gratificações foram dadas , mas somente em 1876, esse&lt;br /&gt;objetivo foi alcançado.&lt;br /&gt;______________________________&lt;br /&gt;41 Informações presentes no auto de perguntas do escravo Evaristo, em março de 1872 (Arquivo Público do&lt;br /&gt;Estado de Sergipe - SP1 – pacotilha 705); e no ofício expedido por João Batista da Rocha Banha , em janeiro de&lt;br /&gt;1876. (Arquivo Público do Estado de Sergipe - CM3 – pacotilha 39).&lt;br /&gt;42 Ver auto de perguntas feito ao escravo João Mulungu, em 1876.&lt;br /&gt;43 Relatório do Presidente de Província João Ferreira de Araújo Pinho, em 1° de março de 1876.&lt;br /&gt;23&lt;br /&gt;Mulungu passou por volta de oito anos fugido; e durante todo esse tempo as&lt;br /&gt;autoridades não cessaram as buscas para conseguir capturá-lo. Inúmeras diligências foram&lt;br /&gt;montadas, espias foram contratados, gratificações foram dadas , mas somente em 1876, esse&lt;br /&gt;objetivo foi alcançado.&lt;br /&gt;O presidente da Província , João Ferreira de Araújo Pìmho, chegou a divulgar em&lt;br /&gt;março de 1876 que Mulungu preferiu ser enforcado em praça pública, do que voltar a servir&lt;br /&gt;seu antigo Senhor.Contudo, até o final do ano a documentação nos revela que Mulungu estava&lt;br /&gt;vivo, respondendo processos em algumas regiões da Província. Chegou a ser interrogado no&lt;br /&gt;decorrer do ano de 1876 em Aracaju, Divina Pastora, Capela e Rosário44 .&lt;br /&gt;Ao que tudo indica Mulungu não foi enforcado em praça pública, até porque&lt;br /&gt;segundo o pesquisador Pedrinho dos Santos, as últimas execuções de pena de morte na&lt;br /&gt;Província de Sergipe aconteceram em 1858, na Vila de Lagarto. Daí para frente às sentenças&lt;br /&gt;arbitradas pelos tribunais sergipanos passaram a ser convertidas em galés perpétuas ou em&lt;br /&gt;prisão de vinte anos com trabalhos forçados45.&lt;br /&gt;Segundo informações obtidas a partir do mapa de crimes perpetrados por&lt;br /&gt;escravos , João Mulungu foi condenado em 12 de abril de 1876 a um ano de galés. Tal&lt;br /&gt;sentença foi sancionada pelo Juiz Municipal da Vila de Rosário46.&lt;br /&gt;Após sua condenação os documentos silenciam acerca do que ocorrera com João&lt;br /&gt;Mulungu, não se sabe ao certo se ele chegou a cumprir toda a pena, e se a cumpriu o que&lt;br /&gt;ocorreu com esse escravo posteriormente. Talvez tenha retornado a servir João Pinheiro,&lt;br /&gt;como também pode ter sido vendido para outro proprietário de engenho da Província de&lt;br /&gt;Sergipe ou de fora dela. Existe ainda a possibilidade de esse quilombola ter falecido enquanto&lt;br /&gt;cumpria sua condenação.&lt;br /&gt;________________________&lt;br /&gt;44 Arquivo Público do Estado de Sergipe – SP1 – pacotilhas 575 ; 585 e 636.&lt;br /&gt;45 SANTOS, Pedrinho dos. A pena de morte em Sergipe. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de&lt;br /&gt;Sergipe. Aracaju,n° 33 , 2000-2002, pp.175-197.&lt;br /&gt;46 Arquivo Público do Estado de Sergipe – SP1- pacotilha 378, Mapa dos crimes perpetrados por escravos datado&lt;br /&gt;de 03 de maio de 1876.&lt;br /&gt;CAPÍTULO II&lt;br /&gt;A INTERAÇÃO ENTRE O MUNDO DOS QUILOMBOLAS E A&lt;br /&gt;SOCIEDADE ENVOLVENTE&lt;br /&gt;2.1 UM BREVE PERFIL DOS QUILOMBOLAS SERGIPANOS&lt;br /&gt;A utilização da mão-de-obra escrava se difundiu por todas as regiões da Província&lt;br /&gt;de Sergipe, e possivelmente foi utilizada em todos os setores da economia. Havia uma maior&lt;br /&gt;concentração dessa mão-de-obra na Zona da Mata, especialmente na região da Cotinguiba,&lt;br /&gt;que possuía na década de 1850, 39,09 % dos escravos sergipanos 47.&lt;br /&gt;Tabela 2.1: Sergipe (1850) - Distribuição por Regiões da População Livre e Escrava&lt;br /&gt;Regiões escravos livres escravos/livres&lt;br /&gt;Cotinguiba 21.687 (39,09%) 40,088 (24,49%) (0,54)&lt;br /&gt;Mata Sul 12.644 (22,60%) 47,490 (29,01%) (0,27)&lt;br /&gt;Agreste-Sertão do S.Francisco 13.506 (24,14%) 37,508 (22,91%) (0,36)&lt;br /&gt;Agreste-Sertão de Itabaiana 4.266 (7,62%) 13,933 (8,51%) (0,31)&lt;br /&gt;Agreste-Sertão Sul 3.661 (6,54%) 26,677 (15,07%) (0,15)&lt;br /&gt;Total 55.944 (100,00%) 163,696 (100,00%) (0,34)&lt;br /&gt;Fonte: Passos Subrinho, 2000, p.76.&lt;br /&gt;Como podemos notar através da tabela 2.1, nessa região para cada 100 habitantes&lt;br /&gt;livres havia 54 escravos; nenhuma outra região da Província se aproximava desse índice de&lt;br /&gt;concentração da propriedade escrava. Tal fato ,por certo, se deve à concentração de sua&lt;br /&gt;principal atividade econômica, na época, a agroindústria açucareira48.&lt;br /&gt;Em 1873, na Zona da Cotinguiba, havia 7.631 escravos e 7.575 escravas; sendo&lt;br /&gt;que a maior parte da população cativa possuía entre 21 e 40 anos49. Nessa época prevaleciam&lt;br /&gt;os escravos crioulos em detrimento dos africanos. Segundo Mott os cativos oriundos da&lt;br /&gt;África nunca devem ter ultrapassado 1/3 da escravaria total de Sergipe50.&lt;br /&gt;___________________________&lt;br /&gt;47/48 Ver PASSOS SUBRINHO, Josué M, op.cit ,pp.75-77.&lt;br /&gt;49 Ver esses dados em PASSOS SUBRINHO, Josué M, op.cit ,pp. 422-423.&lt;br /&gt;50Ver em MOTT, Luiz R. B. Sergipe Del Rey: população, economia e sociedade. Aracaju: FUNDESC, 1986,&lt;br /&gt;pp. 139-150.&lt;br /&gt;25&lt;br /&gt;Foi nessa região que pudemos constatar um elevado índice de resistência dos&lt;br /&gt;trabalhadores escravizados, notadamente porque nessa área havia uma maior concentração de&lt;br /&gt;cativos e força policial. Uma das formas de contestação por parte dos escravos foi a fuga e&lt;br /&gt;formação de quilombos, que contou com a participação não só de escravos do sexo&lt;br /&gt;masculino, como também de escravas fugidas.&lt;br /&gt;Através do depoimento da escrava Vicência , em 1873, podemos notar a presença&lt;br /&gt;de homens e mulheres nos quilombos:&lt;br /&gt;recorda-se de sempre ali permanecerem os escravos seguintes:João Mulungu,&lt;br /&gt;Maximiano, Guilherme ,Marcolino Joaquim, Antonio , Venceslau, Mathias, (...) e&lt;br /&gt;mulheres: Conceição e Ignez. Belmira Francisca e Carlota, cativas estas três51 .&lt;br /&gt;A escrava Limôa, por exemplo, ao responder um auto de perguntas quando foi&lt;br /&gt;capturada no ano de 1871, após passar um tempo aquilombada, deixou clara a presença de&lt;br /&gt;várias mulheres:&lt;br /&gt;A vista disto dirigiu-se ela pela estrada (...) e antes que ali chegasse&lt;br /&gt;encontrou sete escravas que andavam fugidas, e [...] seguiu com elas até&lt;br /&gt;a mata do dito Engenho S.José (...) onde se reuniram com outros que ali se&lt;br /&gt;reuniram com outros que ali se achavam que ao todo formavam o&lt;br /&gt;mínimo de vinte 52.&lt;br /&gt;Algo que chama a atenção nesses trechos dos autos de perguntas é quando a&lt;br /&gt;escrava Vicência cita a presença das mulheres Conceição e Ignez , e das cativas Belmira ,&lt;br /&gt;Francisca e Carlota. Isso nos permite inferir que as primeiras eram livres ou forras.&lt;br /&gt;Notamos, portanto, que os quilombos não eram tão somente um reduto de negros&lt;br /&gt;fugidos, como a historiografia tradicional da escravidão costuma defender, e sim um local de&lt;br /&gt;refúgio para aqueles que estavam a margem da sociedade escravocrata, sejam escravos,&lt;br /&gt;pessoas livres ou forras53.&lt;br /&gt;___________________________&lt;br /&gt;51 Arquivo Publico do Estado de Sergipe – SP1 , pacotilha 373; datado de 04 de janeiro de 1873.&lt;br /&gt;52Arquivo Publico do Estado de Sergipe – SP1 , pacotilha 176; datado de 09 de novembro de 1871.&lt;br /&gt;53 Alguns autores buscam abranger a definição do termo quilombo, como é o caso de João José Reis, Flávio dos&lt;br /&gt;Santos Gomes e Eduardo Silva.&lt;br /&gt;26&lt;br /&gt;No que concerne à faixa etária dos quilombolas, na província de Sergipe Del Rey,&lt;br /&gt;“apenas 17% dos fugitivos ultrapassava o limite dos quarenta, uma idade, para eles,&lt;br /&gt;avançada. 21% estava entre treze e dezenove anos e a maioria absoluta, 62%, entre vinte e&lt;br /&gt;29 anos 54”&lt;br /&gt;. De acordo com esses dados, verificamos que a maior parte dos escravos que&lt;br /&gt;fugiam, eram aqueles que constituíam mão-de-obra economicamente ativa na lavoura;&lt;br /&gt;representando uma perda brusca para seus proprietários, bem como uma ajuda inestimável&lt;br /&gt;para os pequenos fazendeiros que lhes davam proteção , tema que será abordado no próximo&lt;br /&gt;capítulo.&lt;br /&gt;Cabe agora refletirmos um pouco sobre as motivações que levaram esses escravos&lt;br /&gt;a fuga e formação de quilombos nas terras sergipanas. Inúmeras podem ter sido suas&lt;br /&gt;motivações, porém, uma das mais evidentes na documentação consultada referente à década&lt;br /&gt;de 1870, na região da Cotinguiba, diz respeito ao excesso de trabalho e castigo.&lt;br /&gt;Tomemos como exemplo o caso do escravo Vicente que ao ser perguntado sobre a&lt;br /&gt;razão de sua fuga declarou: “(...) fugira por medo de castigo55” ; ou o caso do escravo&lt;br /&gt;Mauricio, que por sua vez esclarece: “(...) abandonara a fazenda de seu senhor pelo fato de&lt;br /&gt;ter o mesmo seu senhor surrado a mulher dele respondente, sem que ela o merecesse56”.&lt;br /&gt;Temos ainda a declaração do escravo João Mulungu:&lt;br /&gt;(...) Sendo ainda de pouca idade seu senhor o sobrecarregava de trabalhos&lt;br /&gt;superiores as suas forças e castigando-o as vezes sem razão o fazia com rigor,&lt;br /&gt;(...)deliberou-se pela terceira vez fugir por não suportar mais a maneira porque&lt;br /&gt;seu senhor o tratava, já surrando-o já trazendo-lhe ao pé uma corrente e sujeitando-o&lt;br /&gt;a pesados serviços como o de botar fogo na fornalha57.&lt;br /&gt;As atitudes desses escravos parecem indicar aquilo que eles consideravam um&lt;br /&gt;direito, uma possibilidade ou uma exorbitância inaceitável. A referência a castigos excessivos&lt;br /&gt;feita pelos escravos Vicente, Mauricio e João Mulungu, provavelmente era a forma deles&lt;br /&gt;demonstrarem sua percepção de que seus direitos não estavam sendo respeitados.&lt;br /&gt;___________________________&lt;br /&gt;54REIS, João José e SILVA, Eduardo. Negociação e conflito: a resistência negra no Brasil escravista. São&lt;br /&gt;Paulo: Companhia das letras, 1999. p. 76.&lt;br /&gt;55Arquivo Público do Estado de Sergipe – SP1 , pacotilha 178; datado de Abril de 1872&lt;br /&gt;56Arquivo Público do Estado de Sergipe - SP1 , pacotilha 705; datado de 13 de Março&lt;br /&gt;57 Informações obtidas a partir da transcrição do auto de perguntas feito a Mulungu em 1876.&lt;br /&gt;27&lt;br /&gt;Segundo Sílvia Lara, o castigo reconhecido socialmente era o castigo justo e corretivo, que&lt;br /&gt;deveria ser moderado para poder educar, corrigir; servindo para mant er a obediência do&lt;br /&gt;escravo ao senhor58.&lt;br /&gt;Revela-nos ainda a capacidade dos escravos de buscarem conquistar espaços de&lt;br /&gt;acordo com seus interesses, demonstrando que não são apenas reflexo de representações de&lt;br /&gt;“outros” sociais59. Nessa sociedade escravocrata, entre a passividade absoluta e agressividade,&lt;br /&gt;tínhamos espaço para a negociação, que quando falhava abria caminho para a ruptura, para o&lt;br /&gt;“não quero” dos cativos60 .&lt;br /&gt;Mas retornemos então ao perfil desses quilombolas sergipanos, por ora já sabemos&lt;br /&gt;que estes eram homens e mulheres, sejam escravos, livres ou forros, predominantemente&lt;br /&gt;jovens. Contudo, ainda nos resta saber as cidades de onde eram oriundos, bem como quem&lt;br /&gt;eram seus senhores. Questões que serão explicitadas a partir de agora.&lt;br /&gt;Por motivos já expostos nosso marco espacial é a Zona da Cotinguiba, região em&lt;br /&gt;que ocorreu uma proliferação de quilombos formados por escravos de diversas cidades. No&lt;br /&gt;Engenho São José, por exemplo, situado em Japaratuba, havia um quilombo formado por no&lt;br /&gt;mínimo vinte escravos oriundos da própria Japaratuba, de Rosário, Laranjeiras e Divina&lt;br /&gt;Pastora61 .&lt;br /&gt;É preciso ressaltar que os escravos fugiam dos mais diversos pontos da província,&lt;br /&gt;e não somente das cidades supracitadas. Uma característica marcante dos quilombos&lt;br /&gt;sergipanos, pelo menos na década que está sendo analisada, era a junção de escravos de&lt;br /&gt;diferentes localidades e proprietários. O que demonstra que havia entre eles uma rede de&lt;br /&gt;informação e solidariedade que ultrapassava os limites da propriedade.&lt;br /&gt;________________________&lt;br /&gt;58Ver LARA, Silvia Hunold. Campos da violência: escravos e senhores na capitania do Rio de Janeiro(1750-&lt;br /&gt;1808). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.&lt;br /&gt;59CHALHOUB,Sidney. Visões da liberdade: uma história das últimas décadas da escravidão na corte.São&lt;br /&gt;Paulo: Companhia das letras, 1990.&lt;br /&gt;60REIS, João José e SILVA, Eduardo. Negociação e conflito: a resistência negra no Brasil escravista. São&lt;br /&gt;Paulo: Companhia das letras, 1999.&lt;br /&gt;61 Ver.Arquivo Público do Estado de Sergipe – SP1 , pacotilha 176, datado de 09 de novembro de 1871.&lt;br /&gt;28&lt;br /&gt;Quanto aos seus senhores, a documentação nos oferece uma lista imensurável, a&lt;br /&gt;titulo de exemplo recorremos ao depoimento do lavrador João Batista de Melo que disse&lt;br /&gt;conhecer João Pinheiro, Doutor Antonio de Oliveira, Antonio Horta, João Gonçalves Franco&lt;br /&gt;e José Nobre da Cunha62 ; todos eles conviviam com a perda de escravos, que haviam fugido e&lt;br /&gt;estavam a habitar um quilombo nos termos do Engenho Limeira, em Divina Pastora.&lt;br /&gt;No que diz respeito à nacionalidade desses quilombolas encontramos a união de&lt;br /&gt;crioulos e africanos. É o caso de Izabel, natural da Costa d’África , Venceslau, Maurício e&lt;br /&gt;José Maroim, também africanos, que encontravam-se aquilombados com diversos crioulos,&lt;br /&gt;como João Mulungu, Guilherme, Francisca, Carlota, Thomasia, Luisa,Antonio , dentre&lt;br /&gt;outros63 .&lt;br /&gt;É necessário perceber que esses quilombos não estavam à margem da sociedade,&lt;br /&gt;mas interagindo com ela através de uma complexa rede social de proteção, na qual os&lt;br /&gt;quilombolas procuravam, na medida do possível, obter uma maior autonomia e controle sobre&lt;br /&gt;suas vidas.&lt;br /&gt;2.2 ALIANÇA ENTRE QUILOMBOLAS AFRICANOS E CRIOULOS&lt;br /&gt;A relação entre escravos africanos e crioulos, foi algo constante nos quilombos&lt;br /&gt;sergipanos, notadamente na Zona da Continguiba , nas últimas décadas da escravidão. Os&lt;br /&gt;laços de solidariedade e identidade coletiva ultrapassavam as barreiras da nacionalidade.&lt;br /&gt;Antes de serem Africanos ou Brasileiros , eram escravos tentando reinventar os significados&lt;br /&gt;da liberdade. Esse estreitamento das relações entre africanos e crioulos na década de 1870,&lt;br /&gt;parece estar ligado ao fato de que na época em análise a Província de Sergipe contava com um&lt;br /&gt;número reduzido de africanos.&lt;br /&gt;____________________________&lt;br /&gt;62 João Batista de Melo, era lavrador e residia em Maruim.Revelou para as autoridades que constantemente&lt;br /&gt;encontrava no caminho de Laranjeiras, Rosário, Capela e Divina Pastora vários quilombolas e citou o nome&lt;br /&gt;daqueles que conhecia e seus respectivos Senhores..Arquivo Público do Estado de Sergipe – SP1 , pacotilha 75;&lt;br /&gt;onze de Março de 1872.&lt;br /&gt;63 O nome e nacionalidade desses quilombolas foram citados pelo escravo Mauricio. Arquivo Público do Estado&lt;br /&gt;de Sergipe – SP1 , pacotilha 705.&lt;br /&gt;29&lt;br /&gt;Segundo Mott, a impossibilidade de importar negros diretamente da Costa da&lt;br /&gt;África, e o próprio estilo de pequena empresa doméstica dos engenhos seriam, talvez, as duas&lt;br /&gt;principais razões que explicam a alta taxa de reprodução dos escravos e consequentemente, o&lt;br /&gt;predomínio de crioulos nas terras sergipanas64.&lt;br /&gt;Tabela 2.2 : Composição Demográfica dos Escravos de Sergipe segundo a Nacionalidade&lt;br /&gt;(1872) .&lt;br /&gt;Origem Total %&lt;br /&gt;Nacionais 21.228 93,8&lt;br /&gt;Africanos 1.395 6,2&lt;br /&gt;Total 22.623 100,0&lt;br /&gt;Fonte: Luiz Mott, 1986, p.144.&lt;br /&gt;Alguns estudiosos da escravidão , como é o caso de Kátia Mattoso; defende a&lt;br /&gt;idéia de que as relações entre africanos e crioulos foram bastante difíceis, as tradições&lt;br /&gt;culturais e a língua se tornaram barreiras entre esses escravos65. Contudo, como podemos&lt;br /&gt;perceber, pelo menos no período analisado, quilombolas africanos e crioulos souberam&lt;br /&gt;transpor as fronteiras que os separavam e lutaram juntos para se manterem aquilombados.&lt;br /&gt;O escravo José Maroim, natural da África, testifica isso ao demonstrar o&lt;br /&gt;sentimento de compromisso e de interesses recíprocos que havia entre africanos e crioulos.&lt;br /&gt;Ao ser preso em 1873, após passar um tempo aquilombado, José Maroim declara para as&lt;br /&gt;autoridades que “(...) sendo pego pelo Proprietário do Engenho Piedade, e este o colocando em&lt;br /&gt;um tronco, João Mulungu, e outro(...) quebraram o tronco ,e o puseram em liberdade66 .”&lt;br /&gt;__________________________&lt;br /&gt;64 Ver em MOTT, Luiz R. B. Sergipe Del Rey: população, economia e sociedade. Aracaju: FUNDESC, 1986,&lt;br /&gt;pp. 139-150.&lt;br /&gt;65 MATTOSO, Kátia de Queirós. Ser escravo no Brasil. São Paulo: Brasiliense, 3ª ed. 1990,2003.&lt;br /&gt;66Arquivo Público do Estado de Sergipe – SP1 , pacotilha 298.&lt;br /&gt;30&lt;br /&gt;Que motivos teria o quilombola João Mulungu para tomar essa atitude em prol de&lt;br /&gt;José Maroim? Verificamos que além da questão solidária que unia esses escravos, na&lt;br /&gt;mentalidade de João Mulungu, talvez, perpassasse naquele momento o desejo de não ver,&lt;br /&gt;através da captura de José Maroim, a vitória do Senhor de Engenho; mais que isso, a quebra&lt;br /&gt;daquele tronco( símbolo da repressão e do cativeiro) e conseqüente libertação do dito escravo,&lt;br /&gt;tem forte valor simbólico, na medida em que demonstra que os escravos não são sujeitos&lt;br /&gt;passivos dentro do regime escravocrata, ao contrário, a ação do quilombola João Mulungu , é&lt;br /&gt;um exemplo do papel do individuo, neste caso do negro escravizado, como agente de sua&lt;br /&gt;própria história.&lt;br /&gt;O “favor” recebido por José Maroim foi retribuído , pois este tardou o quanto&lt;br /&gt;pode para revelar os locais onde João Mulungu e seu grupo tinham rancho:&lt;br /&gt;Perguntado mais se sabe aonde tem rancho de escravos fugidos? Respondeu&lt;br /&gt;que ouviu dizer ter no [...] Termo de Itabaiana e disse mais que não tem&lt;br /&gt;declarado os lugares de rancho deles em atenção a João Mulungu67 .&lt;br /&gt;Portanto, a atitude do escravo africano José Maroim, foi de inestimável valia para&lt;br /&gt;que o quilombola, crioulo, João Mulungu prosseguisse com sua fuga. Esse laço se&lt;br /&gt;solidariedade recíproco foi um dos motivos da manutenção do quilombismo durante vários&lt;br /&gt;anos na Província de Sergipe Del Rey.&lt;br /&gt;Além de José Maroim, a documentação nos remete a uma grande quantidade de&lt;br /&gt;quilombolas africanos que mantinham estreitas relações com crioulos, dentre eles, tínhamos&lt;br /&gt;Izabel, Venceslau e Mauricio.&lt;br /&gt;No entanto, essa rede social de proteção que se formava, não estava restrita a&lt;br /&gt;aliança entre africanos e crioulos. Como poderemos constatar, havia também um estreito&lt;br /&gt;relacionamento entre os escravos fugidos e libertos, independente da nacionalidade.&lt;br /&gt;___________________________&lt;br /&gt;67Arquivo Público do Estado de Sergipe – SP1 , pacotilha 298.&lt;br /&gt;31&lt;br /&gt;2.3 A UNIÃO DOS QUILOMBOLAS COM OS ESCRAVOS LIBERTOS&lt;br /&gt;É importante insistirmos na capacidade que tinham os quilombolas de recriarem&lt;br /&gt;seus espaços dentro da sociedade escravista; fato reforçado através das alianças que&lt;br /&gt;celebravam, sejam com assenzalados, libertos (ex-escravos) e até mesmo com pessoas livres,&lt;br /&gt;como comerciantes locais e Proprietários de engenho.&lt;br /&gt;Como bem afirma Flávio dos Santos Gomes, “ através de variadas e complexas&lt;br /&gt;relações, as diversas comunidades quilombolas, além de uma ampla rede de socialização,&lt;br /&gt;constituíram uma verdadeira teia de proteção que as manteve também abastecidas68 .”&lt;br /&gt;A aliança desencadeada entre escravos quilombolas com libertos, contribuiu para&lt;br /&gt;sustentar a longa vida dos quilombos sergipanos. A Zona da Cotinguiba, no ano de 1876, nos&lt;br /&gt;serve de exemplo, demonstrando a inegável importância assumida por essas alianças.&lt;br /&gt;Chegando ao meu conhecimento que no lugar denominado Camaratuba, próximo&lt;br /&gt;a cidade de Laranjeiras existiam alguns quilombolas, dirigi-me sem parada de&lt;br /&gt;tempo para aquela cidade levando comigo o número de oito praças. Lá chegando&lt;br /&gt;tive de demorar-me um pouco até que chegasse o guia(...). Por aquele soube que&lt;br /&gt;os escravo eram em número de seis e que se achavam em diversas casa&lt;br /&gt;pertencentes a alguns libertos ali residentes (...)69.&lt;br /&gt;Acima temos o chefe de Policia expondo para o Presidente de Província a situação&lt;br /&gt;com a qual se deparou no cumprimento de suas funções. A partir do exposto, verificamos que&lt;br /&gt;a idéia de reificação dos escravos, defendida por alguns estudiosos70 ; ou ainda a concepção&lt;br /&gt;de que “ a resistência do negro através dos quilombos foi uma resistência de fora para&lt;br /&gt;dentro, no contexto da sociedade escravista71” ; não condiz com a realidade dos quilombos&lt;br /&gt;__________________________&lt;br /&gt;68GOMES, Flávio dos Santos. Histórias de quilombolas: mocambos e comunidades se senzalas no Rio de&lt;br /&gt;Janeiro – século XIX. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1995.p.95.&lt;br /&gt;69Arquivo Público do Estado de Sergipe – SP1 , pacotilha 652.&lt;br /&gt;70 Suely Queiroz traça um panorama da escravidão negra no Brasil; e para essa autora o negro cativo foi o&lt;br /&gt;suporte da economia brasileira por todo o período que durou a escravidão, no entanto, a violência da escravidão&lt;br /&gt;havia transformado o negro em um “ser” coisificado. Ver QUEIROZ, Suely R. Reis de. Escravidão negra no&lt;br /&gt;Brasil. São Paulo: Ática,1987. Série Princípios.&lt;br /&gt;71SANTOS, Lourival Santana. Quilombos e quilombolas em terras de Sergipe no século XIX.Revista do&lt;br /&gt;Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe.Aracaju:n° 31,1992.p.42.&lt;br /&gt;32&lt;br /&gt;sergipanos , nos quais seus componentes buscaram desenvolver uma relação simbiótica com&lt;br /&gt;vários setores da população; no caso citado, com ex-escravos.&lt;br /&gt;Diversas podem ter sido as razões para que esses libertos acoitassem , em suas&lt;br /&gt;casas, os quilombolas: laços de parentesco, religião, amizade, interesses por trocas mercantis,&lt;br /&gt;ou até mesmo uma ação solidária desinteressada ( razão pouco plausível). Contudo,&lt;br /&gt;independente da razão, a proteção dos libertos a esses quilombolas representou uma ajuda de&lt;br /&gt;incalculável valor, uma vez que, impossibilitou a ação das autoridades locais, pois as casas&lt;br /&gt;dos libertos eram&lt;br /&gt;muito próximas umas das outras, sendo portanto impossível atacá-las ao mesmo&lt;br /&gt;tempo com tão pouca gente, sob pressão de trabalhar infruticuamente e nada mais&lt;br /&gt;fazendo do que espantar (...). Semelhante procedimento deu lugar a que eu não&lt;br /&gt;prosseguisse pois não convinha fatigar sem resultado algum os praças que já se&lt;br /&gt;se achavam tão cansados72.&lt;br /&gt;O apoio dado aos quilombolas pela sociedade envolvente, contribuiu para&lt;br /&gt;dificultar a tarefa do governo em exterminar os quilombos . O trecho apresentado nos serve&lt;br /&gt;para retificar a idéia de que na Província de Sergipe, o que ocorria por parte dos negros&lt;br /&gt;fugidos tinha sido um movimento desprovido de coesão e planejamento; concepção que nos&lt;br /&gt;conduz a inferir que havia uma falta de organização dos quilombolas73.&lt;br /&gt;Tal teoria choca-se com as informações expostas pela documentação utilizada,&lt;br /&gt;na qual notamos, por exemplo, a organização e estratégia de defesa empregada pelos&lt;br /&gt;quilombolas com o auxilio dos ex-escravos. Estratégia essa que contribuiu para ineficácia das&lt;br /&gt;expedições reescravizadoras.&lt;br /&gt;É de capital importância enxergarmos o escravo enquanto parte ativa da&lt;br /&gt;sociedade. Não podemos ignorar a atuação destes escravos como agentes históricos, que&lt;br /&gt;utilizaram a criatividade e inteligência para obterem ou permanecerem em liberdade.&lt;br /&gt;_________________________&lt;br /&gt;72Arquivo Público do Estado de Sergipe – SP1 , pacotilha 652.&lt;br /&gt;73 ver tal concepção em SANTOS, Maria Nely.A sociedade Libertadora “Cabana do Pai Thomaz”: Francisco&lt;br /&gt;José Alvas,uma história de vida e outras histórias. Aracaju: Gráfica J.Andrade,1997.&lt;br /&gt;33&lt;br /&gt;2.4 SENZALAS: UM REFÚGIO SEGURO&lt;br /&gt;Em várias ocasiões os quilombolas se refugiaram no interior das fazendas, com a&lt;br /&gt;conivência e apoio dos escravos. A maioria das senzalas funcionou como um refúgio seguro&lt;br /&gt;para grande parte dos escravos fugidos.&lt;br /&gt;Na região da Cotinguiba, os quilombolas eram constantemente auxiliados pelos&lt;br /&gt;escravos das senzalas, com os quais entretinham relações não somente de proteção, mas&lt;br /&gt;comercial. Essa foi mais uma aliança que perdurou durante o desenvolvimento do&lt;br /&gt;quilombismo na Província de Sergipe, corroborando para formação e sobrevivência deste&lt;br /&gt;movimento. Pois, “a amizade e proteção que quase todos os escravos dos engenhos votam&lt;br /&gt;aos quilombolas são sérios obstáculos:dão não só guarida no caso de qualquer&lt;br /&gt;emergência,mesmo dentro das senzalas74 .”&lt;br /&gt;A aliança dos quilombolas com os escravos da senzala dificultou, em diversas&lt;br /&gt;ocasiões, a ação das autoridades em prol da captura dos escravos fugidos. O Jornal de&lt;br /&gt;Aracaju, em agosto de 1872, expressa como essa relação burlava o êxito das diligencias&lt;br /&gt;policiais:&lt;br /&gt;Vão de novo aparecendo em alguns pontos os escravos fugidos.O rigor do&lt;br /&gt;inverno faz-los procurar as proximidades dos povoados e a proteção dos&lt;br /&gt;parceiros dos engenho, proteção que muitas vezes tem burlado as diligencias da&lt;br /&gt;da policia. Ultimamente na Vila de Japaratuba fez-se uma diligencia que se não&lt;br /&gt;fosse aquela proteção grande seria a presa.Pressentiram o movimento de força&lt;br /&gt;e deixaram os ranchos com precipitação refugiaram-se os quilombolas nas senzalas&lt;br /&gt;dos engenhos75 .&lt;br /&gt;Devido à constatação desse empecilho que atrapalhava a ação das expedições&lt;br /&gt;punitivas, cabia aos proprietários se esforçarem de maneira que prevenissem ou acabassem&lt;br /&gt;com esse concluio.&lt;br /&gt;________________________&lt;br /&gt;74Jornal de Aracaju, 20 de março de 1872. Apud MOURA,Clóvis. Rebeliões da Senzala. São Paulo: Brasiliense,&lt;br /&gt;3ª ed.1981.&lt;br /&gt;75Jornal de Aracaju, 10 de agosto de 1872. Apud MOURA,Clóvis. Rebeliões da Senzala. São Paulo:&lt;br /&gt;Brasiliense, 3ª ed.1981.&lt;br /&gt;34&lt;br /&gt;É de crer que os proprietários ,os mais ameaçados com a nova atitude que vão&lt;br /&gt;tomando os quilombolas, se esforcem para manter nos engenhos severa vigilância&lt;br /&gt;em ordem e prevenir o perigoso concluio que hora se dá para frustrar os&lt;br /&gt;planos da autoridade76 .&lt;br /&gt;Os escravos das senzalas serviam muitas vezes de informantes, deixando os&lt;br /&gt;quilombolas cientes de qualquer força que se aproximasse em busca desses escravos fugidos;&lt;br /&gt;temos aí mais uma estratégia de sobrevivência dos quilombos.Esse foi um dos motivos&lt;br /&gt;apontados pelo chefe de Policia ao Juiz Municipal de Japaratuba como causa da improdutiva&lt;br /&gt;diligência que conduziu:&lt;br /&gt;Hoje foi repetida a mesma diligencia com 77 praças da Guarda Nacional e os&lt;br /&gt;cinco da cadeia, mas infelizmente nada se encontrou a não ser com mais&lt;br /&gt;nada se encontrou a não ser com mais cinco ranchos novos em outro lugar,&lt;br /&gt;tendo convicção qual que os negros são protegidos pelos do dito engenho&lt;br /&gt;Coqueiro se relacionam e são avisados de qualquer força que contra eles se&lt;br /&gt;dirija77.&lt;br /&gt;As autoridades, freqüentemente, justificavam o fracasso das diligências devido às&lt;br /&gt;relações que os escravos fugidos estabeleciam com os escravos dos engenhos. Depreende-se,&lt;br /&gt;portanto, que essa complexa rede social de proteção foi vital para que os quilombolas&lt;br /&gt;constituíssem, ou recriassem o seu modo de vida dentro da sociedade escravista vigente.&lt;br /&gt;Os quilombolas conseguiam por meio de trocas comerciais, com os escravos das&lt;br /&gt;fazendas, produtos de que necessitavam nos quilombos. A Zona da Cotinguiba foi palco de&lt;br /&gt;vários intercâmbios mercantis , como publicou o Jornal de Aracaju: “a experiência tem&lt;br /&gt;mostrado o grau de relação que entretêm os quilombolas com os escravos dos engenhos:&lt;br /&gt;acham aqueles apoio e proteção; trocam farinha e agasalho pela partilha nos roubos dos&lt;br /&gt;primeiros e em caso de perigo invadem as senzalas78”.&lt;br /&gt;________________________&lt;br /&gt;76Jornal de Aracaju, 10 de agosto de 1872. Apud MOURA,Clóvis. Rebeliões da Senzala. São Paulo:&lt;br /&gt;Brasiliense, 3ª ed.1981.&lt;br /&gt;77Arquivo Público do Estado de Sergipe – SP1 , pacotilha 363.&lt;br /&gt;78 Jornal de Aracaju, 03 de abril de 1872. Apud MOURA,Clóvis. Rebeliões da Senzala. São Paulo: Brasiliense,&lt;br /&gt;3ª ed.1981.&lt;br /&gt;35&lt;br /&gt;O quilombola Romão, com certa constância, praticou trocas mercantis, recebendo&lt;br /&gt;do escravo assenzalado farinha em troca de carne de ovelha:&lt;br /&gt;Fora preso ontem a noite no engenho Capim-assú dentro de uma das senzalas&lt;br /&gt;pertencentes ao escravo Roberto do mesmo engenho Capim-assú, tendo ali ido&lt;br /&gt;buscar ração de farinha da mão do dito escravo Roberto, a quem ele (Romão)&lt;br /&gt;tendo por costume pedir e receber farinha em troca de carne de ovelha que ele&lt;br /&gt;(Romão) muitas vezes levava79.&lt;br /&gt;O grupo dirigido pelo quilombola João Mulungu, mantinha estreita relação com&lt;br /&gt;os escravos do engenho São José: “a ponto de arrancarem mandioca para fazerem a farinha&lt;br /&gt;que repartiam (...) igualmente repartiam[...] dos gados que furtavam os ditos fugidos pelos&lt;br /&gt;Pastos dos engenhos vizinhos(...)80.”&lt;br /&gt;A importância dessa aliança entre quilombolas com os escravos das senzalas, não&lt;br /&gt;se resume ao aspecto econômico. Contribuiu também para o fortalecimento das relações&lt;br /&gt;familiares, manutenção de praticas culturais e religiosas. A documentação nos revela casos de&lt;br /&gt;quilombolas que se reuniam com os escravos das fazendas para “batucarem” e se divertirem&lt;br /&gt;durante as noites. Na época do São João e do Natal, esses batuques se realizavam de forma&lt;br /&gt;mais constante81. Esse era uma ocasião onde os quilombolas reviam seu parentes, amigos; era&lt;br /&gt;um momento de sociabilização.&lt;br /&gt;Muitos escravos que optavam pela fuga deixavam nas fazendas entes queridos,&lt;br /&gt;que por motivos diversos (idade avançada, doença, impossibilidade de prosseguir fuga com&lt;br /&gt;crianças pequenas, ou até mesmo a escolha de se manter como escravo na fazenda) não os&lt;br /&gt;acompanhavam; no entanto, esse não era um motivo para que os laços familiares fossem&lt;br /&gt;definitivamente quebrados. Foi justamente esses laços que facilitaram o cotidiano de muitos&lt;br /&gt;quilombolas.&lt;br /&gt;________________________&lt;br /&gt;79Arquivo Público do Estado de Sergipe – SP1 , pacotilha 705.&lt;br /&gt;80 Arquivo Público do Estado de Sergipe – SP1 , pacotilha 176.&lt;br /&gt;81cf. Arquivo Público do estado de Sergipe – pacotilha 373.&lt;br /&gt;36&lt;br /&gt;Essa permanente relação que os quilombolas entrelaçavam com os escravos das&lt;br /&gt;fazendas cooperou para integrar , cada vez mais , suas praticas econômicas; oferecendo assim&lt;br /&gt;mais uma oportunidade para que esses escravos em fuga expandissem seu espaço de&lt;br /&gt;autonomia; colaborando para o desgaste paulatino do sistema escravista.&lt;br /&gt;2.5 PRESENÇA FEMININA: RELAÇÃO DAS MULHERES COM OS&lt;br /&gt;ESCRAVOS QUILOMBOLAS&lt;br /&gt;Segundo Reis, para as mulheres a fuga era uma decisão mais difícil, uma vez&lt;br /&gt;que, elas tinham maiores possibilidades para negociar, fosse via sexo e inteligência, fosse&lt;br /&gt;pelas prendas ou relações afetivas. Outro motivo é que elas eram as principais responsáveis&lt;br /&gt;pelos filhos82.&lt;br /&gt;Contudo, o que verificamos na região da Cotinguiba foi que as mulheres, fossem&lt;br /&gt;elas escravas, livres ou forras, também se fizeram presentes nessa imensa rede de&lt;br /&gt;socialização, vivenciaram o cotidiano da resistência e ,por sua vez, representaram mais um&lt;br /&gt;componente dinâmico inserido no “mundo da escravidão”.&lt;br /&gt;A documentação da década de 1870 nos apresenta um leque variado de&lt;br /&gt;informações sobre essas mulheres que se aventuraram a fazer parte dos quilombos na região&lt;br /&gt;da Cotinguiba. Tínhamos mulheres escravas de 13 anos de idade até a faixa etária dos 35&lt;br /&gt;anos.&lt;br /&gt;__________________&lt;br /&gt;82 REIS, João J. &amp; SILVA, Eduardo. Negociação e Conflito: a resistência negra no Brasil Escravista. São Paulo:&lt;br /&gt;Companhia das Letras, 1989.pp.63-70.&lt;br /&gt;37&lt;br /&gt;Algumas escravas fugidas tiveram que optar entre exercer a maternidade ou&lt;br /&gt;prosseguir sua luta nos quilombos. Esse foi o caso da escrava (quilombola) Luisa, que&lt;br /&gt;declarou ter “um filho que mandou depositar na ponta da igreja de São Benedito em&lt;br /&gt;Laranjeiras83”.&lt;br /&gt;A escolha dessa Igreja para deixar seu filho, não se deu de forma aleatória. A&lt;br /&gt;Igreja de São Benedito era a sede da irmandade e foi construída para a devoção da fé dos&lt;br /&gt;negros e pelos próprios negros84. A escrava Luisa sabia que ali seu rebento seria acolhido; era&lt;br /&gt;um local em que ela confiava.&lt;br /&gt;O Jornal de Sergipe em maio de 1873 denunciou o que corriqueiramente acontecia&lt;br /&gt;com os filhos das escravas quilombolas:&lt;br /&gt;A prisão da escrava não deixa de ser de importância, porque veio se descobrir&lt;br /&gt;que tivera ela um filho nos matos e que o viera depositar em casa de uma mulher&lt;br /&gt;moradora de Laranjeiras conhecida por Maria Cabocla. O Sr.Dr. Chefe de policia&lt;br /&gt;tendo conhecimento desse fato , recomendo que o delegado procedesse as&lt;br /&gt;averiguações necessárias para saber se com efeito existe o menor em poder da&lt;br /&gt;dita mulher, a fim de que sendo tenha ciência o dr. Juiz de órfãos, a quem&lt;br /&gt;cabe proceder a respeito da forma do reg .que baixou com o decreto de 13&lt;br /&gt;de novembro de 1872,por ser o menor considerado liberto. Vê-se bem que esses&lt;br /&gt;quilombolas praticam toda sorte de perversidade nos lugares em que se&lt;br /&gt;encontram.Roubam, fazem mil tropelias, privam-se dos seus próprios filhos quando&lt;br /&gt;não lhes dão a morte, como muitas vezes terá acontecido(...)85.&lt;br /&gt;O jornal não revela o porquê dessa mulher aceitar o filho da quilombola. Mas a&lt;br /&gt;forma como é chamada “Maria Cabocla” já nos dá uma pista de que ela possivelmente tinha&lt;br /&gt;origem mestiça, poderia ser uma forra e deveria ter algum tipo de contato com a escrava, a&lt;br /&gt;ponto desta confiar seu filho aos seus cuidados.Um outro dado exposto pela documentação&lt;br /&gt;diz respeito ao infanticídio, uma prática comum entre as escravas86.&lt;br /&gt;_________________________&lt;br /&gt;83Arquivo Público do Estado de Sergipe – SP1 , pacotilha 176.&lt;br /&gt;84 .NUNES, Maria Thetis. Sergipe Provincial II (1840/1889).Rio de Janeiro:Tempo Brasileiro,2006,p.60.&lt;br /&gt;85Jornal de Sergipe, 14 de maio de 1873. Apud MOURA,Clóvis. Rebeliões da Senzalas. São Paulo: Brasiliense,&lt;br /&gt;3ª ed.1981.&lt;br /&gt;86 Joceneide Cunha retrata a questão da maternidade entre as escravas. Cf. SANTOS, Joceneide Cunha dos.&lt;br /&gt;Entre farinhadas,procissões e famílias:a vida de homens e mulheres escravos em Lagarto, Província de&lt;br /&gt;Sergipe (1850-1888).Salvador, 2004.Dissertação de Mestrado – Universidade Federal da Bahia.pp.95-98.&lt;br /&gt;38&lt;br /&gt;É importante ressaltar que aquilo que para alguns representa uma atitude de&lt;br /&gt;crueldade, para essas escravas simbolizava uma forma de sobrevivência.A repressão aos&lt;br /&gt;quilombos se dava de maneira contínua; os quilombolas viviam em constante processo de&lt;br /&gt;fuga, e para que fosse bem sucedida a mobilidade e agilidade era essencial. As crianças viriam&lt;br /&gt;a dificultar a movimentação desses escravos, facilitando a captura dos mesmos, talvez esta&lt;br /&gt;seja a razão de não termos encontrado em nenhum dos documentos consultados a presença de&lt;br /&gt;crianças vivendo nos quilombos.&lt;br /&gt;Algumas dessas escravas quilombolas se tornaram amásias de seus&lt;br /&gt;companheiros. Anna Rita, por exemplo, escrava fugida do Engenho Tábua, quando presa em&lt;br /&gt;1873, declarou-se casada, mas assumiu ter tido “relações ilícitas” com o quilombola João&lt;br /&gt;Mulungu. Quando perguntada sobre os presentes que ela havia recebido de João Mulungu ,&lt;br /&gt;respondeu que “deu-lhe a quantia de cinco mil reis” 87 .&lt;br /&gt;A atitude do escravo João Mulungu, gerou conflitos entre Anna Rita e a escrava&lt;br /&gt;fugida Vicência , que também era amasia do mesmo.&lt;br /&gt;perguntada se sabe que a escrava de nome Anna Rita do Engenho Tábua&lt;br /&gt;tinha relações ilícitas com João Mulungu , e qual a razão dela (Vicência) ir&lt;br /&gt;trocar palavras injuriadas com a referida escrava. Respondeu que é verdade&lt;br /&gt;que é verdade ter aquela escrava relações com o escravo João Mulungu(...)&lt;br /&gt;e quando João deu a quantia de cinco mil reis a ela( Vicência)como já tendo&lt;br /&gt;recebido presentes de João, formalizou-se com aquela dádiva, motivo que&lt;br /&gt;foi tomar satisfação com a tal Anna Rita(...)88.&lt;br /&gt;Além das amásias Anna Rita e Vicência, o escravo citado tinha uma companheira,&lt;br /&gt;“uma preta de 13 anos89” . Temos uma teia de relações afetivas e conflituosas, comum entre&lt;br /&gt;os quilombolas sergipanos.&lt;br /&gt;Mas, a relação afetiva dos quilombolas não se dava apenas com mulheres&lt;br /&gt;escravas. Maria, mulher forra, “era amásia do fugido Mathias .” Maria vivia de costuras,&lt;br /&gt;tinha 25 anos e não fazia parte de quilombos, apenas tinha comunicação com os escravos&lt;br /&gt;_______________________&lt;br /&gt;87/88 Arquivo Público do Estado de Sergipe – SP1 , pacotilha 373.&lt;br /&gt;89 Arquivo Público do Estado de Sergipe – SP1 , pacotilha 564.&lt;br /&gt;39&lt;br /&gt;fugidos, e também foi presenteada com cinco mil réis pelo escravo Mathias. No dia de Natal,&lt;br /&gt;Maria havia ido batucar com os quilombolas Anna Rita, Marcolino, Nabuco, João Mulungu,&lt;br /&gt;Maximiano, além de Mathias; e “com eles divertiu-se toda noite90”.&lt;br /&gt;A vida desses homens e mulheres não se resumia a fugas, tinha-se espaço para o&lt;br /&gt;lazer ; pois “a vida concreta dos escravo era algo como um jogo de capoeira – luta, música e&lt;br /&gt;dança a um só tempo. Quilombolas que reinvidicam a liberdade para ‘brincar, folgar e&lt;br /&gt;cantar’; religiões de santos guerreiros e santos de paz91” .&lt;br /&gt;1.6 A REDE DE SOCIALIZAÇÃO&lt;br /&gt;Para desespero de muitos, a rede de socialização estava formada. Os quilombolas&lt;br /&gt;mantiveram relações estreitas com diversos grupos sociais, integrando profundamente a&lt;br /&gt;sociedade escravista. Ao longo da década de 1870, os quilombolas existentes na região da&lt;br /&gt;Cotinguiba estabeleceram redes de comércio, relações de trabalho, de amizade, parentesco e&lt;br /&gt;proteção envolvendo escravos,libertos, e até mesmo gente livre branca, como alguns os&lt;br /&gt;proprietários de engenhos.&lt;br /&gt;Essa complexa trama de relações Flávio Gomes chamou de “campo negro”, um&lt;br /&gt;espaço social, econômico e geográfico através do qual circulavam os quilombolas e a&lt;br /&gt;sociedade envolvente92.&lt;br /&gt;________________________&lt;br /&gt;90 Arquivo Público do Estado de Sergipe – SP1 , pacotilha 373.&lt;br /&gt;91REIS, João José e SILVA, Eduardo. Negociação e conflito: a resistência negra no Brasil escravista. São&lt;br /&gt;Paulo: Companhia das letras, 1999. p.11.&lt;br /&gt;92Ver GOMES, Flávio dos Santos. Histórias de quilombolas: mocambos e comunidades se senzalas no Rio de&lt;br /&gt;Janeiro – século XIX. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1995.&lt;br /&gt;40&lt;br /&gt;A partir do exposto, pudemos constatar que, na sua maioria, os quilombos não&lt;br /&gt;existiam isolados, distantes da sociedade escravista. É claro que houve casos de quilombos&lt;br /&gt;isolados, mas as fontes documentais indicam uma relação intensa entre quilombolas e outros&lt;br /&gt;grupos sociais. Cada vez mais evidente, a diversidade na formação desses grupos torna&lt;br /&gt;imprescindível uma ampliação da definição de quilombo.&lt;br /&gt;Para alguns senhores, a existência de grupos de quilombolas representava uma&lt;br /&gt;ameaça a sua autoridade e ao controle de suas fazendas; para outros, eram aceitos como&lt;br /&gt;componentes indispensáveis, pois a mão de obra quilombola foi responsável por dinamizar a&lt;br /&gt;economia dos pequenos proprietários na Zona da Cotinguiba.&lt;br /&gt;A interação do mundo quilombola com a sociedade envolvente modificou lenta,&lt;br /&gt;porém profundamente os contornos da sociedade em que viviam.&lt;br /&gt;CAPÍTULO III&lt;br /&gt;SENHORES E QUILOMBOLAS: HISTÓRIAS DE CONFLITOS E&lt;br /&gt;BARGANHAS NA ZONA DA COTINGUIBA&lt;br /&gt;3.1 JOGO DE INTERESSES: FAZENDEIROS E QUILOMBOLAS ABREM&lt;br /&gt;ESPAÇO PARA BARGANHAS&lt;br /&gt;Na Província de Sergipe havia o predomínio de pequenos engenhos, bem como&lt;br /&gt;uma posse reduzida de escravos; possivelmente, “na segunda metade do século XIX o&lt;br /&gt;engenho médio sergipano empregava em torno de 20 escravos, sendo poucos os grandes&lt;br /&gt;engenhos93”.&lt;br /&gt;Tabela 3.1: Sergipe – Diversos Municípios : Plantel Médio de Escravos por Engenho&lt;br /&gt;Município/Ano 1857/58 1875/16 1881/82&lt;br /&gt;Laranjeiras 32,0 17,2 20,0&lt;br /&gt;Divina Pastora 24,0 n.d. 26,0&lt;br /&gt;Maruim 27,0 n.d. 37,3&lt;br /&gt;Japaratuba n.d. 23,0 24,6&lt;br /&gt;Rosário n.d. 26,9 31,0&lt;br /&gt;Capela n.d. 18,3 21,7&lt;br /&gt;Itaporanga 28,0 n.d. 43,7&lt;br /&gt;Espírito Santo 14,0 n.d. 7,8&lt;br /&gt;Estância 18,0 n.d. 31,0&lt;br /&gt;Lagarto 19,0 n.d. 18,9&lt;br /&gt;Simão Dias 17,0 n.d. 37,9&lt;br /&gt;Vila Nova 24,0 n.d. 12,5&lt;br /&gt;Própria 13,0 20,5 23,3&lt;br /&gt;Sergipe [21,13] [19,20] [21,66]&lt;br /&gt;Fonte: Passos Subrinho, 2000, p.98.&lt;br /&gt;_______________________&lt;br /&gt;93PASSOS SUBRINHO, Josué M. Reordenamento do trabalho: trabalho escravo e trabalho livre no Nordeste&lt;br /&gt;açucareiro (1850-1888). Aracaju: FUNCAJU, 2000, p.95.&lt;br /&gt;42&lt;br /&gt;Segundo afirma Mott, aproximadamente 1/3 dos cativos constituíam mão-de-obra&lt;br /&gt;inata para lavoura, pois era composta de crianças pequenas, idosos e portadores de doenças&lt;br /&gt;crônicas94 .&lt;br /&gt;Foi no decorrer da segunda metade do século XIX que a porcentagem de cativos&lt;br /&gt;decresceu na Província de Sergipe; tal redução do plantel médio de escravos por engenho em&lt;br /&gt;Sergipe se deu em virtude de uma confluência de fatores, como: a continuidade da expansão&lt;br /&gt;no número de engenhos na província, sendo que a população escrava não crescera no mesmo&lt;br /&gt;ritmo; o fim do tráfico negreiro; a venda de escravos do Nordeste para as fazendas de café do&lt;br /&gt;sul; a ocorrência de algumas epidemias, em especial a de Cólera-Morbus ; e tal redução é&lt;br /&gt;conseqüência também das diversas leis posteriores a 185095 .&lt;br /&gt;O inventário de João Pinheiro de Mendonça, proprietário do engenho “Mulungu”,&lt;br /&gt;situado no Termo de Laranjeiras , nos serve de exemplo para testificar o número reduzido de&lt;br /&gt;cativos, nos engenhos sergipanos. Esse Senhor de engenho detinha em sua propriedade 23&lt;br /&gt;escravos. Sendo 10 homens, em idade que variava de 16 a 55 anos; 7 mulheres, que possuíam&lt;br /&gt;entre 17 e 40 anos; e 6 crianças, com idade entre 8 meses e 10 anos96&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Esses dados ratificam as especificidades dos engenhos sergipanos, mais&lt;br /&gt;precisamente da região da Cotinguiba, no que diz respeito ao número de escravos em idade&lt;br /&gt;economicamente ativa para lavoura; no engenho supracitado temos em torno de 15 cativos em&lt;br /&gt;idade ativa, sendo que, segundo consta nas documentações referentes à segurança pública,&lt;br /&gt;pelo menos 4 destes encontrava-se aquilombados na década de 1870; são eles: Romana, João&lt;br /&gt;Mulungu, Maximiano e Luzia .&lt;br /&gt;É notório , portanto, que para os Senhores de engenho a mão de obra de seus&lt;br /&gt;escravos constituíam uma fonte valorosa na lavoura canavieira. Todavia, os fazendeiros se&lt;br /&gt;comportaram de maneiras diferenciadas diante da fuga e formação de quilombos.&lt;br /&gt;_______________________&lt;br /&gt;94Ver em MOTT, Luiz R. B. Sergipe Del Rey: população, economia e sociedade. Aracaju: FUNDESC, 1986.&lt;br /&gt;95PASSOS SUBRINHO, Josué M, op.cit., p.99.&lt;br /&gt;96 Arquivo do Judiciário do Estado de Sergipe,caixa 01-A.&lt;br /&gt;43&lt;br /&gt;Alguns proprietários de engenho davam couto, ou não reprimiam diretamente os&lt;br /&gt;quilombolas, em troca de não sofrerem ataques a suas fazendas, como também , devido o&lt;br /&gt;pequeno plantel de escravos que possuíam, os quilombolas serviriam de mão de obra para&lt;br /&gt;lavoura; surgindo assim o espaço para negociações entre pequenos proprietários e&lt;br /&gt;quilombolas.Esse foi caso, por exemplo, do Senhor Francisco Tavares de Sá e João Maria&lt;br /&gt;d’Araujo Nabuco.&lt;br /&gt;Poderemos notar que o envolvimento dos fazendeiros no acoitamento de&lt;br /&gt;quilombolas, não se deu por uma solidariedade desinteressada, os agentes históricos&lt;br /&gt;envolvidos nessa rede de socialização tinham lógicas próprias, e entrecruzavam interesses e&lt;br /&gt;solidariedade.&lt;br /&gt;Notamos esse jogo de interesses entre o proprietário do Engenho São José,&lt;br /&gt;Francisco Tavares de Sá, com alguns quilombolas. O delegado de polícia de Japaratuba, em&lt;br /&gt;1871 relata:&lt;br /&gt;chegando ao engenho São José, ordenei o cerco das senzalas, e aparecendo logo&lt;br /&gt;o proprietário dito Tavares, armado de revolver dentro das botas, este opôs-se&lt;br /&gt;formalmente ao cerco,gritando em altas vozes, que fossem cercadas as suas&lt;br /&gt;senzalas.97&lt;br /&gt;Durante a década de 1870, o engenho São José representou um ponto de refúgio e&lt;br /&gt;proteção para os quilombolas do grupo de João Mulungu. É possível inferir que Francisco&lt;br /&gt;Tavares de Sá, era um pequeno proprietário de engenho, possuidor de um plantel reduzido de&lt;br /&gt;escravos. Isso justificaria sua atitude ,ao desafiar as autoridades locais, em defesa dos&lt;br /&gt;escravos fugidos que encontravam-se acoitados em sua fazenda.Esses quilombolas juntamente&lt;br /&gt;com os cativos do engenho, possibilitaria a Tavares um maior dinamismo para sua lavoura.&lt;br /&gt;João José Reis demonstra que no quilombo do Oitizeiro, situado na Bahia , no ano&lt;br /&gt;de 1806, os lavradores de mandioca acoitavam os quilombolas para poderem utilizá-los como&lt;br /&gt;mão-de-obra98.&lt;br /&gt;________________________&lt;br /&gt;97Arquivo Público do Estado de Sergipe – SP1 , pacotilha 301.&lt;br /&gt;98Ver REIS, João José.Escravos e coiteiros no quilombo do oitizeiro: Bahia, 1806. IN: Liberdade por um fio:&lt;br /&gt;história dos quilombos no Brasil. REIS, João José &amp; GOMES, Flávio dos Santos: Companhia das&lt;br /&gt;Letras,1996,pp.332-372.&lt;br /&gt;44&lt;br /&gt;Ao continuar o relato da situação com a qual se deparou, o delegado de Polícia&lt;br /&gt;corrobora com a tese de que Tavares era detentor de um reduzido número de escravos&lt;br /&gt;A despeito da oposição do dito proprietário, fiz cercar e correr as senzalas,&lt;br /&gt;onde estavam cerca de dezesseis escravos, que não foram conhecidos pela&lt;br /&gt;força e que o dito proprietário disse serem seus, e querendo eu proceder ao&lt;br /&gt;interrogatório desses, o dito proprietário se opôs; dizendo que eles nada&lt;br /&gt;responderiam .Alguns dias depois da diligencia , fui informado que alguns dos&lt;br /&gt;escravos que estavam nas senzalas eram quilombos que ali estavam&lt;br /&gt;guardados, sob a proteção do proprietário.99&lt;br /&gt;Tavares possuía em torno de dez escravos cativos, pois, segundo o quilombola&lt;br /&gt;José boi, o quilombo do engenho São José contava com cerca de seis escravos fugidos100 .&lt;br /&gt;Como então garantir uma boa produção sendo possuidor de um pequeno número de escravos?&lt;br /&gt;Uma solução para este Senhor de Engenho, talvez, estivesse naquilo que muitos abominavam:&lt;br /&gt;os quilombolas.&lt;br /&gt;Em uma época de desagregação do sistema escravista, e relativa estagnação da&lt;br /&gt;economia açucareira do Nordeste, o trabalho servil dos escravos em fuga surge como&lt;br /&gt;alternativa , uma vez que, segundo Josué M. dos Passos Subrinho, o trabalho livre nos&lt;br /&gt;engenhos sergipanos, alem de minoritário era utilizado predominantemente de forma&lt;br /&gt;suplementar101 .&lt;br /&gt;Portanto, além do medo de represálias que poderiam sofrer por parte de&lt;br /&gt;quilombolas, já que estes costumavam praticar assaltos a transeuntes e fazendas; existia um&lt;br /&gt;fator gritante para que os pequenos proprietários se inserissem nessa rede de proteção: o fator&lt;br /&gt;econômico.&lt;br /&gt;Como podemos constatar, Francisco Tavares de Sá, não foi uma exceção dentro&lt;br /&gt;do sistema escravista; os quilombolas sergipanos puderam contar com outros senhores, com&lt;br /&gt;os quais estabeleceram espaços de autonomia, solidariedade e mais que isso, de interesses&lt;br /&gt;recíprocos.&lt;br /&gt;__________________________&lt;br /&gt;99/100/ Arquivo Público do Estado de Sergipe – SP1 , pacotilha 301.&lt;br /&gt;101 Ver PASSOS SUBRINHO, Josué M, op.cit,pp.75-102.&lt;br /&gt;45&lt;br /&gt;O delegado de Japaratuba mostrou-se indignado ao verificar que havia alguns&lt;br /&gt;ranchos de quilombos, bem próximos ao oitão das senzalas do engenho São José, que no&lt;br /&gt;momento do cerco encontravam-se vazios, mas que haviam sido habitados pelos quilombolas,&lt;br /&gt;pois neles foram encontrados cordas, ferros, gamelas, salgadeiras, gordura de carne, couro de&lt;br /&gt;boi, e outros sinais.&lt;br /&gt;É presumível que Tavares tinha total ciência da existência desse quilombo nas&lt;br /&gt;imediações de sua fazenda, e provavelmente, foi o responsável pelo êxito da fuga dos&lt;br /&gt;quilombolas, pois quando o delegado chegou a sua fazenda, imediatamente Tavares mandou&lt;br /&gt;um de seus escravos “a pressa montado a cavalo para o pasto de fora, sem lhe ordenar coisa&lt;br /&gt;alguma senão que fosse ao pasto de fora102” .Tudo indica que para o escravo já estava&lt;br /&gt;subentendido que deveria avisar aos quilombolas o que estava ocorrendo em tempo hábil para&lt;br /&gt;que estes fugissem.&lt;br /&gt;O engenho Limeira, no Termo de Divina Pastora, cujo proprietário era o&lt;br /&gt;Comandante Superior João Maria d’Araujo Nabuco, é mais um exemplo das relações travadas&lt;br /&gt;entre senhores e quilombolas.&lt;br /&gt;Segundo as autoridades locais nesse engenho “se achavam grande quantidade de&lt;br /&gt;ranchos, parecia como que uma povoação103”. Sendo que, o grande número de escravos&lt;br /&gt;fugidos estava sobre a ordenação de João Mulungu.&lt;br /&gt;O alferes João Batista da Rocha, em janeiro de 1873 expõe:&lt;br /&gt;Estes quilombolas acham-se acoitados na matas do Engenho Limeira com&lt;br /&gt;pleno conhecimento e consentimento do respectivo proprietário, Coronel&lt;br /&gt;João Maria d’Araujo Nabuco, o qual frustra grande parte das diligências&lt;br /&gt;que faça104.&lt;br /&gt;___________________________&lt;br /&gt;102Arquivo Público do Estado de Sergipe – SP1 , pacotilha 301.&lt;br /&gt;103Arquivo Público do Estado de Sergipe – SP1 , pacotilha 178.&lt;br /&gt;104 Arquivo Público do Estado de Sergipe – SP1 , pacotilha 298.&lt;br /&gt;46&lt;br /&gt;Novamente temos um Senhor de Engenho desafiando as autoridades policias; a&lt;br /&gt;partir do trecho citado percebemos a grande importância desse “laço de solidariedade”, que&lt;br /&gt;contribuía para frustrar as diligências reescravizadoras. Um fato interessante que ocorreu no&lt;br /&gt;engenho Limeira, foi que alem da conivência do coronel, proprietário do engenho, havia&lt;br /&gt;também o apoio do juiz Municipal de divina Pastora.&lt;br /&gt;O senhor doutor Juiz Municipal do Termo tem sido de grande obstáculo a&lt;br /&gt;realização dos planos policia contra os quilombolas (...) .Quando tive de&lt;br /&gt;fazer uma importante diligência no Engenho Limeira e que os praças ainda&lt;br /&gt;não estavam aqui para não haver suspeitas, o único homem que soube do segredo&lt;br /&gt;foi o senhor doutor Juiz Municipal e quando lá cheguei os quilombolas tinham a&lt;br /&gt;pouco tempo mudado de couto (...). Quando a pouco dias tive de fazer uma nova&lt;br /&gt;diligência e que por felicidade encontrei alguns quilombolas tendo um&lt;br /&gt;deles resistido armado a voz de prisão, o soldado cumpriu seu dever e&lt;br /&gt;atirou sobre ele tiro que o matou. Entretanto, este procedimento desagradou&lt;br /&gt;ao Dr. Juiz Municipal por ter sido feita a prisão nas matas anexas ao&lt;br /&gt;Engenho Limeira, e tem declarado publicamente que vai processar a mim e ao&lt;br /&gt;soldado por crime de homicídio105.&lt;br /&gt;Quais as motivações para que o Juiz Municipal acobertasse os quilombolas do&lt;br /&gt;engenho Limeira? A atitude desse juiz parece estar ligada a “laços de amizade” que mantinha&lt;br /&gt;com o proprietário do citado engenho, chegando a declarar que “qualquer ato que diga&lt;br /&gt;respeito à família do coronel João Maria d’Araujo Nabuco são como se fossem a sua própria&lt;br /&gt;pessoa106”.&lt;br /&gt;A reação do Juiz Municipal não estava, portanto, atrelada à defesa de&lt;br /&gt;quilombolas, pois se assim fosse, reagiria com o mesmo vigor quando as forças policiais&lt;br /&gt;atuavam sobre outros engenhos do Termo de Divina Pastora, fato que não ocorreu. A&lt;br /&gt;documentação nos revela que a indignação de tal juiz despertava-se apenas quando estava em&lt;br /&gt;jogo os interesses do Comandante Superior João Maria d’Araujo Nabuco.&lt;br /&gt;Segundo divulgou o Jornal de Sergipe, em março de 1873, alguns proprietários&lt;br /&gt;acoitavam escravos em suas fazendas em virtude de um “desleixo criminoso107”. Contudo, o&lt;br /&gt;_______________________&lt;br /&gt;105/106 Arquivo Público do Estado de Sergipe – SP1 , pacotilha 298.&lt;br /&gt;107Jornal de Sergipe, 19 de março de 1873. Apud MOURA,Clóvis. Rebeliões da Senzalas. São Paulo:&lt;br /&gt;Brasiliense, 3ª ed.1981.&lt;br /&gt;47&lt;br /&gt;alferes João Batista deixou claro, a partir do exposto, que as atitudes desses fazendeiros, em&lt;br /&gt;momento algum se trataram de um simples desleixo; ao contrário, foram ações conscientes e&lt;br /&gt;com objetivos pré-determinados.&lt;br /&gt;Objetivos esses, que não se tratavam de uma pura solidariedade, mas sim de um&lt;br /&gt;jogo de interesses mútuo; no qual tanto senhores quanto quilombolas souberam administrar&lt;br /&gt;através de negociações e barganhas.&lt;br /&gt;Para os senhores, como já foi dito, os quilombolas poderiam representar uma&lt;br /&gt;força a mais para a lavoura canavieira. Mas, quais as vantagens adquiridas por esses escravos&lt;br /&gt;nessa relação?&lt;br /&gt;Tudo indica a existência de acordos entre fazendeiros e aquilombados; acordos&lt;br /&gt;que poderiam variar desde refúgio, proteção e alimentos para o seu cotidiano; além do que&lt;br /&gt;esses escravos em fuga ganhavam com essa relação à possibilidade de prolongar seus dias de&lt;br /&gt;busca pela liberdade, ou ainda a oportunidade de trocar de senhor.&lt;br /&gt;Poder-se-ia imaginar que esses quilombolas ao fugirem de seus senhores e&lt;br /&gt;permanecerem acoitados em outras fazendas com a cumplicidade dos proprietários , estariam&lt;br /&gt;nada mais do que uma troca de senhores. Porém, tal visão recai em extremo reducionismo.&lt;br /&gt;Alguns quilombolas, certamente tinham como objetivo trocar de senhor, mas esta&lt;br /&gt;não foi uma regra. Vários escravos quilombolas perceberam diante dessa situação a&lt;br /&gt;possibilidade de criar ou modificar espaços de autonomia. Esses sujeitos históricos não&lt;br /&gt;estavam sendo obrigados a estar ali e a trabalhar; essa foi uma opção feia por eles,&lt;br /&gt;demonstrando assim que em momento algum se tornaram seres reificados, mas sim homens e&lt;br /&gt;mulheres possuidores de vontades.&lt;br /&gt;É necessário ressaltar que, senhores e quilombolas nem sempre estiveram&lt;br /&gt;dispostos a acordos e relações amistosas. Histórias de conflitos e perseguições também&lt;br /&gt;permearam a Zona da Cotinguiba no decorrer da década de 1870.&lt;br /&gt;48&lt;br /&gt;3.2 QUILOMBOLAS E FAZENDEIROS TRAVAM CONFLITOS&lt;br /&gt;Ao lado dos fazendeiros que aceitavam a existência dos quilombolas, havia uma&lt;br /&gt;parte da classe senhorial, para a qual os quilombolas constituíam um péssimo exemplo para os&lt;br /&gt;escravos. Não foi incomum esses senhores prestarem queixas junto as autoridades locais , na&lt;br /&gt;tentativa de acabarem com os quilombos na Província de Sergipe.&lt;br /&gt;A fuga e formação de quilombos por parte de alguns escravos, possivelmente&lt;br /&gt;gerou o temor de vários senhores a impressão de que a dita “criminalidade” escrava tendia a&lt;br /&gt;aumentar, tornando-se um perigo concreto ao controle de suas fazendas.&lt;br /&gt;Muitos fazendeiros não aceitavam a perda de seus escravos, em pleno vigor físico,&lt;br /&gt;e lutaram o quanto foi possível para recuperar a mão de obra desses cativos, uma vez que a&lt;br /&gt;década de 1870 corresponde a um período de declínio da mão de obra escrava, em&lt;br /&gt;decorrência de fatores supracitados. A fuga de escravos representava , portanto, um enorme&lt;br /&gt;prejuízo para classe senhorial.&lt;br /&gt;A economia dos escravos aquilombados na Região da Cotinguiba tinha como&lt;br /&gt;característica o seu aspecto predatório, ou seja, vários quilombolas sobreviviam da prática de&lt;br /&gt;roubos , muitas vezes praticados em fazendas. Portanto, além da perda do valor gasto na&lt;br /&gt;aquisição dos escravos; do déficit na produção, em virtude da redução da mão de obra; os&lt;br /&gt;fazendeiros ainda viviam sob a constante ameaça de terem a qualquer momento suas&lt;br /&gt;propriedades atacadas.&lt;br /&gt;O Jornal de Aracaju, no ano de 1874, expõe o comunicado do Presidente da&lt;br /&gt;Província, Antônio dos Passos Miranda:&lt;br /&gt;Ainda não se pode extinguir os quilombos que, de longa data , são o terror&lt;br /&gt;de grande número de proprietários, cuja fortuna e vida sofrem constante&lt;br /&gt;ameaça pelas escoltas que de vez em quando dão os escravos em&lt;br /&gt;diferentes termos108.&lt;br /&gt;__________________________&lt;br /&gt;108Jornal de Aracaju, 15 de março de 1874. Apud MOURA,Clóvis. Rebeliões da Senzalas. São Paulo:&lt;br /&gt;Brasiliense, 3ª ed.1981.&lt;br /&gt;49&lt;br /&gt;A tranqüilidade dos proprietários dependia, em certa medida, da captura dos&lt;br /&gt;quilombolas e conseqüente destruição dos quilombos. Esses escravos em fuga, que para&lt;br /&gt;alguns senhores representavam simples mercadorias, na realidade eram antes de tudo sujeitos&lt;br /&gt;lutando pela sobrevivência fora do cativeiro. Nessa luta cotidiana a vida de senhores poderia&lt;br /&gt;estar em jogo, pois se de um lado havia fazendeiros que exigiam a recaptura de seus cativos,&lt;br /&gt;do outro se tinha escravos que não poupariam esforços para continuarem aquilombados.&lt;br /&gt;Acompanhemos a ação de alguns quilombolas, relatada por Luis Barbosa&lt;br /&gt;Madureira Mainarte, em uma queixa crime contra os quilombolas João Mulungu, Quirino,&lt;br /&gt;Manoel, Malaquias, Cassiano, Pedro e Manuel.&lt;br /&gt;Achando-se o suplicante em viagem de Maroim para sua casa, que é em&lt;br /&gt;terras do engenho Matta, em caminho foi atacado pelos ditos&lt;br /&gt;escravos e outros quilombolas , os quais o fizeram apoiar com ameaças&lt;br /&gt;de morte por estarem todos bem armados de bacarmates ,facas de ponta&lt;br /&gt;e outros instrumentos mortíferos, e o acompanharam a pé a sua residência 109.&lt;br /&gt;Como podemos verificar os quilombolas agiam a partir de premissas próprias,&lt;br /&gt;fazendo uso daquilo que estava ao seu alcance para adquirirem o que desejavam. A&lt;br /&gt;intimidação a senhores fazia parte desse ambiente de conflitos e negociações.&lt;br /&gt;Ao chegar a sua residência,&lt;br /&gt;O suplicante encontrou um hospede e outras pessoas que estavam em&lt;br /&gt;companhia de sua ama Felismina Maria do Sacramento, e os ditos escravos&lt;br /&gt;penetraram violentamente sua morada e a puseram em cerco, carregando&lt;br /&gt;galinhas, perus, carneiros, sela seus pertences e, depois de o injuriarem bastante&lt;br /&gt;com palavras afrontosas, o deixaram felizmente sem ofensas físicas110&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Os quilombolas, em geral, não figuravam como ameaça efetiva a escravidão, mas&lt;br /&gt;sem dúvida representaram uma importante ameaça simbólica e um imenso problema para a&lt;br /&gt;_______________________.&lt;br /&gt;109 Arquivo do Judiciário do Estado de Sergipe,caixa 01/884.&lt;br /&gt;110 Arquivo do Judiciário do Estado de Sergipe,caixa 01/884.&lt;br /&gt;50&lt;br /&gt;mão-de-obra, pois o trabalho escravo constituiu a base fundamental do sistema de produção&lt;br /&gt;na região da Cotinguiba.&lt;br /&gt;Como já foi exposto anteriormente os escravos que fugiam, em sua maioria, eram&lt;br /&gt;aqueles em idade economicamente ativa para lavoura canavieira; o preço dess4es escravos&lt;br /&gt;sempre estiveram ligados a diversos fatores como sexo, idade, nacionalidade, aptidão para o&lt;br /&gt;trabalho etc. Sendo assim, os escravos entre 15 e 35 anos, estando no auge da fase mais&lt;br /&gt;produtiva de suas vidas, eram os mais valorizados111.&lt;br /&gt;A fuga de quatro escravos do proprietário João Pinheiro de Mendonça , dono do&lt;br /&gt;Engenho Mulungu, representou para este uma perda de 2:800$000112, e um déficit na sua&lt;br /&gt;produção, uma vez que João Pinheiro passou a contar com apenas onze escravos na sua&lt;br /&gt;propriedade.É notória , portanto, a importância dos cativos para os senhores de engenho,&lt;br /&gt;sendo a sua evasão uma perda brusca para economia escravista.&lt;br /&gt;Sem dúvida, se não desempenhassem um papel de grande relevância na&lt;br /&gt;sociedade escravista, senhores de engenho e autoridades locais não teriam, de forma&lt;br /&gt;contundente, se empenhado na destruição dos quilombos.&lt;br /&gt;Se de um lado os fazendeiros procuravam em diversos momentos reelaborar&lt;br /&gt;políticas de domínio, visando o controle da população escrava, isto não&lt;br /&gt;aconteceu sem a participação e, mais, a interferência dos cativos .Entre&lt;br /&gt;medos, retaliações, barganhas, repressões etc.; senhores e escravos em variadas&lt;br /&gt;ocasiões modificaram lenta, porém profundamente, os contornos do mundo em&lt;br /&gt;que viveram113 .&lt;br /&gt;______________________&lt;br /&gt;111 Sobre o preço dos escravos Ver: SANTOS, Patrícia Lima Moraes. Permanências e transformações da&lt;br /&gt;riqueza em uma sociedade escravista: Maruim (1850-1888).São Cristóvão, 2002. Monografia (graduação em&lt;br /&gt;história) UFS/CECH/DHI.&lt;br /&gt;112 Os escravos fugidos foram Romana, João Mulungu e Maximiano, que estavam avaliados em 800$000 cada ,&lt;br /&gt;tinham entre 16 e 25 anos e eram crioulos; a outra escrava fugida chamava-se Luzia, era uma africana de 40&lt;br /&gt;anos e estava avaliada em 400$000.&lt;br /&gt;113GOMES, Flávio dos Santos. Histórias de quilombolas: mocambos e comunidades se senzalas no Rio de&lt;br /&gt;Janeiro- século XIX. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1995,p.294.&lt;br /&gt;51&lt;br /&gt;Através de conflitos ou relações amistosas, os quilombolas buscaram sobreviver&lt;br /&gt;nas fronteiras do mundo escravista , dando novos contornos ao sistema em que se&lt;br /&gt;encontravam inseridos.&lt;br /&gt;3.3 REPRESSÃO: O APARATO MILITAR ENTRA EM CENA&lt;br /&gt;A existência de fugas de escravos foi reconhecida desde sempre pelos senhores&lt;br /&gt;que, visando combatê-las tomaram suas medidas, cada um buscando cuidar de si e dos seus.&lt;br /&gt;Quando esses fugitivos se ajuntavam, e passavam a ser vistos como uma ameaça, os grupos&lt;br /&gt;de repressão entravam em cena.&lt;br /&gt;Para o governo da Província de Sergipe, a tarefa de pôr em prática a política de&lt;br /&gt;repressão não foi uma tarefa fácil. Apesar das autoridades locais não hesitarem na tentativa&lt;br /&gt;de reprimir a formação de quilombos; os esforços empregados não chegaram a alcançar o&lt;br /&gt;êxito desejável. Em meio às tentativas frustradas de se montar um aparelho militar eficiente&lt;br /&gt;na Província, os quilombos continuaram a se proliferarem na região da Cotinguiba.&lt;br /&gt;Pagamento de gratificações, utilização de espias, reforço no número de praças,&lt;br /&gt;ajuda da Guarda Nacional; vários foram os meios utilizados pelas autoridades buscando&lt;br /&gt;incrementar as ações das forças policias. Todavia, tais ações esbarravam na rede social de&lt;br /&gt;proteção que dificultava o trabalho das tropas reescravizadoras.&lt;br /&gt;Os resultados ínfimos das diligências não se devem apenas ao apoio que os&lt;br /&gt;quilombolas recebiam de vários setores da sociedade envolvente; deve-se levar em conta&lt;br /&gt;também o caráter incipiente das forças militares que atuavam na Província.&lt;br /&gt;Para efetivar a prisão do escravo João Mulungu,um dos mais procurados pelas&lt;br /&gt;autoridades locais; o chefe de policia remeteu ao Presidente de Província , no ano de 1873,&lt;br /&gt;um pedido para aumentar o número de praças para ajudar na captura de tal quilombola114 ,&lt;br /&gt;pois o efetivo militar era bastante inaudível .&lt;br /&gt;___________________________&lt;br /&gt;114Arquivo Público do Estado de Sergipe – SP1 , pacotilha 564.&lt;br /&gt;52&lt;br /&gt;O tenente João Batista da Rocha , em setembro de 1873, descreve para o&lt;br /&gt;Presidente da Província o resultado da diligencia conduzida por ele , cujo objetivo era&lt;br /&gt;justamente a captura do escravo João Mulungu e outros quilombolas:&lt;br /&gt;Partindo desta capital com 5 praças, reunido a estes mais 6 do destacamento do&lt;br /&gt;Rosário,(...). Em caminho encontraram um encontraram um escravo, que&lt;br /&gt;confessando achava-se fugido há muitos dias(...). Em seguida se lhe apresentou&lt;br /&gt;um outro encarregado pelo tenente Coronel João de Siqueira Maciel de&lt;br /&gt;guiá-lo até os ranchos dos quilombolas. Dirigindo-se aos lugares (...) encontrou&lt;br /&gt;15 ranchos com 14 escravos115 .&lt;br /&gt;O número de praças envolvidos nessa operação, como se pode perceber, foi&lt;br /&gt;bastante reduzido; a falta de praças suficientes emergia como mais uma dificuldade no&lt;br /&gt;combate aos quilombos sergipanos.&lt;br /&gt;A Zona da Cotinguiba, devido elevado número de escravos que ali habitavam,&lt;br /&gt;necessitava de um maior rigor das autoridades para combater possíveis “desordens” , no&lt;br /&gt;entanto as forças policiais se mostraram escassas. O que pensarmos então da ação militar nas&lt;br /&gt;demais regiões da Província? Parece coerente inferirmos que nas outras regiões o aparato&lt;br /&gt;militar também tenha deixado de operar com a eficácia necessária, pois se na Cotinguiba,&lt;br /&gt;região mais importante na produção açucareira da Província, se tinha um número precário de&lt;br /&gt;praças, nas demais regiões esse número deve ter sido ainda menor.&lt;br /&gt;Na diligência comandada por João Batista da Rocha, considerado o maior&lt;br /&gt;caçador de quilombolas na Província de Sergipe, notamos que ele contou com a ajuda de um&lt;br /&gt;escravo para guiá-lo até o local desejado. A utilização de guias foi algo corriqueiro, em&lt;br /&gt;diversas ocasiões foram eles os responsáveis por indicar os pontos onde existiam quilombos,&lt;br /&gt;bem como direcionar as tropas em meio às matas.&lt;br /&gt;Vários guias tratavam-se de escravos que fizeram parte dos quilombos , e por este&lt;br /&gt;motivo conheciam bem as regiões onde os escravos em fuga costumavam se aquilombar.&lt;br /&gt;Contudo, nem a ajuda dos guias tornava as diligencias mais fecunda.&lt;br /&gt;__________________________&lt;br /&gt;115Arquivo Público do Estado de Sergipe – SP1 , pacotilha 564.&lt;br /&gt;53&lt;br /&gt;Apesar dos esforços empregados pode somente capturar 4, inclusive uma&lt;br /&gt;preta de 13 anos, mais ou menos, que vivia em companhia de João Mulungu.&lt;br /&gt;Foram apreendidos nos ranchos dois cavalos, uma pistola, algumas facas&lt;br /&gt;e outros objetos116 .&lt;br /&gt;O principal objetivo dessa diligência era capturar o quilombola João Mulungu,&lt;br /&gt;tido pelas autoridades como o chefe mais terrível dos escravos fugidos. No entanto, tal&lt;br /&gt;objetivo não foi concluído; João Mulungu e parte de seu grupo permaneceu em fuga por mais&lt;br /&gt;alguns anos. O tenente João Batista da Rocha justificou da seguinte forma o êxito da fuga do&lt;br /&gt;quilombola Mulungu:&lt;br /&gt;Como vê Vossa Excelência não pode ser capturado o escravo João Mulungu,&lt;br /&gt;e todos os outros que o acompanharam por motivos supremos (...),como&lt;br /&gt;fosse o pouco número de praças e a circunstância de serem os ranchos todos&lt;br /&gt;de palha, e que muito facilitou a fugidos escravos117&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;Segundo Flávio dos Santos Gomes, no período escravocrata ocorreu à&lt;br /&gt;coexistência de diversos tipos de quilombos: aqueles que procuravam constituir comunidades&lt;br /&gt;independentes com atividades camponesas integradas a economia local, essas comunidades&lt;br /&gt;quilombolas possuíam uma economia estável e além dos produtos cultivados para sua&lt;br /&gt;subsistência produzia excedentes, os quais negociavam e mantinham trocas mercantis com&lt;br /&gt;vendeiros locais; havia os quilombos que se caracterizavam pelo protesto reivindicatório dos&lt;br /&gt;escravos para com seus Senhores, esses escravos eram na maioria das vezes pertencentes a&lt;br /&gt;uma mesma localidade e procuravam manterem-se aquilombados no interior das terras do&lt;br /&gt;próprio Senhor; e existia ainda os quilombos que se dedicavam a razias, e não possuíam&lt;br /&gt;acampamentos fixos118 .&lt;br /&gt;___________________________&lt;br /&gt;116/117 Arquivo Público do Estado de Sergipe – SP1 , pacotilha 564.&lt;br /&gt;118 cf. GOMES,Flávio dos Santos. Nos mundos da escravidão: escravos, camponeses e quilombolas no Rio de&lt;br /&gt;Janeiro do século XIX. Caderno UFS de história. São Cristóvão. UFS/DHI/PDPH/EDUFS. 1996, N° 02.&lt;br /&gt;54&lt;br /&gt;Foi esse ultimo tipo de quilombo que predomínio na Província de Sergipe,&lt;br /&gt;tínhamos grupos formados por um pequeno número de quilombolas, que habitavam em&lt;br /&gt;ranchos de palha, pois viviam em constante mudança de localidade e esse tipo de rancho&lt;br /&gt;cooperava para uma maior rapidez nas fugas.&lt;br /&gt;A agilidade dos escravos e as estratégias de sobrevivência montadas, vieram a&lt;br /&gt;contribuir para longevidade dos quilombos, e para frustração de uma grande quantidade de&lt;br /&gt;expedições repressivas. Esperteza. audácia, proteção e o fator sorte não faltaram aos&lt;br /&gt;quilombolas da Região da Cotinguiba; as tropas tiveram que trabalhar exaustivamente para&lt;br /&gt;conseguir obter algum resultado.&lt;br /&gt;João Mulungu, por exemplo, após anos de busca, só foi capturado em janeiro de&lt;br /&gt;1876, em uma ação das tropas que perdurou por alguns dias. Acompanhemos esse processo de&lt;br /&gt;captura comandada por João Batista da Rocha&lt;br /&gt;Marchando desta cidade no dia 14 do corrente com 10 praças sob meu&lt;br /&gt;comando, dirigi-me a Vila de Divina Pastora , com o distinto Doutor Juiz&lt;br /&gt;Municipal, Manoel Cardoso Oliveira de Melo, o alferes Marcolino de Souza&lt;br /&gt;Franco e oito praças marchamos na noite do dia 15 com direção as matas do&lt;br /&gt;engenho Maria Teles, Termo da cidade de Maroim, nada encontrando119.&lt;br /&gt;No dia 17 a tropa já estava no engenho Capim-assú, situado no Termo de Rosário;&lt;br /&gt;até então a expedição não havia conseguido capturar nenhum quilombola. Ao chegarem ao&lt;br /&gt;citado engenho foram recepcionados por mais de 28 escravos de forma inesperada. Alguns&lt;br /&gt;soldados chegaram a ser agredidos, pois os escravos “armados de facas, enxadas e facões&lt;br /&gt;estavam indignados pela perseguição de seus parceiros120”. Possivelmente, essas “armas”( facas,&lt;br /&gt;enxadas e facões) eram os instrumentos de trabalho que esses escravos utilizavam na lavoura;&lt;br /&gt;contudo, havia também escravos que se muniam de armas de fogo, ao que tudo indica&lt;br /&gt;adquiridas através de trocas mercantis ou por meio de furtos.&lt;br /&gt;___________________________&lt;br /&gt;119/120Arquivo Público do Estado de Sergipe – CM3 , pacotilha 39.&lt;br /&gt;55&lt;br /&gt;No dia 18 a tropa regressou para Divina Pastora, onde João Batista da Rocha teve&lt;br /&gt;a felicidade de receber notícias fidedignas do paradeiro do escravo quilombola João&lt;br /&gt;Mulungu.&lt;br /&gt;Quando chegamos ao Engenho Vassouras vinha a nossa procura o escravo&lt;br /&gt;Severino, do proprietário do Engenho Flôr da Roda, Termo da cidade de&lt;br /&gt;Laranjeiras, e entregando-me uma carta, vi que se achava em uma das senzalas&lt;br /&gt;do mesmo Engenho o chefe dos quilombolas João Mulungu121.&lt;br /&gt;A tropa chega ao local denunciado na madrugada do dia seguinte, mas tem a&lt;br /&gt;decepção de não encontrar o escravo João Mulungu. No entanto, o escravo Severino afirmou&lt;br /&gt;que o quilombola procurado estava fora, mas a qualquer momento retornaria. João Batista e&lt;br /&gt;sua tropa resolveram, então ,se refugiar no centro de um bananal a espera do momento certo&lt;br /&gt;para capturá-lo; “As 11 horas e meia do dia chegou o Severino e deu parte que, João Mulungu se&lt;br /&gt;achava em descanso com o seu inseparável companheiro no centro de um grande canavial&lt;br /&gt;debaixo de uma árvore122.&lt;br /&gt;Sem perda de tempo, a tropa marchou ao encontro do quilombola com a seguinte&lt;br /&gt;tática para capturá-lo: seis guardas franqueariam pela esquerda, nove pela retaguarda e João&lt;br /&gt;Batista com três praças a cavalo atacariam pela frente. O plano estava armado, mas a captura&lt;br /&gt;não seria tão fácil quanto estava se configurando.&lt;br /&gt;Logo que dois quilombolas sentiram a primeira opressão, um entregou-se&lt;br /&gt;e o João desligou-se das mãos de três soldados e evadiu-se a toda carreira&lt;br /&gt;deixando as armas compostas de uma pistola de alcance carregada e um facão&lt;br /&gt;grande de ponta; não perdi tempo em persegui-lo com os praças montados&lt;br /&gt;que a distância de duzentos passos mais ou menos foi arrojado ao chão com&lt;br /&gt;um pequeno golpe na cabeça123&lt;br /&gt;_________________________&lt;br /&gt;121/122/123 Arquivo Público do Estado de Sergipe – CM3 , pacotilha 39.&lt;br /&gt;56&lt;br /&gt;Através do exposto, nota-se a preocupação das autoridades locais em destruir os&lt;br /&gt;quilombos, pois se de um lado tornaram-se aceitos por muitos grupos da sociedade escravista&lt;br /&gt;na Zona da Cotinguiba, ao mesmo tempo eram vistos como ameaças e, portanto, perseguidos&lt;br /&gt;por grupos dominantes.&lt;br /&gt;Isso corrobora com a tese de que os quilombolas tiveram um papel importante&lt;br /&gt;para crise do sistema escravista. A luta desses escravos contribuiu para o desgaste social,&lt;br /&gt;econômico e psicológico de senhores e demais autoridades124.&lt;br /&gt;.&lt;br /&gt;__________________________&lt;br /&gt;124 Ver MOURA, Clóvis. Os quilombos e a rebelião negra. São Paulo: Brasiliense,1981.&lt;br /&gt;CONSIDERAÇÕES FINAIS&lt;br /&gt;Através do quilombola João Mulungu e seus companheiros , percebemos como os&lt;br /&gt;cativos reinventaram cotidianamente os significados da liberdade a partir de estratégias e&lt;br /&gt;concepções próprias. Flávio Gomes pontua que em meio a conflitos e alianças, os&lt;br /&gt;quilombolas abriram importantes caminhos para conquistar espaços de autonomia no interior&lt;br /&gt;da própria escravidão125.E em Sergipe não foi diferente, os escravos e escravas também&lt;br /&gt;conquistaram os mencionados espaços.&lt;br /&gt;Ao poucos esses quilombolas foram construindo a liberdade. Liberdade essa ,&lt;br /&gt;que como pudemos contatar, pode ter representado para esses escravos a esperança de&lt;br /&gt;autonomia de movimento, de maior segurança na constituição de relações afetivas; a&lt;br /&gt;possibilidade de escolher a quem servir ou de escolher não servir ninguém126 .&lt;br /&gt;Mulungu, por exemplo, não tinha por objetivo simplesmente deixar de ser&lt;br /&gt;escravo, abandonar o trabalho cativo; esse escravo a princípio queria o direito de escolher a&lt;br /&gt;quem servir, como isso lhe foi negado optou por se tornar um quilombola, mas ainda&lt;br /&gt;enquanto quilombola continuou, muitas vezes, trabalhando como lavrador para outros&lt;br /&gt;proprietários de engenho.&lt;br /&gt;A meta desse trabalho foi a de demonstrar a partir da vida de João Mulungu as&lt;br /&gt;experiências dos quilombolas da região da Cotinguiba, na década de 1870; como esses&lt;br /&gt;homens e mulheres vivenciaram o cotidiano de resistência, enfrentamentos e alianças.&lt;br /&gt;________________________&lt;br /&gt;125 cf. GOMES, Flávio dos Santos. Histórias de quilombolas: mocambos e comunidades se senzalas no Rio de&lt;br /&gt;Janeiro – século XIX. Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1995.&lt;br /&gt;126CHALHOUB,Sidney. Visões da liberdade: uma história das últimas décadas da escravidão na corte.São&lt;br /&gt;Paulo: Companhia das letras, 1990.&lt;br /&gt;58&lt;br /&gt;Percebemos que esses quilombolas eram ho
